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sexta-feira, 28 de abril de 2017

GRATA PELOS ANJOS


Por Noribel Reis
“Porque a Seus anjos Ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos”. Salmo 91:11.

Aquele era o momento mais emocionante e pleno de toda a minha vida. Estava com minha filha em meus braços. Eu havia acabado de recebê-la, após 15 horas de trabalho de parto. Deus havia me concedido um lindo parto e esse momento era inexplicável. Estar com ela em meus braços, sentido seu aconchego em meu peito, enquanto mamava, era a mais pura emoção.
Em meio a muitos sentimentos que inundavam minha mente, tive uma impressão marcante. Não sei precisar quanto tempo após o parto. Mas, uma certeza inundou meu coração: Deus havia enviado um anjo para guardar minha filha do mal. Lembrei-me da promessa - "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem, e os livra." Sl 34:7
Sim! Eu creio nos anjos e nas suas ações para nos guardar e proteger. Tenho um apreço muito grande por histórias de pessoas que são salvas por anjos. Agora, sentir que minha filha tinha um anjo enviado do céu para protegê-la foi algo incrível.
A Bíblia dá algumas informações sobre os anjos. Ela fala que aqueles que servem a Deus, amam a Jesus e guardam seus mandamentos possuem proteção especial.
Em Mateus 18:10 temos um texto específico dito pelo próprio Salvador sobre os anjos e os que creem no Senhor: “Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste”.
Os anjos são enviados para protegem os justos do poder maligno. Essa proteção acontece nos lares cristãos, na vida familiar; ao saírem de casa e pedirem a proteção de Deus; ao tomarem decisões importantes e estarem em contato com outras pessoas. Veja o que diz no texto de Parábolas de Jesus, p. 341-342: “Quando inconscientemente estivermos em perigo de exercer influência má, os anjos estarão ao nosso lado, orientando-nos para um melhor procedimento, escolhendo-nos as palavras, e influenciando-nos as ações.” Mesmo quando não estamos vendo, os anjos de Deus estão nos protegendo e nos guardando.
“Os anjos de Deus, milhares de milhares, [...] nos guardam do mal, e repelem os poderes das trevas que nos estão procurando destruir. Não temos nós motivos de ser a todo momento agradecidos, mesmo quando existem aparentes dificuldades em nosso caminho?” (A Ciência do Bom Viver, p. 253-254)
Você já agradeceu a Deus por tanto cuidado e amor? Lembre-se que em nossa vida sempre haverá dificuldades, pois vivemos em um mundo de pecados; porém, Deus enviará anjos para estarem ao seu lado, ajudando-a a passar por todas as provações.


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sexta-feira, 31 de março de 2017

A CONEXÃO PARA ESSE TEMPO



Vivemos o tempo final da história do mundo, quando a inspiração previu o advento dos enganos mais bem elaborados. Não se trata apenas de escolher entre o que é claramente correto ou o escandalosamente malévolo. Satanás agiria para nos entreter, viciar e desequilibrar: “‘Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente.” (Lc 21:34). E ele o faria por meio do transtorno do cotidiano.
Uma das coisas mais certas sobre a realidade distorcida pelo pecado é a transitoriedade. O pecado se interpõe no próprio curso da vida, interrompendo-a com a chegada da morte. Mas não só isso. Ao transmutar os preceitos divinos, os quais geram estabilidade, o mal trouxe a constante mudança, a passagem das épocas como conhecemos. Tais mudanças ao longo da história são marcadas por guerras, catástrofes, perseguições e revoluções tecnológicas.
É difícil imaginar como seria o mundo criado por Deus sem ter como parâmetro o mundo como o conhecemos, o qual é manchado pelo pecado. Certamente, o tempo é um elemento criado por Deus. Não é admissível uma realidade dicotômica, como os gregos faziam, ao imaginar a ausência de tempo como ideal de perfeição. Mesmo na Terra restaurada teremos a passagem dos dias e a contagem das semanas (Is 66:23). Por outro lado, é possível inferir que o plano divino implicava em progresso, crescimento, aperfeiçoamento:

Enquanto permanecessem fiéis à lei divina, sua capacidade para saber, vivenciar e amar, cresceria continuamente. Estariam constantemente a adquirir novos tesouros de saber, a descobrir novas fontes de felicidade, e a obter concepções cada vez mais claras do incomensurável, infalível amor de Deus. (EGW, PP, 23).

O texto sugere que, sem a presença do pecado, haveria um fluxo contínuo de desenvolvimento dentro das mesmas bases – obediência à lei divina. Com o pecado, temos degradação, ruptura, mudanças e violência. Logo, é de se esperar que a instabilidade seria a marca do mundo.
A instabilidade se instaurou no cotidiano e logo passou a ser o novo cotidiano. O mundo interconectado aceita a instabilidade, faz dela seu capital mais valioso. Se há mudança, há movimento. Ainda que movimento desordenado. Real e virtual se confundindo, se mesclando. O que os analistas sugerem ser um novo período humano tem de ser visto em sua devida perspectiva profética.
O caos das nações – caos de informações, insegurança política (crises migratórias, terrorismo, guerras em potencial) e a perda das bases éticas (com a rejeição do modelo bíblico de pensar) – é o aprontar das últimas cenas. Já estamos próximos dos eventos descritos na profecia.
Mais do que nunca, o conselho de Jesus é valioso: “‘Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente.” (Lc 21:34). Justamente aqui temos de ficar atentos. Há distrações por toda parte. O entretenimento chega a nós a cada momento, via Whats’app, redes sociais, serviços de streams. Em meio à instabilidade, somos convidados pela tecnologia a desconsiderar a vigilância e dar maior valor à diversão. Somos convidados à grande festa online, à orgia digital, ao amar o lúdico, o prosaico, o fútil. Assim, quando chegarem as provas, estaremos desapercebidos e sonolentos. Conectados com esse século, estamos nos desconectando com as advertências que nos preparariam para o futuro.
Obviamente, o problema maior não está com a internet, mas com a forma como a usamos, o tempo que dedicamos a ela e ao tipo de participação que temos com as coisas que ela oferece. Quer online ou na vida off-line, somos desafiados a compartilhar a certeza de que Jesus voltará. Isso implica em uma vida sóbria, cautelosa, sábia, regrada e piedosa. Implica em comunhão autêntica com oPai das luzes, que não muda como sombras inconstantes.” (Tg 1:17). Por meio de nossa esperança nEle, podemos nos conectar ao governo de Deus, algo que será plenamente cumprido para aqueles que vencerem no grande conflito, especialmente em sua crise final (Ap 3:21).
Deus nos dê o entendimento correto acerca do tempo presente, uma sólida apreciação por aquilo que Ele realizou nos tempos passados e uma viva esperança para aguardar o tempo que Ele trará!


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Para adquirir o livro Explosão Y:

domingo, 19 de março de 2017

GERAÇÕES TRABALHANDO JUNTAS PARA CRISTO


Barnabé e João Marcos, Moises e Josué, Elias e Eliseu, Jônatas e Davi, Jesus e os discípulos, Abraão e Ló, Esdras e Neemias, entre outros: não é incomum que nas Escrituras pessoas de faixa etária distinta interajam de forma harmônica. Se na Bíblia existe discipulado, é certo que muitos dos exemplos dessa prática se dão em um contexto intergeneracional.
Hoje há um distanciamento entre indivíduos de gerações distintas por causa da mídia: especialmente com o advento da cultura jovem, a partir da década de 1950, houve uma ruptura da continuidade histórica natural, levando a se prescindir da vida adulta como modelo a ser almejado. Atualmente se faz de tudo para fugir da frustração indissoluvelmente ligada à maturidade, com suas responsabilidades e rotinas.
O bom é ser jovem, jovem eternamente, viver com os pais até os trinta, trabalhando mais por hobbie do que por realização. Se na década de 1960, 70% dos homens chegavam aos 30 anos (a) formados, (b) empregados, (d) casados e (e) com filhos, requisitos da vida adulta, as estatísticas atuais indicam que apenas 30% dos homens atingem tais metas até os 30 anos. Aliás, poucos ambicionam atingi-las. Se “balzaquiana” indicava a mulher na casa dos trinta, a mulher madura, poderíamos dizer que no cenário contemporâneo as cinquentonas são as novas balzaquianas.
Se por fatores sociais os casais demoram a se casar ou a ter filhos, deveríamos admitir essa cultura no seio do cristianismo? Há sérias preocupações que envolvem o discipulado da geração atual, especialmente quando se reflete sobre a influência de padrões seculares sobre esses jovens. Somos chamados a rejeitar os moldes seculares e renovar nossa mente (Rm 12:2). Alguns pontos para se meditar:
(1)    Desde a revolução sexual (década de 1960), casamento e atividade sexual se desligaram. Na prática, muitos jovens questionam sobre a necessidade de assumirem um compromisso (com riscos inerentes) se podem desfrutar de um envolvimento sexual descompromissado. Eis um dos fatores para casamentos mais tardios, realizados por pessoas próximas aos 30 anos (além de um número de casais que passam a dividir o mesmo teto sem nenhum papel assinado). Embora muitos cristãos se deixem levar pela mesma tendência, o padrão bíblico não admite sexo pré-marital. Por essa razão, namoros longos e sem objetivo serviriam apenas para expor um casal cristão à tentação de praticar o intercurso sexual (ou a fornicar). Embora não exista uma idade concreta para se casar dentro da Bíblia, particularmente penso que, entre os 21 aos 26 anos é uma faixa etária ideal;
(2)    Pais cristãos devem incentivar e promover oportunidades para que seus filhos trabalhem o quanto antes. A atividade profissional é dignificada na Bíblia. A correta disciplina deve empreender esforços positivos para que jovens reconheçam o trabalho como um mandato divino;
(3)    Lares cristãos, por meio do culto familiar, e igrejas, por meio do clube de Aventureiros/ Desbravadores, programa da Escola Sabatina, Culto jovens e demais oportunidades de treinamento e práticas missionárias, devem inculcar os princípios bíblicos, debatendo sobre temas centrais das Escrituras com profundidade; assim, se agirá para que uma geração pense biblicamente, fazendo contraponto sadio com as influências seculares (as quais se disseminam por meio da mídia e do convívio com não-cristãos). Alguns mitos cristãos devem ser fortemente combatidos nesse processo: (a) a neutralidade da mídia; (b) a ideia de sucesso profissional associado com alto rendimento financeiro; (c) a ideia de sucesso acadêmico associado com instituições particulares não-cristãs (educação básica) ou públicas (educação superior); (d) os supostos benefícios do consumismo moderado; (e) a despreocupação com as questões mais pertinentes de uma reforma de saúde (geralmente reduzida em termos populares à abstinência à carne suína e derivados); (f) a ideia reducionista de cristianismo concebido como fé alheia à racionalidade; etc.
As novas gerações precisam estar ligadas mais de perto com as demais gerações. Sem tal relacionamento, não há transmissão de valores. Legado chega quando se anda lado a lado. Para discipular os novos, é necessário quem corajosa, espiritual e conscientemente aceite o desafio.



