sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

COMO OS ADVENTISTAS SE RENDEM NA UNIVERSIDADE


O conhecimento da verdade não pode servir como uma alienação justificável. Durante um congresso universitário, ouvi certo líder da igreja afirmar: “Não vamos combater teoria com teoria; vamos combater teoria com vida.” A declaração se deu no contexto da resiliência do cristão no ambiente universitário. Em virtude de tantos golpes filosóficos da academia contra a fé, o melhor seria viver com tal integridade que o evangelho demanda. Entretanto, o raciocínio, que cito como exemplo sintomático, apenas glamouriza a sina do crente como mártir em um processo de suicídio intelectual.
Crer não basta. A crença inspira. Ela opera como um alicerce para construção de teorias alternativas. O cristão piedoso sobrevive mudo ante as pressões da academia; já o cristão pensante, que não deixa de ser igualmente piedoso – uma coisa não exclui a outra! – faz a diferença no ambiente dominado por concepções seculares. Pensar, nesse caso, é o melhor testemunho que se dá sobre a própria fé.
Em um ciclo de palestras que proferir em uma grande igreja do Rio de Janeiro, uma senhora se manifestou.  Ela, professora universitária de filosofia, estava em crise:  em seu trabalho, criticava teoria vigentes; contudo, quando seus alunos lhe perguntavam o que ela defendia como verdade, surgia o dilema:  de que modo lhes apresentar que Jesus é a verdade, sem parecer simplista ao extremo?  Eu argumentei que a questão reside na base: sendo a filosofia essencialmente bibliográfica (uma observação que o próprio filósofo ateu Luc Ferry fez em um de seus livros), isso cria limitações para a expressão Intelectual. Todavia, sempre se pode recorrer a filósofos cristãos, desenvolvendo e ampliando a contribuição deles, sem ser simplista ou anti-intelectual.
Quando estive em Londres, conversei com um professor de educação física, companheiro de viagem.  Ele cursava mestrado e meu interesse se fixou nesse tema.  Quando lhe perguntei sobre a linha de pesquisa que adotara, o rapaz confessou: " Perante o pensamento da igreja, sei que isso está errado.  Mas é a linha que o meu orientador me recomendou."  Enquanto persistir a dicotomia artificial entre crença e pesquisa, fé e fatos, verdade religiosa e verdade secular, nosso cristianismo será reduzido a um compromisso irrelevante, tanto para a esfera acadêmica, quanto para o mundo real.

Precisamos raciocinar com clareza, apresentando a verdade entretecida com nossos pensamentos e ações.  Em cada área, a verdade deve se fazer presente, como um fio de ouro amarrando todas as pontas.  Não quero sugerir que isso seja fácil ou simples.  Se fosse, seria redundante escrever esse texto!  Porém, no momento em que estivermos focados nisso, haverá oportunidade de diálogo com pessoas que não endossam a mesma fé.  Com amor, respeito, integridade intelectual e maturidade poderemos ser usados por Deus para mostrar que os cristãos não deixaram o cérebro fora do corpo desde a ocasião de seu batismo.

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