quarta-feira, 26 de março de 2014

POR QUE O ESTILO DE VIDA DOS ADVENTISTAS É DIFERENTE EM ALGUNS PAÍSES?


Frequentemente, alguém afirma que não faz sentido manter algumas regras na igreja. Afinal, isso é algo cultural. Muitos de nossos irmãos adventistas em outras localidades não se valem das mesmas normas de conduta. Um exemplo seria o uso de joias. Em muitas partes dos EUA e Europa é comum que as pessoas usem adereços como brincos, colares, correntes, pulseiras, etc. Se em tais lugares é lícito, por que aqui ainda temos barreiras com o assunto? Seria resquício de um conservadorismo legalista, que valoriza mais o exterior do que o relacionamento com a pessoa de Jesus?
Apesar de ter mencionado o caso das joias, não quero focar nesse assunto, que mencionei a título de exemplo. Tampouco poderia dar conta de explicar todas as pequenas e grandes diferenças entre as normas adotadas por comunidades adventistas ao redor do mundo. Isso seria assunto para um livro, com diversos colaboradores. Meu objetivo aqui é refletir em algo que passamos por alto quando lidamos com essa questão. Eu me refiro à secularização.
Embora a palavra secularização pareça mais popular em nossos dias, ela é antiga. Creio que pouco antes da segunda metade do século XX já se falava disso, senão bem antes. Basicamente, o processo de secularização significa a perda da influência da religião na vida prática. Uma sociedade secularizada toma suas decisões e estabelece seus valores sem buscar qualquer tipo de orientação espiritual, seja cristã ou não. Uma pessoa com a mente secularizada não deixa de crer em Deus, ou mesmo de frequentar a igreja. Apenas não se preocupa com Ele enquanto trabalha ou vive sua vida “secular”.
Hoje os sociólogos falam da “revanche do sagrado”, com a explosão de cultos e aumento do número de fiéis de praticamente todas as religiões, especialmente muçulmanos e cristãos. Entretanto, o secularismo contemporâneo assume novas formas, especialmente em função da mentalidade pós-moderna. Um dos componentes da pós-modernidade é o relativismo, que consiste em assumir que a verdade depende da perspectiva de cada um, variando de época em época e comunidade em comunidade. A verdade é uma construção social, um jogo, algo que criamos para viver bem. E quando as necessidades mudam, criamos novas verdades. Se a verdade já não é mais tão verdadeira assim, não vale a pena lutar por ela. Ao invés disso, consumimos as verdades que nos atraiam no grande mercado das religiões. E, ao mesmo tempo, as reduzimos à uma experiência entre quatro paredes. Quando saímos do templo, da mesquita, da sinagoga ou igreja, a verdade fica lá.
Como a secularização afeta a compreensão das normas que compreendem o estilo de vida? Ela as relativiza e diminui sua importância. E como a secularização afeta os países industrializados, as comunidades adventistas nesse contexto sofrem o impacto dessa tendência de forma mais acentuada. Não é de admirar que o estilo de vida dos adventistas não difira daquele adotado pelo restante da população em alguns estados norte-americanos e na Europa. Mesmo aqui no Brasil, há estados, cidades e bairros nos quais a secularização se faz sentir com mais impacto do que seria o esperado.
O antídoto para a secularização se chama reavivamento e reforma. Embora o processo  de deixar Deus para escanteio avance, o povo de Deus pode e deve resistir às pressões culturais que tendem a deformar sua identidade. Obviamente, a luta possui muitos matizes e há pormenores difíceis de lidar. Entretanto, quando nos unirmos em torno da revelação de Deus poderemos obter esclarecimento da parte dEle, enquanto, de outro modo, nos perderíamos em intermináveis discussões de opinião.

Veja também:



7 comentários:

Fábio Martinelli disse...

Bem-vindo a Laodicéia!

Laodicéia era famosa por suas minas de ouro, sua lã negra que produzia os mais finos tecidos e seu colírio medicinal que era exportado por todo canto!
Impressionante que a visão da cidade sobre si mesma influenciou a visão da igreja.

"Eis que estou a porta e bato..."

Rafa Mira disse...

Muito bom pastor Douglas sua abordagem, não entrou em discussão e foi a fundo na conclusão, não temos opção, a unica cura tanto para Relativismo,Pós- modernismo e Secularização é somente Reavivamento e Reforma, no qual a serva do Senhor foi clara, esse processo é Ministrado pelo Espírito Santo. Nosso papel hoje é buscá-lo de todo coração.
Tiago 4:8-10 aqui esta o remédio.

Damaris Mello disse...

Qdo estive pela primeira vez num templo adventista em Campinas,, fiquei impressionada com a tamanha falta de reverencia das pessoas, durante a escola sabatina. Andavam de um lado para o outro, conversacao em alta voz nos corredores, pessoas chegando em horarios diversos, desrespeitando completamente os horarios preestabelecidos, cumprimentos e beijinhos, como se estivessem numa reuniao social qualquer. Resumo: um verdadeiro mercado de peixe. Hoje sou adventista, mas tao somente pela graça de Cristo, pq se dependesse do testemunho daqueles incircuncisos, eu jamais seria.

Anônimo disse...

Talvez, em lugar de "diferente em alguns países", fosse melhor "diferente de um país para outro".

Uma coisa é o que a Bíblia (sola-tota-prima Scriptura) e os escritos de Ellen White ensinam claramente, e que está no Manual da Igreja (a propósito a teologia oficial da IASD é muito bíblica, equilibrada e sensata). Outra coisa é o que cada um inventa: cada país, cada estado e cada igreja local vai criando seus próprios critérios, tão opiniões e gostos pessoais quanto o daqueles que supostamente acham que "vale tudo".

Aqui no Brasil, por exemplo, a maioria ficaria surpresa e/ou escandalizada ao saber que a IASD não diz nada sobre cinema (ver Manual da Igreja e Nisto Cremos) e não condena toda música secular (ver Filosofia de Música).

Marcelo Menezes disse...

Pastor Douglas respeito muito sua opinião e até compartilho da maior parte delas mas infelizmente, diferentemente de outras publicações suas, esta aqui não respondeu a pergunta a qual se propôs. No início gostei demais do que estava lendo mas logo depois percebi que não traria nada de explicação.

Just Me. disse...

Pr. bom dia.

O sr pincelou a questão das jóias...
Sei que não é nem de longe o foco do artigo, mas pesquisando sobre esse tema eu encontrei o artigo do pr. André Reis (segue no link abaixo), que me deixou confuso a respeito do tema. O sr. poderia comentá-lo?

Obrigado.

http://pt.scribd.com/doc/141983461/O-Adventista-e-as-Joias

douglas reis disse...

Just me,

a igreja tem sua opinião oficial sobre o uso de joias. Talvez o melhor trabalho sobre o assunto seja da autoria de Ángel Manuel Rodriguez. Infelizmente, alguns adventistas, utilizando metodologias diferentes (similar ao método de interpretação dos teólogos evangélicos liberais) têm escrito sobre o assunto. Não adianta comentar, porque a metodologia é outra, e teríamos que voltar a discussão ao nível dos pressupostos (sobre isso, há vários trabalhos interessantes do teólogo adventista Fernando Canale, no JATS, em inglês; Canale comenta como os paradigmas da teologia estão sendo mudados, havendo a adoção de paradigmas evangélicos, triste assim).

Abraços.