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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

EQUÍVOCOS SOBRE A SANTIFICAÇÃO



Alguns erros são persistentes quando o assunto é santificação. Talvez por conta disso, algumas pessoas tenham um conceito ruim do processo. Para evitar mal entendidos e, na esperança de promover a santificação, é necessário rever dois conceitos equivocados:
(1) A santificação não é salvação pelas obras: alguns entendem que, enquanto a justificação é a obra que Cristo realizou por mim na cruz, a santificação é minha parte no processo. Obviamente, todo o processo de salvação é feito com a colaboração humana. Dizer o contrário, seria estabelecer que Deus nos salva contra nossa vontade. Agora, a confusão surge na hora de se estabelecer o que compreende a colaboração humana. Se a salvação possui três tempos – passado (justificação), presente (santificação) e futuro (justificação) – precisamos verificar como o gênero humano interage em cada etapa.
Na justificação, a parte humana reside em (a) aceitar a obra do Espírito, que o convence do pecado (Jo 16:8), (b) o que conduz ao arrependimento (Rm 2:4; At 5:31; 2 Co 7:10; cf.: Mt 9:13; Mc 2:17; Lc 15:17; At 2:38) e consequente (c) recebimento de Jesus como Salvador (At 16:31, Rm 5:11; 10:9; cf.: Jo 4:42; At 5:31; 13:23; 1 Tm 4:10; 2 Tm 1:10; 1 Jo 4:14). Essas etapas e o que nelas está implícito constituem um passo de fé. A fé surge como consequência da atuação do Espírito, que desperta em nós confiança no testemunho dado pela Palavra de Deus (Ef 1:13; 6:17; cf.: para outras relações, ver Ag 2:5; At 10:44; 1 Co 12:8). A Palavra é o meio principal pelo qual o Espírito Se comunica conosco (2 Pe 1:20-21; cf.: Mr 12:24). Ao aceitar a Cristo, o fazemos com base no testemunho das Escrituras (1 Co 15:3; 1 Tm 3:15).
Na santificação, a parte humana reside (a) receber graça para uma vida vitoriosa (o batismo diário do Espírito Santo: Jo 1:33; Rm 1:4; 6:19, 22; 1 Co 6:11; 1 Pe 1:2), (b) atuar (pensar, agir, falar) como um agente espiritual, um súdito do Reino de Deus (Hb 12:14, (c) escolher estar instante a instante em comunhão com Deus (1 Co 1:9; e (d) reformar aspectos da vida de acordo com as diretrizes da Palavra (Ef 5:25-26; 1 Ts 4:3-4, 7). A santificação é um processo contínuo de viver pela fé sob a intercessão do Salvador vivo e atuante no santuário celestial.
Na glorificação, todo o preparo de uma vida será coroado pela recompensa de ver o Salvador vindo nas nuvens. Pode-se falar em recompensa, um termo bíblico (Sl 58:11; Pv 12:14; Mt 10:41-42; Lc 6:35; Jo 4:36; Cl 3:24; Hb 10:30, 35; 11:26; 2 Jo 8; Ap 22:12), o que não implica em méritos próprios, mas em abertura e correspondência – uma vida aberta à influência do Espírito (que Se comunica prioritariamente pelo cânon) e que correspondeu, ou seja, seguiu a direção do Espírito em exercício de fé.
Assim, a salvação como um todo (e a santificação em particular) acontece por meio da fé, com a participação ativa do ser humano, como aquele que recebe a graça e coopera pela fé (Hb 13:12). Jamais se pode conceber qualquer etapa do processo de salvação como dependente do esforço, dignidade ou boa vontade do ser humano. Apenas pelo poder divino em nós somos habilitados a corresponder à graça concedida, em atos de fé;
(2) santificação não resulta em impecabilidade na experiência atual: a luta contra o pecado certamente faz parte da salvação: Não podemos jamais nos conformar com qualquer prática ou pensamento pecaminoso, sem o risco de perder a salvação. Uma vida transformada por Cristo implica em transformação que habilite obediência (Rm 13:14) Entretanto, a natureza humana continuará sendo a mesma – pecaminosa.
Adão, ao pecar, foi afetado pelo pecado em todos os aspectos de Sua natureza. A queda trouxe efeitos físicos, mentais e espirituais. Jesus, ao vir ao mundo, embora não tivesse desejos pecaminosos ou mesmo inclinação para pecar (Hb 7:26; 9:14; 1 Pe 1:19), foi afetado física e mentalmente pelo pecado, tornando sua obediência mais difícil do que a de Adão (Fl 2:7-8). Ao contrário de Jesus, nós temos inclinações pecaminosas, que nos impedem de viver totalmente isentos do pecado (Rm 7:25) Afirmar a possibilidade de perfeição absoluta na atualidade é desconhecer os efeitos do pecado na humanidade e o próprio grau de degradação em que estamos. Por isso, a santificação exige uma constante tensão: viver contra o pecado, sabendo que a vitória absoluta será alcançada apenas na vinda de Cristo.
Assumir a impecabilidade pode trazer extrema frustração para a vida cristã, porque se estabelece um alvo intangível. Viver em santificação não significa a impossibilidade de recorrer a Cristo, como se a busca pelo perdão pertencesse exclusivamente à etapa anterior, à justificação. Quando alguém que já aceitou o perdão de Cristo na cruz (justificação) torna a pecar, não significa que voltou uma casa atrás do jogo; a santificação nos dá acesso ao perdão e à intercessão do Sumo Sacerdote Jesus (1 Jo 2:1; Hb 4:14-16). Somos renovados e restaurados, porque a santificação é uma caminhada pela fé, realizada por pecadores que estão se assemelhando a Cristo em caráter (2 Pe 3:18). O fim da jornada é a volta de Jesus e ali o povo de Deus já não será constituído por pecadores, mas por redimidos que venceram o pecado pelo sangue do Cordeiro (Ap 7:14; 14:1-4). Assim se pode dizer que a santificação resulta em impecabilidade na experiência futura (1 Pe 1:4-5; 1 Jo 3:1-2) – jamais na atual (1 Jo 1:8, 10).
Até lá, o que Deus requer de nós é maturidade (Gn 17:1; Dt 18:13; 2 Sm 22:26; Mt 5:48; 1 Co 1:8). Maturidade espiritual não difere muito do conceito geral de maturidade no que se refere aos requisitos básicos para a aquisição: tempo e experiência. Uma vida cristã madura é o alvo da santificação (Fl 3:12; Co 1:28; 2 Tm 3:17) e exige constante comunhão com Deus para ser atingida.
Compreender o que a santificação não é torna mais fácil evitar os preconceitos e temores relacionados a ela. Assim fica aberto também o caminho para entendê-la com maior clareza.


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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EVANGELISMO REAL NO MUNDO VIRTUAL


A antítese real/virtual, embora frequente, ainda é mal compreendida. Para Pierre Lévy, não haveria propriamente uma antítese; virtual é a potência, ou seja, a possibilidade, a antecipação daquilo que é real. A virtualidade não seria uma realidade alternativa, mas uma camada, uma nova dimensão da própria realidade. Essa “camada extra” está presente na vida de milhões de pessoas. Isso faz com que se pense na questão do testemunho no mundo virtual, o que abriria o potencial para uma evangelização mais eficiente. Porém, nada é tão simples.
Em primeiro lugar, a dimensão virtual da realidade possui sua própria racionalidade, mais aberta, intuitiva e experimental do que a “realidade tradicional”, dominada por convenções sociais e instituições marcadas pelo signo do Iluminismo.
Outro fator: o lugar da autoridade tradicional fica um tanto deslocado na dimensão virtual, porque novas autoridades são investidas e a tolerância pós-moderna (assim como a intolerância das redes sociais) não reconhece alguém por seu título ou conhecimento. As pessoas são reconhecidas pela sua empatia, capacidade de atrair seguidores e uso apropriado da iconografia de cada nicho. A estrutura eclesiástica não faz sentido na rede (para bem e para mal).
A mensagem cristã é sólida e (para o paladar da mídia iconográfica) bastante indigesta. Em um mundo que prega a liberdade total de escolha em questões como estilo de música, de vestimenta e de sexualidade, o cristianismo bíblico soa como um intruso (diríamos ser um intruso promissor, mas, ainda assim, um intruso). Não à toa a mensagem cristã atrai haters como a luz seduz moscas. O que sobrevive é o cristianismo inofensivo que passeia pelo Facebook no domingo pela manhã (com conceitos que lembrariam um Zen-Budismo light, no limite entre a filosofia da Nova Era e um Kardecismo mais brando).
É possível evangelizar intencionalmente no Web 2.0?
Sim, mas essa não é a ferramenta mais importante. Antes do que fazer, o cristianismo nos faz ver quem devemos ser. Todo o sucesso da religião de Cristo está em uma vida transformada pelo poder da Verdade (Jo 8:32). E isso nos leva a não nos limitar a um uso evangelístico da internet e ao reconhecimento de suas possibilidades, como a uma crítica consciente dessa nova dimensão da realidade. Simplesmente aceitar que relacionamentos se desmanchem por causa do phubbing (quando alguém pretere o parceiro pelo celular) ou ver adolescentes e jovens adultos que nem nos sábados conseguem sair do WhatsApp é indevido. O cristianismo precisa dar as boas novas para um mundo que não conseguem mais desconectar ou desacelerar.
Da perspectiva espiritual do Grande Conflito, se o tempo é curto, Satanás faz de tudo para anular seus efeitos. Se todo shopping center é arquitetado para anular a sensação de passagem das horas, as redes sociais existem para proporcionar o mesmo efeito, sem a necessidade de uma ambientação externa, real, apenas instilando a permanência em um ambiente virtual. Por isso, o apóstolo Paulo nos aconselha a não andar descuidados, mas a examinar nossa conduta e remir (recuperar) o tempo, porque temos, de fato, pouco tempo (Ef 5:15-16)! Ser tragado pelas redes sociais e suas consequências nocivas, ainda que por pretexto de pregar o evangelho, é desperdiçar o escasso dom do tempo.
Nossa mensagem tem muito a dizer para os filhos órfãos de pais presos aos seus celulares. Nossa experiência em uma comunidade real, vibrante e que experimenta a presença do Cristo vivo, atuante desde o santuário celestial, precisa ser compartilhada com aqueles que só conhecem os modelos de comunidades virtuais. Se a dimensão virtual sufoca outras aspirações, a mensagem de temperança revela de que necessitamos para uma vida equilibrada. A despeito dos excessos, a dimensão virtual tem sua relevância e precisamos compartilhar o evangelho com outros por meio desse canal. Mas isso só fará sentido quando o evangelho for o centro de nossa própria realidade, o leitmotiv de nossa vida.



