Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

CRUZEIRO EM CORES

Veleja. À crosta d’água rompe um bando
De barbatanas. Sobre esse indivíduo
Fúmeo caleidoscópio observa quando
Sangrando singra o mar o globo ocíduo.

À encosta a nau dirige-se, indo a mando
Do Poeta de argonáutico resíduo.
Em crisópraso o glauco se tornando:
Brilha o nácar do céu, sôfrego e assíduo.



Beija a pele arenosa do nadir
O oleado casco e ancora, vendo a hulha
Da lua a outras praias invadir.

Na efervescente dança das faísca,
Aparecem, logo onde a onda marulha,
Sem burqas, rindo, mil pedras mouriscas.

Domingo, 12 de Julho de 2009

ABSOLUTOFOBIA NO REINO DO RELATIVISMO

Por Isaac Malheiros

Tudo é relativo?

Uma menina de dois anos foi condenada à morte na Amazônia, por não ter se desenvolvido fisicamente. A indiazinha Hakani ficou órfã, pois os pais se negaram a matá-la conforme a lei dos suruwahás e tomaram o veneno destinado a ela. O irmão mais velho ficou como responsável pela execução. Enterrou-a viva, mas alguém ouviu o choro abafado e a resgatou. Então foi escalado o avô, que atirou uma flecha na menina, mas vendo o sofrimento da pequena, suicidou-se. Hakani foi abandonada pela tribo, mas resistiu e sobreviveu como indigente comendo restos de comida e insetos por três anos. Então um irmão a levou a um casal de missionários que finalmente a resgatou e cuidou da menina[1].

Apesar do relato dramático, há quem não veja nada de errado no infanticídio. A justificativa: relativismo e respeito à cultura indígena. Sob a ótica relativista, os direitos humanos não poderiam ser aplicados aos indígenas, pois não fazem parte de sua tradição cultural e valores. Toda e qualquer prática e valor cultural são legítimos e devem ser preservados, pois o conceito de “certo” e “errado” é relativo àquela cultura. Em outras palavras: a morte de Hakani estaria justificada na Floresta Amazônica, mas seria crime numa cidade.

Certo ou errado: isso é sempre relativo? O relativismo é o pensamento que nega a existência de padrões absolutos, universais e imutáveis. Um relativista não crê na existência de verdades absolutas.

Infelizmente, esse pensamento tem encontrado eco entre cristãos. “Deus não é cristão” e “todos deveriam conhecer o Dalai Lama”, aconselhou Desmond Tutu numa reunião ecumênica em Porto Alegre[2]. Essas palavras e fatos não representariam preocupação, não fosse o cenário ecumênico e relativista em que surgiram. O antigo chavão “todos os caminhos levam a Roma” foi ampliado para “todos os caminhos levam a Deus”.[3].

Em nível individual, o relativismo manifesta-se na defesa de práticas contrárias aos princípios bíblicos (sexo pré-marital, intemperança, diversões impróprias, pornografia), justificadas com clichês como “eu acho que cada um, cada um”. No mundo físico, obviamente, existem absolutos: um poste diante de um carro em alta velocidade ou o chão num salto sem pára-quedas. Mas o mundo das crenças e convicções está submerso num mar de relativismo [4], gerando uma religião individual, self-service, com princípios maleáveis, ao gosto do “cliente”.
O relativismo atingiu até mesmo o ateísmo. O chamado neo-ateísmo não afirma categoricamente que Deus não existe. O que se afirma hoje em dia é que “provavelmente Deus não existe”[5]. A histórica distinção entre agnosticismo e ateísmo foi suavizada, pois o ateísmo deixou de ser encarado como um tipo de verdade absoluta[6].

A situação atual está bem descrita em Juízes 21:25: “Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos”. Onde não há um padrão objetivo, a subjetividade (opinião e gosto pessoal) torna tudo lícito e desfaz a fronteira entre certo e errado.

A Verdade Absoluta existe

No entanto, não há lógica no pensamento relativista. Se você disser que “não existe verdade absoluta”, então a sua própria frase não é verdadeira. Você precisa provar que é absolutamente verdade que não exista verdade absoluta.

Porém, se o seu argumento estiver certo, ele refuta a si mesmo. E se ele estiver errado, então existe verdade absoluta. A existência da verdade absoluta traz esse problema: você teria que afirmá-la para negá-la. Para acabar com ela, você teria primeiro que concordar com ela. Ou seja: pra você estar certo, você teria que estar errado! Essa confusão demonstra o que é um mundo filosófico e intelectual sem Deus.

O relativismo dá a falsa impressão de que é possível todos estarem certos. Mas há opiniões tão contraditórias que admitir que talvez todos estejam certos é um absurdo ilógico [7]. Respeitar as opiniões diferentes não significa admitir que “tanto faz, pois todos estão certos”[8].

O curioso é que o relativismo está tão cristalizado que tem se tornado uma forma de absolutismo dogmático: se você tem opiniões bem definidas sobre Deus e a Bíblia, logo sentirá que nem tudo é “relativo” e receberá rótulos como “fundamentalista”, “fanático” ou “intolerante”. Ser relativista se tornou uma verdade absoluta e “não tenha dogmas” se tornou um dogma relativista – nada mais contraditório!

O conceito de Verdade Absoluta é bíblico

A Bíblia lida com verdades absolutas: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Ml 3:6).

A sua lei é eterna, bem como suas Palavras (Mt 24:35). Deus estabeleceu a diferença absoluta e não-relativa entre a luz e as trevas: “Deus é luz e nele não há treva alguma” (1 Jo 1:5)). E deixa bem claro que quem não segue sua Palavra está nas trevas (Is 8:20).

Um adventista não deveria pensar que ser cristão é apenas uma questão de opinião pessoal. Em termos espirituais, só existem duas classes de pessoas: os filhos da luz e os filhos das trevas. E, ao contrário do que prega o relativismo, é impossível que luz e trevas estejam com a razão ao mesmo tempo. Cristãos relativistas não poderiam ser sal da terra e luz do mundo relativizando o sal e a luz (Mt 5:13 e 14).

Deus tem um padrão, e não deixa a definição ao sabor das opiniões pessoais: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo” (Is 5:20). Longe de ser uma questão subjetiva, ser cristão é ter a Bíblia como Palavra de Deus, única regra de fé e prática para a vida inteira.

A Verdade Absoluta é essencial

No outro extremo do relativismo está o dogmatismo antibíblico, que usa as Escrituras apenas para endossar opiniões humanas. Versos bíblicos descontextualizados e citações distorcidas dos Testemunhos de Ellen White não tornam opiniões humanas um “assim diz o Senhor”.

Não é relativismo discutir se Kaká é melhor que Cristiano Ronaldo, discutir reformas e mudanças na liturgia (dentro dos parâmetros bíblicos), ou (para citar um exemplo teológico) discutir a correta identificação das “sete cabeças” de Apocalipse 17[9]. Esse temas não são essenciais. A verdade absoluta não nega a diversidade e a individualidade, mas nos liberta de dogmas humanos (Jo 8:32).

O problema surge quando, na tentativa de sufocar o relativismo, fossilizam-se tradições e normas em torno de princípios legítimos, gerando confusão entre o que é essencial e o que é periférico no cristianismo. Por isso, identificar o que são princípios bíblicos inegociáveis e o que são assuntos secundários é de extrema importância [10]. Vale o clássico princípio popularizado por Agostinho de Hipona: “No essencial, unidade; no acidental, diversidade; em tudo, caridade”.

A Verdade Absoluta exige posicionamento

A verdade absoluta é Cristo e Sua Palavra (Jo 14:6). Não somos guiados pelo relativismo nem pelo dogmatismo humano, mas pelo claro e absoluto “assim diz o Senhor” (Pv 3:5).

Se Pilatos nos fizesse a pergunta “o que é a verdade” (Jo 18:38), mas dessa vez ficasse para ouvir a resposta, responderíamos com um “assim diz o Senhor” ou com um “eu acho que”?

Por que teríamos que aceitar qualquer versão do relativismo? É apenas um retrato do fracasso humano em fazer, sem Deus, afirmações verdadeiras sobre questões essenciais da vida. O relativismo é um pacote amorfo de contradições e confusões.

Nós cristãos não devemos ter parte nisso, pois temos base sólida e firme nas Escrituras. Não aceitamos nenhuma espécie de relativismo, pois existe verdade absoluta em temas essenciais. Sendo assim, posicione-se!
Issac Malheiros é pastor-capelão do Colégio Adventista de Indaial (SC) e escreve com exclusividade para o Questão de Confiança.

