quinta-feira, 20 de julho de 2017

A IGREJA DEVERIA MUDAR PARA ATRAIS OS JOVENS?


Em seu e-book, Present Truth revisited, Reinder Bruinsma, administrador jubilado, teólogo e escritor adventista reivindica mudanças. Em geral, a tendência é que os europeus tenham uma visão mais liberal do cristianismo. Bruinsma se destaca por se preocupar com o papel do movimento adventista no mundo contemporâneo. Sua tese de doutorado – Seventh-day Adventist Attitudes Toward Roman Catholicism, 1844-1965 – já tinha certas doses de revisionismo e polêmica. Não foi muito diferente com seu livro The Body of Christ: A Biblical Understanding of the Church, que, entre outras coisas, defendia a controversa ordenação de mulheres ao ministério. Ele mesmo admite no prefácio de Present Truth que editoras adventistas recusaram-se a publicar o material e lamenta que a denominação esteja hoje mais preocupada em manter a identidade do que adaptar aos novos tempos.
Que tipo de adaptação seria necessária? E por quê? Bruisnma trata, de maneira intencionalmente não-técnica, do advento da pós-modernidade. Sua apresentação é concisa e didática. Todavia, à semelhança de muitos teólogos e administradortes, o autor sugere que o zeigeist pós-moderno seja uma mudança cultural quase moralmente neutra, apenas uma outra mentalidade. Assim, as novas gerações são o que são e a igreja adventista necessita ser o tipo de igreja que atinja essa mentalidade.
O perigo com esse tipo de raciocínio é a subversão da ordem das coisas: por melhores que sejam as intenções (e não duvido sequer por um segundo das intenções de Bruinsma e seus pares), o movimento adventista não foi chamado para se adaptar a cada nova geração. A tática de se adaptar à cultura, de se misturar com outras tradições como meio de exercer influência soa como prática católica – os jesuítas são mestres na arte de parecer o que não são para conquistar território. Colocar a cultura como referência ao invés das Escrituras é sempre uma estratégia perigosa, porque desloca o verdadeiro fundamento da igreja de seu lugar.
Além disso, sendo a cultura pós-moderna fluida, alheia a rótulos, em constante mutação e multiforme, seria um contrassenso estabelecer um modelo de igreja pós-moderna, simplesmente porque não existe um modelo de pessoas pós-modernas! Dizer “os pós-modernos pensam assim” ou “os pós-modernos gostam de tal coisa” é desconhecer que na pós-modernidade a regra do jogo é “não há regras fixas”. Logo, uma igreja para pós-modernos teria de ser mutável e adaptar-se constantemente. Ora, o processo de adaptação do pensamento cristão à sociedade não-cristã (que, em suma, me parece o que Bruinsma e tantos outros propõem irrefletidamente) chama-se secularização.
Uma igreja secularizada pode ser até um sucesso em atrair pessoas (há denominações que crescem espantosamente, muito além do que os adventistas vêm crescendo); entretanto, falhará em formar, instruir e manter em sua comunhão cristãos com uma experiência espiritual impulsionada pelo Espírito e pelas Escrituras. Geralmente, igrejas secularizadas são como bolhas: inflam assustadoramente, estouram repentinamente.
A igreja deveria mudar para atrair os jovens? Ou os pós-modernos? Ou os ricos? Ou qualquer etnia, tribo urbana ou grupo humano? Sim, a igreja deve mudar! Deve ser mais bíblica, mais espiritual, mais cheia do Espírito, mais semelhante a Jesus. Se mudar da maneira certa, atrairá mais pessoas. Cumprirá a obra com poder e do modo como Deus intenciona.


Leia também:
      

Nenhum comentário: