quinta-feira, 6 de setembro de 2018

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

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domingo, 23 de julho de 2017

O LAR CRISTÃO E OS MODELOS DIVERGENTES



Os desafios conjugais se refletem na vida espiritual do casal e de seus futuros filhos. Por vezes, boas intenções e mesmo princípios cristãos não são suficientes para contornar as crises, porque muitos sequer estão maduros para admitir a possibilidade de que elas surjam. E elas surgirão, inevitavelmente.
A cultura popular dá uma ênfase exagerada ao namoro, destacando-o como época da paixão. Os filmes relatam relacionamentos casuais, crises e a resolução por meios de discursos espontâneos e românticos. Na vida concreta, namoros são oportunidades para conhecimento mútuo. E as crises (sempre no plural, é preciso frisar) não são atenuadas por palavras sentimentais.
É preciso reconhecer que todo o amor do mundo não fará duas pessoas concordarem em absolutamente todos os assuntos. Em uma classe de escola sabatina, ouvi um participante opinar de forma que me intrigou. A pergunta proposta pelo moderador da discussão era: “dentro de um casamento, marido e mulher sempre pensarão do mesmo modo?” O rapaz respondeu que se ambos tivessem o Espírito Santo seriam concordes em todos os assuntos. Não me contive e cochichei com o professor: “tenho certeza de que ele é solteiro!”
A unidade no casamento não é sinônimo de uniformidade. Somente existirá uniformidade em uma relação quando uma parte se anula perante a outra, o que, obviamente, não constitui um modelo saudável de matrimônio. Lidar com os conflitos no casamento implica no reconhecimento de que duas pessoas possuem bagagens diferentes.
Por bagagens me refiro à criação, educação e experiências de vida, que junto com o temperamento, influenciam o modelo de pensamento de alguém. Uma simples discussão sobre quem deve realizar as compras do mês ou a maneira de se temperar o feijão é suficiente para revelar substratos culturais, valores e modelos estabelecidos. Uma discussão dessa natureza, em geral, esconde abaixo da superfície os seus reais motivos. Gasta-se esforço e argumentação discutindo de quem é a responsabilidade pela limpeza da casa sem discutir os modelos pré-estabelecidos. Marido e mulher ganhariam se conversassem sobre o que aprenderam de seus pais, explicando cada qual ao parceiro o porquê de pensar como pensa.
Quando se reconhece que, para além dos modelos vistos nos pais ou simplesmente idealizado, existem outros modelos, é possível reconhecer que há outras maneiras de se fazer as coisas. Cobra-se menos, porque se passa a entender melhor o outro. As cobranças surgem quando um cônjuge quer encaixar o outro no padrão que possui, sem levar em conta que seus padrões não os únicos que existem.

Relações maduras são aquelas em que os cônjuges repensam juntos os modelos herdados e os reconstroem com o tempo, ajustam-se por meio do diálogo. Se as crises não somem totalmente nesse processo, ao menos elas se tornam menos frequentes e menos graves. E isso dá espaço para que o casamento se torne o ambiente ideal para cultivar o ingrediente que os filmes restringem (erroneamente) ao período do namoro: o amor. Quando o amor frutifica, a vida espiritual agradece.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

A IGREJA DEVERIA MUDAR PARA ATRAIR OS JOVENS?


Em seu e-book, Present Truth revisited, Reinder Bruinsma, administrador jubilado, teólogo e escritor adventista reivindica mudanças. Em geral, a tendência é que os europeus tenham uma visão mais liberal do cristianismo. Bruinsma se destaca por se preocupar com o papel do movimento adventista no mundo contemporâneo. Sua tese de doutorado – Seventh-day Adventist Attitudes Toward Roman Catholicism, 1844-1965 – já tinha certas doses de revisionismo e polêmica. Não foi muito diferente com seu livro The Body of Christ: A Biblical Understanding of the Church, que, entre outras coisas, defendia a controversa ordenação de mulheres ao ministério. Ele mesmo admite no prefácio de Present Truth que editoras adventistas recusaram-se a publicar o material e lamenta que a denominação esteja hoje mais preocupada em manter a identidade do que adaptar aos novos tempos.
Que tipo de adaptação seria necessária? E por quê? Bruisnma trata, de maneira intencionalmente não-técnica, do advento da pós-modernidade. Sua apresentação é concisa e didática. Todavia, à semelhança de muitos teólogos e administradortes, o autor sugere que o zeigeist pós-moderno seja uma mudança cultural quase moralmente neutra, apenas uma outra mentalidade. Assim, as novas gerações são o que são e a igreja adventista necessita ser o tipo de igreja que atinja essa mentalidade.
O perigo com esse tipo de raciocínio é a subversão da ordem das coisas: por melhores que sejam as intenções (e não duvido sequer por um segundo das intenções de Bruinsma e seus pares), o movimento adventista não foi chamado para se adaptar a cada nova geração. A tática de se adaptar à cultura, de se misturar com outras tradições como meio de exercer influência soa como prática católica – os jesuítas são mestres na arte de parecer o que não são para conquistar território. Colocar a cultura como referência ao invés das Escrituras é sempre uma estratégia perigosa, porque desloca o verdadeiro fundamento da igreja de seu lugar.
Além disso, sendo a cultura pós-moderna fluida, alheia a rótulos, em constante mutação e multiforme, seria um contrassenso estabelecer um modelo de igreja pós-moderna, simplesmente porque não existe um modelo de pessoas pós-modernas! Dizer “os pós-modernos pensam assim” ou “os pós-modernos gostam de tal coisa” é desconhecer que na pós-modernidade a regra do jogo é “não há regras fixas”. Logo, uma igreja para pós-modernos teria de ser mutável e adaptar-se constantemente. Ora, o processo de adaptação do pensamento cristão à sociedade não-cristã (que, em suma, me parece o que Bruinsma e tantos outros propõem irrefletidamente) chama-se secularização.
Uma igreja secularizada pode ser até um sucesso em atrair pessoas (há denominações que crescem espantosamente, muito além do que os adventistas vêm crescendo); entretanto, falhará em formar, instruir e manter em sua comunhão cristãos com uma experiência espiritual impulsionada pelo Espírito e pelas Escrituras. Geralmente, igrejas secularizadas são como bolhas: inflam assustadoramente, estouram repentinamente.
A igreja deveria mudar para atrair os jovens? Ou os pós-modernos? Ou os ricos? Ou qualquer etnia, tribo urbana ou grupo humano? Sim, a igreja deve mudar! Deve ser mais bíblica, mais espiritual, mais cheia do Espírito, mais semelhante a Jesus. Se mudar da maneira certa, atrairá mais pessoas. Cumprirá a obra com poder e do modo como Deus intenciona.


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domingo, 18 de junho de 2017

TEMPO DE CELEBRAR: LIÇÕES DA HISTÓRIA DA IGREJA


O pastor Dan Simpson estudou as técnicas de crescimento de igreja propostas por Peter Wagner, um dos gurus do movimento, e as compartilhou com a congregação adventista que ele pastoreava, a Calimesa Church.[1] Sem resultados, Simpson assumiu a congregação adventista Azure Hills, localizada em Grand Terrace, California, no fim do ano de 1986, onde contou com a assessoria de Carl F. George, um consultor de igrejas associado ao Charles E. Fuller Institute of Evangelism and Church Growth.[2]
Em abril de 1989, a associação da qual Simpson fazia parte votou que ele estabelecesse a congregação que ficaria conhecida como Colton Celebration Center, em um edifício alugado da denominação Assembleia de Deus.[3] A proposta logo ganhou adesão de outras congregações adventistas, recebendo especial destaque as congregações Milwaukie church, em Oregon e Buffalo church, em New York.[4] Nascia o movimento Celebration, que representou “uma ruptura decisiva com a liturgia adventista tradicional”,[5] o qual atingiu muitas congregações adventistas nos Estados Unidos durante a década de 1990 e ainda influencia a discussão sobre liturgia em muitos contextos. O que podemos aprender desse movimento?