[1] http://hakani.org/pt/historia_hakani.asp
[2] http://www.achanoticias.com.br/noticia.kmf?noticia=4301589 , acessado em 5 de Fevereiro de 2009.
[3] De acordo com a Bíblia, Jesus é o único caminho a Deus (Jo 14:6).
[4] William G. Johnsonn, “Awash in a sea of relativism”, Adventist Review, Agosto de 1997, p. 5.
[5] Mensagem de campanha publicitária em ônibus na Inglaterra. http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u458981.shtml
[6] Dawkins, Richard. Deus, um delírio (São Paulo: Companhia das Letras, 2007), pp. 80, 212 e 213. [se você já citou as páginas e frases especificamente, não precisa citar desta primeira menção]
“Acho que Deus é muito improvável e levo minha vida na pressuposição de que ele não está lá”, 80.
“Deus não existe quase certamente”, 212 e 213
[7] É impossível, por exemplo, espíritas e adventistas estarem simultaneamente corretos sobre o estado dos mortos.
[8] É claro que existem assuntos não-essenciais e questões de consciência, nos quais podemos discordar sem comprometer as crenças fundamentais.
[9] O Comentário Bíblico Adventista considera que a evidência é insuficiente para garantir uma identificação dogmática delas. Isso significa que a questão está aberta à discussão. “Siete cabezas" [Ap 17:9]. Comentario biblico Adventista del Séptimo Dia. Editado por . F. D. Nichol. (Boise: Pacific Press, 1985). 7:866.
[10] Ellen White aconselha a não perdermos tanto tempo em “questões de difícil compreensão, que afinal de contas não têm importância vital”, pois essas coisas tendem a “desviar a mente das verdades vitais para a salvação da alma”. White, E.G. Evangelismo (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985), p. 182.

Sábado, 11 de Julho de 2009

PASTORES BRASILEIROS MARCAM PRESENÇA EM CONCÍLIO DE CAPELÃES DA UNIÃO AUSTRAL

Com o título "Sembrando para el futuro" ("Semeando para o futuro"), realizou-se na cidade de Foz do Iguaçu (PR) o I Concílio de capelães institucionais, preceptores e diretores de escola da União Austral, no período de 9 a 11 de Julho.
Formada por Uruguai, Argentina e Paraguai, a união há muito sonhava com o evento, que foi seu primeiro e último concílio desta natureza: isto porque em 2010 a Argentina terá sua própria união, enquanto os demais países terão cada qual uma união-missão.
Uma vez que o concílio se realizou no campo da União Sul Brasileira, os seguintes pastores adventistas ligados à área educacional foram selecionados por suas respectivas associações para assistirem o concílio: Eduardo Bonfim, Tiago Cordeiro da Silva, Amilton Luis de Melo, Cleyton Francisco Oliveira Araujo (Associação Norte-Paranaense); Isaac Malheiros, Paulo Orling, Douglas Reis, Marcos Romano (Associação Catarinense); Stanley Teixeira (Associação Sul-Rio-grandense).
"Que a partir deste encontro entre quatro países, desenvolvam-se melhores condições para o ministério da capelania adventista", expressou o Pr. Carlos Mesa, diretor de Educação e do ministério de capelania da Divisão Sul-americana.
Além do pastor Mesa, outras autoridades da Igreja compareceram ao concílio. Representando a Associação Geral dos adventistas, vieram ao evento os pastores Gary Councell e Mario Ceballos, respectivamente, diretor e diretor-associado do ministério de capelania adventista mundial.
Com experiência de trinta anos dedicados à capelania militar, o Pr. Councel falou sobre os desafios da capelania em um mundo que não tem mais a igreja como referência. Ele alertou ainda sobre os riscos da síndrome de Burnout, que afeta pessoas ligadas a atividades públicas e extressantes - características nas quais certamente se incluem capelães, quer hospitalares, quer educacionais.
Mario Ceballos destacou a influência a longo prazo, exercida pelo ministério da capelania. Para ele, apesar do líder espiritual de uma instituição ser o seu diretor (o que vale tanto para clínicas, como escolas), o capelão deve auxiliar a manter a espiritualidade, o que se traduz em sustentar a missão e a visão do corpo institucional.
No sábado pela manhã, houve no horário do culto um emocionante batismo da juvenil Valentina. A menina de 10 anos tomou sua decisão pela influência de seu capelão escolar. Seus pais também vieram exclusivamente para assistirem a cerimônia.
Para o Pr. Isaac Malheiros, capelão do colégio adventista de Indaial (SC), foi marcante "o contato com os pastores de outras culturas" e poder "ver os milagres que Deus tem operado em toda a divisão Sul-Americana."

ALEGRIA, RESULTADO DE COMUNHÃO


A cada sinal vermelho, era como se fosse um parto. Primeiro, porque significava um minuto de espera. E quando se está atrasado, todos os minutos contam. Segundo, porque eu e minha esposa compráramos o carro havia poucas semanas. Desde as aulas na autoescola, eu não sabia mais o que significava estar atrás de um volante. Por isso, a cada sinal vermelho, eu sabia que tinha que parar e ter de esperar o sinal verde; mas, justamente aí, ao dar a partida, o carro "morria". Em todos os semáforos. Sem exceção.

Seria cômico. Se a senhora no banco de trás não estivesse prestes a entrar em pane. Eu e minha esposa tentávamos acalmá-la. Seus dentes não conseguiam deixar de lado as unhas. Olhava para o pulso esquerdo, acompanhando o movimento do ponteiro. E a rodoviária parecia estar além dos Andes.

Eu sentia um misto de desespero e diversão. Seria cômico, se não fosse pela senhora no banco de trás. A aventura chegou ao fim. Naquela noite, minha mãe perdeu o ônibus. Porém, conseguiu um outro que a levaria a São Paulo. E eu voltei para casa. Sem a pressão do tempo. Ainda "morrendo" a cada sinal verde.

Estranho como rimos nas horas mais inapropriadas. Rimos de alguém que escorrega e cai. De um ciclista que perde o equilíbrio durante uma curva. De quem tromba com um poste a sua frente. Ou quando tudo dá errado e nos atrasamos em levar a mãe à rodoviária. Rimos do trágico, do infame, do grotesco, do injusto.

Pergunte a um humorista o que faz o seu programa dar ibope. Os quadros têm que falar sobre maridos enganados. Satirizar homossexuais. Conter expressões com duplo sentido. Expor transeuntes a humilhações. Ridicularizar pessoas públicas. Os televisores são ligados porque as pessoas querem rir dessas situações. Rir nas horas inapropriadas. Rir das coisas inapropriadas.

Talvez mais do que rir, as pessoas procuram diversão. As boates trabalham a todo vapor. As danceterias e bares noturnos lucram oferecendo descontração a granel. As repúblicas seguem a receita de amenizar os períodos árduos de estudo com festas que atravessam a madrugada. Candidatos atraem o eleitorado organizando showmícios. Qualquer festinha de aniversário de uma criança de cinco anos precisa de um DJ presente.

Você vê a fila de carros em frente a clubes noturnos? Pode apostar que aquela gente vai passar horas muito movimentadas. Os hits da noite impedem que alguém fique escorado em alguma parede. Não, ninguém fique parado! É hora de dançar e curtir. Pular e gritar. A noite não é uma criança?

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

TIPOS DE HERÓIS

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Leia também: O Herói que não vencia

PROCURA-SE UM HERÓI QUE NÃO SEJA PROCURADO

70 ANOS DE "PARA O ALTO E AVANTE"

CONTAMINAÇÃO



Por um erro de agenda, eu e alguns colegas viemos para um concílio em Foz do Iguaçu antes da programação se iniciar! Durante o trajeto (algumas horas enfurnadas num ônibus desconfortável), surgiu entre nós um receio: por se tratar de um concílio da União Austral (campo que compreende a Argentina), o que fazer com o risco da contaminação com a gripe suína?

Como tivemos o dia livre, três de nós resolvemos ir ao Paraguai. Como já trabalhei numa fronteira, confesso que não tinha boas expectativas em relação ao território vizinho. Meu parâmetro era a Bolívia, país que ficava a quinze minutos de Corumbá, cidade na qual trabalhei em 2006. Entretanto, o Paraguai do além-fronteira mostrou-se-me mais organizado e limpo do que a Bolívia da minha antiga convivência. Veja, não de todo limpo e organizado…

Por toda a parte, via-se a preocupação com a gripe suína nas ruas paraguaias. Mas quero voltar um pouco no tempo: já na ida, conversávamos com o cobrador do ônibus sobre o contágio da gripe na cidade. Para nosso arrepio, o bom cobrador nos preveniu apenas do contato com… argentinos!

Voltando à terra de Fernando Lugo: passei por várias pessoas mascaradas. Na maioria dos casos, eu até espirrava maliciosamente, divertindo os pastores que me acompanhavam. Notei que muitos dos americanos com os quais me defrontei andavam desconfiadamente com suas máscaras cirúrgicas. O medo era muito real, quase irresistivelmente contagiante.

Imagino que em muitas cidades do mundo, a mesma preocupação se ache refletida nas pessoas pelas ruas, escritórios, escolas, enfim, no cotidiano. Parece que apenas na vida eterna nos veremos livres do medo de estar contaminados – com qualquer epidemia!

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

CIÊNCIA ONIPOTENTE E O CACHIMBO DOS ATEUS

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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

O MÉRITO


Todas as religiões ensinam caminhos para o divino. O Cristianismo fala do Deus que veio em busca do homem.

As religiões falam do valor das obras. O Cristianismo mostra que a única obra que vale para salvar é aquela feita na cruz.

Dentro da fé cristã, há um Deus que salva o homem pelos méritos de Seu Filho, o único verdadeiramente Justo, Inocente e Perfeito.

A salvação não se vincula às boas intenções humanas, mas aos propósitos perfeito do Deus que ama seres mal-intencionados. A Deus todo o mérito!

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

MICHAEL JACKSON: O FIM DE UM MITO PÓS-MODERNO


A primeira pessoa em que pensei quando soube da morte de Michael Jackson foi um aluno do Ensino Médio. O garoto é fã de carteirinha do artista excêntrico. A despeito de polêmicas, acusações de envolvimento com pedofilia e das metamorfoses estéticas, os admiradores de Michael não abandonaram o ídolo. Sua morte trouxe tristeza para milhões de pessoas ao redor do mundo. Manifestações de condolência, exibição de pôsteres, imagens e veiculação da notícia nas mais diversas mídias refletem a importância atribuída ao artista, que tinha 50 anos.

Para aqueles que nasceram na década de 80 (como no meu caso), a carreira de Michael fez parte de seu cenário cultural. A inovação nos clips, cada vez mais acompanhados de incrementos tecnológicos e as coerografias típicas fizeram o pop-star negro muito conhecido e imitado. Infelizmente, os escândalos arruinaram a reputação de Michael Jackson, para além da metamorfose que ele sofreu.

Para a maioria, a mudança estética do artista se deveu aos traumas de infância, principalmente devido às cobranças feitas pelo pai de Michael. Nos últimos anos, boa parte da imprensa humorística comparava o Michael Jackson de pele branca e cabelos escovados à fictícia Branca de Neve. É óbvio que os fãs preferem acreditar que a transformação radical do artista foi resultado de uma doença que atinge a epiderme - o vitiligo.

De qualquer forma, o talento musical e o emprendimento inovador de Michael Jackson transformaram o pop. Sempre que me deparo com um talento raro, me pergunto o que seria desta pessoa se houvesse dedicado seu tempo, recursos e habilidades para o serviço de Deus. O que aconteceria se Michael Jackson tivesse continuado Testemunha de Jeová ou se tornado, digamos, um cristão tradicional? Seu fim seria diferente? Sua utilidade seria maior? Penso que sim, em ambos os casos.

Hoje pela manhã, vi logo cedo o aluno a quem me referi no início. Estava visivelmente abatido. Parecia-se com quem perde alguém da família. Dei-lhe um longo e solidário abraço. Por mais que eu não compartilhasse do mesmo gosto musical com ele, não pude deixar de me condoer por aqueles que sofrem este tipo de dor: uma dor por alguém que não se conhece (no sentido pessoal, é claro), mas que se acompanha por tanto tempo que se pensa conhecer.

A relação entre fãs e ídolos sempre me soa exagerada em algum sentido. Respeito a admiração de alguém por um artista, esportista, ou personalidade; mas creio que o fã possui comumente uma ótica parcial sobre o seu ídolo, além de significar uma relação potencialmente idolátrica (agora no sentido religioso do termo). Espero que aqueles que, de alguma maneira, admiraram Michael Jackson saibam separar suas vidas da dele, e avaliar de forma objetiva o talento (inegável),com o uso feito dele e as escolhas feitas pela pessoa, muitas das quais poderiam ser questionadas.

Sábado, 20 de Junho de 2009

O UNIVERSO NASCEU DE UMA EXPLOSÃO!

(O Fôlego)

O universo nasceu de uma explosão: da pura
Explosão de alegria em um rosto. Ele incuba
De zênite a nadir. Desde a citrina juba
Do mar ao jângal, deixa a Sua assinatura.

Retesa. Acha o chão. Chama o orvalho à terra dura
- O pranto porvir não impede que a água suba.
Enquanto o molda, sem o uso da voz de tuba,
Líbito a libido olha a exógena cultura:

Vê o elapígeo olhar e a eiva das más escolhas;
Sofre ao lhes vislumbrar encobertos por folhas;
À raça obróxia vê; medita sobre o azeche:

Homem de húmus e humor; taxia ao tórax traz.
Vê a Si próprio numa cruz que leva à paz.
Retesa os pulmões, sopra e o boneco se mexe.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

SOMOS APENAS OS MESMOS EVOLUCIONISTAS

Apesar de diversos setores da mídia fecharem as portas para uma discussão apropriadamente equilibrada a respeito de Criacionismo e Evolucionismo, ainda há honrosas excessões. Uma delas é o site Observatório da Imprensa. Ali sempre se concede espaço para que se escreva, debata e se dialogue polidamente sobre estes (e tantos outros) assuntos.

Hoje foi publicado um artigo de minha autoria, que consiste em uma análise de uma matéria da revista Galileu (mês de Junho). Disponibilizamos o artigo parcialmente; os que se interessarem em continuar lendo, ponde seguir o link abaixo.



Enquanto os fios de meu cavanhaque se embranquecem e meu peso aumenta (mais do que eu teria coragem para veicular aqui), algumas coisas persistem em seguir sem mudanças. Embora a roupagem da revista Galileu tenha sofrido sensíveis alterações, as ênfases permanecem constantes. Note a seção na qual diversos articulistas desfiam ideias em poucas linhas. Suzana Herculano-Houzel, que escreveu "Somos apenas grandes primatas" (edição de junho, p. 96), tipifica a mudança não substancial do periódico.

A escritora equipara homens a símios, estabelecendo como certo o paradigma da evolução – Darwin teria nos "tirado do berço esplêndido". Curioso as provas para a afirmação não se encontrarem no texto, ou mesmo nos recônditos de alguma tese de PhD em Biologia. Não seria nenhum disparate supor que o cientista capaz de comprovar a ancestralidade comum entre espécies distintas seria laureado com o Nobel!

Ninguém pode contrapor a lógica darwinista. Talvez, como escreve Herculano-Houzel, pouco das especificações de nosso cérebro sirvam para comprovar que sejamos, em algum sentido, especiais em relação a outros primatas. Infelizmente, isto é insuficiente para explicar o quadro completo – somos mais complexos do que qualquer outra espécie jamais encontrada. A noção moral é um aspecto da multifacetada Humanidade que fortemente desafia o darwinismo.

Outro texto publicado no Observatório da Imprensa: "A Darwin o que é de Deus"

VIDA SEM LIMITE


Em meados da década de 80, o filme Highlander (estrelado por Christopher Lambert) empolgou fãs do gênero de ficção apresentando a história de um guerreiro imortal. Recentemente, mas de uma forma mais cômica e menos emblemática, o longa Hancock também apresentou um super-herói (Will Smith) desordeiro e imortal. Em ambos os filmes, a imortalidade aparece como um peso, tendo em vista que priva a pessoa do convívio com entes amados, os quais envelhecem e morrem, enquanto quem é imortal permanece sofrendo a perda. Na melhor das hipóteses, imortalidade nestes termos se constituiria em um martírio.

Claro que tudo isto não passa de hipótese - imortalidade atualmente representa uma aposta dos bilionários em câmaras de criogenia, na esperança de serem descongelados quando a ciência resolver o problema da morte. A grande questão é: E se não for achada a "cura" para a morte?

Por outro lado, alguns concebem a conquista da vida eterna em termos de fama - como Shakespeare, que pretendia imortalizar-se através de seu verso (o tema remonta à literatura grega; também os membros da Academia Brasileira de Letras são sugestivamente conhecidos por "imortais"). Em todo caso, de que adianta um nome imortal, se o seu possuidor não passar de um montinho de pó guardado no esplendor da sepultura?

Há séculos, a humanidade sonha com a vitória sobre a morte. Por ora, o Ocidente vive anestesiado com as promessas de um consumismo satisfatório, encontrando pouco (ou nenhum) tempo para encarar a realidade do fim. Mas a morte está lá, sorrindo por detrás de um corpo alquebrado pela quimioterapia. Sentimos seu peso sobre os ombros na hora em que um telefonema nos acorda de madrugada. A morte nos separa de abraços amigos e esvazia o lar que construímos; ficamos impotentes cada vez que novas rugas nos avisam que não somos mais tão novos!

