sábado, 4 de fevereiro de 2017

ADVENTISTAS E O IMPACTO DA SALVAÇÃO


Quando Jesus é aceito, isso muda a vida da pessoa. O quanto muda? Pessoas que passam por experiências de proximidade à morte (quedas de avião, ataques terroristas, acidentes automobilísticos, catástrofes, etc) admitem ter uma nova perspectiva. Revisam as prioridades, enfocam relacionamentos, percebem a própria limitação da vida. Porém, raramente essas pessoas eram a causa da situação que quase redundou em seu fim. O passageiro de um avião não teve culpa da falha mecânica da aeronave. O funcionário do banco não sabia que no seu turno se tornaria refém de perigosos assaltantes. Em geral, não há culpa associada à catástrofe (às vezes, sentimento de culpa). Em outros casos, há parcelas de responsabilidade: o pai que viu a família no hospital se lamenta por ter economizado o valor da revisão de fim de ano; o casal lamenta ter feito o passeio de lua de mel sabendo dos alertas de desabamento na região. Mesmo nesses exemplos, não se percebe intencionalidade, desejo por sofrer ou ver outros sofrerem. A proximidade da morte é mais bem vista como fatalidade, talvez azar, mas sem intenções causais.
Por isso, o paralelo da experiência de escapar da morte com a da salvação espiritual só pode ser parcial e incompleto: no primeiro caso, fatalidade e impacto suficiente para reordenar áreas específicas da vida; no segundo caso, culpabilidade e impacto suficiente para afetar por completo a existência. Isso merece um comentário para ser bem compreendida (a) a culpabilidade e (b) o tipo de impacto que engendre todas as esferas da vida.
A culpabilidade se refere ao fato de que a situação antes da salvação é de responsabilidade humana. Se o encontro com Jesus nos muda, temos de analisar o que havia antes do encontro que exigisse mudança. E o que havia era degradação, por culpa da vontade. O pecado afeta as escolhas, os hábitos, as palavras, as intenções (mesmo as que vestem smoking!). Aqui se estabelece um ponto crucial na compreensão da mudança efetuada por Jesus: só é possível entende-la corretamente quando se assume o efeito global do pecado. Limitar a atuação do pecado implica em reduzir o que salvação efetuou. Igualmente essencial é notar que, uma vez maculado pelo mal, a única solução seria esperar uma atuação externa, jamais qualquer contraparte interna, iniciativa do próprio homem. O gênero humano não é apenas responsável pela sua condição pecaminosa, como igualmente incapaz de dirimir seus efeitos. Assim, pode dizer que o homem vive em estado perpétuo de culpa pela condição pecaminosa, da qual nada pode fazer para se livrar, pela qual é responsável.
O tipo de impacto proporcionado pela salvação é mais abrangente se comparado com as experiências daqueles que estiveram próximos da morte por uma razão simples: antes da salvação, todos estávamos mortos (Cl 2:13). O próprio Jesus disse, em um aforismo cheio de sabedoria, que os mortos (em sentido espiritual) se preocupavam em cuidar dos mortos (em sentido literal), ou seja, se limitam a cumprir as obrigações da vida, sem se preocupar em seguir Seu chamado (Lc 9:60). Se pecado é morte, salvação é vida, nova vida, ressurreição. A salvação é ressurreição, não apenas porque se diz que morremos por causa do pecado (Ef 2:5-6), como também para o pecado (Rm 6:10-11). Se o pecado traz morte (Rm 6:23), mesmo vivos estamos como mortos (como Adão e Eva, que comeram do fruto e morreram, sem, de fato, morrer naquele exato momento), pela certeza de que a morte será a sentença irrevogável.

Entretanto, ao nos outorgar a salvação, automaticamente Deus nos deu vida, vida em Cristo! Se a palavra da verdade nos deu vida (Tg 1:18), essa deve ser uma vida de obediência à verdade (1 Pe 1:22). Por isso experimentamos a salvação como uma mudança completa de vida, no sentido de que a vida nova precisa implicar em obediência. Se salvação traz vida e vida de obediência, experimentamos a salvação na sua dimensão relacionada à obediência, ou aquilo que denominamos santificação (Hb 12:14). Afinal, o perdão divino, ou etapa da salvação a qual chamamos justificação (Rm 5:1; Ef 2:8), é um ato instantâneo, ocorrido no passado; sobre a última etapa, a glorificação, não poderemos provar até que Jesus nos transforme em Sua vinda (1 Co 15:53-54; 1 Jo 3:1-2), no futuro. Assim nos resta pensar e viver a salvação em termos de santificação, ou seja, sob o impacto da nova vida recebida (Cl 3:1) e em preparação para o ato de transformação final que se dará na volta de Jesus (1 Jo 3:3). A santificação é a dimensão presente da salvação, aquilo com o que devemos nos ocupar agora. Por isso, a obediência na vida cristã assume um papel tão destacado: revela o impacto da salvação recebida (passado) e nos condiciona a alcançar o alvo da esperança (futuro).

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