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domingo, 23 de julho de 2017

O LAR CRISTÃO E OS MODELOS DIVERGENTES



Os desafios conjugais se refletem na vida espiritual do casal e de seus futuros filhos. Por vezes, boas intenções e mesmo princípios cristãos não são suficientes para contornar as crises, porque muitos sequer estão maduros para admitir a possibilidade de que elas surjam. E elas surgirão, inevitavelmente.
A cultura popular dá uma ênfase exagerada ao namoro, destacando-o como época da paixão. Os filmes relatam relacionamentos casuais, crises e a resolução por meios de discursos espontâneos e românticos. Na vida concreta, namoros são oportunidades para conhecimento mútuo. E as crises (sempre no plural, é preciso frisar) não são atenuadas por palavras sentimentais.
É preciso reconhecer que todo o amor do mundo não fará duas pessoas concordarem em absolutamente todos os assuntos. Em uma classe de escola sabatina, ouvi um participante opinar de forma que me intrigou. A pergunta proposta pelo moderador da discussão era: “dentro de um casamento, marido e mulher sempre pensarão do mesmo modo?” O rapaz respondeu que se ambos tivessem o Espírito Santo seriam concordes em todos os assuntos. Não me contive e cochichei com o professor: “tenho certeza de que ele é solteiro!”
A unidade no casamento não é sinônimo de uniformidade. Somente existirá uniformidade em uma relação quando uma parte se anula perante a outra, o que, obviamente, não constitui um modelo saudável de matrimônio. Lidar com os conflitos no casamento implica no reconhecimento de que duas pessoas possuem bagagens diferentes.
Por bagagens me refiro à criação, educação e experiências de vida, que junto com o temperamento, influenciam o modelo de pensamento de alguém. Uma simples discussão sobre quem deve realizar as compras do mês ou a maneira de se temperar o feijão é suficiente para revelar substratos culturais, valores e modelos estabelecidos. Uma discussão dessa natureza, em geral, esconde abaixo da superfície os seus reais motivos. Gasta-se esforço e argumentação discutindo de quem é a responsabilidade pela limpeza da casa sem discutir os modelos pré-estabelecidos. Marido e mulher ganhariam se conversassem sobre o que aprenderam de seus pais, explicando cada qual ao parceiro o porquê de pensar como pensa.
Quando se reconhece que, para além dos modelos vistos nos pais ou simplesmente idealizado, existem outros modelos, é possível reconhecer que há outras maneiras de se fazer as coisas. Cobra-se menos, porque se passa a entender melhor o outro. As cobranças surgem quando um cônjuge quer encaixar o outro no padrão que possui, sem levar em conta que seus padrões não os únicos que existem.

Relações maduras são aquelas em que os cônjuges repensam juntos os modelos herdados e os reconstroem com o tempo, ajustam-se por meio do diálogo. Se as crises não somem totalmente nesse processo, ao menos elas se tornam menos frequentes e menos graves. E isso dá espaço para que o casamento se torne o ambiente ideal para cultivar o ingrediente que os filmes restringem (erroneamente) ao período do namoro: o amor. Quando o amor frutifica, a vida espiritual agradece.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

JOSÉ E A TENTAÇÃO



José, vendido pelos irmãos, é adquirido por Potifar “oficial de Faraó e capitão da guarda” (Gn 39:1). Provavelmente, a intenção era que José desempenhasse funções domésticas. Apesar da condição cruel, por duas vezes é afirmado que o Senhor estava com José (Gn 39:2, 3). Como resultado, o jovem hebreu obteve a simpatia de Potifar (Gn 39:4), que reconheceu as habilidades do novo serviçal. Assim, José recebe a incumbência de administrar (Gn 39:4). Na sequência, outra característica de José é enfatizada: sua beleza física (Gn 39:6). Outros homens nas Escrituras são igualmente louvados por seus atributos estéticos, como Saul, Davi e Absalão. No relato sobre José, esse elemento serve para introduzir uma mudança de foco: é a beleza de José que desperta a atenção da esposa de Potifar. Como consequência, José foi tentado em pelo menos três diferentes formas.
Em primeiro lugar, José sofreu a tentação de forma direta e pontual. “‘Venha, deite-se comigo!’” (Gn 39:7), disse a mulher sem muita sutileza. A seguir, a situação passou a se repetir. O convite ousado agora ressoava pelo cotidiano (Gn 39:10). Por último, surgiu a tentação se apresentou de modo extraordinário:

Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encontrava. Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: "Vamos, deite-se comigo! " Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela. (Gn 39: 11-12).

A trama dos acontecimentos colocou José diante de um problema capaz de vencer a vontade dos mais extraordinários homens. Comumente, vemos políticos renunciando a cargos devido a escândalos extraconjugais. Recentemente, um ator famoso teve afastamento decretado por uma emissora de televisão após ser acusado de assédio. Jogadores de futebol são constantemente forçados a realizar exames de paternidade ou envoltos em divórcios milionários. A maioria dos homens enfrenta grandes dificuldades em lidar com tentações sexuais. Quando se examina a história de José, além dos tipos de tentação que ele sofreu, pode se verificar sua reação a elas, o que é extremamente útil para os cristãos da atualidade. Se José foi capaz de vencer a tentação mais apelativa e insistente, a vitória se acha à disposição para aqueles que seguirem seu exemplo.
Quando a tentação veio de modo direto e pontual, José respondeu afirmando audivelmente seus princípios:

Mas ele se recusou e lhe disse: "Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados. Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?" (Gn 39:8-9)

O texto apresenta que José era fiel em seu serviço porque ele sabia a quem prestava contas. Momentaneamente, ele servia a Potifar. Mas sua lealdade última era voltada a Deus, a quem era responsável por todo seu procedimento. Justamente o senso de estar na presença divina motivava José a um procedimento reto. A vida cotidiana, com suas demandas instantâneas veiculadas à conexão virtual, rouba o tempo para quase todo tipo de introspecção, reflexão e meditação na Palavra de Deus. A prática da oração, confiança no poder invisível, fica obliterada pelos atrativos exteriores. Entretanto, é o cultivo da presença do Senhor – pelo exercício diário da oração, do estudo fervoroso das Escrituras, pela decisão de permitir ao Espírito que influencie a mente a obedecer e prática consciente das verdades reveladas (pelo poder de Deus em sua vida) – que torna um cristão disposto a abdicar de prazeres para manter seus princípios.
Quando a tentação se tornou cotidiana, frequente, José estava preparado para enfrenta-la. Ele sabiamente evitava o objeto de sua tentação (Gn 39:10). Isso caracteriza a prudência que acompanha a quem teme a Deus. José não insistiu em seus argumentos e, se o tivesse feito, por certo teria tido pouco resultado. O tempo de argumentos já passara: era a hora de afugentamento.
Finalmente, José se viu em uma cilada: a tentação lhe sobreveio de modo extraordinário. Toda uma cena foi elaborada para que ele e sua senhora estivessem sós. Ninguém os veria. E, seguindo seu perfil, a esposa de Potifar tomou a iniciativa, agarrando seu manto (Gn 39:12). José certamente não poderia recorrer às estratégias já usadas: ele não poderia simplesmente evitar a mulher ou ignorar sua presença e provavelmente seria totalmente despido antes de terminar qualquer discurso! Mas o filho de Jacó tinha outro recurso: ele tomou a decisão radical de se afastar da tentação. Ele literalmente fugiu, deixando nas mãos de uma mulher furiosa o seu manto. Uma decisão corajosa, a qual lhe cobrou um alto preço.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

GRATA PELOS ANJOS


Por Noribel Reis
“Porque a Seus anjos Ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos”. Salmo 91:11.