Pode Deus resolver o dilema da morte? Certamente que sim! A morte é considerada por Deus como Sua inimiga e Ele a destruirá (1Co 15:26); dessa forma, o mundo restaurado será um ambiente sem a presença e atuação da morte (Ap 21:4).


Bíblia, a imortalidade é precedida por restauração. O afastamento de Deus impediu o homem de ser ou fazer muitas coisas. Mas isso mudará quando o mundo for reestruturado pelo Seu Criador. Por exemplo: o trabalho não será o fardo que se tornou (Gn 3:19), mas uma experiência digna e isenta do desgaste físico (Is 65:21-23). As deformidades físicas serão substituídas por um corpo completamente saudável (Is 35:5, 6), sem traços de envelhecimento ou da vontade corrompida (1Co 15:54, 55). A própria cadeia alimentar, base de interações biológicas, será alterada - carnívoros migrarão para o time dos herbívoros (Is 35:9; 65:25). Desemprego, criminalidade, tráfico de drogas, corrupção política serão banidos dessa nova sociedade (1Co 6:9,10; Ap 21:27).

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

CAMINHADA CRISTÃ EM QUADROS




Colaboração: Maria Gabriela Siqueira

CRESCIMENTO NECESSÁRIO?

Primeiro, foi Mônica e sua Turma; agora é Luluzinha e Bolinha. Todos cresceram. Ficaram adolescentes. Realmente, a realidade bate à porta e nos faz pensar, refletir, despertar para a era da tecnologia, internet, blogs, orkut, MSN, Twitter e tantas outras coisas que a sociedade midiática nos obriga a engolir.

A abordagem narrativa mudou e as historinhas também. Os desafios corriqueiros do cotidiano, o cuidado com as árvores, comer muita melancia, a rejeição do banho, dormir cedo, jogar no campinho, briguinhas sem sentido... foram trocados por textos insinuantes, sensuais, com intenções diversas, o conhecer das armadilhas da vida e o fazer adulto de uma forma tão rápida.

Isso porque os teens, os jovens, não namoram, "pegam", "ficam". Sentimento? Parece não fazer parte do vocabulário dessa geração "estilosa", que está muita mais preocupada com o modelo do celular que chegou ao mercado do que com as pessoas, muito menos na família.
Mônica agora tem curvas, perdeu alguns quilos para entrar no tipo magricela e sensual e fazer parte do gueto. Num grupo, à la geração Malhação, muito antes do pensar em ser pessoa o sexo já entrou de mente a dentro e transformou o corpo e uma vida que ainda estão por vir.
Quando a Turma da Mônica e o grupo de Luluzinha e Bolinha cresceram (de gibi infantil para linguagem teen), foram com eles a beleza da inocência nas narrativas e a ausência da maldade.
"Exemplos" não foram seguidos

Crescer faz parte da vida. Não há dúvidas. No entanto, para uma prática de vida tão real apresentada todos os dias nos telejornais, nas novelas, nos seriados e enlatados americanos, por que temos que reproduzir a mesma coisa em gibis que estão nas bancas para nos alegrar?
Por que temos que reforçar o discurso da competição, excelência, magreza, beleza, superioridade – que já está sendo ingerido diariamente no nosso cotidiano?

Desabafo à parte, a reflexão está muito mais calçada na possibilidade de novas maneiras de expor esse tal real que vivemos. Onde deixamos de exercitar o lúdico, os sonhos, as cores primárias, a ficção, os erros e falhas do aprender a crescer e colocamos tudo isso de forma engessada na prateleira do mercado midiático como um produto à venda em prestação ou à vista.

Os "erros" do Cebolinha ao trocar o "r" pelo "l" nunca antes foram absorvidos por nenhuma criança por se identificar com essa imagem. A forma "dominadora" de Mônica em querer administrar a situação não interferiu no crescimento de muitas meninas depois das leituras. A sujeira do Cascão não foi exemplo seguido até então por ninguém a ponto de comprometer a saúde das crianças. O "comer, comer" de Magali não deixou garotas obesas por acharem tudo normal.

Jovens que pensam que são adultos

Nenhuma mulher virou feminista porque entendeu que Luluzinha era super-poderosa sozinha e não precisava dos meninos. E os garotos não rejeitaram as meninas porque Bolinha tinha um clube só de "homens".

Se nada disso aconteceu, o que tem a ver a evolução tecnológica com o discurso inocente dos gibis da Turma da Mônica, Luluzinha e Bolinha?

Parece que adulto não gosta mesmo de falar para criança. Gosta de escrever para jovens que já pensam que são adultos.
A sexualização de ícones infantis é preocupante, porque reflete a mudança destes tempos pós-modernos, que incentivam a sexualidade como uma experiência natural, em detrimento da responsabilidade necessária para seu futuro. Vale o conselho dado por Paulo a Timóteo: "Foje dos desejos da mocidade" (2 Tm. 2:22)!

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

O DOMÍNIO PRÓPRIO


O homem que se domínia é aquele que se conhece. Estudou suas tendências. Observou as próprias fraquezas. Lamentou-se ao errar; porém, aprendeu.

Agora dispõe-se a prosseguir. Não mais em sua competência: entregou-se ao controle de Deus.

Sabe que é necessária a disciplina a cada dia. Percebe que o centro é a entrega a Deus, através da fé que o faz submisso à Revelação da Palavra. Eis a fonte de seus atos.

Seu mundo agora comporta a noção de que precisa de um modelo mais alto do que os sonhos que carrega. A vida requer algo acima dela mesma. Logo, ele passou a depender do Salvador, como uma criança que a mãe leva nos braços. Tal homem vence a luta contra dia após dia. Porque se dominou.

A SINCRONIA ENTRE OBAMA E O PAPA

O presidente americano Barack Obama fez um discurso considerado histórico na Unviersidade do Cairo, hoje pela manhã (04-06-2009). Ele propôs um novo começo para as relações entre o Islã e os Estados Unidos, um começo pela paz. Dise ele: “Vim para o Cairo em busca de um novo começo entre os Estados Unidos e os muçulmanos do mundo todo, um começo baseado no interesse e no respeito mútuos, e baseado ainda na verdade fundamental de que Estados Unidos e Islã não são entidades excludentes e não precisam competir. Ao contrário, eles convergem e compartilham dos mesmos princípios - os princípios da justiça e do progresso; da tolerância e da dignidade de todos os seres humanos.”

O presidente destacou os pontos em comum entre os Estados Unidos com o Islã, bem como os pontos em comum entre as três religiões na Palestina, o Islã, os Cristianismo e o Judaísmo. Todos eles querem a paz. Disse ele: “Nós temos o poder de fazer o mundo que queremos, mas somente se tivermos a coragem de partir para um novo começo, tendo em mente o que está escrito. O Sagrado Alcorão diz: "Humanidade! Nós vos criamos homem e mulher; e vos fizemos em nações e tribos para que possais conhecer um ao outro". O Talmude diz: "Toda a Torá tem como objetivo a promoção da paz". A Bíblia Sagrada diz: "Bem aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus". Os povos do mundo podem conviver em paz. Sabemos que esta é a visão de Deus. Agora esta deve ser a nossa missão aqui na Terra.”

Obama falou também sobre a religião. Leia essa parte de seu discurso: “O quinto tema que devemos abordar juntos é a liberdade religiosa. O Islã tem uma orgulhosa tradição de tolerância. Ela pode ser vista na história da Andaluzia e de Córdoba durante a Inquisição. Testemunhei esta tolerância em primeira mão quando era criança na Indonésia, onde os devotos cristãos desfrutavam da liberdade de culto num país de esmagadora maioria muçulmana. Este é o espírito que necessitamos hoje. As pessoas de todos os países devem ser livres para escolher e professar sua fé com base na persuasão do intelecto, do coração e da alma. Esta tolerância é essencial para a prosperidade da religião, mas ela enfrenta atualmente muitos desafios.

“Entre alguns muçulmanos, existe uma tendência perturbadora de medir a própria fé pela rejeição da fé de outra pessoa. A riqueza da diversidade religiosa deve ser sustentada - seja para os maronitas no Líbano ou para os coptas no Egito. Se formos honestos nestas pretensões, devemos também selar as cisões também entre os muçulmanos, pois a divisão entre sunitas e xiitas levou à uma violência trágica, especialmente no Iraque.
“A liberdade religiosa é fundamental para a capacidade de convivência dos povos. Precisamos examinar todas as maneiras de protegê-la. Nos Estados Unidos, por exemplo, a legislação que rege as doações de caridade dificultam para os muçulmanos o cumprimento das suas obrigações religiosas. É com isso que estou comprometido a trabalhar com os muçulmanos americanos para garantir que eles possam contribuir com o zakat.

“Da mesma maneira, é importante que os países ocidentais evitem impedir os cidadãos muçulmanos de praticar sua religião como bem entenderem - ditando, por exemplo, o vestuário de uma mulher muçulmana. Não podemos disfarçar com supostas pretensões liberais a hostilidade diante de uma religião.