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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A DEGRADAÇÃO DO SENSO DA PRESENÇA DE DEUS


A missão que temos é transmitir a última mensagem de advertência. Trata-se de uma responsabilidade solene. Solenidade é um conceito que escapa à contemporaneidade. Sua gravidade é diluída nos filmes de Hollywood, quando nos momentos trágicos parece haver a necessidade de um contraponto cômico. Nem as músicas religiosas atuais conseguem mais representar a solenidade. Talvez, apenas atrás do conceito de reverência, solenidade seja um dos artigos mais raros no mercado atual. Ambos são raros pela mesma razão: a degradação do senso da presença de Deus.
Em um contexto tecnológico, tudo apela aos sentidos. Mas Deus permanece invisível. Os comunicadores instantâneos, ubíquos, fomentam a ilusão de estarmos presentes em diversos lugares e de igualmente termos os amigos próximos. E com tantos elementos atraindo a atenção, o Deus Altíssimo, presente no mundo material, é ignorado. Se a presença do Criador passa despercebida, que dizer da comunhão com Ele? Que dizer da forma de responder ao Seu chamado?
A ironia fatal de uma época em que a adoração ganha contornos de metalinguagem – com músicas de adoração que falam sobre adoração –, é que os cristãos, em geral, não entendem adoração como a resposta obediente ao que Deus fez por mim. Adoração não significa sucumbir a um êxtase emocional, na tentativa de reproduzir a presença de Deus de forma carismática, como se a música e a emoção fossem elementos catalizadores para fazer um download de Deus. Adoração compreende me relacionar com Deus, nos termos que Ele estabeleceu em Sua Palavra. Isso implica em rendição, gratidão, júbilo, disposição para servir e obedecer e tantas outras coisas.
O verdadeiro adorador obedece voluntariamente. Ele quer testemunhar, porque não pode conter o amor que brota nele em resposta ao amor que fluiu do coração de Deus. Com humildade e poder, alegria e tato, sabedoria e entusiasmo, ele prega. Com suas palavras, mas com cada gesto silencioso. Prega usando a Bíblia, mas por meio de sua coerente busca para se mostrar fiel. Não há aquele sentimento estreito de alguém mecanicamente condicionado a fazer algo segundo um programa. Existem muitos manuais, planos e estratégias. Recursos não faltam. Falta é amor, transformação, vidas impactadas pela comunhão. Falta o Espírito de Deus descendo sobre Seu povo a cada manhã.
Ser um adventista é abraçar a missão. Sem os modismos que invadem a literatura evangélica a cada época. Sem o proselitismo pelo proselitismo. Viver a missão, ser a missão, pregar com o fogo de quem ama o Salvador e ama aquelas pessoas que Ele ama. Uma imensa responsabilidade, maior do que qualquer ser humano poderia imaginar.
Uma responsabilidade solene para tempos solenes.

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domingo, 27 de março de 2016

INTERNET E O CONFLITO CÓSMICO


Com entusiasmo, a Microsoft anunciou seu último experimento em inteligência artificial: Tay. Programada para interagir com adolescentes nas redes sociais, Tay evoluiria conforme mantivesse contato com os usuários. O experimento social promissor durou pouco: em menos de 24 horas, a Microsoft retirou Tay do ar. O motivo? Usando linguagem racista –  Tay chegou a chamar Barack Obama de macaco –, além de manifestar ódio contra feministas e aprovar o holocausto, Tay logo trouxe constrangimento para a corporação. Isso porque simplesmente aprendeu a usar linguagem chula e preconceituosa com os internautas, exatamente como foi programada a fazer!
A internet, um verdadeiro campo de possibilidades para estudo, interação e entretenimento, também comporta os milionários portais de conteúdo pornográfico em full hd e abriga sites de tráfico de armas, drogas e fóruns para todo tipo de sociopata (nos bytes obscuros da deep web). A rede mundial de computadores possui seus caracteres de maldade porque nós somos maus. Afinal, um vírus afetou irreversivelmente o sistema operacional de cada habitante do planeta (Jr 17:9; Rm 3:23).
O conflito cósmico entre as hostes do bem e a infantaria das trevas (Is 14:12-14; Ez 28:14-19; Ap 12:7-12) se manifesta na internet. Se o conteúdo on-line é resultado da interação não presencial dos seres humanos (tele-presença), não necessariamente obedecendo o ritmo sucessivo de um diálogo em tempo real  (assincronismo), fica evidente que a internet, como outras mídias, apenas exteriorizam aquilo que o homem é no íntimo de suas intenções. Como o estar em um conflito cósmico reflete a condição humana, a internet, enquanto construção humana, apenas reproduz fidedignamente esse conflito.
Assim como o conflito exige um posicionamento de cada um em termos de nos comprometermos com o bem ou com o mal (lembrando que descaso implica em compromisso com o mal), o mesmo tipo de compromisso precisa ser visto on-line. Geralmente simplificamos a questão, condenando sites imorais ou o tempo excessivo de conexão. Porém, a complexidade do plano virtual obriga o cristão a tratar de modo escamoteado as suas sutilezas, sempre com boa dose de reflexão. Há dilemas éticos como uso e compartilhamento  de materiais com direitos autorais, as delimitações para uso de redes sociais no sábado e os modos apropriados para testemunhar em uma nova realidade em rede.
Acima de tudo, conectados ou não à rede, todos necessitamos de conexão com o Provedor, por meio de Sua Palavra, cujo poder transforma nossas perspectivas e nos permite interagir no conflito cósmico como agentes do bem, compartilhando vidas realmente transformadas. Se levarmos em conta que, em filososia, virtual não é antonônimo de real, mas, sim, de atual, poderíamos dizer que as promessas de Deus são virtuais, no sentido de ser uma potencialidade; apenas pela fé, o que é potencial se concretiza em nossa vida. E acrescentaríamos: o poder da Palavra é quem concede acesso ao poder virtual, prometido pelo nosso Intercessor a quem invocar Seu nome no conflito cósmico. Somente assim seremos atualmente vencedores.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O CAPÍTULO PROIBIDO DA BÍBLIA



