quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A IGREJA ADVENTISTA MUDOU?


O adventismo mudou?
Há décadas as crenças adventistas são as mesmas.

Por que, então, se fica com a impressão de que a igreja não é a mais a mesma?
Há vários fatores, um deles, seria a mudança de ênfase.

Fale sobre a questão da mudança de ênfase.
Em sua evolução, o adventismo mudou muitas vezes de ênfase. A princípio, por ter uma proposta em muitos pontos divergente dos demais grupos evangélicos, o adventismo enfatizava seus aspectos distintivos, o que originou um comportamento legalista. Aos poucos, o movimento se equilibrou.

O legalismo continua um problema para o adventismo?
Sempre haverá a tentação do legalismo, assim como grupos e indivíduos legalistas. De um modo geral, esse não seria o problema mais sério do adventismo na atualidade.

É possível afirmar que, com a superação do legalismo inicialmente dominante, o adventismo encontrou um equilíbrio?
A princípio, sim. Contudo, com o passar das décadas, além da tentação do legalismo, surgiram outras, como o desejo latente de pertencer ao movimento evangélico.

Os adventistas não se consideram evangélicos?
Há muitas acepções para o termo evangélico. No sentido de crer na mensagem de salvação do evangelho, dom gratuito baseado na morte e ministério intercessor de Cristo, os adventistas são, sim, evangélicos. Isso não significa que o adventismo se alinhem com todas as posturas teológicas dos principais ramos do evangelicalismo.

Quais seriam alguns dos pontos de tensão entre adventistas e evangélicos?
Alguns exemplos rápidos: (1) evangélicos dissociam salvação de estilo de vida, enquanto os adventistas entendem que, uma vez justificados, todo cristão experimente o processo de santificação, que se dá pela fé e que implica em ter o caráter de Cristo formado em sua vida, mediante a obra do Espírito Santo; (2) evangélicos delimitam a obra de Cristo à Sua morte na cruz, sem possuir uma compreensão mais abrangente de Seu serviço no santuário celestial; (3) evangélicos não vêm relação entre vida cristã e obediência aos dez mandamentos, muito menos creem na importância do quarto mandamento, considerando essas temáticas referentes à religião do Antigo Testamento; (4) muitos evangélicos são dispensacionalistas e entendem que Jesus voltará e raptará secretamente a igreja, enquanto os adventistas pregam o retorno de Jesus de forma iminente, visível, literal e em glória; (5) a ênfase profética do adventismo diverge muito das principais denominações evangélicas.

Por que os adventistas quereriam se aproximar dos evangélicos?
Há vários fatores para a aproximação: (1) a influência que eruditos adventistas sofreram da teologia evangélica ao realizarem cursos de pós-graduação em universidades evangélicas; (2) a influência das metodologias e práticas ministeriais sobre setores da liderança adventista; (3) a influência da literatura, música e mídia evangélica sobre leigos e administradores adventistas, etc. Tais fatores, entre outros, fomentam o desejo de se aproximar, em detrimento da ênfase escatológica própria do adventismo, bem como da mensagem específica que o movimento possui.

Isso significa que o adventismo perdeu sua identidade própria?
A perda de identidade é um processo gradativo e heterogêneo, afetando mais a igreja em algumas geografias do que em outras. Não seria justo dizer que a igreja como um todo não cumpre mais seu papel como remanescente da profecia. A despeito da sonolência letárgica de Laodiceia (Ap 3:14-22), o clamor da meia noite será ouvido (Mt 25:6), despertando o povo de Deus. A parte individual nesse processo é orar e buscar esse despertamento, enquanto se conserva o óleo do Espírito Santo (Mt 25:8-10). Não existe um ministério da crítica, por isso, nosso papel é buscar a Deus com todas as nossas forças, para cumprir o papel que Ele espera de Seu povo.


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