“Na verdade, a fé deveria nos aproximar. É por isso que estamos estabelecendo projetos de serviço social nos Estados Unidos para promover a aproximação entre cristãos, muçulmanos e judeus. É por isso que damos as boas-vindas a iniciativas como o diálogo inter-religioso proposto pelo rei Abdullah, da Arábia Saudita, e a liderança turca da Aliança das Civilizações. Em todo o mundo, podemos transformar o diálogo em serviço comunitário inter-religioso, para que as pontes entre os povos levem à ação - seja no combate à malária na África, ou na prestação de ajuda humanitária após um desastre natural.”

Os discursos de Obama e de Bento XVI estão se sincronizando. Os dois falam de tolerância, de diálogo entre civilizações, diálogo inter-religioso, de novo começo, de busca da paz. E Obama está tendo a grande capacidade de fazer proposições para a paz. Bento XVI já tem a sua proposição: a santificação do domingo para reabilitação da família no mundo em busca da formação de um novo cidadão global, que vive para a paz.

São dois poderes que agora trabalham em uníssono pela “paz e segurança” no mundo, pelo que sabemos que a vinda de nosso Senhor está muito próxima.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

DAS COISAS QUE PASSAM E DAS PERMANENTES

RIO


Uma pedra flutua nas águas:

Magma trânsfugo, pleno de luz,
Se parece com jaspe ou safira,
Mas não passa de um ovo entre as lágrimas.


Uma folha flutua nas águas:

Clorofila cigana, veloz,
Se parece com olhos de répteis
E é alvéolo verde entre ondículas.


Rio, mãos que transformam matérias

De passagem, que fisgam reflexos,
Que lhes captam genoma e o corrompem
Em imagens nitentes e falsas.


Fluxo réfluo, cardume do tempo

São teus lábios de Iara e Netuno;
Rio até quando mais, se é por chão
Que suplica o homem quando ora a Deus?

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

OVERDOSE DE CAFEÍNA POR CAUSA DE CHICLETES


Os chicletes continham cafeína equivalente a três xícaras de café.

Um adolescente de 13 anos foi diagnosticado com intoxicação por cafeína na Itália depois de consumir dois chicletes cafeinados, segundo um estudo de caso publicado na edição desta sexta-feira da revista científica The Lancet.

Segundo o relato dos médicos, o garoto foi levado pela mãe ao Hospital Monaldi, em Nápoles, depois de ter chegado em casa agitado e agressivo, diferente de seu comportamento normal.

Os exames indicaram que ele apresentava taquicardia (147 batimentos/minuto), estava ofegante e com pressão alta. De acordo com o estudo, o paciente reclamava ainda de dores abdominais, dor ao urinar e ardência nas pernas.

Depois de levar o filho para casa, a mãe encontrou o pacote de chicletes com cafeína na mochila do menino. Ele então admitiu ter ingerido dois dos chicletes no dia anterior.

Os chicletes continham cerca de 160 mg de cafeína e portanto, o adolescente havia ingerido o equivalente a 320 mg - um pouco mais do que a quantia presente em três xícaras de café.

"O paciente provavelmente tinha sensibilidade à cafeína e, ao levar em consideração seu consumo habitual da substância, as 320 mg provaram ser uma quantidade significativa para ele", afirmou o médico Francesco Natale, responsável pelo atendimento do garoto.

Os autores afirmam ainda que a condição física do garoto só foi completamente recuperada cerca de duas semanas depois do consumo dos chicletes. Além disso, o adolescente perdeu três dias de aula por conta da intoxicação.

"O consumo de chiclete estimulante deveria ser considerado em casos de intoxicação por cafeína. O risco de intoxicação é alto em crianças e adolescentes se levarmos em conta a pouca exposição à substância e a venda irrestrita desses estimulantes", concluiu Natale

colaboração: Fernando Machado

"O chá atua como estimulante, e, até certo grau, produz intoxicação. A ação do café, e de muitas outras bebidas populares, é idêntica. O primeiro efeito é estimulante. São agitados os nervos do estômago, que comunicam irritação ao cérebro, o qual, por sua vez, desperta para transmitir aumento de atividade ao coração, e uma fugaz energia a todo o organismo. Esquece-se a fadiga; parece aumentar a força. Estimula o intelecto, torna-se mais viva a imaginação.

Em virtude desses resultados, muitos julgam que seu chá ou café lhes faz grande benefício. Mas é um engano. Chá e café não nutrem o organismo. Seu efeito produz-se antes de haver tempo para ser digerido ou assimilado, e o que parece força não passa de excitação nervosa. Uma vez dissipada a influência do estimulante, abate-se a força não natural, sendo o resultado um grau correspondente de abatimento e fraqueza.

O uso continuado desses irritantes nervosos é seguido de dores de cabeça, insônia, palpitação, indigestão, tremores e muitos outros males, pois eles gastam a força vital. Os nervos fatigados necessitam repouso e sossego em lugar de estimulantes[...]" Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 326.

Domingo, 31 de Maio de 2009

ORA, É TUDO NORMAL!


Cristóvão Tezza, escritor catarinense, fez um infeliz comentário, publicado no Estadão. O autor de "Aventuras Provisórias" não gostou de ter seu livro censurado por conta da linguagem obscena e cenas de sexo. "Eu soube da interdição e fiquei horrorizado com isso", declarou. O escritor ainda acrescentou não ver "nenhum inconveniente nas cenas reclamadas, pois não apresentam nada que o adolescente não descubra em outras mídias."

Talvez o que escapou a Tezza é a tal censura não ser motivada por ineditismo, como se fosse novidade retratar o sexo. Não estamos mais nos tempos em que Flaubert foi processado por "Madame Bovary". O problema é justamente o excesso, não a surpresa: nós nos encontramos saturados de escritores que fazem do sexo um lugar-comum, da mesma forma que a vulgarização do sexo nas novelas, filmes, comerciais, e músicas tem preocupado educadores, sociólogos e os cidadãos conscientes.

Seria interessante que romancistas, roteiristas e diretores expusessem ideias sem ter de recorrer a cenas apelativas, que mormente deixam a entrever a pobreza de sua mensagem, a qual acaba se escorando no erótico e sensual (porque isto vende). Pena que a cultura brasileira esteja tão atrelada a uma sem-vergonhice histórica, fazendo com que se encare a distorção da sexualidade trivialidade. Dentro desta linha de raciocínio obtusa, oferecer valores aos jovens parece, infelizmente, perda de tempo!...

ELEIÇÃO


Caminha Abrão, que a espera por teus pés adoça o sumo das vides da terra. Tu não vês o que meus olhos te consagram. Apenas Eu, o Eterno-Guia-Acima consigo sentir o afago de tua vida entregue aos Meus cuidados.

Os zigurates de Ur e os altares de Harã são a náusea que sinto toda manhã; mas teus sacrifícios são para mim como as passas e o leite de cabra na tenda do beduíno.
No itinerário do Eufrates não encontro outro amigo; em homem algum, Abrão, tem minha alma prazer como em ti.

És filho e amigo, servo e companheiro, o alvo certo das lanças da Bênção! O óleo que escorre por tua barba escorrerá por milhares de rosto, todos filhos de teus lombos.

As bolhas que estouram em cada pé serão curadas à sombra dos carvalhos, onde armarás o acampamento para milhares; caminha agora, Canaã prepara o mel de boa-vinda, Canaã dos enaquins e zazumins. Não os tema, pois eis que eu peso minha destra sobre o pescoço daqueles reis que riem de minhas ordens. Serás minha testemunha entre os famigerados e andarás em meio aos gigantes que me ignoram. Não os tema, porque te darei a Terra, a ti e à tua descendência depois de teus dias.

Contempla a multidão da areia, Abrão! Os grãos desafiam sua geometria. Observa às estrelas: elas estão acima de tua astronomia. E eu te digo que superior ao número de estrelas e de grãos de areia será o número de tua descendência.

Em ti, toda a Terra será favorecida!

Aqueles que reclinarem o rosto à tua passagem contarão com Meu favor. Aqueles que erguerem a vista e menearem a cabeça após tua partida, Eu os punirei.

Apenas aprenda a Me conhecer e se prostrar diante de Minha Majestade; Caminha seguro ao Meu lado, que te farei íntegro sob a concha de minha mão.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

O EXISTENCIALISMO DE HENRY


Alguns podem achar que o atacante Henry, da seleção francesa e do Barcelona, se transformou no réu da inquisição jornalística. Sua "filosofia" continua repercutindo cada vez que o assunto educação conquista espaço na mídia brasileira. Recentemente, livros didáticos adquiridos pelo ensino público paulista foram retirados das escolas porque apresentavam erros de informação e material de natureza imoral. Desse modo, fica difícil não lembrar de Henry, ainda mais quando seu clube disputa a final da Liga dos Campeões da Europa.