Aquele era o momento mais emocionante e pleno de toda a minha vida. Estava com minha filha em meus braços. Eu havia acabado de recebê-la, após 15 horas de trabalho de parto. Deus havia me concedido um lindo parto e esse momento era inexplicável. Estar com ela em meus braços, sentido seu aconchego em meu peito, enquanto mamava, era a mais pura emoção.
Em meio a muitos sentimentos que inundavam minha mente, tive uma impressão marcante. Não sei precisar quanto tempo após o parto. Mas, uma certeza inundou meu coração: Deus havia enviado um anjo para guardar minha filha do mal. Lembrei-me da promessa - "O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem, e os livra." Sl 34:7
Sim! Eu creio nos anjos e nas suas ações para nos guardar e proteger. Tenho um apreço muito grande por histórias de pessoas que são salvas por anjos. Agora, sentir que minha filha tinha um anjo enviado do céu para protegê-la foi algo incrível.
A Bíblia dá algumas informações sobre os anjos. Ela fala que aqueles que servem a Deus, amam a Jesus e guardam seus mandamentos possuem proteção especial.
Em Mateus 18:10 temos um texto específico dito pelo próprio Salvador sobre os anjos e os que creem no Senhor: “Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste”.
Os anjos são enviados para protegem os justos do poder maligno. Essa proteção acontece nos lares cristãos, na vida familiar; ao saírem de casa e pedirem a proteção de Deus; ao tomarem decisões importantes e estarem em contato com outras pessoas. Veja o que diz no texto de Parábolas de Jesus, p. 341-342: “Quando inconscientemente estivermos em perigo de exercer influência má, os anjos estarão ao nosso lado, orientando-nos para um melhor procedimento, escolhendo-nos as palavras, e influenciando-nos as ações.” Mesmo quando não estamos vendo, os anjos de Deus estão nos protegendo e nos guardando.
“Os anjos de Deus, milhares de milhares, [...] nos guardam do mal, e repelem os poderes das trevas que nos estão procurando destruir. Não temos nós motivos de ser a todo momento agradecidos, mesmo quando existem aparentes dificuldades em nosso caminho?” (A Ciência do Bom Viver, p. 253-254)
Você já agradeceu a Deus por tanto cuidado e amor? Lembre-se que em nossa vida sempre haverá dificuldades, pois vivemos em um mundo de pecados; porém, Deus enviará anjos para estarem ao seu lado, ajudando-a a passar por todas as provações.


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quarta-feira, 15 de março de 2017

A PRÁTICA DA ORAÇÃO NO MUNDO MATERIALISTA


Desde o Iluminismo, passando pela teologia liberal e adentrando no século XX, a presença divina passou a ser escamoteada, gradativamente diminuída e, finalmente, rechaçada. Hoje se fala no espaço dado à espiritualidade. Porém, tudo isso em nível pessoal. Na esfera particular, no fórum íntimo.
No “mundo real”, a opulência material garantida pelo progresso econômico que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial despertou a cobiça. Produtos feitos para durar pouco. Propagandas pensadas para vender sentimentos, aspirações e valores veiculados a quase qualquer produto – até propaganda de banco faz chorar! A toda hora, somos convidados a ter o último smartphone, o perfume recém lançado, o xampu de eficácia cientificamente comprovada. Para tudo isso, é preciso gastar tudo, porque gastar significa desfrutar. O materialismo consumista é uma expressão da confiança humana nos bens como veículos de desfrutar não apenas da “vida melhor”, prometida pelo século XX; hoje está à disposição a “vida para ser curtida”, com coisas inúteis, mas divertidas, ao alcance de todos.
Não há espaço para Deus nesse espiral pós-moderno de sensações, nesse looping de barganhas midiáticas e promessas de pote de ouro aqui e agora. Tudo está concentrado não mais nessa vida, mas no agora. Tudo o que importa é o agora. Temos de ver, ouvir a resposta, tocar as coisas, viver a sensação. Como confiar em um Deus além, invisível, que, pior!, nem sempre responde (quase nunca responde) as orações no exato momento em que são feitas?
Confiar nas respostas de Deus é algo que precisa, como nunca, ser exercitado a cada instante. Do contrário, fica fácil que mesmo cristãos conscientes vivam como ateus em sua semana de trabalho. O sábado bíblico (Êx 20:8-11) não é simplesmente um dia para ter um encontro com Deus, o que, de fato, deve ser algo diário. O sábado é a renovação do propósito da aliança com o Criador, a preparação para Seu juízo em favor de Seus santos (Ap 14:6-7) e a dedicação exclusiva do tempo para Aquele que é Senhor do tempo e da vida. O sábado serve para se desconectar com os apelos consumistas de um mundo que se acostumou com aquilo que é imediato. Na calma do dia santo, pode-se renovar o propósito de servir o Deus que estabeleceu cada coisa para seu próprio tempo (Ec 3:1-8).
Uma vez renovados, é preciso que empreguemos o tempo dos outros dias para nos conservar em espírito de oração. Não se trata da regularidade nas orações pontuais, sempre necessária. Mas o cultivo de uma mentalidade que a todo tempo converse com Deus e reconheça a necessidade de Sua presença. Afinal, em meio ao conflito cósmico no qual estamos inseridos, a grande questão não é em que gastaremos nosso dinheiro ou qual diversão estará à nossa espera. A salvação está em jogo em cada decisão importante – mesmo naquelas que não se percebem importantes.
Oramos porque não estamos seguros em um mundo dominado pelas trevas. Oramos porque há um Deus que, como um Amigo sempre presente, sente interesse por nós e deseja nos amparar. Oramos porque Deus é totalmente amável e benevolente, cheio de misericórdia, amor e paciência. Oramos porque é nossa maneira de amá-Lo por tudo o que Ele é e tem feito.


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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

TODOS TEMOS UM PAI


Todos temos um pai – um modelo gerador de perspectivas. Se nosso pai, nosso referencial, aquilo que origina nosso filtro para interpretar a realidade, não for Deus, certamente teremos alguém ocupando a lacuna. Mais do que uma denúncia da hipocrisia dos judeus, João 8:38 ensina que há a presença do conflito cósmico por trás daquilo que usamos para determinar o que é a verdade. Nossos pressupostos não se limitam a tentativas humanas, mas possuem a influência do mundo espiritual. Isso implica que o resultado final, aquilo que escolhemos ser e a forma como atuamos no mundo, nos identifica com Deus ou com o diabo (Jo 8:41-42).

