quarta-feira, 28 de maio de 2014

FALTAM PREGADORES PROFUNDOS ENTRE OS ADVENTISTAS


Precisa-se de pregadores profundos. E ninguém está pensando necessariamente em eruditos, que, quando se expressam de forma acessível, são naturalmente bem vindos. Também não se busca pregadores que tratem apenas de temas incomuns, porque um tolo pode trazer a lume sua inabilidade ao apresentar um tema bíblico de forma desequilibrada; não é o tema, por mais inédito ou criativo que seja, que faz o bom pregador. Nenhum tópico dispensa uma apresentação coerente e cristocêntrica.
Precisa-se de um púlpito lúcido, vivo. Não apenas uma linguagem renovada, contudo de senso de propriedade. E, sobretudo, que fique evidente que o pregador estudou submissa e exaustivamente a Bíblia antes de se atrever a ocupar meia hora da atenção de tantas pessoas distintas.
Se o pregador for um bom contador de histórias, nos entreterá; se for eloquente, nos arrebatará; se for bem humorado, nos divertirá; se for lógico, nos convencerá; se for bíblico em sua abordagem, nos levará a uma transformação. Dá para entender por que tão poucos saem transformados após ouvirem sermões nas maiores congregações adventistas? Por não faltarem pregadores lógicos, espirituosos, eloquentes e com boas histórias!
Respeito à Bíblia vai mais além do uso de dois versos bíblicos, intercalados por uma miríade de “causos”. Espera-se que o contexto histórico e literário da passagem norteie a aplicação que se fará. Como no famoso poema de Drummond, que apresenta o poeta como aquele que luta com as palavras, o pregador deve lutar com o texto. Semelhante a Jacó, ele deve se agarrar ao texto, disposto a permanecer ali até receber sua benção.
Um sermão profundo é aquele que nos leva a pensar com clareza nas coisas reveladas que antes não entendíamos, sendo ele próprio fruto de uma reflexão espiritual significativa. Tristemente, tendemos a nivelar experiências espirituais com arroubos emocionais. Mas Deus nos fala pelas Escrituras e elas são base mais segura do que emoções voláteis.
Não consigo ver reavivamento e reforma sem que aconteça a renovação no púlpito adventista. De um modo geral, nosso estudo da Bíblia necessita de mais vigor e paixão. Aprender de Deus em Sua Palavra e aprender também com Ele, porque ao estudar a Bíblia Ele se faz presente pelo Espírito Santo.
Mais do que gente talentosa, Deus precisa de homens e mulheres espirituais, humildes e cheios de amor pela missão.
Estou cansado de ouvir artistas explicando versículos de forma pobre e levando suas audiências a uma experiência menor. As bandeiras do adventismo precisam ser erguidas com coragem e brandura, amor e precisão. Sem mensagens baseadas em sólida análise da Bíblia, fracassaremos. Ainda dá tempo de rever o quadro…


11 comentários:

Sheilla lemos disse...

Sábias palavras Pr.Heber ,qtas vezes vamos para a igreja em busca de ouvir Deus falar conosco e o que presenciamos muitas vezes são pregadores despreparados, com leitura superficial de mais de 10 versículos sem nenhuma relação entre sí,deixando transparecer que ele nem estudou o que ia pregar e ficam enchendo o tempo com tantas ilustrações de internet pq nem tem uma experiência pessoal pra passar pra os irmãos, sem contar que 30 minutos parecem uma eternidade qdo a pessoa não tem relacionamento com Deus e infelizmente isso tem ficado bem claro em nossas igrejas.O povo precisa se consagrar...Falar de quem não se conhece é complicado...como despertar nos outros a vontade de se encontrar com Jesus se o próprio não vive essa experiência? conhecemos aqueles consagrados ao Senhor só no abrir da boca...o olhar é diferente...transmite segurança,confiança,certeza de que existe um Deus e a partir daí quem os ouve imediatamente quer viver a experiência tb...seja sermão do amor de Deus, seja sermão de advertência, de chamar o pecado pelo nome, quando é proferido por um servo fiel a Deus este sermão invade nossa alma e provoca um desejo profundo de mudança.E isso se aplica não só a pregadores leigos mas pastores tb, o que é pior...vivemos um momento em que poucos pastores tem se preocupado em cuidar de suas ovelhas, trabalham na obra como se fosse um trabalho qualquer,mas Deus requer muito mais dos seus ungidos.
Louvado seja Deus que ainda existem muitos preocupados em levar a salvação a suas ovelhas e que não as deixam se desgarrar, e quando isso acontece ele vai atrás até conseguir trazê-la de volta...
Particularmente eu o admiro muito Pr. Heber por sua dedicação a obra, tão jovem e tão compromissado com Deus e por isso se compromete com os filhos de Deus,mesmo sem conhecê-lo pessoalmente adquiri o hábito de estudar a palavra de Deus todos os dias e aprender com seus comentários sobre o capítulo, aí eu pergunto? estou na bahia...e vc aí tão longe no entanto tem sido um prazer pra mim acompanhar suas postagens estudar seus sermões no blog...enfim, que nosso Deus continue abençoando sua vida ricamente e tenho certeza que sua coroa no céu vai ter milhares de estrelas. Deus o abençoe!!