Três dias antes daquele jogo fatídico contra a França, na Copa de 2006, o atacante Henry tocou na ferida brasileira. Mesmo sem desejar ofender a honra verde e amarela, ele parece ter atingido o âmago dos atletas da seleção canarinho. Tentando identificar os motivos de os craques do Brasil serem superiores aos franceses, Henry apontou a falta de escolarização como uma vantagem tupiniquim.

Apaixonado por uma bola, Henry era obrigado pela mãe a não gazetear as aulas. Futebol, só se sobrasse tempo. Enquanto isso, em outras latitudes, meninos pobres, sem chuteiras, magros de fome, desestimulados pela violência a frequentar uma escola, participavam de peladas das 8 da manhã às 6 da tarde.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

DANDO ASAS PARA A COCAÍNA


Depois de encontrar vestígios de cocaína no novo refrigerante da Red Bull, cincos estados na Alemanha proibiram a venda do produto. O Instituto Estadual para Saúde e Trabalho do Estado de Renânia do Norte-Palatinado constatou 0,4 microgramas da droga por litro.

Segundo as autoridades alemães, a dose de cocaína na bebida é considerada mínima e não apresenta risco à saúde. Porém, os vestígios da droga fazem com que o refrigerante deixa de ser um produto alimentício para, legalmente, se tornar um entorpecente.

“O instituto examinou Red Bull Cola em um processo químico minucioso e realmente encontrou traços de cocaína”, confirmou o diretor do departamento de segurança alimentar do ministério alemão para Defesa do Consumidor, Bernhard Kühnle.

Domingo, 24 de Maio de 2009

A DEVOÇÃO


Horas conversando com quem não se vê ou ouve, numa intimidade sublime e reparadora. Horas refletindo em Seu amor nos fatos da vida, nas bênçãos camufladas de cotidiano. Momentos em que a criatura se abastece. A culpa é depositada, a fé alargada, a razão embasada. Comunhão inspiradora, canal aberto para o Infinito.

O Céu se curva para atender o homem que se abre para as possibilidades da vontade divina.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

EXEMPLO DE ORAÇÃO


(O santuário das montanhas)

Eclode a luz que O encontra às árvores somado
Desde que a madrugada erguera os lábios roxos
Sobre a cútis do céu. De espírito albardado
Sai, pondo em liberdade os cegos, mudos, coxos.

Do silêncio íntimo de uma alma sem pecado,
Flui para o Azul não som conturbado de mochos
Ou prece inócua, mas sim, do olho alobadado
A fé capaz de unir com Deus os laços frouxos.

A voz que impelia ao anjo, em súplica é ouvida,
Comovendo à Amplidão. No algar da treva e drama,
Ora e entrega à Vontade Eterna a própria vida.

E o homem, que O fez vir do Céu a este escuro algar,
Cuja carência de entrega é maior, vai, busca e ama
Todo interesse egoísta alheio à dor de amar.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

ACHAMOS UM SALVADOR?


PLANO DE PODER OU DEDICAÇÃO AO SERVIÇO?


Flanava eu por uma livraria evangélica quando... Antes, a confissão: raramente me dou a este luxo, mas, sempre que posso, gosto de entrar em livrarias. Entro por entrar, vejo os títulos aqui e ali, descompromissadamente. Se acho alguma coisa que me "fisgue", nem penso duas vezes: compro mesmo.

Bem, no minha sutil incurssão de hoje, achei algo insólito: o livro "Plano de Poder:Deus, os cristãos e a política", do senhor Edir Macedo, com participação de Carlos Oliveira (diretor do programa "Hoje em dia", em BH, MG). Lançado em fins de 2008, pela Thomaz Nelson Brasil, o volume, de certa forma, é um chamado dirigido ao povo cristão à participação na política (não livre de interesses pessoais, enteda-se: Macedo já usou da influência política de seus aliados para fins discutíveis, além de promover às claras o sobrinho, deputado Marcelo Crivella.)

Deveriam os evangélicos discutir este assunto? Deveríamos nós, adventistas, pensar nisto, tanto dentro de um contexto profético, quanto em consonância com a verdade sobre a vocação individual de cada crente? Minha resposta é sim, para ambos os casos. Ofereço alguns textos que ponderam algo sobre a filosofia cristã da política, já publicados on line. Espero que fomentem alguma reflexão sobre este assunto ainda espinhoso.

GUARDA DO SÁBADO SERÁ PRESERVADA NO ENEM 2009

Brasília, DF... [ASN] Na manhã desta quarta-feira, 20 de maio, o líder de Comunicação e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para a América do Sul, pastor Edson Rosa, e o advogado da Igreja para a mesma região, doutor Luigi Braga, estiveram em reunião com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, doutor Reynaldo Fernandes. Este é o órgão responsável pela aplicação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). O motivo do encontro foi encontrar uma alternativa para os adventistas que irão participar do ENEM, nos dias 03 e 04 de outubro deste ano, já que a data envolve um sábado. Também participaram do encontro o chefe de gabinete João Marcos Martins, e o deputado Charles Lucena.


Durante a audiência foi feita uma solicitação no sentido de que na normativa para aplicação do ENEM conste a necessidade de existência de uma sala onde os guardadores do sábado possam ficar reservados até o horário do por do sol do sábado, dia 03, quando então, farão a prova.

O presidente do INEP aprovou o pedido que será incluído na normatização do ENEM. Para o pastor Edson Rosa, “trata-se de uma conquista junto ao Ministério da Educação que permite a liberdade de consciência. Nossos alunos terão o direito de guarda do sábado preservado e poderão participar tranquilamente desta seleção”. O pastor ainda acrescenta que “assim que tivermos a normativa em mãos vamos divulgá-la”.

Já está agendada uma segunda audiência com o doutor Reynaldo Fernandes, quando, em entrevista, ele dará maiores esclarecimentos sobre o a importância do ENEM e o direito de consciência que deve ser preservado.
O ENEM é um exame individual, de caráter voluntário que, a partir deste ano, deixará de ser apenas um instrumento para avaliação, e passará a ser adotado como válido para ingresso na universidade. [Equipe ASN – Márcia Ebinger e Edson Rosa]

Nota: Apesar de não ser definitiva, a situação aponta um resultado favorável para aqueles que entendem ser o sábado um dos mandamentos de Deus (Ex. 20:8-10). Contudo, é necessário que continuemos orando. O processo de ingresso no Ensino Superior passa por uma transição, prevendo a substituição do Vestibular tradicional pelo exame do ENEM. É de capital importância que sejam dadas oportunidades aos guardadores do sábado de se submeterem ao exame, a fim de que possam chegar à faculdade. Tenho muitos alunos adventistas no "terceirão" e venho orando por eles. Deus ilumine os líderes de nossa nação para não prejudicar aqueles que, por amor a Deus, decidiram obedecer Seus mandamentos.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

NA CACHOEIRA DA MACUMBA



O ônibus tremia pelas curvas acentuadas enquanto voltávamos. Fazia um frio cru. A reunião espiritual terminara. A última noite subindo o morro. Mas era agradável falar àquelas pessoas, vê-las dispostas a ouvir do Salvador. A localização insensata da igreja – no alto do morro da biquinha – era, sem dúvida, um desafio para aquela comunidade simples, que tinha de ir a pé prestar culto ao Senhor.

O ônibus seguia vazio, o que adensava a sensação de frio. Eu, que nem chegara aos dezoito, ia acompanhado do diretor do grupo onde falara. Ele, um homem de riso fácil, calvície insinuada e baixa estatura. Havia colportado por muitos anos, tinha experiência. O sossego era o cotidiano da viagem.

Em determinado ponto, subira um rapaz magro, de fisionomia pouco marcante. Ele passou pela catraca, pagou a passagem e se conduziu à parte traseira do veículo. A partir daí, de forma a princípio banal, iniciou-se uma intrincada discussão entre este último passageiro e o cobrador.

Sentado próximo ao funcionário, pude ouvi-lo afirmar que o troco fora dado corretamente. O passageiro, aumentando o volume de voz, apontava um suposto erro na quantia. A exasperação mútua assomava pelo recinto. Finalmente, revoltado com a discordância, o passageiro cometeu seu mais sério erro: girou a catraca. Ao fazê-lo, era como se diversas pessoas tivessem passado por ali.

Diante do ocorrido, o cobrador não teve dúvidas: eu vi quando ele praticamente saltou de seu assento e partiu para cima do homem com quem discutira há pouco. O rapaz foi encurralado na janela do lado esquerdo (o do motorista). O cobrador batia em seu estômago. Eram socos sonoros, retinindo nos ouvidos dos demais passageiros, estupefatos àquelas alturas.