É quase impossível assistir o vídeo e não se emocionar, lembrando nas palavras do próprio Messias por ocasião de Sua última ida à Jerusalém: “Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.” (Mt 23:37) O convite de um Deus amoroso ainda se estende aqueles que um dia foram Seu povo e que podem, como indivíduos, voltar a integrar o povo escolhido – basta que aceitem o Homem do capítulo proibido! 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

ADVENTISTAS E O SEXO



Já não tenho ilusão com respeito à atividade sexual de jovens e solteiros entre nós. Não se trata de afirmação dramática ou dita com frieza. Sofro em saber que muitos, não todos, evidentemente, experimentaram algum tipo de envolvimento sexual com um ou mais parceiros. Contudo, ainda não temos estatísticas que permitam averiguar essa realidade no meio adventista. Porém, eu e muitos colegas pastores atendemos casais de jovens frustrados, confusos e devastados porque se entregaram ao prazer por impulso, paixão ou curiosidade. Ou acompanhamos solteiros, divorciados e viúvos que acabaram não resistindo às tentações sexuais.
Obviamente, a problemática extrapola a questão da prática sexual pré-marital. Há questões igualmente preocupantes envolvendo a prática sexual extraconjugal. Novamente, a falta de estatísticas se torna um empecilho a qualquer estratégia de contornar esse mal, cujas consequências são devastadoras. Membros do movimento adventista, quer não envolvidos, quer líderes denominacionais, e mesmo alguns obreiros,  destroem suas famílias ou lutam para manter as aparências. Quando a situação vem à tona, além do sofrimento dos envolvidos, perde a igreja como um todo.
Há muitas iniciativas de departamentos da igreja, dos próprios campos e esforços de pessoas preocupadas para fortalecer os laços familiares. Às vezes, o tema da sexualidade é tratado pela via negativa, enfatizando os perigos de uma gravidez precoce, os problemas acarretados pela masturbação, o vício da pornografia (bastante facilitado pelo advento da internet), entre outros aspectos. Todavia, algumas iniciativas, se exploradas, certamente ajudariam a conter as condutas sexuais divergentes do estilo de vida bíblico. Sem querer esgotar o assunto, cito e comento algumas dessas iniciativas, a título de sugestão e visando enriquecer o debate sobre sexualidade no meio adventista:
1. Criar programas de sexualidade para todos os membros, em todos os níveis: geralmente, restringimos as orientações sexuais a jovens e casais de noivos ou com matrimônio constituído. E o fazemos dando, em geral, orientações básicas. Deveríamos ampliar o leque, constituindo estratégias customizadas para cada nível. Os juvenis precisam saber que a atividade sexual é um presente de Deus, motivo de desfrute da vida conjugal e, ao mesmo tempo, precisa ter lugar dentro do matrimônio. Adolescentes precisam saber não só que a pornografia é prejudicial, mas quais as estratégias para vencer a tentação. Adultos casados precisam saber que, ao contrário do que afirma o mundo, nem tudo o que se faz a quatro paredes é válido. Em todos esses exemplos, mais do que limites, precisa ficar claro a teologia bíblica do sexo;
2. Estabelecer um programa contínuo com as famílias: mais do que programas na igreja, a médio e longo prazo, baseados em sólida teologia, as famílias precisam receber suporte para transmitir uma sexualidade saudável aos filhos. Boa parte dos casos de adolescentes com orientação homossexual que atendi tem muito que ver com lares desestruturados ou pais ausentes. Os filhos precisam sentir que confiam nos pais, a ponto de relatarem qualquer tipo de abuso ou assédio que sofram na escola, vizinhança, parentes próximos, etc. Nos cultos familiares, a aliança da família precisa ser fortalecida para inspiras meninos e meninos, moças e rapazes para almejarem, com brilho nos olhos, constituir um lar tão feliz quanto tiveram na infância e adolescência;
3. Criar grupos de apoio para adictos em sexualidade: lutar contra vícios sexuais é tão ou mais desafiador que enfrentar outros tipos de adicção. Portanto, grupos de apoio, baseados em mentoria e conselhos práticos são o tipo de ministério que certamente ajudariam aqueles que têm suas próprias batalhas. Esse tipo de grupo pode seguir o formato de um pequeno grupo ou classe especial, envolvendo segmentos específicos. Outras pessoas que se beneficiariam com esse atendimento seriam divorciados (que geralmente negligenciamos) e viúvos. Para aqueles que foram sexualmente ativos e perderam ou se separaram do cônjuge não é tarefa simples viver como solteiros cristãos, isentos de pensamentos sexuais, alimentados por lembranças de experiências. A tendência é que se envolvam prematuramente em relacionamentos que levem a relações sexuais pré-maritais ou acabem contraindo vícios sexuais. Por isso, essas classes necessitam de assistência especial, a fim de saberem como lidar com a sexualidade em um novo estágio após o casamento.
Sem dúvida, Deus deseja que tenhamos uma sexualidade saudável, o que significa esperar nele para encontrarmos amor e companheirismo autêntico, formando o vínculo do matrimônio – ambiente propício para a expressão física do amor.