Nos bastidores do estilo celebracionista

Hasel analisando o estilo “celebracionista” de culto, constatou a ocorrência de pelo menos três mudanças: (a) quanto à estrutura congregacional, sendo que as congregações tornaram-se mais independentes, abandonando o uso do hinário adventista e agindo administrativamente como se fossem “mini-denominações”; (b) quanto à liturgia, que agregou elementos como dança, teatro, inovações hinódicas, etc.; (c) quanto às doutrinas: ao invés das doutrinas tradicionais adventistas, a ênfase recaiu sobre amor, perdão e aceitação.[6] A conclusão de Hasel traz um alerta muito expressivo: “Em nossa fome espiritual, em nossa ânsia por reavivamento e poder do alto, fixemos nossos olhos na direção da Palavra de Deus. Na Escritura nós encontraremos força renovada e poder divino para descobrir e redescobrir a vontade de Deus para Seu povo no tempo do fim. Os adventistas são o povo do Livro; e o Espírito que fala através do Livro nos renovará.[7]
Por que o estilo de adoração celebracionista se oporia ao estuda das Escrituras? Segundo Bacchiochi deve-se reconhecer que, em muitos casos, “aqueles que suplicam por música eclesiástica que ofereça satisfação pessoal ignoram que isso implica buscar uma estimulação física egocêntrica em vez de um celebração espiritual teocêntrica das atividades criativas e redentivas da divindade”.[8]  Essa aproximação da cultura secular remete a modelos mais bem observados na fenomenologia de cultos pagãos. Dorneles afirma que  a “relação direta entre espírito (mundo sagrado) e o homem e a natureza (mundo profano), quer seja pela gênese dos espíritos como descendentes dos humanos, quer seja pelo fenômeno de possessão, influencia a aproximação, senão a integração entre o sagrado e o profano.”[9]
Sem dúvida, isso representa um desvio do propósito da adoração autêntica, conforme asseverou Ted Wilson, presidente da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia: “O diabo está tentando neutralizar a igreja de Deus por meio da tendência de aceitar a música e adoração carismáticas e pentecostais, abordagens que focam nos membros da igreja e naqueles que lideram a liturgia, ao contrário de focar no Deus verdadeiramente adorado. Um falso entendimento da adoração nos leva ao cerne das três mensagens angélicas, uma vez que tais mensagens são para que o povo volte à verdadeira adoração a Deus e não à falsa, experiência eufórica, mas, ao contrário, à genuína conexão espiritual com Deus por meio do estudo da Bíblia e da oração.[10]

Como deveríamos celebrar?

Segundo Klingbeil, diante dos riscos da adoração mal orientada, precisa-se tratar do assunto do culto de um ponto de vista bíblico.[11] Rodríguez reforça a ideia, enfatizando que  “mudanças na liturgia necessitam ser precedidas de uma análise séria sobre a natureza da adoração cristã que auxiliará no enriquecimento da experiência de culto dos fiéis.”[12] Os adventistas do sétimo dia possuem um entendimento bastante claro sobre adoração. Entretanto, como assinala Fortin, em “anos recentes, uma hermenêutica pós-moderna de preferências pessoais e culturais tem dominado qualquer discussão sobre adoração.”[13] O autor segue dizendo que muitos estudos que pretendem descobrir princípios de adoração são de natureza revisionista e influenciados pela hermenêutica que ele denuncia. Como resultado, “todo formato e entendimento sobre adoração são impostos sobre todo o povo, e que todo estilo de adoração é um objeto de preferências congregacionais e culturais.”[14]  Oliveira advoga uma consciência crítica fundamentada no significado intrínseco à música: “Se realmente tivéssemos a devida seriedade e sobriedade que o assunto do uso de música na Igreja requer, iríamos no mínimo ter a curiosidade de tentar descobrir como a música é capaz de nos afetar e comunicar ideias e sentimentos.”[15]
Em qualquer grupo de adoradores, o culto em geral, e o tipo de música em especial, é conduzido de acordo com a visão que se tem da divindade.[16] Gordon pondera que por dezenove séculos diversas tradições cristãs, nas mais variadas culturas, admitiram a convivência de música antiga e contemporânea, sendo a última selecionada e incorporada no repertório da igreja. A mudança nesse padrão aponta uma mudança profunda.[17] A salvaguarda seria propor mudanças no culto somente a partir do entendimento bíblico, uma vez que, ao introduzir metodologias e práticas sob a influência da cultura secular, corre-se o risco de comprometer o sistema bíblico-doutrinário adventista. Conforme Becerra argumenta: “Alguém pode falhar em perceber como a prática de adoração gradualmente modifica a doutrina. A introdução de práticas de adoração não enraizadas nas Escrituras poderia ser perigosa. A Igreja Adventista deveria ser cautelosa em definir teologia e prática de adoração bíblica. A sociedade contemporânea é caracterizada pelo desejo pela experiência e sentimentos acima da doutrina, como se vê na adoração carismática contemporânea. Qualquer adoção de novas formas de adoração deveria ser avaliada pela sua fidelidade às Escrituras.”[18]
Para Plenc, com base na teologia bíblica, o “culto deve ser caracterizado pela reverência, ordem e solenidade em equilíbrio com comunhão, espontaneidade e alegria.”[19] Tanto na Bíblia quanto nos testemunhos de Ellen G. White, a adoração se fundamenta “em virtude dos atributos absolutos de Deus, como a infinitude, a eternidade, a grandeza e perfeição.”[20] Rodríguez acrescenta que o chamado para a adoração exclusiva que aparece nas Escrituras ocorre no contexto do grande conflito, sendo a resposta a esse chamado – e consequente envolvimento na adoração – uma tomada de posicionamento, traduzida em “expressão de lealdade a Ele [Deus] e um reconhecimento de Seu amor”, o que tem estreita relação com o coração da mensagem adventista (Ap 14:6-12).[21]

Conselhos finais

Os adventistas foram agraciados por Deus com orientações adicionais, provenientes dos testemunhos de Ellen G. White. Nos seus escritos, encontramos a seguinte  repreensão a um grupo de crentes nos seguintes termos: “Sua religião parece ser mais da natureza de um estimulante do que uma permanente fé em Cristo.”[22] Para a pioneira adventista, os "verdadeiros [cristãos] conhecem o valor da obra interior do Espírito Santo sobre o coração humano. Satisfazem-se com a simplicidade nos cultos".[23]
Desde o início, o adventismo parece ter lutado contra o excesso de emocionalismo; por isso, nota-se a recomendação: “A verdade deve ser apresentada à mente o mais isenta possível do elemento emocional.[24] Por outro lado, não se defende um formalismo mecânico; pelo contrário: “Seu culto deve ser interessante e atraente, não se permitindo que degenere em formalidade insípida. Devemos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto viver para Cristo; então Ele habitará em nosso coração e, ao nos reunirmos, seu amor em nós será como uma fonte no deserto, que a todos refrigera, incutindo nas almas esmorecidas um desejo ardente de sorver da água da vida.[25]
E se no passado o movimento celebration procurou efetuar a evangelização de forma contextualizada à sociedade norte-americana, é justo que se avalie a iniciativa a partir da contundente declaração inspirada: “Muitos supõem que, para se aproximar das classes mais altas, é preciso adotar uma maneira de vida e um método de trabalho que se harmonizem com seus fastidiosos gostos. Uma aparência de riqueza, custosos edifícios, caros vestidos, equipamentos e ambiente, conformidade com os costumes do mundo, o artificial polimento da sociedade da moda, cultura clássica, as graças da oratória, são considerados essenciais. Isso é um erro. O caminho dos métodos do mundo não é o caminho de Deus para alcançar as classes mais elevadas. O que na verdade os tocará é uma apresentação do evangelho de Cristo feita de modo coerente e isento de egoísmo.”[26]