douglas reis disse...

Sheila,

também admiro meu amigo, pastor Heber, mas o blog dele é outro!...

Claudio disse...

Belo texto, "pr. Héber", rsrsrs

Lilian Pereira disse...

Concordo totalmente com o artigo. Mas para reverter o quadro falta uma condição essencial: comunhão e unção. Basta ler o sermão de Pedro em Atos 2. Aos nossos olhos tão simples; poucos dariam valor a uma pregação como essa num sábado de manhã. A diferença? Comunhão e unção. Após mais de trinta anos na IASD e uma vida pregressa no chamado mundo, entendo muito bem quem são os que falam verdadeiramente usados por Deus e usando o poder da Palavra e os que especulam no secularismo e todas as suas variações sem levar ninguém a lugar algum.

Ary Molina disse...

Irmã Lilian faço minhas as suas palavras, conheço bem quando um pregador não se afastou do seu eu, e sei também quando um pregador é Cristocêntrico, agradeço a Jesus por me fazer conhecer a verdade. abraço.

Moisés Móra disse...

Grande reflexão... Muito necessária nesses dias em que tudo o que importa é "entreter" ouvintes com "pão e circo" nos púlpitos.
Tal qual o pregador será sua congregação. Se hoje a igreja padece por falta de compromisso com a missão, talvez seja por causa de nossa falta de profundidade bíblica no púlpito. Todo pregador deve estar mais interessado no que Deus vai pensar a respeito de sua mensagem do que as pessoas ao final do culto...
Obrigado pela mensagem e advertência Pr Douglas!

Marcio Mendes disse...

Parabéns. Tenho esse mesmo pensamento. Vejo que estão enfatizando tanto a mordomia cristã que se esquecem de enfatizar o que é mais importante: firmar a fé dos membros.
Vejo o número de membros diminuírem, será que é falta de fé? Ou os membros estão cansados de ouvirem as mesmas coisas todos os sábados?
E sim, existem muitos que falam pela boca e não pelo espírito, até mesmo pastores de associação são tão vazios que tem membros que são mais cheios que eles.

Manoel Barbosa disse...

Ótimo texto. Palavras assim deveriam ser mais divulgadas, quem sabe assim, haveria uma mudança para melhor nos púlpitos adventistas.
Não sei se você já percebeu, mais, mesmo sem tua ordem, tenho publicado algumas matérias tuas em meu blog.
Essa será mais uma que terei o prazer de publicá-la.
Manoel Barbosa da Silva
www.manoelbsilva.blogspot.com

Charles Weber Filho. disse...

Sinto que a "verdade" tem que ser mais direta no púlpito adventista. O pecado não é chamado pelo nome, mas dá-se a entender e fica tudo "dito pelo não dito'. O pregador finge que disse e o ouvinte finge que entendeu. Falta coragem para se tomar uma atitude franca, objetiva e direta quanto a posição laodiceana na igreja. Aqueles que se atrevem a tais atitudes, são descartados sutilmente. a palavra de ordem na igreja hoje em dia é SECULARIZAÇÃO. Porque não dizer: uma apostasia branda.

charles antonio weber filho weber disse...

Gostei do que você escreveu Douglas, e reitero que o que não se ve mais nos sermões é DOUTRINA...A DOUTRINA é que dá peso à PALAVRA...sermões destituídos de DOUTRINA são sermões vazios...o tal de água açucarada...afinal é o que a maioria gosta...ou está acostumada a beber em lygar da ÁGUA DA VIDA.. abs co Charles.

José Geraldo Meira disse...

Realmente é triste e frustrante ver pregadores meia boca que não se dedicam a pesquisa e estudo profundo do tema que se propõe apresentar do púlpito.