Estávamos em frente à cachoeira da macumba, local que deve seu nome às práticas da religião afro. Não demorou muito: o motorista parou o carro Saiu afoito de seu lugar e pulou a catraca (com agilidade surpreendente para alguém tão corpulento!). Senti um alívio momentâneo – aquela loucura terminaria, pensei. Pelo contrário! O motorista uniu-se ao seu colega e agora ambos batiam no passageiro.

Por um momento, o dilema se me afigurou: deveria dizer alguma coisa, eu que pregara sobre Jesus a semana inteira? Deveria incentivar os demais passageiros a impedir o pior? Deveria evacuar o veículo? No tumulto do meu interior, acabei não fazendo coisa alguma.

Mas alguém fez. Um homem se apresentou e deu algum dinheiro ao cobrador. Não sei precisar se ele pagou toda a dívida do passageiro agredido; mas ele e o rapaz saíram juntos, sob o rugido do motorista, que advertia o homem que girara a catraca a não mais fazer uso daquela linha de ônibus. A viagem seguiu.

O lado cômico da história ocorreu quando uma senhora à minha frente perguntou a mim e ao senhor que me acompanhara se não poderíamos lhe emprestar alguns centavos. Ela precisava completar o valor da passagem. O medo em sua fala deixou patente que ela temia que lhe acontecesse algo semelhante ao que todos acabáramos de testemunhar.

Ainda me lembro visualmente dos fatos, passados tantos anos. Sinto ainda aquela impotência, o medo a sensação de injustiça e abuso. De uma banalidade, tanta violência. Será que algo mudou no mundo ?

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

LEIA E DIVULGUE "OUTRA LEITURA"

O site Outra Leitura (OL) é uma ferramenta útil para evangelismo, devocional e reflexão em grupos. Leia também a seção Questão de Confiança disponível no OL.

Sugestão de artigos:

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

PRECONCEITO INCONSCIENTE

O Pr. Diogo enviou o texto abaixo por e-mail a alguns amigos. Quando li, não me restaram dúvidas: pedi-lhe licença para publicá-lo, o que ele prontamente aceitou.


Tive meu primeiro professor negro apenas no 2° Colegial, e nunca tinha me dado conta disso. Era Geraldo. Foi meu melhor professor de História. Sua esposa, também negra, era uma ótima professora de Sociologia. Eles eram de outra denominação, mas tementes a Deus. Tenho saudades deles.

Estudando o assunto, descobrimos que não existem raças, mas etnias; não há gente “de cor”, mas gente negra ou mulata. As palavras “negro” ou “negra” são tão bonitas e honrosas quanto “morena”, ou “branco”. Na verdade, não há negros, brancos, índios e “olhinhos puxados”, mas pessoas. Todos somos simplesmente pessoas. Portanto, por exemplo, ao apontar uma pessoa em meio a um grupo, não fale: “Aquele preto ali” ou “Aquele senhor de cor”, mas “Aquele senhor negro” ou “Aquele senhor de camisa listrada”, assim como você faria normalmente para identificar outros. Trate as pessoas como tais, sem desmerecê-las, pois às vezes fazemos isso sem percebermos. Sei que muitos de nós já temos consciência disso.

Em relação à chamada superioridade branca, chego a pensar que não passa de receio quanto a uma possível superioridade negra, manifesta com muita superação e lágrimas em diversas áreas. Que o diga Jesse Owens , um atleta negro que ganhou quatro ouros olímpicos diante de Hitler e seu surpreso estádio nazista em 1936. Posso imaginar você acrescentando em sua mente nomes como Martin Luther King Jr., Lewis Hamilton (atual campeão de F1), Nelson Mandela, Barack Hussein Obama, Ben Carson, Joaquim Barbosa (STF), Rodrigo Pereira da Silva (primeiro adventista negro a ser professor de Teologia no Brasil) e tantos outros.

Deus nos criou iguais biológica e moralmente. A cor da pele responde apenas por zero vírgula zero zero... alguma coisa do DNA – isso é fato. Nossos cérebros todos têm um quilo e meio. Há espaço para todos debaixo do Sol; todos só precisam de uma oportunidade.Desculpem-me pelo desabafo, mas fico profundamente indignado com essa hipocrisia, às vezes silenciosa, que será extirpada apenas no Céu. Vivemos num campo de concentração há seis mil anos, mas podemos nos livrar do fermento racista individualmente, em Cristo Jesus.

Diogo Cavalcanti,
Editor associado da Casa Publicadora Brasileira

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

2 ANOS DE QUESTÃO DE CONFIANÇA: COMEMORE CONOSCO


Exatamente hoje, o Questão de Confiança completa dois anos. A correria é grande, mas me propuz a escrever esta postagem como uma forma de agradecer a todos os que leem, apoiam e deixam seus comentários neste espaço. Os planos? Continuar apressando a volta de Jesus através de texto que mostrem a necessidade de viver um relacionamento profundo com o Salvador. Abaixo relacionamos alguns dos textos que marcaram, ou pela polêmica que causaram ou pelo retorno dos leitores, ou ambas as coisas. A partir de agora você está convidado a relembrar esta história conosco. Boa leitura!

Nosso primeiro post: "O herói que não vencia"


Buscando com a teologia responder dilemas e questionamentos modernos: A DESTRUIÇÃO DOS CANANEUS


Buscamos embasar nossas posições através de séries de artigos: A música sacra dentro da cosmovisão adventista (parte 1, 2, 3 e 4)
Crossan na Superinteressante (parte 1 e 2)
Esperança, propósito e vida (parte 1 e 2)
Ser útil X exercer domínio (parte 1, 2 e 3)
Chamado para ter um identidade (parte 1,2 e 3)

Textos mais comentados:

NATURALISMO EM TELAS

Apresentamos esta palestra, entendo que o tema é imprescindível para compreendermos a cotrovérsia envolvendo ciência naturalista e criacionismo. Para baixar a palestra, basta clicar nas telas e copiá-las.










Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

JESUS: MUITO ALÉM DO MITO

“Sem dúvida! Quem pode ler os Evangelhos sem sentir a presença real de Jesus? Sua personalidade pulsa em cada palavra. Não há nenhum mito que seja imbuído de tanta vida.”

Albert Einstein, em entrevista a George Sylvester Viereck, citado em Walter Isaacson, “Einstein: sua vida, seu universo” (São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2007), p. 396. Curiosamente, o cientista não concebia Deus como um Ser Pessoal, mas como uma espécie de energia impessoal.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

ENTREVISTA


O homem engravatado do outro lado da mesa coçou o cavanhaque e levantou a sobrancelha no que me pareceu um bom sinal.

- Seu currículo é ótimo, para alguém da sua idade - disse o Sr. Assunção - Fale-me um pouco da sua experiência em nossa área.

- Fiz estágio desde meu segundo ano de faculdade - respondi - e meu gerente disse que só não fui contratado em razão de que o quadro da empresa estava completo.

Sem falsa modéstia, posso dizer que eu tinha um bom perfil par$a o contrato desta empresa, mas as palavras que seguiram me causaram certo abalo.

- Sempre falamos isso quando não queremos contratar estagiários - disse o entrevistador e devolveu meu currículo a uma pilha em cima da mesa e recostou-se na poltrona. Havia um ar de desdém em suas palavras e, ao mesmo tempo, um tom de desafio.

- Eu consideraria essa hipótese - respondi, mantendo a compostura, - caso o gerente não tivesse me apresentado formalmente ao presidente da empresa e feito um pedido de contratação para a equipe.

- Então você conheceu o presidente da outra companhia? - perguntou-me e pegou novamente o currículo. - E se, por acaso, eu o contratasse e esse presidente o convidasse para assumir o cargo que anteriormente você buscava naquela empresa? O que você faria?

Essa era uma das grandes oportunidades da entrevista. Era o momento certo de dar uma boa resposta. Arrumei-me na poltrona e falei:

- Sr. Assunção, quando apresentei meu currículo para esta conversa eu tinha duas certezas. A primeira: não estou aqui à procura de um emprego. Busco uma carreira e sei que esta empresa fornece todas as oportunidades para que eu cresça em minha profissão. Quando for admitido em seus quadros, não vou querer sair daqui. A segunda certeza: quando vocês testarem e constatarem minha capacidade, também não quererão que eu abandone a empresa. Podem apostar em mim.

O entrevistador manteve o semblante impassível, mas, desta vez, depositou meu currículo no centro da mesa, onde havia outros poucos papéis.

- Você conhece as condições do contrato e do trabalho? Tem alguma pergunta a respeito ou alguma observação relevante?

Sim, eu tinha uma "observação relevante", algo que, para muitos, era fatal. Embora fosse algo normal para mim, muitos não entendiam o que eu iria falar:

- Eu não posso atender às necessidades da empresa após o pôr-do-sol da sexta-feira até a mesma hora do sábado. Fora esse período, estou à inteira disposição de vocês.