De forma similar, o apóstolo Paulo afirma que o “deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Co 4:4). Segundo o texto, descrer é o resultado da cegueira provocada pelo diabo. A declaração é complementada com a ideia de que Deus “mesmo brilhou em nossos corações, para a iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.” (v.6). Assim, da mesma forma como no texto de João, crer ou descrer não depende simplesmente de argumentação lógica ou exposição da verdade de modo proposicional (ainda que Paulo aluda à “clara exposição do evangelho”, v. 2); para além dos elementos cognitivos e racionais há o poder de pressuposições, influenciadas pela atuação de poderes espirituais. Cremos mediante nossa escolha espiritual em nos “filiar” a um lado do embate cósmico. Depois disso, criamos uma rede de ideias pré-concebidas contra ou a favor da verdade. Por essa razão, Jesus sabia da inutilidade em realizar sinais diante de uma geração incrédula (Mt 12:29; 16:4). E novamente Paulo postula que as coisas espirituais se entendem de modo espiritual, ou seja, por pessoas relacionadas com elementos espirituais (1 Co 2:13-14), sem excluir a atuação do Espírito do processo de decodificar a mensagem divina aos homens (a Verdade, na linguagem joanina).

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

ADVENTISTAS E O SEXO



Já não tenho ilusão com respeito à atividade sexual de jovens e solteiros entre nós. Não se trata de afirmação dramática ou dita com frieza. Sofro em saber que muitos, não todos, evidentemente, experimentaram algum tipo de envolvimento sexual com um ou mais parceiros. Contudo, ainda não temos estatísticas que permitam averiguar essa realidade no meio adventista. Porém, eu e muitos colegas pastores atendemos casais de jovens frustrados, confusos e devastados porque se entregaram ao prazer por impulso, paixão ou curiosidade. Ou acompanhamos solteiros, divorciados e viúvos que acabaram não resistindo às tentações sexuais.
Obviamente, a problemática extrapola a questão da prática sexual pré-marital. Há questões igualmente preocupantes envolvendo a prática sexual extraconjugal. Novamente, a falta de estatísticas se torna um empecilho a qualquer estratégia de contornar esse mal, cujas consequências são devastadoras. Membros do movimento adventista, quer não envolvidos, quer líderes denominacionais, e mesmo alguns obreiros,  destroem suas famílias ou lutam para manter as aparências. Quando a situação vem à tona, além do sofrimento dos envolvidos, perde a igreja como um todo.
Há muitas iniciativas de departamentos da igreja, dos próprios campos e esforços de pessoas preocupadas para fortalecer os laços familiares. Às vezes, o tema da sexualidade é tratado pela via negativa, enfatizando os perigos de uma gravidez precoce, os problemas acarretados pela masturbação, o vício da pornografia (bastante facilitado pelo advento da internet), entre outros aspectos. Todavia, algumas iniciativas, se exploradas, certamente ajudariam a conter as condutas sexuais divergentes do estilo de vida bíblico. Sem querer esgotar o assunto, cito e comento algumas dessas iniciativas, a título de sugestão e visando enriquecer o debate sobre sexualidade no meio adventista:
1. Criar programas de sexualidade para todos os membros, em todos os níveis: geralmente, restringimos as orientações sexuais a jovens e casais de noivos ou com matrimônio constituído. E o fazemos dando, em geral, orientações básicas. Deveríamos ampliar o leque, constituindo estratégias customizadas para cada nível. Os juvenis precisam saber que a atividade sexual é um presente de Deus, motivo de desfrute da vida conjugal e, ao mesmo tempo, precisa ter lugar dentro do matrimônio. Adolescentes precisam saber não só que a pornografia é prejudicial, mas quais as estratégias para vencer a tentação. Adultos casados precisam saber que, ao contrário do que afirma o mundo, nem tudo o que se faz a quatro paredes é válido. Em todos esses exemplos, mais do que limites, precisa ficar claro a teologia bíblica do sexo;
2. Estabelecer um programa contínuo com as famílias: mais do que programas na igreja, a médio e longo prazo, baseados em sólida teologia, as famílias precisam receber suporte para transmitir uma sexualidade saudável aos filhos. Boa parte dos casos de adolescentes com orientação homossexual que atendi tem muito que ver com lares desestruturados ou pais ausentes. Os filhos precisam sentir que confiam nos pais, a ponto de relatarem qualquer tipo de abuso ou assédio que sofram na escola, vizinhança, parentes próximos, etc. Nos cultos familiares, a aliança da família precisa ser fortalecida para inspiras meninos e meninos, moças e rapazes para almejarem, com brilho nos olhos, constituir um lar tão feliz quanto tiveram na infância e adolescência;
3. Criar grupos de apoio para adictos em sexualidade: lutar contra vícios sexuais é tão ou mais desafiador que enfrentar outros tipos de adicção. Portanto, grupos de apoio, baseados em mentoria e conselhos práticos são o tipo de ministério que certamente ajudariam aqueles que têm suas próprias batalhas. Esse tipo de grupo pode seguir o formato de um pequeno grupo ou classe especial, envolvendo segmentos específicos. Outras pessoas que se beneficiariam com esse atendimento seriam divorciados (que geralmente negligenciamos) e viúvos. Para aqueles que foram sexualmente ativos e perderam ou se separaram do cônjuge não é tarefa simples viver como solteiros cristãos, isentos de pensamentos sexuais, alimentados por lembranças de experiências. A tendência é que se envolvam prematuramente em relacionamentos que levem a relações sexuais pré-maritais ou acabem contraindo vícios sexuais. Por isso, essas classes necessitam de assistência especial, a fim de saberem como lidar com a sexualidade em um novo estágio após o casamento.
Sem dúvida, Deus deseja que tenhamos uma sexualidade saudável, o que significa esperar nele para encontrarmos amor e companheirismo autêntico, formando o vínculo do matrimônio – ambiente propício para a expressão física do amor.

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domingo, 9 de agosto de 2015