[1] Viviane Haenni, “The Colton Celebration Congregation: A Case Study in American Adventist Worship Renewal 1986-1991.” (Tese doutoral: Andrews University,1996), 64.
[2] Ibid., 65.
[3] Ibid., 68.
[4]  J. David Newman e Kenneth R. Wade, “Is It Safe to Celebrate?,” Ministry Magazine, 1990, acesso:  29 de Janeiro de 2017, https://www.ministrymagazine.org/archive/1990/06/is-it-safe-to-celebrate.
[5] John S. Nixon, “Towards a Theology of Worship: An Application at the Oakwood College Seventh-Day Adventist Church.” (Tese doutoral, Andrews University, 2003), 21
[6] Gerard F. Hasel, “The ‘third Wave’ Roots of Celebrationism,” in Samuel Koranteng-Pipim, Here We Stand: Evaluating New Trends in the Church (Berrien Springs, MI: Adventism Affirm, 2005), 395.
[7] Ibid., 396–397.
[8] Samuele Bacchiocchi, “Una Teología Adventista de La Música Eclesiástica,” Kerigma (Col. Moderna, México, 2001), no 2, 23.
[9] Vanderlei Dorneles, Cristãos em busca do êxtase: para compreender a nova liturgia e o papel da música na adoração contemporânea (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2006), 9.
[10] Ted Wilson, “God’s Prophetic Movement, Message, and Mission and Their Attempted Neutralization by the Devil,” sermão durante o concílio anual, realizado em Silver Spring em 11 de Outubro de 2014, accesso 15 de Outubro de 2014, http://www.adventistreview.org/church-news/%E2%80%98god%E2%80%99s-prophetic-movement,-message,-and-mission-and-their-attempted-neutralization-by-the-devil%E2%80%99.
[11] Gerald A. Klingbeil, “Una Teologia de La Musica Sacra,” Theologika (Lima, Peru, 1997), ano 12, no 2, 191.
[12] Ángel Manuel Rodriguez (org), Teologia Do Remanescente: Uma Perspectiva Eclesiológica Adventista (Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2012), 18.
[13] Denis Fortin, “Ellen G. White’ Theology of Worship and Liturgy.” In Ángel Manuel Rodriguez (org), Worship, Ministry, and the Authority of the Church; Studies in Adventist Ecclesiology - 3. (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 84.
[14] Ibid.
[15] Jetro Oliveira, “Além Da Estética: Um Ensaio Sobe a Música Sacra E Seu Significado,” Kerigma (Engenheiro Coelho, SP, 2006), Ano 2, no 1, 28.
[16] Ver especialmente Wolfgang H. M. Stefani, Música Sacra, Cultura E Adoração (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2002).
[17] T. David Gordon, Why Johnny Can’t Sing Hymns: How Pop Culture Rewrote the Hymnal (Phillipsburg, N.J.: P & R Pub., 2010), 42–43.
[18]  Sergio E. Becerra, “Worship and the Magisterial Reformers.” In Ángel Manuel Rodriguez (org), Worship, Ministry, and the Authority of the Church; Studies in Adventist Ecclesiology - 3. (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 29.
[19] Daniel Plenc, “Toward an Adventist Theology on Worship,” In Ángel Manuel Rodriguez (org), Ministry, and the Authority of the Church; Studies in Adventist Ecclesiology - 3 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 131.
[20] Daniel Plenc, “Elena G. de White Y La Adoración,” In Hector O. Martín e Daniel A. Mora (ed.), Elena G. de White: Manteniendo Viva La Visión: Documentos Del I Simpósio Bíblico-Teológico Del Seminário Teológico Adventista de Venezuela (Yaracuy, Venezuela: Seminário Teológico Adventista de Venezuela, 2015), 245–246.
[21] Rodriguez, Ángel Manuel. “Elements of Adventist Worship: Their Theology.” In Worship, Ministry, and the Authority of the Church, 133–147; Studies in Adventist Ecclesiology - 3 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2016), 133.
[22] Ellen G. White, Evangelismo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008), 502.
[23] Ibid.
[24] Ibid., 611.
[25] Ellen G. White, Testumunhos Seletos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), vol. 2, 252.
[26] Ellen G. White, A Ciência Do Bom Viver (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004), 213.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O POLITICAMENTE INCORRETO JESUS


A crítica de cinema Isabela Boscov, ao tratar do filme Z – a cidade proibida, reagiu contra a caracterização de sua personagem principal. O explorador Percy Fawcett, que, na vida real, procurou pela lendária El Dorado, estaria retratado na trama muito diferente da pessoa que realmente foi. Nas palavras de Boscov: “É uma representação politicamente correta do personagem real, agudamente preocupada com os ditames do que hoje se considera ser de bom tom.”
Se isso é um fator de frustração em um filme, imagine quando a personagem histórica é Jesus, alguém cuja importância e papel na construção do Ocidente transcende não só a figura de Fawcett, como a de qualquer outra personalidade. No dizer do historiador George Knight, o Jesus dos cristãos contemporâneos aparece como um cavalheiro do século XXI, em uma tentativa politicamente correta de reconstruí-lo à imagem e semelhança da cultura pós-moderna.
Há muito o fundador do cristianismo é tratado como um símbolo vazio (tomando a expressão de Schaffer), encarnando os valores de cada época. Atualmente, Ele é associado às minorias, como seu defensor, uma espécie de Robin Hood ou Che Guevara da Palestina. Jesus é associado à aceitação irrestrita, alguém incapaz de fazer julgamentos, sensível e totalmente aberto a outros.
Como na fábula dos cegos que tateiam o elefante, é fácil que a miopia de perspectivas culturalmente condicionadas enxerguem somente os traços da personalidade de Cristo que lhe sejam convenientes. Todavia, uma representação apropriada de quem Jesus foi de fato não pode negligenciar a principal fonte de testemunhos oculares sobre ele: os evangelhos.  
Uma simples análise do Jesus retratado nos evangelhos mostra o quão firme Ele era em suas convicções, a ponto de não se preocupar em perder simpatizantes em nome de uma mensagem impopular (Mt 15:12-14; Lc 4:24-30; 8:19-21; 18:22-29; Jo 6:60-64). Jesus podia sentir ira, verdadeira indignação diante de injustiças (Mc 3:5, onde ocorre a palavra ὀργῆς, geralmente usada para se referir à ira de Deus, em contexto de julgamento; cf.: Rm 2:5; 9:22; 1 Ts 1:10; Ap 6:16-17; 14:10; 16:19; 19:15). Jesus não se omitia diante de injustiças, não tolerava o erro ou aceitava visões religiosas que induzissem à uma concepção incorreta sobre Deus (Mt 15:3-9; Jo 2:13-17; 3:10). Ele pronunciou julgamentos severos (Mt 12:21-24, 36-37, 40-42; 23:34-36). É comum que Jesus usasse linguagem forte para denunciar a hipocrisia religiosa de seus dias (Mt 12:33-35, 39; 23:13-27; Jo 8:38-44).
Definitivamente, a personalidade de Jesus possuía traços controversos. Ele conseguia viver de forma autêntica, mas sem aquela autenticidade autoproclamada de quem deseja apenas chocar as pessoas. Ele agia com um senso de justiça que desafiava convenções sociais. Não temia levantar a voz contra o erro, embora isso o tornasse impopular em alguns ciclos. Era firme e proferia discursos enérgicos, exigentes – os séculos de distância e as mudanças culturais obliteram muito da ironia, sagacidade e provocação das parábolas de Jesus. Além disso, a familiaridade com o texto bíblico impede mesmo a muitos cristãos atuais de perceberem a condenação e exclusivismo próprios do Mestre em mensagens como a que se acha em João 14:6.  
Nenhum desses traços enfraquece a bondade de Jesus, mas a complementam, impedindo que sua mensagem de amor seja alvo de uma releitura que o transforme em uma espécie de hippie ou pregador ingênuo. Nele aparece um tipo de amor sem conivência, uma misericórdia que funciona em conexão com o julgamento, nunca à parte ou contra ele. Jesus não era politicamente correto. Isso não o torna um sujeito boçal, mal-humorado ou um político da ultra-direita. Avaliado com justiça, Ele não pode ser usado apropriadamente como símbolo de nenhuma ideologia atual – e, me arrisco a dizer, em muitas situações, pouca compatibilidade há entre Jesus e a postura de muitos de seus professos seguidores, moldados mais pela cultura consumista e entretenimento midiático do que pelo seu suposto compromisso religioso. O Jesus bíblico representa um lado: o lado dele, o lado da verdade (Jo 8:32, 36). Como é mais fácil trazê-lo violentamente para o nosso lado do que nos submeter pacificamente ao lado dele!…


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