sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O DOM PROFÉTICO NO LIVRO DE NÚMEROS



Ao longo do Antigo Testamento, percebe-se a comunicação de Deus com Seu povo por intermédio dos profetas, o que ocorreu em ocasiões de maneiras diversas (Hb1:1). Todavia, o profeta sempre é reconhecido como aquele que fala pelo divino, sendo que em a terminologia bíblica inicial fala que o espírito do Senhor veio sobre a pessoa, enquanto a terminologia mais tardia é “veio a mim a Palavra do Senhor”.[1] Basicamente, os profetas comunicavam a Palavra de Deus para situações presentes, confrontando o pecado de Israel, mas também intercediam pelo povo diante de Deus.[2]
Apesar de associar-se profetas aos livros que o escreveram ou aos livros históricos, encontramos exemplos e manifestações proféticas no Pentateuco. Aliás, é justamente no Pentateuco que ocorre a primeira menção à palavra “profeta” (Êx 4:16). No livro de Números, o qual narra a travessia do povo de Israel até Canaã, em continuação aos episódios referidos no livro de Êxodo, em meio a sua variedade de temas e gêneros literários[3], há passagens que abordam o tema do dom profético. Nesse artigo, analisaremos brevemente algumas referências a profetas em Números, focando três narrativas distintas: (1) O episódio em que Deus repartiu seu Espírito sobre os líderes de Israel (Nm 11), (2) a controvérsia envolvendo Moisés e seus irmãos (Nm 12) e, finalmente, (3) a chamada “perícope de Balaão” (Nm 22-24).
Em virtude do limite de espaço, faremos considerações pontuais sobre os três episódios, focando no que o livro de Números ensina sobre o dom de profecia. Ao fim, apresentaremos o resumo de nosso estudo, juntamente com um esboço de uma possível teologia de Números sobre o dom profético.

O Espírito Repartido

O contexto de Números 11 trata de uma crise que enfrentava a liderança de Moisés. A queixa, fomentada por estrangeiros entre o povo (Nm 11:4), estava relacionada a razões dietéticas (Nm 11:4-6). Diante da pressão popular (Nm 11:10), Moisés queixou-se com Deus e mostrou a exaustão que sua responsabilidade lhe causara, a ponto de admitir que não tinha condições de continuar liderando sozinho o povo, preferindo a isso a própria morte (Nm 11:14-15). Após atender a demanda do povo de forma miraculosa, Deus decidiu repartir o Espírito dado a Moisés entre outros setenta líderes, que passaram a profetizar, o que fizeram apenas nessa ocasião (Nm 11:24-25). O contexto sugere que “houve distribuição tanto qualitativa como quantitativa do espírito do Senhor.”[4]
Curiosamente, duas autoridades que faziam parte do grupo, Eldade e Meldade, também profetizaram, fazendo-o no meio do acampamento (Nm 11:26), razão de despertar-se os ciúmes de Josué (Nm 11:29), o jovem auxiliar de Moisés. Ciúmes ou zelo, nesse caso revela que Josué deseja que Moisés continue sendo o único líder.[5] Obviamente, era um zelo fora de lugar.[6] A resposta de Moisés indica uma disposição não de monopolizar os dons divinos, mas de vê-los livremente atuando na comunidade (Nm 11:29).

Desavença entre Moisés e seus irmãos

Uma nova crise atinge Moisés em Números 12, desta vez com um caráter familiar. Seus irmãos passaram a criticá-lo em decorrência da etnia de sua esposa (Nm 12:1-2). Para sanar a questão, Deus convocou os três irmãos e, em defesa de Seu servo, explanou a diferença entre Seu contato com os profetas e a maneira como se relacionava com Moisés (Nm 12:6-8).
O termo profeta (nabi), que aparece no verso 6, é o mesmo referido quando Moisés expressou seu desejo de que todo o povo profetizasse (Nm 11:29). Deus se comunica com os profetas tradicionalmente por sonhos (Chalowm, palavra que aparece com mais frequência no livro de Gênesis, mas apenas aqui no livro de Números) e visões (Mar'ah, termo usado por profetas na época do exílio, como Daniel e Ezequiel). Porém, Moisés falava com Deus boca a boca, ou seja, face a face. Quando junto com o povo, Deus se manifestava a ele por meio de Sua presença no santuário; mas quando a sós, era como se Deus lhe permitisse estar dentro da tenda sagrada.[7] O contato de Moisés com Deus era, portanto, “mais regular e familiar” em relação àqueles que possuíam uma experiência profética.[8] Assim, Arão e Miriã, também relacionados entre os profetas (Dt 18:15; 34:10), deveriam respeitar seu irmão, uma vez que ele “é posto à parte e acima dos profetas.”[9]