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

O QUE APRENDER COM AS DECISÕES DA IGREJA



A cada cinco anos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia reúne delegados representando todos os campos, em uma assembleia mundial, conhecida como Conferência Geral.  Ali são tratados todos os assuntos envolvendo doutrinas e regulamentos, práticas e procedimentos, escolha de líderes e apresentação de relatórios. Nos últimos anos, um dos temas mais delicados tratado nessas reuniões é a questão de ordenação de mulheres ao ministério pastoral.
Comissões do mundo inteiro se reuniram para estudar o assunto. O debate passou do âmbito administrativo para o do estudo teológico e chegou finalmente à grande parte da membresia adventista, especialmente nos países mais desenvolvidos. Finalmente, nessa 60ª edição da Conferência Geral houve a votação sobre o assunto: dentre o total de 2363 votos, 977 foram a favor, 1381 contra e ocorreram 5 abstenções. A maioria, portanto, entendeu que não há evidência na Revelação divina (Escrituras Sagradas e testemunhos de Ellen G. White) que apoie a ordenação de mulheres.
O que se pode aprender com isso? Primeiro, que a igreja de Deus, sendo mundial, age sabiamente em uma democracia, procurando consenso entre pessoas de opiniões, formação, cultura e experiências distintas. Na multidão de conselhos há sabedoria. Crescemos ao ouvir pessoas que, embora tão diferentes, vivem a mesma esperança que nós. Obviamente, a base de nossa fé é a Revelação e devemos submeter todas as outras coisas a ela. Ainda assim, devemos ser humildes em nossa maneira de entender as Escrituras, orando para que em nossa hermenêutica mantenhamos o sólido princípio de interpretar a Bíblia por meio da própria Bíblia.
Por outro lado, como um povo espalhado pelo mundo inteiro, é natural que divergências em assuntos menores apareçam. Isso não deve nos deixar perplexos ou temerosos. A fé que nos une será sempre desafiada por questões culturais. E elas merecem ser tratadas, em sua dimensão apropriada. Cabe a nós buscar consenso e nos fixar no que realmente possui importância: o cumprimento de nossa missão profética! Isso não implica em fuga de assuntos relevantes ou simples postura anti-intelectual: os adventistas entendem que Deus lhe conferiu uma prioridade (Ap 14:6-12). 
A lição mais importante que se deve extrair: não há, como alguns líderes assinalaram, perdedores e vencedores na questão particular da ordenação das mulheres – ou em qualquer outra que se levante. Todo o povo de Deus sai vencedor quando debate assuntos delicados sem perder o espírito cristão e quando busca manter a unidade na verdade eterna da Palavra. Preservar a identidade adventista frente a questões contemporâneas requer humildade e espírito de oração. Não há respostas prontas, nem estradas planas. Porém, confiando na direção de Deus e palmilhando por onde a palavra profética indica, seremos vencedores em todas as disputas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

REPORTAGEM DO G1 EXALTA PRINCÍPIOS DE SAÚDE DOS AVENTISTAS


Em meio a uma paisagem urbana cercada por fast foods e lojas de conveniência, uma cidade na Califórnia conseguiu manter bons hábitos alimentares e alcançar uma expectativa de vida dez anos mais alta que a média dos Estados Unidos.
Estudos mostraram que os habitantes de Loma Linda vivem até dez anos a mais do que a média dos americanos (79 anos) e chegam à idade avançada com uma saúde melhor.
É um fenômeno notável em um mundo onde o custo da crise de obesidade é reconhecido como sendo tão prejudicial quanto o de fumar ou dos conflitos armados.
A longevidade tem ligação com a religião da comunidade. Os adeptos da Igreja Adventista do Sétimo Dia compõem cerca de metade dos 24 mil habitantes do local. É uma comunidade cristã evangélica que segue diretrizes rigorosas sobre alimentação, exercício e descanso.
"Os dados são claros. Foram publicados e revisados", diz Wayne Dysinger, presidente do Departamento de Medicina Preventiva da Escola de Medicina da Universidade de Loma Linda.
"Não há muita dúvida de que as pessoas que seguem este estilo de vida vivem mais tempo."