- E qual o motivo?

- Por questão de consciência religiosa - respondi sem rodeios e, a partir daquele momento, o Sr. Assunção parecia estar olhando para um jovem que, no lugar de terno e gravata, trajava uma túnica de dois mil anos.

- Isso pode ser um problema, se não for negociável.

- Então é um problema - eu disse, mantendo o tom formal de toda a conversa e tentando relembrar ao entrevistador que eu não era um terrorista armado com bombas ao redor do corpo, - pois isso é inegociável.

O Sr. Assunção me avaliou por um breve momento. Até posso imaginar o que pensava: "Como um jovem com futuro tão promissor pode colocar em cheque uma chance dessas por motivo religioso?" Seria difícil ele entender, mas eu já estava começando a me acostumar com a falta de compreensão de alguns.

- Tudo bem! - disse ele - Em cinco dias, se a comissão aprovar seu currículo, faremos contato.

Levantamo-nos e nos despedimos com um aperto de mãos.

Saí do grande prédio sem olhar para trás. Cinco dias se passariam e não me ligariam. Aquilo não me abalou muito, pois, assim como na entrevista, eu tinha duas certezas. A primeira: fui fiel ao meu Deus. E a segunda: nessa relação, não sou o único leal. Deus é ainda mais fiel. Outras e melhores oportunidades viriam... e vieram.

Denis Cruz

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

PLACEBOS, GENÉRICOS E O REMÉDIO


No momento em que escrevo, o presidente paraguaio Fernando Lugo vive uma crise, pressionado pela oposição a deixar seu cargo. Tudo porque até o ano passado Lugo era bispo católico e deixou a batina para concorrer à presidência. Já empossado, ele reconheceu a paternidade de um menino de quase dois anos, fruto de seu relacionamento com Viviana Carillo. Daí por diante a polêmica aumentou com a alegação de outras mulheres de que teriam igualmente gerado filhos do presidente.

Essa história ao mesmo tempo em que gerou chacotas sobre o presidente paraguaio, reacendeu debates em torno do celibato católico. Fez-me lembrar também de outro relato escandaloso envolvendo líderes cristãos.

Há quase quinze anos, uma blitz realizada em um motel de Maceió (Al) trouxe repercussões surpreendentes. Durante uma operação de fiscalização do Juizado de menores, bateram à entrada do quarto 103, solicitando aos ocupantes que passassem as identidades por debaixo da porta; lá dentro, um senhor mulato argumentava, evitando atender à solicitação.

Uma vez que as autoridades ameaçassem entrar à força, o homem pediu à sua acompanhante que mentisse sobre sua idade: a menina de 14 anos, escolhida entre outras adolescentes que se prostituem nas calçadas de um bairro carente, contou às autoridades ter 17 anos - mas não soube dizer a data do próprio nascimento!

Autuado, o casal improvável chegou à delegacia apenas para que o pior fosse constatado: o homem encontrado com uma menor no motel era, na verdade, o monsenhor Edivar de Morais, reitor do seminário da cidade e respeitável religioso. Naquela mesma noite, o monsenhor completava 30 anos de sacerdócio.

Não poucos saíram em defesa do religioso. O padre Henrique Soares da Costa, orientador espiritual do mesmo seminário, protegeu o colega ao afirmar que todos são passíveis de cair; para ele, "infelizmente ainda não inventaram uma vacina capaz de nos deixar imunes ao pecado".[1] Essa afirmação soa como um contrassenso, uma vez proferida por um religioso. Afinal, de que maneira esperar que a igreja instituída dê uma solução ao mal, se ela se vê vulnerável ao pecado tanto quanto as pessoas não-religiosas?

Por mais que a última afirmação pareça soar demasiadamente generalizada, temos que nos lembrar dos polêmicos casos de pedofilia entre padres ao redor do mundo e rememorar também os escândalos de corrupção entre líderes evangélicos. Isso nos faz questionar até que ponto os cristãos estão vencendo ou sendo vencidos pelo mal. É oportuno que, antes mesmo desse questionamento, nos preocupemos com a questão fundamental: O que é o mal?

Os caçadores do mal perdido

A definição mais lógica é a de que o mal é algo contrário ao bem. No entanto, mesmo a lógica tradicional se vê insuficiente em face da forma de se encarar a verdade no mundo pós-moderno. Conforme já vimos em outro lugar,[2] a ética do século 21 admite várias verdades, elegidas pelo indivíduo e legitimadas pela comunidade. Assim, não existiria uma verdade absoluta, universal; apenas o que é útil ao indivíduo, que pode remodelar ou descartar seus próprios conceitos ao bel-prazer.

Some-se a isso o fato de que o avanço tecnológico acarretou um clima de otimismo, capaz de invalidar ou reduzir a presença do mal no mundo, acreditando que o progresso material chegará ao ponto de banir a desordem, a criminalidade e aumentar simultaneamente o nível de satisfação com os propósitos pessoais.

Com esse otimismo, surge a ilusão de que se pode ser feliz nesta vida (para muitos, encarada como a única existência possível). Como constatou certo sociólogo: "O valor mais característico da sociedade de consumidores, na verdade seu valor supremo, em relação ao qual todos os outros são instados a justificar seu mérito, é uma vida feliz. A sociedade de consumidores talvez seja a única na história humana a prometer felicidade na vida terrena, aqui e agora e a cada ‘agora' sucessivo. Em suma, uma felicidade instantânea e perpétua."[3] O otimismo consumista deságua em cegueira crônica, enfatizando comportamentos positivos e fechando os olhos para o lado perturbadoramente caótico do homem.


Leia também a 2ª parte aqui
e a 3ª parte aqui

[1] Reencontrei esta história em http://www.terra.com.br/istoe/capa/141933a.htm
[2]Conferir "Pós-modernidade à luz de 2 Pedro 3", aqui.
[3]Zygmunt Bauman, "Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias" (Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor, 2007), p. 60.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

A CRUZ

Trovejam as vozes de insulto, chicoteando ombros já chicoteados por todo o caminho, cheio de asperezas e ingratidões. Puderam piedosas senhoras comoverem-se daquele homem, com idade para ser filho delas? E os outros homens, seus contemporâneos, olharam para ele com simpatia? Afinal, que era feito de seus amigos próximos, que nem se atreveram a presenciar o momento de seu padecimento? Apenas o abandono o seguia.

Todos se avolumam. Um dia, a esperança. Em outro, o desespero. O caminho se abre, não mais para que o maltratado passe carregando a peça horizontal. Outro carrega seu fardo, porque ele se acha impossibilitado e soldados o arrastam friamente. Os cravos rasgando seus nervos o fazem despertar da síncope. Há muita dor pelas horas seguintes.

O que fora a cruz? O que ela ainda é? A tortura mais cruel e o livramento mais clemente. A maior humilhação e a mais ampla devolução da dignidade. A morte e a vida. A cruz é o eixo do Universo. O ponto em que converge a punição do então e a glória do adiante. Cruz é o amor escrito com sangue inocente para que os perversos sintam-se recolhidos pelos braços divinos do Pai.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

O QUE UM FARISEU DIRIA DE CRISTO


Por cedro quer passar o salgueiro. Perturba
Ao povo um galileu.
Desconhecido pela escola, fala à turba,
Que escuta o ensino seu.

É lógico! Quem dentre as gentes lê Moisés?
Acode ao comichão
Um fazedor qualquer de curas, cujos pés
Maldizem a Sião.

Por onde passa, corre essa nova doutrina
– Ilude alguns dos nossos!
Mas ele passará, como aquilo que ensina,
Sem restar sequer ossos.

Tal rebento de mãe antes das núpcias prenhe
Pretende-se Messias!
Ainda que contra ele um escriba se empenhe,
Destila mais porfias.

E o que afirma aliena o homem de seus deveres:
Se “o Reino é vindo a vós”,
Quanto importa se Roma exerce sobre os seres
O seu domínio atroz?

E César? Que dirá quando ouvir do murmúrio
Sobre um rei dos judeus?
Não virá contra nós por causa de um espúrio
Mensageiro de Deus?

E este profeta falso exprobra homens da lei:
De “hipócritas”nos chama!
Rouba a atenção do povo e se define Rei
– Aos de Samaria ama!...

Do bom pai Abraão somos filhos distintos,
Separados de todos.
Ritos nos bastam para elevar aos instintos
E livrar dos engodos.

Por estranho que soe, algo em Cristo estarrece:
Talvez traga no olhar
Constrangedora santidade à luz da prece,
Que não se há de negar.

Por qual razão ele apresenta uma atmosfera
Tão pura que incomoda?
É como um lavrador que, após clemente espera,
Já inicia a poda!...