A perícope de Balaão

Israel chegou à estepe de Moabe. Sem dúvida, diante de uma eventual invasão israelita, Balaque formou uma liga Moabe-Midiã (Nm 22:4), sendo a solução encontrada em consenso (Nm 22:5, 6): a única forma de conter o avanço do povo santo era amaldiçoá-lo. Para o serviço, contataram Balaão, cuidando, na mensagem destinada ao vidente, em não mencionar quem era o inimigo, a fim de evitar um conflito de interesses, uma vez que ele consultaria o Deus de Israel para amaldiçoar Seu próprio povo.[10]
É muito debatido o status de Balaão: profeta legítimo ou mero vidente? O termo que lhe é atribuído, “adivinho”, é “pejorativo ou apresenta sentido negativo, especialmente nos livros proféticos.”[11] Por mais inverossímil que tal personagem pareça, a arqueologia descobriu um conjunto de relatos em paredes de gesso do século VIII a.C, o qual guarda paralelos com essa narrativa bíblica. No relato, Balaão é mencionado e descrito como estando em associação com vários deuses; apesar disso, não se pode descartar que ele tenha sido um monoteísta no passado, especialmente por viver em uma geografia que o ligava aos arameus, antepassados de Abraão e seus descendentes.[12]
Outras descobertas se relacionam a Mari, cidade situada entre a Babilônia e Alepo. Ali se praticava o profetismo pagão e os achados nos informam sobre esta prática no Antigo Oriente próximo. Basicamente, havia profetas que se constituíam oráculos sacerdotais (muitos deles também praticantes da prostituição sagrada) e profetas extáticos. Embora não se explique o fenômeno da revelação entre eles, “é possível que os prognosticadores extáticos da Mesopotâmia usassem substâncias que alterassem a percepção, como álcool, haxixe ou esporão de centeio [com efeitos alucinógenos[13]].”[14]
É digno de menção que Ellen G. White afirma que Balaão possuía conhecimento (ao menos parcial) sobre o Deus verdadeiro,[15] o mesmo juízo expresso pela literatura rabínica.[16] O próprio Balaão utiliza uma palavra em seu terceiro pronunciamento, traduzida como “palavra” ou “oráculo” (Nm 24:3), cujo sentido indica “declaração profética inspirada (2 Sm 23:1) ou uma declaração do Senhor (e.g. Gn 22:16; Nm 14:28; Is 1:24).”[17]
Apesar de inicialmente Deus vetar Balaão de atender ao convite de Balaque (Nm 22:12), Ele o permitiu após um segundo encontro com o vidente (Nm 22:20). A viagem deve ter durado cerca de 20 dias.[18] Contudo, durante a ida do profeta, por três vezes sua montaria interrompeu o curso da viagem (Nm 22:23-27). A reação de Balaão foi castigar severamente sua jumenta (Nm 22:27). Curioso é perceber o contraste entre as consequências da ira divina (causa da intervenção do anjo) e as inconsequências da ira humana (vista na atitude de Balaão contra o animal). No momento em que Balaão se mostrava mais irracional, Deus tornou a jumenta racional. Até um animal usado por Deus age com mais inteligência do que um homem obstinado no erro. Com efeito, Deus pode usar qualquer pessoa ou coisa, como alguém já considerou:

Da mesma forma que Balaão cavalga a sua mula até ser ela detida pelo anjo do Senhor, Balaque igualmente impulsiona Balaão a amaldiçoar Israel até que é detido pelo seu encontro com Deus. Da mesma forma como Deus abre a boca da mula, ele colocará as Suas palavras na boca de Balaão, para declarar a sua vontade. Este paralelismo entre Balaão e sua mula sugere que a capacidade de declarar a Palavra de Deus não é necessariamente sinal da santidade de Balaão: revela somente que Deus pode usar qualquer pessoa (e até um animal) para ser Seu porta voz.[19]

Obviamente, o episódio serviu de alerta para que Balaão apenas dissesse o que Deus mandasse (Nm 22:35), compromisso que se viu obrigado a cumprir, mesmo à revelia de seu contrato com Balaque. A respeito de seus oráculos, depreende-se deles o quão precioso e notável é Israel para Deus, a ponto de ser considerado especial, entre todos os povos da Terra![20] Um comentário assevera que como “o primeiro e o segundo oráculos, o terceiro se refere às bênçãos de prosperidade, poder e fama […]”.[21] Talvez se possa dizer com maior precisão que, enquanto os dois primeiros poemas de Balaão se referem ao passado de Israel, os dois últimos apontam para o Messias vindouro.[22] Parece que Balaão se porta como autêntico profeta em seus pronunciamentos finais.[23] Até mesmo a palavra que é usada para suas visões (Machazeh) é usada no Pentateuco em referência a aparição divina a Abrão (Gn 15:1).
No último pronunciamento feito pelo vidente, temos a compreensão de que se descreve o rei messiânico como “experimentando um novo Êxodo escatológico, recapitulando em sua vida os eventos do Israel histórico no seu Êxodo do Egito e conquista de seus inimigos.”[24] No mundo antigo, a estrela representava uma divindade. Considerando isso e a difusão dessa profecia de Balaão em meio ao paganismo,

Não é coincidência que uma estrela guiasse os magos do oriente ao bebê Jesus em Belém (Mt 2:1-11). Tanto os magos como Herodes consideram a estrela como sendo um sinal do divinamente designado “rei dos judeus” (2:2), um governante como a “estrela” davídica fora de Jacó que Balaão viu (Nm 24:17). Nesse caso, o recém-nascido Rei era o Filho de Deus (Lc 1:32-35), cuja origem era celestial, divina (Jo 3:13, 31; 6:38, 51), tornando o símbolo da estrela ainda mais apropriado.[25]

Dessa forma, as profecias de Balaão alcança uma realização escatológica, apontando para o Messias vindouro. Que um profeta pagão antevisse a vinda do Salvador da humanidade é de causar assombro!

Conclusão

No livro de Números, encontramos menção a episódios envolvendo manifestações proféticas ou alusões ao tema. Neste artigo, tratamos de três menções, duas delas envolvendo Moisés, outra, não. No primeiro caso, vimos como Deus concedeu temporariamente o dom de profetizar aos anciãos de Israel, mostrando que as responsabilidades da liderança mosaica estariam divididas entre eles. Apesar da medida haver desgostado Josué, o próprio Moisés afirmou que seria muito melhor se todo o Israel recebesse uma parte do Espírito distribuído à liderança. No segundo caso, em meio à uma desavença familiar que afetava a imagem de Moisés, Deus expressou seu íntimo relacionamento com seu servo, superior à experiência profética e, sem dúvida, um caso peculiar, talvez sem paralelos na História do antigo Israel. Por fim, verificamos nos relatos envolvendo Balaão que o Senhor usou um vidente pagão para abençoar Seu povo, agindo de forma soberana para mostrar que Israel era distinto das demais nações e que lhe estavam reversadas bênçãos futuras, em continuidade a tudo o que Deus já lhes havia proporcionado. Também a promessa messiânica é afirmada por meio de Balaão e, surpreendemente, para um auditório pagão.
Revisando as três passagens, sugerimos as seguintes implicações para uma possível teologia do dom profético no livro de Números: (1) Deus é Soberano na escolha de Seus mensageiros, podendo, em casos específicos, fazer uso de pessoas não diretamente ligadas ao Seu povo, para eventualmente transmitir verdades, embora regularmente Se revele a pessoas que desfrutam de um relacionamento com Ele; (2) O Espírito do Senhor é imputado de maneira sobrenatural ao profeta, condicionando-o a exercer um ministério em favor do povo de Deus, maiormente para guia-lo em assuntos espirituais; (3) Mesmo um profeta necessita reconhecer e respeitar líderes instituídos por Deus, não os desrespeitando ou discriminando arbitrariamente.



[1] John J. Schmit, “Preexilic Hebrew prophecy”, in David Noel Freedman, The Anchor Bible Dictionary (New York, NY: Doubleday, 1992), 482.
[2] Robert L. Cate, “Prophet”, in Watson E. Mills, Mercer Dictionary of the Bible (Macon, Georgia: Mercer University Press, 1990), 715.
[3] Jacob Milgrom, Numbers - The JPS Torah Commentary (Philadelphia, NY: The Jewish Publication Society, 1990), xiii.
[4] Ibid., 90–91.
[5] Timothy R. Ashley, The Book of Numbers – The New International Commentary on the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing, 1993), 216.
[6] Philip J. Budd, Numbers - Word Biblical Commentary (Waco, TX: Word Books Publisher, 1984), 129.
[7] Milgrom, Numbers, xxxviii.
[8] Budd, Numbers, 137.
[9] Milgrom, Numbers, 95.
[10] Roy Gane, Leviticus, Numbers – The NIV Application Commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2004), 690.
[11] Charles H. Savelle, “Canonical and Extracanonical Portaits of Balaam,” Bibliotheca Sacra, 2009, vol. 166, no 664, 390.
[12] Gane, Leviticus, Number, 690–691.
[13] Trata-se de uma espécie de fungo parasita conhecido como ergot (Claviceps pupura).  O fungo afeta o centeio e outros cereais, provando diversos sintomas em seres humanos, inclusive alucinações, podendo levar à morte por envenenamento. A bióloga Linnda R. Caporael sugeriu em seu artigo Ergotism: The Satan Loosed in Salem? que o esporão de centeio teria causado alucinações em Elizabeth Parris e outras meninas de sua vila, caso que gerou uma perseguição à mulheres de Salém, acusadas de bruxaria. Daí nasceu a conhecida lenda das Bruxas de Salem. Ver Robin Robin DeRosa, “Specters, The Salem Witch Trials and American Memory” (dissertação de doutorado, Boston, MA: Tufts University, 2002).
[14] R. K. Harisson, Numbers: A Exegetical Commentary (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1992), 294.
[15] “Balaão já havia sido um bom homem e profeta de Deus; mas apostatara e entregara-se à cobiça; todavia professava ainda ser servo do Altíssimo. Não ignorava a obra de Deus em prol de Israel; e, quando os enviados comunicaram sua mensagem, bem sabia que era seu dever recusar as recompensas de Balaque, e despedir os embaixadores. Mas arriscou-se a contemporizar com a tentação […]”Ellen Gould White, Patriarcas E Profetas, (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2006), 16a ed., 2a imp., p. 439,
[16] Savelle, “Canonical and Extracanonical,” 397.
[17] Gane, Leviticus, Numbers, 709.
[18] T. Carson, Números, in F.F. Bruce, Comentário NVI: Antigo E Novo Testamento (São Paulo: Editora Vida, 2009), 1a reimpr. da 1a ed., 335.
[19] Gordon J. Wenhan, Números: Introdução E Comentários – Série Cultura Bíblica (São Paulo, SP: Vida Nova, 2011), 4a reimp. da 1a ed., 175.
[20] Raymond B. Dillard and Tremper Longman III, Introdução Ao Antigo Testamento (São Paulo, SP: Editora Vida, 2006), 87.
[21] Anastasia Boniface-Malle and Tokunboh Adeyemo, in Comentário Bíblico Africano (São Paulo, SP: Mundo Cristão, 2010), 198.
[22] Martin G. Kingbeil, “Poemas en medio de la prosa: poesía insertada en el Pentateuco”, in Gerald A. Kingbeil, Inicios, paradigmas y fundamentos: estudios teológicos y exegéticos en el Pentateuco (San Martín, Entre Ríos: editorial Universidad Adventista del Plata, 2004), 81.
[23] Ver (a) Dennis T Olson, Numbers (Louisville: John Knox Press, 1996), 147; (b) Eugene H. Merril, Kingdom of Priest: A History of Old Testament Israel (Grand Rapids, MI: Baker Publishing Group, 2008), 2a ed., p. 107.
[24] Richard M. Davidson "A Estrutura Literária Escatológica Do Antigo Testamento", Timm et al, "O Futuro: A Visão Adventista Dos Últimos Acontecimentos: Artigos Teológicos apresentados no V Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano em homenagem a Hans K. Larondelle” (Engenheiro Coelho, São Paulo: Unaspress, 2004), 9.
[25] Gane, Leviticus, Numbers, 713.

terça-feira, 29 de julho de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A SEMPRE CONTROVERSA RELAÇÃO COM A CULTURA


Cultura é uma palavra que não aparece na Bíblia. Basicamente, sua raiz indica o cultivo de algo, o que ganhou uma conotação mais ampla – hoje abrangendo praticamente as atividades humanas mais variadas, desde a produção de conhecimento e arte, a hábitos de vida de uma sociedade.
Não é tarefa simples avaliar a cultura por um prisma cristão. Para complicar, vivemos uma cultura em transição, devido às mudanças com viés tecnológicas, globalização, relativismo, entre outros fatores. Outro problema se levanta ao constatarmos que, uma vez que a cultura afeta quem somos, ela afeta nossa maneira de pensar e de entender as coisas. E se a cultura influencia nossa interpretação, o que isso representa para o estudo da Bíblia?
Quando se lida com a hermenêutica, definida aqui de maneira simples, como ciência que trata da  interpretação de textos, as implicações são mais profundas: podemos interpretar a Bíblia objetivamente ou estaríamos condicionados pela cultura a uma interpretação determinada, incapazes de entender o sentido original da Bíblia, o qual sempre nos escapará? Afinal, a cultura é um ponto de partida ou seremos, por assim dizer, reféns dela, limitados ao seu escopo?
Em realidade, a cultura, longe de ser algo estanque, é o que fazemos dela. Logo, é possível uma transformação da cultura, a partir da transformação de quem está inserido nela. Isso é significativamente diferente de afirmar que componentes culturais são imprescindíveis para a construção teológica, posição que os cristãos liberais adotaram desde cedo, pela maneira como enxergam o fenômeno revelação-inspiração: apenas como um contato místico, sem transmissão de conteúdo objetivo. Logo, os próprios escritores bíblicos, na visão dos liberais, são condicionados pela cultura – que dizer então dos intérpretes das Escrituras! A conclusão: afirma-se que o evangelho muda a cada geração, porque sua compreensão estaria sempre comprometida…
Sustentar que a Bíblia não pode ser compreendida senão à luz da cultura é uma afirmação que pressupõe um entendimento pós-moderno da hermenêutica. Antigamente, se cria em neutralidade – alguns até defendiam que a Bíblia deveria ser seguida, sem necessidade de qualquer interpretação. Não penso que isso seja possível; afinal, toda leitura pressupõem uma interpretação. Ao mesmo tempo, a admissão de que nossa compreensão é condicionada pela cultura pode levar a uma relatividade do entendimento. Isso cairia na teologia liberal, sem dúvida.
O que fazer? Muitos teólogos e filósofos falam de aproximação cultural. Isso se dá pela compreensão da intentio operis (intenção do texto, conceito proposto por Agostinho), que é soberana sobre a intenção do intérprete. Todo intérprete não pode ultrapassar as ideias do texto. Para compreendê-lo com clareza, deverá estudar o sentido que ele possuía aos seus primeiros leitores, perfazendo um jogo de aproximação que libertará o texto de mal entendidos. Na verdade, o intérprete pode mudar suas pressuposições hermenêuticas em contato com a obra (segundo parte da teoria de Gadamer).
Como isso se dá no estudo da Bíblia? Estudá-la acaba levando à assimilação de princípios hermenêuticos da própria Bíblia. Dito de outra forma: a Palavra de Deus nos transmite conceitos sobre como interpretá-la.  Pensadores pós-modernos gostam de nos lembrar que somos humanos, com conhecimento limitado. Mas isso não nos impede de conhecer a verdade de modo essencial, embora não de modo onisciente. Deste modo, não precisamos nos calar diante dos desafios que a cultura levanta na área da hermenêutica.
Na história do movimento adventista, têm havido muitas mentes brilhantes que não souberam responder aos desafios da cultura. Originalmente, os adventistas entenderam que foram chamados para ser o remanescente de Deus nos últimos dias. Sua função era transmitir as últimas verdades ao mundo no contexto do juízo iminente. O conceito de remanescente surgiu do estudo das profecias e está ligado à identidade adventista. Seria complexo e estranho haver teologia adventista sem a noção de remanescente. Os últimos a proporem isso acabaram levando a resultados no mínimo questionáveis.
Steve Daily o fez e hoje é pastor de uma congregação que é uma espécie de adventismo aberto a outros cristãos (seja lá isso o que for...), na qual até se fala em línguas! Fritz Guy fez o mesmo e hoje sua teologia se tornou liberal em muitos pontos (evolucionismo teísta, homossexualidade, etc). Fica claro que uma interpretação bíblica que assimile aspectos liberais e admita que a cultura deve nos ajudar na construção do pensamento teológico jamais poderá sustentar que somos o povo remanescente. Aliás, não poderia haver um remanescente, porque não existiriam verdades únicas a serem transmitidas. A cada geração, a verdade muda, porque a interpretação muda – tal é a cilada da teologia liberal!
Gosto do espírito de Gerard Hasel: ele “questionou” a tradição adventista não para propor algo definitivamente novo, que alguns gostam de honrar como se todo novidade acadêmica significasse intrepidez e discernimento. Hasel pesquisou embasado na Bíblia, revisando pontos importantes da argumentação adventista. Sua proposta significou um retorno radical à Bíblia. Obviamente, há outros eminentes estudiosos adventistas, anteriores e posteriores a Hasel, comprometidos com o espírito dos pioneiros. Eles contribuem em suas respectivas áreas. Além da erudição especializada, cada adventista, obreiro ou membro, é desafiado a crescer em suas compreensão bíblica, construindo sobre o alicerce dos pioneiros. Na atualidade, esse talvez seja o maior desafio intelectual do movimento adventista: reformar a cultura com a mensagem das Escrituras.
Infelizmente, o que não desenvolvemos no pensamento teológico, copiamos de outros, que, por sua vez, sustentavam sua teologia mais com base na filosofia do que na Bíblia. Isso passou a ocorrer talvez a partir da década de 30 ou 40, continuando a ocorrer até hoje. Assim se descaracterizou o adventismo, fazendo dele quase a mesma colcha de retalhos que é o mundo evangélico.
Sei que é difícil para adventistas que vivem em um contexto mais tradicional enxergar esse fato e recebo muitas perguntas nesse sentido. Mas meus amigos na Europa e nos Estados Unidos, fora a literatura especializada, conhecem a probante dificuldade de um adventismo dividido pela cultura. Já é hora de voltarmos ao projeto dos pioneiros.
Voltando à ideia de remanescente, não só a Bíblia advoga o conceito, como nossos pioneiros – praticamente todos eles – criam que fazíamos parte de um remanescente com uma mensagem distintiva. Além disso, como afirmado antes, todos os nossos pioneiros criam que o movimento adventista era o remanescente da profecia - inclusive, Ellen G. White. Se houve um engano, teríamos um problema mais sério: como um profeta pode ensinar algo (de forma consistente, ao longo de décadas) que seja um erro?
Além deste aspecto, do ponto de vista da efetividade, não vejo como poderíamos fazer a diferença nos tornando apenas mais um grupo evangélico dentre outros! Afinal, os dados mostram que o movimento adventista mais cresce nos lugares onde se mantém a visão tradicional de um remanescente: onde quer que a teologia liberal tenha se disseminado, a igreja estagna e tende ao ecumenismo. Vide Alemanha.
Claro que apenas manter aspectos tradicionais sem nos posicionar em relação a questões contemporâneas é insuficiente. Temos de alcançar uma geração com o evangelho eterno, oferecendo as respostas bíblicas às perguntas atuais, não nos acomodando com os velhos enfoques.

Aqui vale repensar sobre o paradigma distorcido que importamos do mundo evangélico: se o mundo mudou, temos que mudar para conseguir evangeliza-lo.  Ora, o mundo ter mudado, não constitui novidade em absoluto: ele sempre muda! A pergunta é: mudar junto com ele (mudar quanto à essência) seria realmente necessário? Isso não nos levaria a relativizar a fé? Como podemos representar a Deus para a cultura na qual nos achamos inseridos se não temos uma identidade singular, e somos apenas mais um grupo que vive em seu gueto confortável?


terça-feira, 24 de junho de 2014

VIDA CRISTÃ: ENTREGA, NÃO ÊXTASE


Manifestar êxtases espirituais sob circunstâncias extraordinárias não é prova conclusiva de que uma pessoa é cristã. Santidade não é arrebatamento: é inteira entrega da vontade a Deus; é viver por toda a palavra que sai da boca de Deus; é fazer a vontade de nosso Pai celestial; é confiar em Deus na provação, tanto nas trevas como na luz; é andar pela fé e não pela vista; é apoiar-se em Deus com indiscutível confiança, descansando em Seu amor.

Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 28

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segunda-feira, 16 de junho de 2014

O REMANESCENTE E A CULTURA PÓS-MODERNA


Como preservar a identidade adventistas em meio aos desafios de nossa época?
(publicado na revista adventista, Maio de 2014)

Após minha ordenação ao ministério, esperei ansioso o primeiro batismo. A oportunidade chegou: batizaria certa jovem que aceitara à Verdade. No dia, concluído o sermão, saí para me trocar. Foi quando estreei o caça-marreco – um macacão de borracha impermeável vestido por baixo da beca batismal. Dentro do tanque, sentia a temperatura da água, embora não me molhasse. “Isso funciona mesmo!”, pensei. No fim da cerimônia, quase não precisei usar a toalha, porque meu corpo estava apenas levemente úmido.
Estar na água sem ter contato direto com ela: isso faz recordar da oração de Jesus antes que fosse preso: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17:14-17). De acordo com Jesus, Seus discípulos não são do mundo, mas estão no mundo. Estão cercados pela cultura, com elementos contrários ao evangelho, mas sem imergir nela. A Verdade tornaria os discípulos impermeáveis aos erros da cultura ao redor.

O desafio da cultura

Cultura é um termo bem amplo;[1] de um modo geral, inclui costumes, língua, tradições, história e modo de viver de um povo. A cultura se assemelha a um tapete, composto de fios diversos, formando uma peça única com determinada estampa.[2] Em verdade, a cultura não é autônoma, mas é o que fazemos dela. A maneira como interagimos com a cultura definirá nossa atuação como cristãos – a começar pela interpretação do que significa ser cristão e pela leitura da época na qual estamos inseridos.  E o que dizer da cultura ocidental no século 21?
As mudanças filosóficas e culturais levaram a sociedade ocidental ao período conhecido como pós-modernidade. A pós-modernidade norteia os debates acadêmicos das universidades, mas afeta igualmente a cultura popular. Se o desafio dos cristãos é estar no mundo, sem pertencer a ele, devemos entender o que é a pós-modernidade. Afinal, temos de interagir com a cultura pós-moderna com o objetivo de testemunhar para as pessoas dessa época. Contudo, ainda devemos ficar impermeáveis, protegidos pela verdade que santifica.

A cultura pós-moderna

O pensamento pós-modernismo é influente na atualidade, sobretudo sobre as gerações mais novas. Ele nega o racionalismo autoconfiante do período anterior, a modernidade. A mente pós-moderna desistiu de buscar a verdade absoluta –vale agora a verdade útil, que funcione e traga satisfação em nível individual. A isso chamamos de relativismo, a ideia segundo a qual a verdade depende da perspectiva de quem a examine, variando conforme as circunstâncias.[3]
O pós-modernismo defende que não há critérios morais válidos para todos os contextos.[4] Assim, somos simplesmente o produto de determinadas condições históricas e culturais além de nosso controle.[5] Para medirmos o alcance do relativismo, o filósofo cristão Paul Copan cita uma pesquisa do instituto Barna Group realizada em 2002: 83% dos adolescentes americanos dizem que a moral depende das circunstâncias e 75% dos adultos abraçam o relativismo moral.[6]
Sendo que não há verdade objetiva, cada tradição intelectual ou religiosa encara a verdade de forma diferenciada, não sendo melhor ou pior do que outras verdades. “Tudo o que precisamos”, diz o filósofo ateu Richard Rorty, “é abandonar a ideia de que deveríamos tentar encontrar uma maneira de fazer tudo permanecer unido, que dirá aos seres humanos o que fazer com suas vidas, dizendo a todos a mesma coisa”.[7] Ao invés de defender o que cremos como verdade, os pós-modernos exigem que sejamos tolerantes.
Talvez haja poucas palavras tão evocadas atualmente quanto tolerância. É correto afirmar que “tolerância se tornou parte da ‘estrutura de plausibilidade ocidental’”.[8] Antes, tolerância implicava resignar-se perante divergências de natureza ideológica ou de mera opinião. Agora, tolerância implica minar as próprias divergências. Qualquer ideologia ou opinião não é mais considerada superior às outras. Em tempos do politicamente correto, toda afirmação dogmática pode ser avaliada imediatamente como intolerante. A persuasão religiosa é vista com ressalvas e considerada potencialmente perigosa. Afinal, forçar o outro a crer não significaria uma imposição? E, se todas as religiões fizessem isso, não veríamos conflitos religiosos?
Dentro dessa perspectiva dinâmica, mudar de opinião segundo a conveniência é usual – as pessoas trocam de marca de roupa e de religião sem nenhum peso na consciência. O importante é ter muitas opções de escolha e experimentar sempre, para escolher do seu jeito (não por acaso o consumismo é um dos traços mais fortes do comportamento pós-moderno!).
A pós-modernidade vem chamando a atenção dos cristãos. Alguns até se declaram pós-modernos, adaptados às demandas da época. Falta saber qual o impacto da pós-modernidade sobre o movimento adventista. Como as noções pós-modernas afetam sua identidade e a alegação de que somos o povo remanescente?