'Templo' do corpo

Loma Linda - em espanhol, "colina linda"- fica 100 km a leste de Los Angeles. É conhecida como a meca da vida saudável há décadas.
A cidade foi adotada pelos fundadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que na virada do século 20 compraram uma propriedade na área.
Ellen White, uma das líderes e pioneiras da Igreja, afirmou que se encantou com o charme do lugar.
Branca [em realidade, Ellen White era negra!], pequena e com uma personalidade forte, ela inspirou os ensinamentos da Igreja sobre questões de dieta, exercício e estilo de vida. White alega que suas crenças são baseadas em experiências visionárias – sonhos e conversas com Deus.
"Ela classificou o tabaco como um veneno maligno e lento em 1864", diz Richard Schaefer, historiador da biblioteca da universidade. Isso foi cem anos antes de a autoridade de saúde pública americana abordar o tema.
White, que tinha pouca educação formal, disse que o álcool danifica o cérebro. Ela também escreveu sobre os perigos de consumir muito sal.
"Os motivos disso eu não sei, mas repasso a vocês as instruções que me foram dadas", disse a pioneira, parafraseada por Schaefer.
Os adventistas creem que sua longevidade esteja ligada ao respeito pelo corpo humano como um templo do Espírito Santo.
"Vocês têm o dever de reservar esse templo para o serviço de Deus, porque Ele nos fez", explica o pastor aposentado Belgrove Josiah.
"Por causa desse princípio, estamos muito preocupados com o que colocamos em nossos corpos."
"Não descartamos a ciência médica no geral, porque ela está muito relacionada com nos guiar sobre como tratamos nosso corpo", acrescenta Josiah.

Descanso

O modo de vida adventista envolve uma dieta principalmente à base de vegetais, exercício regular e um compromisso com a celebração do sábado como o dia de descanso.
Um estudo de longo prazo que começou em 1976, envolvendo 34 mil membros da igreja, concluiu que seu estilo de vida acrescentava um número significativo de anos para a média de vida. Os pesquisadores identificaram "surpreendentes" efeitos protetores de uma dieta vegetariana.
"Quando olhamos apenas para a mortalidade, os adventistas parecem morrer das mesmas doenças, mas eles morrem muito mais velhos" diz Larry Beeson, professor de epidemiologia da Universidade de Loma Linda.
Beeson participa de pesquisas sobre adventistas por mais de 50 anos.
Ele argumenta que a boa saúde não se deve apenas à dieta. Para ele, o que ocorre é uma mistura complexa de religiosidade, espiritualidade e compreensão de uma pessoa de sua crença em Deus, combinado com outros componentes do estilo de vida, como exercícios e apoio social.
Betty Streifling, por exemplo, tem 101 anos e ainda levanta pesos na academia de sua casa de repouso. Streifling vive em seu próprio apartamento, uma casa aconchegante, cheia de recordações familiares e móveis feitos por seu falecido marido. Ela frequenta uma aula de exercícios cinco dias por semana e faz um passeio matinal na rua.
Ela atribui sua longevidade a "viver uma vida pura, sem álcool, sem tabaco, ir para a cama cedo, louvando a Deus por sua bondade e pela bênção da vida".

Fast foods

É possível comprar um hambúrguer e batatas fritas em Loma Linda, mas no ano passado a prefeitura proibiu o funcionamento de novos "restaurantes de fast food com drive-through". O movimento foi pensado para "proteger a saúde pública, segurança e bem-estar" de seus moradores.
Existem mercados de agricultores e lojas de alimentos saudáveis fazendo sucesso com nozes e vegetais.
O estilo de vida de Loma Linda parece dar uma receita promissora para o bem-estar. Não é para todos, e a maioria dos adventistas reconhece que há diferentes graus de observância às diretrizes alimentares e sociais definidas pela igreja.

Mas há pouca dúvida de que esta comunidade pode esperar viver muito mais tempo do que a maioria das outras pessoas.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

domingo, 8 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

ALDEIA INDÍGENA RECEBE MISSIONÁRIOS DO IAP

Estudantes do IAP realizam o primeiro contato adventista com os javaés
Por Paloma Lopes
Colaboradora

A Escola de Missões do Instituto Adventista Paranaense (IAP) iniciou no último dia 5 projeto “Missão Javaés”,com ações sociais na área da saúde, pedagógica e, acima de tudo,levando a mensagem de salvação à comunidade indígena Boto Velho localizada na Ilha do Bananal, Tocantins. O projeto, que reuniu um grupo de 12 voluntários, foi idealizado pelo capelão do IAP, Pr. Douglas Reis, em parceria com o Ministério Nativo do Tocantins, liderado pelo Pr. Miraldo Fág Tanh.
Tratou-se do primeiro contato de um grupo adventista com a aldeia dos Javaés. Houve atividades para crianças, tais como teatro, pintura, brincadeiras e contação de histórias bíblicas, coordenadas pela pedagoga Marta Balbé, doutora em Educação e Coordenadora de novos cursos na Faculdade Adventista Paranaense (FAP), vinculada ao IAP. Além disso, ocorreu orientação odontológica, aferimento de pressão e ações preventivas na área da saúde sob supervisão do enfermeiro Davisson Gonçalves, professor da FAP.
O IAP, que receberá em breve o curso de Teologia,oportuniza por meio da Escola de Missões que os jovens ingressem no campo missionário. O trabalho do grupo gerou resultados como a confiança do povo nativo,bastante acanhado a princípio. Despertou-se o interesse dos adolescentes da aldeia sobre a Educação Adventista.
As atividades do grupo se estenderam no local até domingo dia 20 de Janeiro. Sem dúvida, esse foi o primeiro de muitos outros projetos missionários realizados pelo IAP.

Veja outras fotos da Missão Javaés: