terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

POR TRÁS DA REJEIÇÃO DO REMANESCENTE


A espiritualidade do remanescente está associada com a visão bíblica do santuário celestial/santificação. A própria caracterização do remanescente como um povo peculiar que guarda os mandamentos (Ap 12:17) já pressupõe uma compreensão da santificação. A guarda dos mandamentos não é um meio de justificação; do contrário, teríamos justificação pelas obras, não pela fé. A lei divina faz parte da vivência do cristão que já passou pelo processo de justificação e agora está vivendo os embates da vida cristã, ou seja, está lutando contra as tentações e prosseguindo em permitir que o Espírito atue nela, reproduzindo em sua vida a vontade divina conforme expressa nas Escrituras.
A visão evangélica do sacrifício de Cristo/justificação anula a necessidade de se guardar os mandamentos; logo, dissipa o traço identificador do remanescente. Assim, o remanescente escatológico dá lugar a outros conceitos, especialmente o da igreja invisível. O conceito da igreja invisível consiste em afirmar que todos os cristãos sinceros, que vivem na luz que possuem, são o remanescente. Sendo assim, o remanescente não é uma entidade visível, que se pode conhecer ou identificar. Trata-se de algo que apenas Deus conhece. Basta que alguém seja sincero e, independente de sua confissão de fé, tal pessoa poderá ser identificada (por Deus) como parte do remanescente.
Além de contradizer as Escrituras, igualar o remanescente com a igreja invisível é uma forma de (a) relativizar o papel das doutrinas na vida cristã e (b) anular a progressão histórica explanada no livro de Apocalipse. É certo que há pessoas sinceras que, em meio à confusão religiosa, ouvirão o chamado de Deus (Ap 18:4). Entrementes, isso não anula o fato de haver uma entidade presente e identificável, para a qual os sinceros, ademais, serão chamados a pertencer.
Mesmo entre os adventistas, existem algumas vozes (isoladas, é verdade) que reivindicam entendimentos alternativos sobre o remanescente – alguns coincidentes com a o conceito de igreja invisível. O fato de alguns adventistas pensarem nessa direção é a triste constatação de que a visão evangélica do sacrifício de Cristo/justificação se acha assimilada por eles.
Dizer que os adventistas são o povo remanescente não significa exclusividade de salvação. Afinal, o remanescente é o representante divino e tem a missão de levar a salvação a outros (Ap 14:6-12). Tão grande é a vocação e a responsabilidade do remanescente que devem conduzir a uma profunda humildade e dependência de Cristo.

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2 comentários:

Tomé White disse...

o q sería de minha vida sem esse blog?

continue postando. nao comento mas estou sempre lendo. acompanho esse blog desde quando eu estava em Angola. e como jovem, esse livro mudou minha vida.

Tomé White disse...

verdade! não somos melhores q ningúem. apenas temos uma mensagem melhor q todas as outras e que precisamos anunciar