SINCERIDADE E RESPOSTAS


Faz uma década que convivo com adolescentes. Com o tempo, você acaba conquistando a confiança deles. Aprende que eles são sinceros de forma crônica. Não poucos entre os adolescentes enfrentam a religião dos pais como quem luta contra regras obsoletas. Claro que, para um adolescente, as únicas regras não obsoletas estão no grupo daquelas que convém (os adultos, em geral, têm mais pudores para dissimular esse comportamento).
Eles não são culpados, tomando um exemplo, por não assimilarem a ideia de termos uma profetiza moderna. Nós, adultos, somos mestres em evitar esse assunto, tratando algo digno de gratidão como tema espinhoso!
Aliás, durante uma aula, um aluno muito espontaneamente perguntou o quão "moderna" era a profetiza, que viveu há... 100 anos! Convencê-los da atualidade dos conselhos inspirados é quase como apelar para que comprem fichas e façam a ligação em algum telefone público. Entretanto, não é apenas algo necessário, como imprescindível.
Se mesmo entre os melhores jovens permanecem tantas dúvidas sinceras, que dizer do quadro geral? Quando olhamos para uma geração inteira que assiste o culto de cabeça baixa, mais preocupada em responder as mensagens no WhatsApp do que naquilo que acontece durante os momentos solenes, como não se preocupar?
Não se trata de alugar um ginásio, convidar o cantor gospel do momento, entoar 10 músicas repetitivas e fazer um discurso emocional. Os adolescentes precisam saber coisas concretas sobre a fé adventista. Menos espetáculo e mais estudo da Verdade. Ensinar meninas e rapazes a marcarem em suas Bíblias cadeias de textos (devidamente contextualizados) para que entendam em que baseiam as doutrinas - isso ajudaria a vencer dúvidas e aumentaria o envolvimento com a missão. Afinal, eu não compartilho algo se não conheço o suficiente para explicar. Treinamentos missionários, simulando desafios reais, e projetos que ajudem a conhecer melhor a história do movimento adventista seriam outras ações possíveis.  
Pais, líderes e educadores precisam criar fóruns, pensando em como ajudar a nova geração a retomar a base bíblica adventista. Necessitam igualmente dar o exemplo para os jovens de que se acham pessoalmente envolvidos na salvação de almas e que seu maior interesse é a vida eterna. Quando "culto de pôr do sol" e "culto familiar" não soarem como alienígenas nos ouvidos de famílias adventistas, significativa mudança surgirá entre os adolescentes. 
Não basta pais piedosos orarem por seus filhos; pais espirituais precisam orar com eles e lhes ensinar a amar a Verdade a ponto de encarná-la em sua própria vida. Afinal, a sinceridade adolescente merece respostas, fruto de um cristianismo autêntico.    


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

CAIO FÁBIO: DE REFERÊNCIA DE LUCIDEZ EVANGÉLICA AO EVANGELHO SECULARIZADO


Caio Fábio já foi uma das mentes mais íntegras e lúcidas no meio evangélico. Sua voz inteligente e sua produção como escritor tiveram um peso positivo sobre a formação da psique de muitos cristãos brasileiros. 
Desde seu polêmico envolvimento no caso conhecido como Dossiê Cayman, sua vida virou do avesso:  acusações de calúnia, participação em esquema de corrupção e até um relacionamento extraconjugal! Sem dúvida, o líder presbiteriano sofreu de tudo um pouco, mas parece ter recuperado algum espaço na mídia religiosa, exercendo sua conhecida liderança e influência.
Um programa televisivo do líder religioso trouxe sua polêmica posição a respeito de sexo extraconjugal. Respondendo a um rapaz que lhe perguntava se estava em pecado, Caio Fabio disse que não poderia julgar o envolvimento do rapaz com uma moça, com a qual se relacionava sexualmente, embora fossem apenas namorados. A declaração contraria o claro “assim diz o Senhor” (Ex 22:16).
Além disso, nãos e trata de julgamento: a verdade bíblica é propositiva, ou seja, ela encerra princípios que podem ser aplicados e que devem influenciar toda a vida. Ao fazer apologia à tolerância pós-moderna, Caio Fábio apenas consegue mostrar um certo humanismo que o espírito dessa época acobertaria com simpatia. Acolhimento faz parte, mas alienado de instrução bíblia serve apenas para acalentar o pecador, fazendo com ele não veja necessidade de se arrepender, o que seria sua única esperança.
Pois é, Caio Fábio, quem o viu, quem o vê…


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

BRITÂNICOS TOLERAM MENOS INFIDELIDADE CONJUGAL



Há alguns anos a psicóloga Susan Quiliam começou a atualizar “A Alegria do Sexo”, um guia do prazer seminal da década de 70. Ao falar com britânicos sobre sexo, ela verificou uma curiosa mistura de hedonismo e puritanismo. As pessoas aparentemente haviam se tornado mais abertas a experimentos em suas vidas sexuais. Mas suas atitudes em relação à infidelidade eram extraordinariamente pudicas.
Uma grande pesquisa publicada em 26 de novembro confirma o palpite dela. A Pesquisa Nacional de Atitudes Sexuais e Estilos de Vida (Natsal, na sigla em inglês) revela uma sociedade mais liberal e cada vez mais tolerante em relação à diversidade sexual. Um número cada vez maior de mulher teve algum tipo de experiência homossexual: 16% daqueles entre 16 e 44 anos, contra 10% em 2000.
Mas a permissividade não está em alta. Entre a primeira e a segunda Natsal, em 1990 e 2000, a proporção de homens entre 16 e 44 anos de idade que reprovavam o sexo casual aumentou de 20% para 27%. No relatório mais recente a proporção caiu novamente para 20%. E os britânicos repudiam cada vez mais os casos extraconjugais. Em 1990, 45% dos homens afirmaram que qualquer não exclusividade no casamento é errada. Agora 63% a condenam. As mulheres são ainda mais rígidas: a proporção que condena os casos aumentou de 53% para 70%.
A socióloga Catherine Hakim acha que a culpa pode caber em parte à crise financeira. Em tempos de dureza econômica as pessoas se apegam ao que quer que tenham, o que inclui parceiros, e as aventuras sexuais se tornam menos aceitáveis. Quilliam acrescenta que os jovens viram a destruição que a infidelidade criou entre seus pais e avós – as primeiras gerações realmente livres para experimentar com o sexo casual.



Apesar de a pesquisa indicar a rejeição ao sexo conjugal, a batalha contra a impureza – em todas as suas formas – ainda parece estar longe de ser ganha. E não será ganha pela sociedade como um todo, infelizmente. Cabe a cada um rejeitar tudo o que não se coadune com o plano de Deus, que consiste em sexo marital, monogâmico, heterossexual e feito em um ambiente de amor, respeito e valorização mútua. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

AMOR NUNCA DISTANTE


O ano de 2013 começou com muita correria! prosseguimento na carreira acadêmica, últimos preparativos para o livro novo (faltam dois capítulos e outros ainda sofrerão pequenos ajustes) e envolvimento em um projeto da escola de missões. Atualmente, estou em Lagoa da Confusão, pequeno município do Tocantins, próximo de Gurupi. A cada dia, nosso grupo tem realizado um trabalho social e evangelístico na aldeia Boto Velho, a 50 Km da creche municipal que se tornou nosso QG. 

Em meio a tudo isso, não posso me esquecer do dia de hoje, uma data marcante e marcada pela saudade. Completam-se nessa data sete anos que essa mulher da foto resolver desafiar as probabilidades e fazer o impensável: passar o restante de sua vida ao meu lado. Sete anos de matrimônio e outros quatro, entre namoro e noivado (foram três anos de relacionamento à distância!...).

Muitos momentos ficaram na memória. Não somos uma casal perfeito, mas posso dizer que somos muito felizes. Minha esposa é uma legítima bênção para mim como pessoa e também no aspecto ministério. Passamos por inúmeros desafios juntos. Mudanças de cidade e circunstâncias. Perdemos contato com amigos queridos e ganhamos a companhia de outros. Acima de tudo, continuamos tendo o que mais importa: um ao outro. Definitivamente, não preciso de mais!

Gostaria muito de estar com minha esposa e dizer-lhe pessoalmente que a amo. Mas, no momento, tenho de me contentar em esperar pelo dia do regresso, com o qual tenho me ocupado nos últimos dois dias. Mal vejo a hora de rever aquela que me faz tão feliz, o presente que Deus me concedeu de forma tão graciosa. Louvo a Deus por estar envolvido na missão e tenho a certeza de que as saudades somente aumentarão um amor que só tem crescido em mais de uma década. 

Nori, eu amo você!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O PREÇO DA VIRGINDADE



Li há pouco a notícia de meninas indígenas cujas virgindades são leiloadas em São Gabriel da Cachoeira, município lonquinquo do Amazonas (Folha de São Paulo, 4/11, C1). Comerciantes, políticos e militares estariam entre os envolvidos. Por R$ 20 é possível conseguir passar a noite com uma menor, com idade entre doze e quatorze anos. Algumas vítimas relatam terem ganho celulares, chocolates e até roupas dos aliciadores. 

Muitas famílias recebem dinheiro para sustentar a prática de vender suas filhas. Outras são ameaçadas para não denunciarem o caso. A polícia Federal segue com as investigações, sem ter havido a prisão de qualquer um dos suspeitos. As denúncias seriam decorrentes desde 2008 (Idem, p. C4).

Por mais bizarra e asquerosa que seja a notícia, parece haver pouca tristeza quando se pensa em jovens, mulheres e homens, os quais têm vendido a pureza sexual por menos ainda. E pior: de forma voluntária. Refiro-me àqueles que por impulso resolvem “curtir” o momento. Eles banalizam o sexo, como se intimidade fosse algo para ser compartilhado com qualquer pessoa, em qualquer lugar e momento.

Entre cristãos, é grande o número daqueles que não resistem às tentações sexuais, seja na forma de namoros mal conduzidos, ou quando se apresentam nas imagens de alguns sites. Estão vendendo algo valioso por uma quantia ínfima.

Virgindade é algo valorizado por Deus, mas quando se trata de pureza, o preço é mais alto. Muitos que temem perder a virgindade descuidam com o que veem, ouvem ou tocam. Relacionam a virgindade com algo físico e até sacrificam a pureza para mantê-la hipocritamente – seus contatos íntimos e sexuais, embora calculadamente evitem a penetração, numa pretensa manutenção da virgindade, constituem uma deturpação grosseira do relacionamento sexual saudável. 

Quem se consagra à obediência dos mandamentos de Deus, estrutura sua conduta sexual de maneira a não ser dominada pelos impulsos, sabendo expressar sua sexualidade no tipo de relacionamento apropriado – a associação monogâmica e heteressexual, exclusiva e partilhada entre duas pessoas, após terem preenchido requisitos sociais e recebido a bênção divina (algo que as pessoas conhecem como “casamento”).

Quem sabe esperar, é recompensado com um tesouro incalculável. Compensa chegar virgem ao casamento – e, principalmente, ser puro antes, durante e depois dele.

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

A IMPORTÂNCIA DAS DOUTRINAS NA VIDA DEVOCIONAL


Há um falso dilema que insiste em assolar a vida prática dos seguidores de Cristo. Trata-se da ideia segundo a qual devemos ler as Escrituras somente de forma devocional. Argumenta-se sobre o familiarizar-se com a pessoa de Jesus, indo à Bíblia não em busca de confirmações doutrinárias ou mesmo de estudo cuidadoso. Bastaria conhecer o que a Bíblia diz acerca de Jesus. É comum ouvir que ler o texto santo dessa perspectiva seja o equivalente ou até o sinônimo de devoção pessoal.
Apesar da ampla aceitação do conceito, algumas perguntas requerem atenção. A abordagem não estaria pressupondo uma dicotomia entre Jesus e Sua doutrina? Se for o caso, a dicotomia pode ser suportada por evidências bíblica? Fazer as pessoas escolherem entre Jesus ou Sua doutrina não constituiria contradição insuperável, tendo em vista que o próprio Jesus afirmou que o reconhecimento de Sua condição messiânica dependia de análise de Sua doutrina? Além do mais, tudo o que se conhece a respeito de Jesus – Seu nascimento virginal, vida vitoriosa sobre a tentação, as profecias vétero-testamentárias cumpridas por Ele, Seu sacrifício redentivo, entre outros – não faz parte do corpo de doutrinas bíblicas? Portanto, Jesus separado das doutrinas nem poderia ser compreendido da forma como os cristãos o fazem; antes, seria mera figura simbólica, cuja identidade permaneceria no campo da especulação.
Talvez a ênfase no Jesus contraposto às doutrinas tenha raiz em, ao menos, dois fatores, um relacionado à mentalidade da própria igreja e outro atrelado ao contexto cultural, o qual acaba exercendo influência sobre os cristãos.
No que tange à mentalidade cristã, existe uma reação ao legalismo que marcou a tradição protestante no século XVIII e deixou resquícios entre as denominações que diretamente descenderam da Reforma. A racionalidade dos primeiros reformadores desembocou em uma religião formal para, cerca de um século depois, ceder espaço à esterilidade proporcionada pelo Racionalismo cristão do pós-iluminismo. Em reação a esse perfil de religiosidade vazia, tivemos o momento pietista, que tentava retomar a simplicidade da fé cristã, mas que, infelizmente, caminhou para outro extremo.
No século XX, ao passo que o cristianismo tradicional se viu em guerra contra ideologias ateístas (marxismo, darwinismo e existencialismo, para mencionarmos algumas), além de viver em constante conflito com o liberalismo teológico, testemunhamos a ascensão de uma espiritualidade cristã carregada de espontaneidade, anti-intelectuaista e comprometido com uma agenda sócio-política bem definida.
Na teologia, a experiência da salvação pessoal ocupou o primeiro plano. Toda uma subcultura cristã, alimentada sobretudo por hinos e pregações, se erigiu em torno da salvação, obliterando outras doutrinas do cristianismo. Não à toa, certo segmento do evangelicalismo é conhecido como os "nascidos de novo".
Parece que a ênfase em uma compreensão reducionista do processo de salvação Se constituiu um dos fatores que explicam o antinomismo da pregação evangélica contemporânea. Sob influxo do existencialismo cristão de kierkegaard, o evangelicalismo do pós-guerra apresentou a mensagem bíblica como se fosse constituída de um relacionamento com o Outro, sem necessidade de buscar qualquer base para esse relacionamento, ou sem a intermediação das Escrituras. A Bíblia até poderia ser o ponto inicial para se relacionar com Deus, mas não a mensagem segura, a revelação substancial de Sua mensagem.
Nessa nova configuração, as doutrinas perderam sua relevância dentro da espiritualidade cristã. A efervescência provocada por cultos espetaculares, nos quais o emocionalismo é o alvo pretendido, dispensa o estudo objetivo da Palavra. A mensagem dos púlpitos se encontra atrelada a tendências, necessidades familiares ou demandas motivacionais, ganhando um sentido místico, por vezes até perdendo características propriamente cristãs.
Se o entendimento parcial da salvação solapou a ênfase doutrinária, não se pode ignorar a influência do pensamento pós-moderno para a polarização entre Jesus e Suas doutrinas.
Como reação à Modernidade, e seu espírito de ordem, a pós-modernidade se opõe a toda hierarquização de ideologias segundo sua racionalidade. A espiritualidade passa a contar com maior espontaneidade, ao mesmo tempo em que o sincretismo flui com naturalidade e frequência.
Posturas rígidas e dogmáticas não são mais vistas como necessárias para alcançar um ideal pré-estabelecido, o qual seja fixo. Não existem coisas como alvos inamovíveis ou verdades universais que os justifiquem. Tudo agora são descobertas experimentais que dão sentido a uma busca que ninguém pode dizer com exatidão para onde conduzirá. Se no passado erros doutrinários eram evitados, hoje eles são fundamentais no processo de aprendizagem. E, é claro, todo erro é apenas questão de perspectiva ou mesmo propicia descobertas que levem à mudança de perspectiva.
Um cristianismo sob influência pós-moderna substitui as doutrinas típicas por valores relevantes à época, tais quais tolerância, amor, justiça, luta contra o preconceito, etc. Esses próprios valores são redefinidos, por sua vez, tornando-se impossível fazer um paralelo perfeito com a doutrina cristã, a qual acaba sendo, também por essa razão, encarada de maneira tão negativa, quando não confundida com premissas pós-modernas. Dentro desse quadro, estaria o cristianismo fadado a perder sua identidade peculiar?
Levantamos a princípio a questão do entendimento sobre a vida devocional. O problema com o dito "Jesus do coração" é que ele tem pouco efeito sobre a mente. Uma vida devocional apaixonada não pode significar meramente uma leitura superficial das Escrituras, que desconsidere contextos e implicações mais amplos sob pretexto de se aproximar da pessoa de Cristo. O Senhor Jesus recapitulou o sentido dos primeiros mandamentos do decálogo ao afirmar que devemos amar o senhor de toda a nossa alma, com todo o nosso entendimento, com todas as forças e com todo o coração. Nosso amor a Deus não será completo se omitir alguma área significativa da vida.
A opção "Jesus ou as doutrinas" deve ser preterida por um modelo mais amplo, o qual inclua Jesus com a doutrina. Seguindo esse raciocínio, teríamos, ao menos, três alternativas.
A primeira seria centralizar a devoção nas doutrinas e por meio delas tentar caminhar até Cristo. As doutrinas serviriam como via de acesso ao Salvador. Um dos problemas com tal proposta é que ao destacar dessa maneira a doutrina corre-se o risco de torná-la um fim em si mesma. A porta estaria aberta para o legalismo e a esterilidade espiritual. Na época do primeiro advento, as pessoas mais apaixonadas pelas doutrinas resolveram crucificar o Messias!
Uma segunda alternativa seria apresentar alterada e colaborativamente Jesus e a doutrina. A ênfase seria dupla, sendo que nem o Mestre, nem sua mensagem deixariam de receber endosso. A dificuldade com essa abordagem se acha na má compreensão que ela originaria. Ao apresentar Jesus e Sua doutrina lado a lado, não se correria o risco de sugerir que ambos possuam igual importância? Talvez isso pudesse levar futuramente à compreensão de que as doutrinas sejam salvíficas, de modo bastante similar ao conceito católico de sacramento.
Finalmente, o terceiro modelo consiste em um relacionamento dinâmico entre Cristo e Sua doutrina, estabelecendo o Salvador no centro dessa relação. Jesus seria mais do que o centro – nele, teríamos o próprio ápex, o ponto para o qual todas as doutrinas convergem. Logo, a mensagem bíblica não seria um adorno fútil, porém parte da revelação que Deus fez de Si mesmo, a qual alcançou seu ápice em Jesus.
Ao que parece, embora admita a dificuldade para confirmá-lo empiricamente, os adventista se sedimentaram após o grande desapontamento porque sua forma de estudo da Bíblia coincidia com a terceira proposta apresentada acima. Ao se darem conta de que Jesus não voltara à Terra em outubro de 1844, os pioneiros do movimento volveram-se à Palavra de Deus procurando compreender as profecias concernentes ao retorno de Jesus, a quem amavam e por quem haviam abandonado tudo.
O processo que fomentou a identidade do movimento perdurou por algumas décadas, nas quais a mesma avidez por se interar das verdades bíblicas conduzia os adventistas a estudá-la aplicadamente. Não havia concorrência ou conflito entre Cristo e Sua doutrina. Toda descoberta ajudava a erigir não apenas um sistema doutrinário, mas resgatava aspectos essenciais da obra de Cristo no santuário, lançando luz sobre sua pessoa. Quanto melhor compreendiam a doutrina, mais amavam Jesus e ansiavam por vê-Lo.
Após os anos iniciais, o adventismo também enfrentou um período de legalismo, no qual a postura polêmica (em vista das controvérsias com outros cristãos) tornava o estudo e apresentação de doutrinas caracteristicamente adventistas um exercício racional, ignorando como cada doutrina contribuía para aproximar de Jesus. Atualmente, muitos adventistas têm vivido sob o paradigma da leitura devocional da Bíblia, entendido como um encontro místico com Jesus e uma aplicação direta do texto na vida do leitor, comumente ignorando os detalhes históricos e sem preocupação em manter uma hermenêutica sólida (em geral, o método alegórico parece ser o preferido pelas pessoas, ainda que inconscientemente).
Enquanto persistir essa abordagem popular e pouca cuidadosa de ler a Bíblia, menos se poderá conhecer objetivamente o plano de Deus, conforme Ele o revelou. E quem poderá calcular o impacto disso a longo prazo sobre a identidade adventista em tantos indivíduos da nova geração da igreja?


terça-feira, 14 de junho de 2011

NÃO SE FAZ MAIS CASAIS COMO ANTIGAMENTE...


Passado o fuzuê do dia dos namorados (o comércio que o diga), ainda nos resta refletir sobre as relações vivenciadas nesta sociedade em constante transformação (processo que, nem sempre,segue para melhor). Acabou aquele tempo da ingenuidade social, muitas vezes autoimposto. Quando nasci, uma amiga de minha mãe foi visitar-nos. Na ocasião, a moça apresentou à mãe o namorado de que tanto lhe falara e que, de fato, não era ele, mas ela. Este tipo de “revelação bombástica” não se fazia publicamente – tratava-se de assunto sigiloso, confessado para aqueles da mais alta confiança. Ser gay, como se dizia, era coisa de menino sem pai ou de gente imoral.

A sociedade hoje vê com novos olhos a condição homossexual. Promove-se, assim, a suposta valorização do ser humano pelo que ele é, vislumbrando seu potencial, cidadania, valores, sem se concentrar na opção sexual. Cristãos creem igualmente no valor intrínseco dos seres humanos projetados pelo mesmo Deus. Logo, o Senhor ama homossexuais e heterossexuais, negros e brancos, homens e mulheres.

Por outro lado, a aceitação divina, inerente a cada ser humano, não valida escolhas pessoais ou comportamentos sociais contrários à vontade expressa do mesmo Deus. Não se trata de ação meritória. Suas dádivas recaem sobre Gandhis e Hitlers (Mt 5:45). Dizer que Deus ama homossexuais não eleva sua condição. Deus ama homicidas e prostitutas em igual medida; Deus ama até cristãos!

Enquanto homens levam ao parque seus namorados e as novelas contribuem para que a cena se torne parte natural da paisagem, é de se pensar que tipo de sociedade construímos. Chegamos ao ponto em que Kathy Witerick, uma pacata mãe canadense, optou por não contar a seu filho (batizado pela imprensa de Storm) o seu gênero. A decisão, tomada em conjunto com o marido e alguns familiares, prevê que a criança escolha futuramente sua própria sexualidade, sem nenhum tabu.

Em harmonia com o que Deus revelou (cf, por exemplo, Rm 1:22-28), seria aceitável a atitude pós-moderna de dar a cada um o direito de escolher sua própria sexualidade – ou gênero sexual, como alguns preferem diferençar? Como desvincular identidade sexual (anatomicamente estabelecida) de gênero sexual (supostamente ligado à escolha)? Sei que aqui alguns poderiam recorrer à exceção para estabelecer a regra, citando casos de hermafroditismo ou de má formação de órgãos sexuais. Entretanto, para a maioria dos indivíduos, a própria natureza revela inequivocamente uma identidade sexual bem definida.

Embora a homossexualidade trave batalhas, vencendo algumas (como na Argentina) e perdendo outras (no caso da França), a tendência é que seja endossada por leis e acolhida pela sociedade. As leis, que procuram garantir usufruto inconsequente à liberdade de opinião, não levam em conta o fundamento da verdadeira moralidade familiar. Será que um casal homossexual preenche os requisitos de uma vida familiar, com funções de autoridade bem definida? Há modelos de pai e mãe, essenciais para o desenvolvimento infantil? O relacionamento homossexual consegue criar um vínculo semelhante aquele que Deus estabeleceu – marido e mulher se tornando uma só carne (Gn 2:24), com o tipo de experiência que ultrapassa a mera conjunção carnal e atinge o âmago da intimidade almejada pelo Criador? A julgar pela promiscuidade entre homossexuais, o grau de insatisfação em seus relacionamentos deve ser grande. Como observou um professor que tive na faculdade: “Homens homossexuais são infelizes. Eles, à semelhança de mulheres, procuram um ‘homem perfeito’. Mas o ‘homem perfeito’ se interessa por mulheres, não por outros homens. Assim, os homens homossexuais não conseguem psicologicamente se preencher, porque têm de se contentar em se relacionar com alguém como eles, não de um outro gênero.”

Parece, com tudo isso, que quando havia homens e mulheres de mãos dadas em algum parque da cidade, as pessoas eram mais felizes…

quinta-feira, 2 de junho de 2011

PESQUISA REVELA: DIVÓRCIO ATRAPALHA ESTUDO DAS CRIANÇAS

O divórcio dos pais afeta profundamente a vida escolar dos filhos pequenos, segundo conclusões de uma pesquisa americana. De acordo com o estudo, as crianças sofrem uma queda em seu desempenho acadêmico, além de desenvolverem dificuldade para se relacionar com os colegas. Os pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison fazem, portanto, um alerta: é preciso que os pais redobrem a atenção dispensada aos filhos nesse delicado momento da vida familiar.

A pesquisa acompanhou cerca de 3.500 crianças de quatro anos. A experiência durou cinco anos e, por meio dela, foi possível comparar o desenvolvimento emocional de crianças cujos pais se divorciaram daquelas cujos pais permaneceram casados.

O resultado mostra que as crianças de pais em processo de divórcio sofrem de ansiedade, solidão e tristeza. Por isso, se distanciam dos amigos e passam a ter dificuldades em acompanhar o ritmo acadêmico. Com isso, veem suas notas despencarem. A boa notícia é que a situação tende a se estabilizar com o passar do tempo e da estabilização da separação.

Entre as causas desse situação estão o stress causado pelo desgaste da relação entre os pais, que passam a brigar na frente dos filhos pequenos. Discussões sobre guarda e pensão também causam prejuízos sobre as crianças, dizem os pesquisadores.

A pesquisa foi publicada no periódico especializado American Sociological Review.

Site de Veja

Na convivência com crianças e adolescentes, posso ver isso na prática. Em geral, os alunos que apresentam maiores dificuldades, tanto academicamente, quanto em questões disciplinares, proveem de lares desestruturados. Além do impacto que o divórcio traz aos jovens em formação, existe também a falta de um relacionamento aberto entre eles e seus pais. Ouvi por estes dias um desabafo: “como gostaria que meus pais me dessem carinho e atenção!” Não é à toa que adolescentes buscam amizades virtuais: muitos deles (não todos!) querem compensar a falta de afeto em seu lar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

MELHOR MESMO É A MULHER VISÍVEL!


O que acontece quando um casal precisa conviver com a presença de uma terceira pessoa? E se essa pessoa não for real, mas uma mulher invisível, fruto apenas da imaginação do cara? Assim é a trama de A Mulher Invisível, série que estreia nesta terça-feira na RBS TV, depois de Tapas & Beijos, na faixa ocupada anteriormente por Divã.

Livremente inspirada na trama do filme homônimo de 2009, a série conta também com parte do time que levou a história às telas de cinema. À frente está o diretor-geral Claudio Torres, que também escreveu e dirigiu o filme, e dois terços dos protagonistas: Selton Mello e Luana Piovani recebem ainda a companhia de Débora Falabella para completar o triângulo amoroso inusitado.

Primeira coprodução da Globo com a Conspiração Filmes (produtora que conta, além de Torres, com diretores como Andrucha Waddington, Lula Buarque e José Henrique Fonseca), A Mulher Invisível ganhou esse terceiro elemento em relação ao filme por obra do diretor de núcleo Guel Arraes – a ideia é discutir de forma leve o imaginário dentro do matrimônio.

– A grande mensagem de A Mulher Invisível é: viva bem com a sua fantasia e assuma para a sua mulher – conta Guel.

Na trama, Pedro (Selton Mello) e Clarisse (Débora Falabella) vivem os conflitos de um típico casal apaixonado aprendendo a lidar com a rotina pós-encantamento do início de relacionamento. Enquanto as cobranças e manias de Clarisse já não são mais tão legais, Pedro perde sua identidade ao passar a preocupar-se apenas com a estabilidade. Em busca de um mundo ideal, surge Amanda (Luana Piovani), uma mulher imaginária que acompanha Pedro – e, consequentemente, Clarisse – nos seus desejos mais improváveis. As confusões aumentam quando, em determinados momentos, Clarisse passa de rival a aliada de Amanda, para desespero de Pedro.

Dividido em cinco episódios, A Mulher Invisível tem texto de Guel Arraes, Leandro Assis, Claudio Torres e Mauro Wilson, que também assina a redação final. Trazendo sua experiência do cinema, Selton Mello também assina a direção do seriado com Claudio Torres e Carolina Jabor.

– Foi muito bacana o convite para dirigir o último episódio. Fiquei contente demais, não só em assumir essa outra função, como também por reencontrar o Pedro – brinca o ator, referindo-se ao mesmo personagem que interpretou no cinema.

Zero Hora

Em vista dos claros objetivos da trama, deveríamos nos perguntar: e por que um casal precisa de uma fantasia desta natureza? Uma coisa é desfrutar da intimidade a dois, que pode ser fonte de fantasias sexuais que traduzam o desejo saudável de um pelo outro. Mas por que fantasiar com outra pessoa, ainda que ela não exista? Cada vez mais, o amor genuíno e puro – o qual “não se conduz inconvenientemente” (1 Co 13:5, com conotação sexual no original grego) – cede o palco para um genérico baseado em emoções fugazes. E tudo continua na normalidade… Mas, particularmente, eu prefiro a mulher visível que tenho ao meu lado a qualquer substituta, imaginária ou real!

Leia Também: Luana Piovana: criada na "severa igreja", com fé no "amigo invisível"

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PAIS ANALÓGICOS E FILHOS DIGITAIS

A edição de domingo do jornal The New York Times deu atenção de primeira página ao problema do bullying entre adolescentes na internet. Não dá para se duvidar de que a internet e a explosão de mídias sociais estão facilitando a chegada de uma forma nova e profundamente sinistra de bullying [também chamada de ciberbullyng], e as consequências para muitos adolescentes são graves. Para alguns, a vida se torna uma estória de horror de insultos, rumores, difamações e pior.

Enquanto isso, muitos pais estão desnorteados sem saber como ajudar — quando não, estão completamente indisponíveis no momento.

Conforme informa Jan Hoffman: “Já é difícil apoiar uma criança enquanto ela passa pela experiência de estar cercada pelo bullying no pátio da escola. Mas o território sem lei da internet, seu potencial para crueldade casual e surpreendente e sua capacidade de acobertar a identidade de quem comete o bullying apresentam incertas mudanças novas para essa geração de pais analógicos nesta época de transições”.

Esses “pais analógicos” são muitas vezes vastamente menos equipados, em termos de conhecimentos especializados das mídias sociais em comparação com seus filhos digitais e seus colegas adolescentes. Não é de surpreender a ninguém, pois, que os que cometem bullying estejam ganhando a guerra.

Certa advogada de Nova Jérsei perguntou para uma plateia de um salão cheio de alunos da sétima série se eles já haviam sofrido bullying na internet. Dos 150, 68 levantaram a mão. Ela então perguntou: “Quantos de seus pais sabem como ajudar você?” Só três ou quatro levantaram a mão.

Conforme o artigo revela, muitos pais nem mesmo parecem saber que os smartphones que deram para seus filhos são realmente computadores móveis. Outros pais parecem estar cegos para o fato de que esses aparelhos tanto enviam como recebem mensagens. Ainda outros se apegam a uma noção perigosa e irresponsável de privacidade dos adolescentes.

Os pais precisam assumir o controle. Armar-se com o conhecimento é o primeiro passo, mas reunir coragem para estabelecer limites, regras e consequências claras é de igual importância.

Só duas semanas antes do caso de bullying na internet, o jornal publicou outro artigo de primeira página sobre a natureza distraída dos adolescentes digitais. O jornalista Matt Richtel disse dos adolescentes que estavam aparentemente sem condições de fazer seus deveres de casa e tarefas de leitura, simplesmente porque não conseguiam colocar de lado seus aparelhos digitais.

Para o jovem Vishal Singh, de 17 anos, o livro sempre parece perder para o computador. Representante de milhões de seus colegas, Vishal se sente muito mais à vontade no mundo virtual de sua vida digital do que no mundo real, onde os livros precisam ser lidos, provas precisam ser feitas e notas serão dadas. Considere estes parágrafos:

[Vishal] também joga vídeo games 10 horas por semana. Ele regularmente envia atualizações de sua situação no Facebook às 2h da madrugada, mesmo em noites escolares, e tem uma reputação tão forte por distribuir links de vídeos que seus melhores amigos o chamam de um “abusador de YouTube”.

Vários professores chamam Vishal de um de seus estudantes mais brilhantes, e eles ficam tentando imaginar o motivo por que as coisas não estão fazendo sentido. No último semestre, sua média de notas foi 2,3 depois de um pouco mais que um D em inglês e um F em álgebra II. Ele tirou A em crítica cinematográfica.

“Ele é um garoto apanhado entre dois mundos”, disse o sr. Reilly [diretor da escolar dele] — um que é virtual e um que tem exigências de vida real.Vishal e sua mãe concordam em que ele não tem domínio próprio para desligar o computador e abrir o livro. Ele não está só. Richtel conta de Allison Miller, de 14 anos, que “envia e recebe 27.000 textos por mês, seus dedos clicando num ritmo vertiginoso enquanto ela mantém sete conversações de texto de uma vez só”. Sean McMullen, um estudante do grau 12, joga vídeo games por quatro horas por dia em dias escolares e joga o dobro nos finais de semana. Esses adolescentes não são casos isolados — eles representam o que constitui um novo padrão entre adolescentes dos EUA.

Essa sentença do artigo é de forma particular inesquecível: “Ele [Sean] diz que às vezes desejava que seus pais o forçassem a parar de jogar e começar a estudar, porque ele acha difícil parar quando tem a escolha”. Serão que eles estão dando atenção?

Ambos os artigos merecem uma leitura profunda, mas a obrigação dos pais está suficientemente clara. Os pais de adolescentes e jovens não podem se dar ao luxo de ficar enfiados num mundo analógico com conhecimentos ultrapassados, ao mesmo tempo em que seus filhos nasceram na era digital e estão vivendo num mundo cada vez mais distraído e perigoso.

Os pais não podem ser espectadores na vida de seus filhos, mas deviam fixar regras, estabelecer expectativas, impor limitações e constantemente monitorar a vida digital de seus adolescentes. Qualquer coisa menos é uma forma de negligência dos pais.

Quando um adolescente diz a um jornalista de jornal que ele desejava que seus pais o forçassem a desligar seus aparelhos digitais e começar a fazer seus deveres de casa, só podemos ficar aqui imaginando se seus pais ingênuos chegarão um dia a compreender o que está acontecendo.

O jornal The New York Times merece crédito por suas reportagens verdadeiramente importantes sobre a vida digital dos adolescentes dos EUA. Esses dois jornalistas estão fazendo o trabalho que todos os pais e mães de adolescentes deveriam estar fazendo o tempo todo.

A última palavra pertence a Katherine Nevitt, uma adolescente de 16 anos, que escreveu uma carta ao editor em resposta ao artigo de Richtel. Ela havia decidido por si mesma limitar sua exposição digital e diminuir suas distrações. “Só posso exortar meus colegas adolescentes a fazerem o mesmo”, escreveu ela. “Isto é, os três de vocês que estão lendo isso”.
Fonte: Albert Mohler, em matéria traduzida e publicada pelo blog Notícias pró-família