Cansados da cultura do remanescente?

O adventismo é um movimento cristão singular, surgido do cumprimento das profecias e com o propósito de ser usado por Deus para testemunhar à cultura sobre o plano de salvação expresso na Bíblia e detalhado nas profecias.[9] A justificativa de sua existência é “viver e apresentar seu projeto teológico alternativo, baseado na Bíblia a todo o mundo.”[10] Há clara identificação do adventismo com o remanescente de Apocalipse 12, uma entidade visível formada por pessoas com uma mensagem mundial.[11]
Na essência do adventismo está a doutrina do grande conflito cósmico, o qual serve de “pano de fundo dentro do qual o plano para salvar o homem se desenvolve”.[12] A salvação anunciada “é mais do que salvação pessoal” – implica na restauração dos homens e da própria criação.[13]
Essa auto-compreensão adventista é posta em xeque pela pós-modernidade. O teólogo Alberto Timm reconhece que denominações cristãs “de tempos em tempos se inclinam a substituir os ensinos da Bíblia por componentes anti-bíblicos da cultura contemporânea”.[14] E como isso ocorre em relação ao adventismo? “O adventismo se seculariza ao adaptar seu pensamento e conduta aos padrões do mundo, um mundo que está mais distante do Deus da Bíblia do que o mundo do século XIX estava dos pioneiros adventistas.”[15]
Um estudo recente, divulgado em Outubro de 2013, confirma a pressão vinda das “águas” da cultura: intitulado Twenty-first century seventh-day adventist connection study, o estudo partiu de 5 projetos integrados, apresenta o resultado de 41.000 entrevistas ou questionários ao redor do mundo, fazendo dela a mais abrangente pesquisa desse tipo realizada com adventistas. Entre as doutrinas adventistas mais rejeitadas, estão aquelas justamente que figuram como as mais distintivas, como casamento entre homem e mulher, santuário no AT como modelo do santuário celestial, criação em seis dias em um passado recente, o dom de profecia em Ellen G. White, juízo pré-advento, a crença de que somos o remanescente da profecia, etc.[16] Dizer, como fiz a princípio, que alguém queira se batizar, por ter aceito a Verdade, é inconcebível na cultura pós-moderna – até para certos adventistas!
Ao que tudo indica, muitos adventistas renunciam claros ensinamentos bíblicos da igreja devido à influência da cultura pós-moderna. Certo jovem adventista fez um comentário em meu blog, o qual retrata muito bem a tendência: “É preciso buscar um caminho novo, e não voltar ao antigo que nos trouxe até aqui. Um adventismo mais honesto e autêntico, que admite a sua busca e repudia a noção de que tenhamos quase toda ou mesmo enorme parte da verdade.” Infelizmente, recorrer à cultura tem gerado polarização entre os adventistas e não união ou avanço missionário (como as pesquisas mostram).[17]

Remar com a Verdade contra a cultura secular

Embora muitos líderes cristãos se regozijem da abertura da pós-modernidade às crenças, é notável que o tipo de espiritualidade atual seja destituída de conteúdo cognitivo e incompatível com o que a revelação apresenta. A Bíblia assume que a verdade seja objetiva e passível de ser conhecida. Embora o conhecimento humano não seja absoluto, no sentido de ser exaustivo e onisciente (1 Co 13:9-10), é possível o conhecimento suficiente da Verdade (Dt 29:29). E isso mediante a revelação feita por Deus, principalmente por meio de Jesus, a própria Verdade (Jo 14:6; Jo 17:3, 17). [18]
A solução para avançarmos é partir da perspectiva do pensamento bíblico.[19] O que foi revelado na Bíblia e nos testemunhos de Ellen G. White deve nortear não só crenças religiosas, mas comportamento, princípios e estilo de vida. O conhecimento acadêmico deve empregar a revelação como referencial; as vestimenta e músicas que escolhemos têm de se conformar aos padrões estabelecidos por Deus. Quando isso for real, cada um de nós contará com o favor do Céu, experimentando a unidade. Na mesma oração em que Jesus menciona que não somos do mundo, apesar de vivermos nele, também se mostra que o caminho para a unidade (Jo 17:11) é sermos santificados na Verdade (v.19), o que fará o mundo crer que Deus nos enviou (v.21).
Nesse sentido, compensa recorrer à seguinte citação dos testemunhos: “Deus queria que Seu povo fosse disciplinado e levado à harmonia de ação, de maneira a terem o mesmo ponto de vista, e serem de um mesmo espírito, julgando da mesma forma. A fim de produzir este estado de coisas, muito há a fazer. O coração natural deve ser submetido e transformado. É desígnio de Deus que haja sempre um vivo testemunho na igreja. Será necessário reprovar e exortar, e alguns precisarão de ser incisivamente repreendidos, segundo o caso o exigir.”[20]
Quando vivermos a Verdade em uma cultura que a rejeitou e valorizarmos a obediência a toda a palavra de Deus, como Paulo e Jesus (Mt 4:4; At 20:27, 30), isso causará profunda impacto nas pessoas à nossa volta. Santificados na Verdade, venceremos!



[1] Para uma discussão da evolução do conceito a partir de sua etimologia, ver Terry Eagleton, A ideia de cultura (São Paulo, SP: Editora Unesp, 2011), 10.
[2] David J. Hesselgrave, A comunicação transcultural do Evangelho (São Paulo, SP: Vida Nova, 1995), 217.
[3] Hilton Japiassú e Danilo Marcondes, Dicionário básico de filosofia (Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor, 2008), 5a ed., 238, verbete “relativismo”.
[4] D. A. Carson, Becoming conversanting with emerging church understand a movement and its implications (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2005), 112.
[5] Arno Anzenbacher, Introdução à filosofia ocidental (Petrópolis, RJ: Vozes, 2009), 187.
[6] Paul Copan, “True for you but not for me”: deflating the slogans that leave Christians speechless (Bloomington, Minnesota: Bethany House Publishers, 2009), 11-12.
[7] Richard Rorty, Filosofia Como Política Cultural (São Paulo, SP: Martins fontes, 2009), 24, 25, 28, 61.
[8] D. A. Carson, The intolerance of tolerance (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing, 2012), 1. Estrutura de plausibilidade se refere a pressupostos assumidos que legitimam processos sociais.
[9] Richard P. Lehmann, “O Remanescente No Apocalipse,” in Ángel Manuel Rodriguez, Teologia Do Remanescente: Uma Perspectiva Eclesiológica Adventista (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), 109.
[10] Fernando Canale, “Completando La Teología Adventista: El Proyecto Teológico Adventista Y Su Impacto En La Iglesia – Parte II,” DavarLogos (Libertador San Martín, 2007), vol. 6, no 2, 135.
[11] Ronald D. Bisell, “Reflections on the SDA Church as the Eschatological Remnant Church,” Asia Adventist Seminary Studies (Filipinas, 2001), vol. 4, 74.
[12] Norman R Gulley, Systematic Theology (Berrien Springs, Mich.: Andrews University Press, 2003), 433.
[13] Norman R Gulley, “The Cosmic Controversy: World View for Theology and Life,” Journal of Adventista Theological Society (Berrien Springs, MI, 1996), ano 7, vol. 2, 90.
[14] Alberto R. Timm, “Scripture and Experience,” Adventist Biblical Research (Silver Spring, MD, Abril de 2009), 1, https://adventistbiblicalresearch.org/sites/default/files/pdf/Scripture%20and%20Experience.pdf. Acesso: 3 de Fev. de 2014.
[15] Fernando Canale, ¿Adventismo Secular? Cómo Entender La Relación Entre Estilo de Vida Y Salvación (Lima, Peru: Universidad Adventista Unión, 2012), 25.
[16] Douglas Jacobs et al., “Twenty-First Century Seventh-Day Adventist Connection Study Research Report” (Robert H. Pierson Institute of Evangelism and World Missions, 2013), 30, disponível em http://www.cye.org/assets/resources/icm/Research%20Data/Adventist%20Connection%20Survey%20Research%20Report.pdf. Acesso: 17 de Nov. de 2013.
[17] Ángel Manuel Rodriguez, “Polarización Teológica: Causas Y Tendencias,” Ministerio Adventista 59, no 350 (Outubro de 2011): 13.
[18] Ver Douglas Reis, Explosão Y: Adventismo, pós-modernidade e gerações emergentes (Ivatuba, PR: IAP, 2013).
[19] Fernando Canale, “Absolute theological truth in postmodern times”, Andrews University Seminar Studies (Berrien Springs, MI: 2007), Vol. 45, no 1, 93.
[20] Ellen G. White, Testemunhos Seletos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), vol. 1, 343.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

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