terça-feira, 24 de novembro de 2009

PRÓXIMO ENCONTRO


Antes de dizer "até a próxima", cabe a última nota da semana: recebi uma cartinha mal-criada, destes dissidentes que rondam o Brasil. O destinatário era um certo Fernando Ramos Pinheiro Calvo. Não compensa gastar meu tempo corrigindo seus erros de conduta, ou mesmo, suas agressões à Língua Portuguesa.

Em verdade, a missiva não se dirige a mim; trata-se de uma destas iniciativas insolentes de se criticar os administradores da igreja, com um espírito que não seria justificável, por maior que fossem as razões iniciais. Entretanto, arrisco-me a dizer que não há, de fato, razões, somente o espírito de insubordinação, o qual caracteriza toda rebelião, desde a primeira, encabeçada por Lúcifer. E se o arqui-inimigo achou motivos para criticar o próprio Deus, não seria surpreendente que aqueles que tem um espírito como o dele não se contentem com líder algum.

Acho que certas pessoas aboliram o capítulo 18 de Mateus de suas Bíblias - do contrário, como explicar a falta de sabedoria em lidar com crises ou aquilo que julgam pecaminoso em um irmão? Jesus não nos ensinou a publicar erros alheios, mas a corrigir, com amor. Qualquer "documento" produzido pelos ex-membros insatisfeitos não me parece lá muito amorável...

Mas, mudando para assuntos mais agradáveis, marque aí: na próxima segunda-feira, dia 30, teremos um novo encontro. Eu o espero neste endereço; abraços.

CULPA NA INDULGÊNCIA

“Mas há culpa quando as pessoas, que vivem de maneira diferente dos maus e aborrecem a sua conduta, são todavia indulgentes para com os pecados dos outros quando os deviam corrigir e exprobar.”

Santo Agostinho, “A cidade de Deus” (tradução: J. Dias Pereira, Lisboa, Portugal: Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, 1991), volume 1, p.122, IX.

NÃO HÁ LUGAR PARA JOCELYN


Enrico estacionou o sedan preto que conduzia em frente à garagem do vizinho. Desceu esbaforido e correu até o portão de casa. Esquecera-se de um documento sobre a mesa do escritório. Detestara voltar em casa e dar de cara com a mulher, desocupada e frívola, segundo o seu juízo. A empregada abriu-lhe o portão e ele saiu escada acima, tropicando. Previa cruzar com a esposa, que não saía do computador. Já tinha a censura na ponta da língua. Porém, a cena que viu pegou-o desprevenido.

Então, era isto! Desrespeitado em seu próprio lar. Jocelyn estava ali, conversando com a mãe. A moça mostrava-se inchada, vermelha, com aspecto descuidado, muito além do desleixo adolescente que cultivava. Suas roupas largas e o cabelo desgrenhado quase apagavam a impressão favorável que os olhos azuis deixariam sobre quem a conhecesse. Ela o viu e, como uma criança apanhada em uma ação errada, buscou segurança no olhar da mãe. Isadora era bem diferente de Jocelyn. Era morena e franzina, com manchas salpicando o pescoço longo, o qual lhe conferia um ar indisfarçavelmente esnobe. Naquele momento, porém, tinha franqueza no semblante, num gesto de solidariedade à filha, abrindo-lhe um sorriso encorajador.

Enrico estancou à porta do quarto, talvez buscando palavra. Jocelyn trazia marcas de choro recente no rosto e ele, um homem atento, logo o percebeu. Bufando, por fim, abandonou a decisão de falar algo. Sentia que não valeria o esforço. Foi direto ao escritório, lembrando-se subitamente do que viera fazer em casa.

O documento se achava à mão. Tomou-o e afluiu para a escada. Seu vulto furtivo foi seguido por Jocelyn, agora em pé, desconcertada, enquanto dirigia-se à saída do quarto da mãe. Ao cruzar a porta, seguiu-a a mãe. “Não posso fazer nada, pai. Você não compreende, caramba?” esbravejou pelo corredor. Chorava de forma doída.

O pai fez-se de surdo, apressando a passada no momento em descia a escada e se dirigia ao quintal. Isadora persignou-se. Abraçou sua menina por trás, beijando-lhe docemente o ombro esquerdo, sobre o qual pousou o rosto com delicadeza. Apoiada no corrimão, Jocelyn ouvia a porta bater. Seu pai se recusava a lhe dirigir a palavra – e isso era mil vezes pior do que quando lhe insultava.

Enrico já cruzara muitos quarteirões e chegava ao estacionamento. Ao regressar à firma, um estranho torpor lhe sobreviera. Sua mente flanou por frivolidades mesquinhas, as quais costumava evocar, a título de dispersar os sentimentos. Uma amenidade impostora dominava seus gestos, à medida em que usava o elevador. Chegara mesmo a sorrir para os colegas que subiam com ele para o mesmo andar.

Em pouco tempo, sentava em sua poltrona e o trabalho tinha sua atenção. Não demorou, porém, até que o celular tocasse. Conferiu e o número na tela era o de sua residência. Um desânimo lhe percorreu o corpo, estremecendo a medula, a costela, as axilas, tudo, tudinho. Bem que queria evitar desgastes!… Já deixara claro o que pensava de divórcio, ele, criado em um lar cristão. Não podia concordar com uma falha como aquela. Após vários toques, atendeu. Na voz estampava a indisposição. Havia um atenuante: era Isadora na outra linha. Ouviu sobre sua obrigação paterna; todavia, concordava formalmente, de forma quase sincronizada com as pausas da interlocutora. A mente? Ora, a mente simplesmente não estava na conversa, apenas a voz. Isadora percebeu que sua desatenção indicava irredutibilidade crônica. A conversa se encerrou com um desalentador “Assim que puder, converso em particular com você”, a única frase completa que ele pôde dizer em toda a conversa. Aliás, o diálogo rendeu pouco, e Isadora não queria parecer sentimental ou apelativa. Deixou para chorar depois que desligasse.

Enrico saiu mais cedo do trabalho. Recusou um ou dois convites para sair com os amigos. Embora não quisesse voltar para casa, queria, acima de tudo, permanecer só. Saiu pelas lojas do centro, em direção a um parque. O sol diminuía em intensidade, embora a tarde se conservasse iluminada e agradabilíssima. Ele comprou um jornal que mal leu. Sentou-se em um banco. Sentia-se ridículo por perder tempo ali, parado, absorto em seus dilemas particulares. Nunca quisera aquilo. Sonhara com uma família grande, muitos filhos e uma casa espaçosa. Tirou um cigarro e ascendeu. Olhou para os prédios antigos, os quais abrigavam comércios de roupas e brinquedos. Mesmo sendo época de Natal, os enfeites muito discretamente se infiltravam nos fios elétricos e grades. Luzes pequenas e nada atraentes. O cigarro consumia-se mais rápido do que conseguia aproveitar, consumido por um dissabor que não poderia compensar. Deixou o jornal no banco e saiu, refletindo em como o centro da cidade parecia menos alegre do que em sua juventude. Tossia um pouco, porque não fumava tanto quanto nessas últimas semanas, desde que soube.

“Uma ajuda, irmão, por favor.” Sequer pensou antes de abrir a carteira e dar a única nota de vinte para um transeunte maltrapilho que lhe surpreendera na esquina. Se Isadora o visse, seria censurado. Ela diria que caridade se deve mostrar primeiro aos de casa. Até esboçou um sorriso, imaginando a expressão da mulher dizendo aquelas palavras. Mas ela não entendia? Não poderia fazer aquilo, de jeito nenhum! Quer dizer, como aceitar que ela voltasse? Não, era errado e ponto. Homem e mulher foram feitos para viver um com o outro. Ele criou sua Jôce dentro de um padrão moral. Por isso os jovens de hoje estão perdidos – não sabem o que seja moral, bons costumes, decência. Então é assim? Casa, não dá certo, e daí voltam os dois, cada qual, para o lar dos pais?

O cigarro chegava ao fim. Antes, automaticamente puxou outro da cartela, e acendeu com aquele que terminava. Deu uma tragada funda. Era hora de voltar.

Chegou perto das sete da noite. Roberta já terminara o expediente e, por questão de minutos, não a pegara fechando o portão. Teria dado uma carona para ela até o ponto. Chegou a permanecer no carro, até o segundo cigarro acabar. Colocando uma bala de menta na boca, entrou em casa, sem alarde. Pelo silêncio, intuiu que Isadora estava só.

Sentou-se no sofá e assistiu o noticiário, enquanto bebericava a última cerveja da geladeira. A ansiedade o apertava. Quando seria abordado? Como se defenderia? Chegou mesmo a adormecer no sofá, antes de se decidir por levantar e tomar um banho. Que dia complicado!

Ao entrar no quarto, viu Isadora. Falaram-se cordialmente sobre a rotina, de forma sucinta e ordinária. Saiu do chuveiro e a mulher já se deitara, lendo O caso dos dez negrinhos. Ele pôs o pijama e deitou-se, simulando um bocejo. Ela, entendeu, marcou o capítulo e apagou o abajur. Enrico dormiu sem saber que a filha tinha se arranjado no apartamento de uma amiga de faculdade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SERÁ AMANHÃ...


...o nosso próximo encontro. Prepare-se. E divulgue as matérias de sua preferência; vamos ampliar a rede de amigos de confiança!

Recebi na última semana um e-mail, expressando gratidão por receber o texto Quando o deserto se aproxima. A pessoa que agradecia contou que repassara a postagem para os colegas de trabalho e demais contatos. Fiquei impressionado com a iniciativa. E digo que os textos postados aqui servem justamente para divulgar o Evangelho e alcançar o maior número de pessoas.

Desta segunda-feira, destaco o texto escrito pela Jéssica, uma aluna, a qual elaborou um belo trabalho de pesquisa e argumentação. Empolgo-me ao ver jovens dedicando-se para Cristo (ei, também não sou velho! Quis dizer "outros jovens"). Confira e veja que não se trata de exagero de um professor orgulhoso de seus alunos. Mas ainda haverá mais novidades para esta semana.

Dito assim, ficamos de nos encontrar amanhã. Até.

ANÁLISE DA ENCÍCLICA NA MINISTÉRIO


A Revista Ministério, voltada para pastores e obreiros, publicou, em sua edição de Novembro/Dezembro, minha análise da última encíclica papal, a Caritas in Veritate. Na carta apostólica, o papa Bento XVI afirma que o mundo precisa de uma altoridade moral para gerenciar o processo de globalização. Leia na íntegra a análise da encíclica aqui e aqui.

QUADRINHOS: JANELA PARA UMA SEXUALIDADE DISTORCIDA

O Coruja: personagem amoral de Watchmen

Maurício de Souza chega aos cinquenta anos de carreira disposto a renovar seu público. Prova inequívoca disso é a empreitada da Turma da Mônica Jovem, adaptação ao estilo mangá de suas criações mais conhecidas. Mas, a exemplo dos quadrinistas americanos, o maior nome das HQs tupiniquins está de olho em outro nicho: o público GLS.

A iniciativa está agregada ao contexto das histórias da Tina, reformuladas e voltadas atualmente para o público jovem adulto. Na 6ª edição da nova revista, surge um novo componente na trama, um rapaz conhecido como Caio, já definido como melhor amigo da Tina. Apesar do ciúme do namorado da moça, Tina e Caio se apressam em explicar que não têm nada, fora a amizade. Caio afirma até ser comprometido e aponta para outro rapaz! A história é maliciosamente intitulada "O triângulo da confusão". A notícia foi veiculada no G [1] .

Recentemente, a Batwoman (distinta da Batgirl), outra personagem tradicional que entrou de vez no mundo GLS, foi definida como uma socialite que namora uma ex-policial.[2] A tendência aponta para o surgimento de novos personagens gays, tanto nos quadrinhos como nas telonas. Porém, como tudo isso começou?

Dos anos 1980 para cá, a sensualidade passou a desfilar nas histórias de super-heróis de forma aberta, a seguir desembocando em um erotismo bizarro, visível desde as roupas coladas que revelam as formas físicas das heroínas, até situações de coerção sexual, envolvimento erótico ou linguagem obscena. Em Watchmen (que voltou ao estrelato graças ao filme recente), por exemplo, não faltam referências a conflitos sexuais e constrangedores, como o momento em que o Comediante mata a sangue frio uma vietnamita que o feriu, ao vê-lo recusar-se a assumir o filho deles; ou a declaração de que o envolvimento do Dr. Manhattam com a jovem Spectral se deu quando a moça era adolescente, cabendo a acusação de pedofilia, feita dentro da trama por Janey Slater, ex-namorada de Manhattam.

Evidentemente, a década de 1990 viu uma exacerbação da sensualidade, principalmente promovida pela companhia Image Comics, fundada por artistas que fizeram fama nas gigantes Marvel e DC Comics - as quais, por sua vez, seguiram o "fluxo", promovendo uma considerável redução dos uniformes de suas heroínas. Um exemplo é a versão "turbinada" da Mulher-Maravilha, desenhada pelo brasileiro Mike Deodato Jr. O mesmo Deodato desenhou Glory (Image) e Elektra (Marvel).

Sendo que a distorção da sexualidade ganhou tanto espaço nos quadrinhos, não era de se estranhar que comportamentos sexuais não-convencionais figurassem nas suas páginas cobertas por nanquim. O que pode ser pior do ponto de vista da moralidade? É verdade que quadrinhos eróticos, como Valentina e Druuna, tiveram alcance sobre alguns leitores. De pior qualidade, apenas As Meninas Perdidas, criação de Alan Moore (o mesmo que idealizou os Watchmen), obra que defende toda e qualquer expressão sexual, inclusive a pedofilia e o sexo bestial (entre homens e animais).[3]

Nenhuma dessas obras, porém, teve alcance tão grande como as novas produções, que igualmente postulam a depravação moral, direta ou indiretamente. O acesso a esse material contamina a imaginação dos jovens e os acostuma ao prazer barato, em que o estímulo visual incentiva a pornografia, desconfigurando a beleza e complexidade do relacionamento sexual, por natureza entendido como ocorrendo entre gêneros complementares, ou, mais explicitamente, um homem e uma mulher. E ainda acham que os quadrinhos são inocente diversão para crianças...


Também publicado no site Outra Leitura


[1] "'Interpretação depende do leitor', diz Mauricio de Sousa sobre personagem gay", disponível em http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1382317-7084,00-INTERPRETACAO+DEPENDE+DO+LEITOR+DIZ+MAURICIO+DE+SOUSA+SOBRE+PERSONAGEM+GAY.html [2] Douglas Reis, "Santa Cássia Eller, Batman!", disponível em http://questaodeconfianca.blogspot.com/2009/02/santa-cassia-eller-batman.html.
[3] Omelete: entrevista com Alan Moore, disponível em http://www.omelete.com.br/quad/100006266/Omelete_Entrevista__Alan_Moore___Parte_1.aspx (parte 1) e http://www.omelete.com.br/quad/100006359.aspx (parte 2).

PENTECOSTALISMO E EXPLORAÇÃO DA FÉ


Por Jéssica Clemente

“Eu, o Senhor Todo-Poderoso, ordeno que tragam todos os seus dízimos aos depósitos do Templo, para que haja bastante comida na minha casa. Ponham-me à prova e verão que eu abrirei as janelas do céu e farei cair sobre vocês as mais ricas bênção.”[1]
“ Por isso eu digo: peçam e vocês receberam; procurem e vocês acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate.”[2]

Interpretações de textos bíblicos, como os acima, serviram de bases para a doutrina da teologia da prosperidade, que afirma que os verdadeiros fiéis desfrutam de uma excelente condição financeira, de saúde etc. “Este movimento nasceu na década de 40 nos EUA de um ramo pentecostal que pregava a crença fervorosa na intervenção divina, que se revelaria por meio da causa de doenças graves, por exemplo(...)” [3]

Dentre os inúmeros movimentos sociais que surgiram na América Latina, destacam-se os pentecostais, que enfatizam a cura de doenças, dons de línguas e enriquecimento. A justificativa que se dá para essa ênfase se encontra no livro de Atos 2, que fala sobre o derramamento do Espírito Santo, o que ficou conhecido como Pentecostes.

O Pentecostalismo, como qualquer outro movimento importante, deu origem a um grande número de organizações, com diferenças políticas, sociais e teológicas. No início, os pentecostais se viam como peregrinos na sociedade, dedicando-se exclusivamente a preparar o caminho para a volta de Cristo.

O movimento pentecostal é dividido em três “ondas”:

1.Na primeira onda do pentecostalismo, tem-se a criação da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus. Ambas as igrejas caracterizam-se pelo anti-catolicismo, pela ênfase na crença no batismo no Espírito Santo e por um ascetismo que rejeita os valores do mundo e defende a plenitude da vida moral e espiritual.

2.A segunda onda pentecostal surgiu com a chegada de dois missionários à São Paulo. Na capital paulista, eles criaram a Cruzada Nacional de Evangelização e, centrados na cura divina, iniciaram a evangelização das massas, principalmente pelo rádio, contribuindo bastante para a expansão do pentecostalismo no Brasil. Em seguida, fundaram a Igreja do Evangelho Quadrangular.

3.Fundadas por brasileiros, as mais antigas denominações da terceira ordem são a Igreja Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1977), liderada pelo bispo Edir Macedo, e a Igreja Internacional da Graça de Deus (Rio de Janeiro, 1980), liderada e fundada pelo missionário R. R. Soares, ambas presentes na área televisiva com seus tele-evangelistas. De um modo geral, utilizam intensamente a mídia eletrônica e aplicam técnicas de administração empresarial, com uso de marketing, planejamento estatístico, análise de resultados etc. Algumas pregam a Teologia da Prosperidade, pela qual o cristão está destinado à prosperidade terrena, rejeitando os tradicionais usos e costumes austeros dos pentecostais. O neo-pentecostalismo constitui a vertente pentecostal mais influente, a que mais cresce e também a mais liberal em questões de costumes.

Atualmente, vários escândalos envolvendo igrejas pentecostais, principalmente da terceira onda, apareceram na mídia. A principal causa dos escândalos é o dinheiro. A igreja Universal do Reino de Deus, cujo fundador é o bispo Edir Macedo, fatura milhões por ano do dinheiro dos fiéis, e utiliza grande parte desse dinheiro para fins pessoais. “Macedo colocou o dinheiro no centro do seu discurso teológico (...). A igreja se inspirou nos princípios da Teologia da Prosperidade”. [4]

“Na Universal, ensina-se que a felicidade terrena é uma concessão divina. Apenas quem é abençoado consegue ter uma vida livre de sofrimento e repleta saúde e prosperidade material. Para alcançar a graça, no entanto, é preciso viver fervorosamente a experiência da fé e, sobretudo, demonstrá-la. E a melhor forma de fazer isso é entregar dinheiro aos representantes de Deus (...), para que ele seja misticamente multiplicado. A doação é um investimento. Quanto mais o fiel dar à igreja, mais receberá de Deus no futuro.” [5]

Esses preceitos, porém, contém vários erros se contratados com a Bíblia:

1.Não precisamos conquistar a graça. “Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom GRATUITO de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Salvador.”[6]

2.Deus abençoa aquele que segue seus mandamentos e faz o que é certo. “Pois tu, ó Senhor Deus, abençoas os que te obedecem, a tua bondade os protege como um escudo”[7]

3.Deus nos diz que não devemos nos preocupar em ajuntar riquezas na Terra e, sim, no céu. “Não ajuntem riquezas aqui na Terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Pelo contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e rouba-las. Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.”[8]

Não há nada de errado em doar dinheiro para a igreja; Deus diz que devemos devolver o dízimo, a décima parte de tudo o que ganhamos, porém esse dinheiro deve ser usado para a pregação do evangelho e não para o uso pessoal. “Quando o dinheiro dos fiéis é usado para comprar empresas e jatinhos, a justiça tem de ser acionada.”[9]

“Quem se propõe a guiar um rebanho deveria saber que uma alma que busca conforto na religião para superar um momento de fragilidade emocional atravessa um período de vulnerabilidade. É capaz de tomas atitudes impensadas, com consequências drásticas para seu destino.” Muitas pessoas são enganadas pelos líderes dessas igrejas e doam tudo o que possuem, acabando na miséria e entrando em depressão. Deus não precisa de dinheiro, Ele é o dono de tudo. “Todo o grupo religioso, seja qual for sua origem, deve ter o direito de professar sua fé em paz. Esse é um dos pilares que sustentam o estado democrático de direito”[10] , porém ninguém tem o direito de explorar as outras pessoas em nome de Deus.

Nota: Cansado de trabalhos feitos à base de Control C/Control V, comecei a trabalhar com as turmas de Ensino Médio a metodologia de pesquisa. Gastei tempo, para ensinar e corrigir. Houve muitos trabalhos competentemente escritos. Este, sobretudo, me impressionou. A Jéssica é uma aplicada aluna do segundo ano. Com o consentimento dela, publiquei seu texto, em uma hora sobremodo oportuna, quando se discute justamente a influência de determinados líderes religiosos.

[1]Malaquias 3:10. Bíblia Sagrada NTLH.
[2]Lucas 11: 9,10. Bíblia Sagrada NTLH.
[3]Marcelo Carneiro. DÓLAR ATÉ NA BÍBLIA. Veja, 17 de Janeiro de 2007, p. 48.
[4]Adriana Dias Lopes e Fábio Portela. PORQUE OS FIÉIS DOAM TANTO. Veja, 19 de Agosto de 2009, p. 91.
[5]Idem.
[6]Romanos 6:23 Bíblia Sagrada NTLH; ênfase suprida.
[7]Salmos 5:12 Bíblia Sagrada NTLH.
[8]Mateus 6:19-21 Bíblia Sagrada NTLH.
[9]Laura Diniz. CHEQUE AO BISPO. Veja, 19 de Agosto de 2009, p. 85 e 86.
[10]Adriana Dias Lopes e Fábio Portela. PORQUE OS FIÉIS DOAM TANTO. Veja, 19 de Agosto de 2009, p. 94.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

MARQUE NA SUA AGENDA

Retomamos o Questão de Confiança - até que enfim, diriam alguns. Uma aluna vivia me perguntando quando voltaria a postar. Outros ficaram até preocupados. Mas, conforme prometêramos, hoje, dia 16, retomaríamos as nossas postagens, e ei-nos aqui!

Agora, muita atenção: marque em sua agenda a data de nosso próximo encontro, que será no dia 23 de Novembro, com mais novidades. Até lá.

PALESTRA SOBRE ÉTICA CRISTÃ


Palestra proferida em 23 de Outubro, no auditório da Faculdade Anhamguera, em Joinville (SC). Para fazer o download, clique aqui.

QUANDO O DESERTO SE APROXIMA


O pó se juntara aos seus poros. Suava, muito, a fronte abaixada, em perceptível exaustão. Foi quando achou uma pedra na qual se apoiar. O descanso era despretensioso, quase uma parada à toa, rápida. O corpo pedia um leito, mas a mente decidira-se a prosseguir. Poderia ser que o sol abaixasse, e a poeira vermelha não enfeitiçasse a vista, com contornos de mistério repetido, ironia de um cenário entediante.

Ainda assentado, levantou os olhos. Antes, sozinho, mas a presença se apresentou sem vir, surgida sabe-se de que ponto remoto do espaço-tempo. A contemplação do estranho exigiu que uma mecha do cabelo saísse de sobre os olhos, exprimidos diante da figura bem composta, impressionante até - um corpo longilíneo, que se movia com disposição e exprimia um ar seguro de nobreza e preocupação. A testa larga, olhos que ora se abriam, ora cintilavam de azul cerúleo. Um minuto durou o silêncio entre eles, algo sem estudo ou reticência. Apenas a impressão do contraste.

A primeira frase quebra a rotina de calor. A voz de carnaúba vinda do intruso chega aos ouvidos do caminhante, como uma promessa de regresso ao lar, uma sinfonia rica e delicada. A voz lhe lembrava de sua identidade. Ainda que fosse agradável, era promíscua, ambivalente em suas exigências. Propunha um desafio velado – tornar pedras em pães. Calmo em sua fadiga, o jovem judeu se ergue, como que possuidor de nova energia, saído de algures. Sua resposta iniciava um colóquio sutil e carregado de perigos. Duas forças contrastavam, para além das aparências. E o sol queimava apenas ao viajante que deixara o Jordão na certeza de Sua filiação.

As três dúvidas: Podes fazer de pedras pães? Por que não te atiras e exiges que anjos venham em teu socorro? Abra mão de teu suplício e me reconheças como Teu superior. Havia um quê onírico e cósmico no confronto, ambientado em meio ao deserto, para de repente conduzir-se no imprevisível teto do templo e, enfim, oferecer um panorama esmagador da História, com suas conquistas e prazeres humanos. Quanto durou a viagem? Quem sabe...

Os requícios do duelo ficam entrelaçados em um rosto ainda mais erodido. A cútis sulcada, gelada até, olhos arroxeados e laços. Mal se equilibra, tal o desgaste ao qual o Galileu submetera-Se. Somente na suficiência do Pai pudera equilibrar-Se. A jornada de volta ao Jordão se abria como senda de celeumas. Sua vida estivera sempre em risco e Ele terminaria com ela dali a poucos anos. Disso, nãoduvidava.

Mas agora, anjos descem do Infinio e O acolhem em braços potentes. A Palavra de Deus, que Ele usou para Se defender, é dita nos céus, para servir o Filho sofredor.

LER EM SUPER-MERCADOS



Semanalmente, ao menos, eu necessito fazer compras. Geralmente, frequento com alternância dois super-mercados: um maior, com dezenas de prateleiras, gôndolas e a exibir variedade imensa de produtos. O segundo, mais modesto, apresenta, no entanto, a vantagem de situar-se próximo à minha casa, dando-me a liberdade de fazer uma boa caminhada, se eu assim me dispuser. Em ambos, encontro revistas e livros a granel.

Ler durante as compras é um exercício de anos, prática que me ajuda a manter-me informado, simplesmente ao dar uma furtiva passada de olhos pelos periódicos semanais. Folheio páginas e mais páginas, atento ao que me pareça relevante – em meio à futilidade da mídia, algumas notícias merecem a atenção.

Ontem, levantei-me mais tarde do que o costume e, em virtude do horário, aboli a primeira refeição. Corri ao mercado, digo, ao segundo, aquele que as circunstâncias fizeram estar perto de casa. Assim, daria tempo de comprar certos artigos e retornar, a fim de almoçar mais cedo. Entretanto, vi-me forçado a gastar uns minutinhos com um livro exposto na frente de um dos caixas: era um romance, maçudo (como se dizia antigamente), da autoria do português Lobo Antunes. Enquanto me dirigia aos corredores, abri na primeira página e li para mim as palavras iniciais, sempre intrigantes e caudalosas de Antunes.

Ao abandonar o livro, saciado pela impressão funda daqueles parágrafos, ocorreu-me refletir sobre a diferença produzida por essa leitura e aquela, das revistas. Quase não logrei usufruto do romance, porque Lobo Antunes exige que se leia algumas páginas, para se adequar ao seu estilo, antes de apreciá-lo devidamente – de forma semelhante a um ante-pasto. Em contrapartida, jornais e revistas, grosso modo, são de assimilação mais rápida.

Posso arriscar-me a dizer que jornalistas e escritores expressam afeição pelo mundo de formas peculiares, não opostas, nem de todo complementares: os primeiros amam o mundo exato, objetivo, formado pela cobertura completa, os editoriais racionais, as colunas espirituosas e as reportagens que buscam reconstruir ao máximo a realidade. Já os escritores, amam o mundo retratado, personalizado, intrigante em seus jogos de palavra e suas formulações subjetivas, que não deixam de demandar pesquisa e contato íntimo com a realidade, embora deixem margem à imagética reconstrutiva.

É inconcebível um jornalista que ousasse escrever como Antunes, com seu palavrório pesado, suas frases longas – a pobre alma ganharia um manual de escrita de algum editor contrafeito, que lhe cobrasse mais agilidade. Afinal, ninguém escreve mais com a elegância de Bilac, que, além de poeta (um poeta chato, na maior parte do tempo!), exibia morosidade agradável em suas contribuições para os jornais. O que hoje se exige de um redator? Linguagem condensada, enxuta e precisa.

Estou certo de que muitos escritores não se arriscam a enveredar pela imprensa porque se sentiriam castrados, sem a liberdade de escrever sem limites de caracteres ou com a responsabilidade de informar em poucas linhas sobre determinado fato. O escritor não quer escrever pouco, justamente porque o escrever muito parece indicar fôlego, audácia e inventividade (nem sempre a premissa é verdadeira). A maior parte dos escritores também é por demais aborrecida com a trivialidade do cotidiano, e, quanto a isso, há uma longa lista de nomes que poderíamos usar para justiçar-nos – Kafka, por exemplo, era indiferente à vida familiar, ou a qualquer coisa que lhe ocupasse o tempo em que poderia produzir literatura. O próprio José Saramago, polêmico autor do romance Caim e desafeto de Lobo Antunes, seu conterrâneo, desmerece a própria existência, dizendo que o homem é indigno dela (a declaração, dada a jornalistas da Folha, arrancou do blogueiro Reinaldo de Azevedo a conclusão de que, ou Saramago não se considerava humano, ou que deveria, pelo menos, ser coerente e cometer suicídio!).

Embora flertasse recentemente com o cotidiano, em seu blog O caderno de Saramago, o Nobel do além-mar logo se cansou de postar, abrindo mão da iniciativa em prol de outros projetos. Curiosamente, Saramago elogiou em uma de suas últimas postagens dois escritores contemporâneos que são, simultaneamente, jornalistas.
Seja como for, da próxima vez que for fazer compras, priorizarei revistas e jornais – livros lerei em casa, deitado em meu sofá.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

COMUNICADO DE CONFIANÇA


Amigo leitor,

Há 2 anos, o Questão de Confiança (QC) costuma ser alvo de meus melhores esforços. Acontece que, em busca da excelência, resolvi fazer uma pausa. Isto porque meu ritmo de trabalho ministerial já é extenso. Sendo assim, o QC ficará sem atualização até o dia 16/11, quando voltará com novidades. Aproveitando esta parada, terei tempo de reoganizar as ideias e partir para uma nova proposta de edição on-line para o QC. Então, até dia 16!

Atenciosamente,

d.

SEM BILHETES GARANTIDOS, MAS MUITA ATITUDE

"Se quer realizar seus sonhos, tem de trabalhar realmente duro. Não tem bilhete garantido para o sucesso. Algumas vezes você cai, e eu caí muito. Mas, então, é preciso lembrar das palavras de Muhammad Ali (o campeão de boxe): 'Ser um campeão não é sobre o que se faz quando se está no topo; é sobre o que você faz quando é nocauteado.'"

Declaração da tenista Serena Williams, fiel Testemunha de Jeová, durante uma entrevista ao The Times. Serena destacou, ao longo da entrevista, a importância da religião em sua vida, afirmando que ela lhe trazia "equilíbrio e perspectiva." Fonte: Uol

SOBRE A PERDA DE DIGNIDADE DE UMA UNIVERSITÁRIA

Um caso polêmico ganhou destaque na imprensa: uma universitária envolveu-se em um tumulto dentro de seu próprio campus, devido ao comprimento de sua roupa. A aluna do 1° ano de turismo da Uniban (em São Bernardo do Campo, SP) foi para a aula com uma roupa curta, conforme admitiu ser o seu costume. A moça se viu, então, cercada por alunos de outras turmas, os quais chegaram a tentar invadir a sala em que ela se chamava (e no transcurso da aula). Os gritos e impropérios proferidos não terminaram nem com a intervenção dos seguranças da universidade. A própria polícia teve de ir ao local. A primeiroanista foi fotografada e vídeos do episódio caíram na internet (mas foram retirados do site em que estavam, por solicitação da Uniban).

A universidade instalou sindicância para ouvir os envolvidos - alunos, professores, funcionários e a própria moça, que não quis se identificar. Ainda assustada, a estudante não pretende deixar o curso, apesar das humilhações que sofreu. "Perdi a dignidade", resumiu ela, ainda bastante atônita por tudo que se passou.

O episódio, além de trágico, é complexo. Seria apenas outro caso de violência em um dos muitos campi do país? Trata-se de outro exemplo de violência contra a mulher? A discriminação infringiu o direito constitucional de expressão? A jovem em questão é culpada por ter provocado o tumulto?

Vários aspectos têm de ser considerados. Acredito que nada justifica a reação violenta e exagerada por parte da massa de universitários. O que mais me assobra: sem a presença de seguranças, o que teria acontecido? Será que aqueles jovens, privilegiados por ocupar os bancos do saber, seriam amorais, a ponto de abusar coletivamente da moça? De fato, o pior poderia ter ocorrido...

E quanto à moça? Penso que a maneira como nos vestimos reflete nossa cultura, valores e preferências. Conscientemente ou não, passamos uma imagem pela maneira como nos trajamos, e somos responsáveis pela forma como seremos encarados pelo olhar de outrem. Consultores de moda sabem muito bem desta realidade. Não quero, com isto, insinuar que a moça deveria ser culpada pela selvageria que seus colegas manifestaram. Mas, talvez, uma forma mais discreta e prudente de se vestir evitaria (em maior ou menor grau) a humilhação que ela sofreu; tenho certeza de que, se ela previsse os resultados, ficaria mais tempo diante de seu guarda-roupa escolhendo com que roupa sairia.

Esta questão do assédio em nossa época é melindrosa, porque afeta homens e mulheres. Em grande parte, a ênfase que se vem dando à aparência, como um valor em si mesma, e a erotização da cultura, permitem que violências sexuais de toda sorte repercurtam aqui e ali. Não vejo que somente aquele jovem tenha perdido a sua dignidade - e digo-o não para minimizar os seus sentimentos doloridos, mas para apontar uma gradativa perda de princípios morais em uma sociedade que permite que histórias como esta, ocorrida no seio dos bem-nascidos e letrados, continuem proliferando.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

AMOR VIRTUAL (OU: O QUE PASSA PELA CABEÇA DOS JAPONESES?)

Candidatas a namorada virtual: meninas, não me levem a mal, mas não troco minha esposa de carne e osso por nada!

Faz tempo que mostrei para alguns alunos meu post sobre um homem (japonês - de onde mais seria?!) que namorava uma fronha de travesseiro. Mas não só com personagens dos travesseiros os japoneses vêm se relacionando. Eles são ainda mais (estranhamente) criativos do que isso!

Li hoje em um
blog sobre o jogo Love Plus. O objetivo é conquistar uma namorada virtual. É bem simples: na primeira fase, você conquista uma das três moças - Nene, Manaka ou Rinko -, cada qual detentora de personalidade peculiar. Depois, o jogador dá carinho (a tela é sensível ao toque), atenção e faz coisas pela amada, o que lhe garante pontos. Funciona como em um namoro real, mas é virtual, sabe?

Eu queria saber qual a graça de trocar uma mulher de verdade por uma réplica com cara de animê! E, por incrível que pareça, não é que as japonesas se queixam de que homem no Japão está em falta - isso porque os "barbados" estão mais ocupados em se relacionar com suas parceiras virtuais?

Uma boa sugestão para estudantes de Psiquiatria: uma análise da psiquê nipônica, com ênfase na dificuldade deles com relacionamentos naturais e sadios!


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DÚVIDA: BENEFÍCIO PÓS-MODERNO

Em nossa época, olha-se com desconfiança para quem possua qualquer tipo de certeza. A honra cabe àqueles que apresentem suas dúvidas, em relação a qualquer área. Todo o tipo de conspiradores tem surgido, e explicar a realidade tendo por base uma rede de verdades fictícias é tema recorrente de filmes, reportagens e livros – assim, a ficção desforra-se da realidade, lançando sobre ela suas próprias atribuições. A melhor certeza, apontam os conspiradores, é desconhecer as certezas e duvidar de todas elas. Vale, entretanto, a ressalva: os conspiradores geralmente são interlocutores de um monólogo acrítico, resguardando suas teorias das dúvidas que lançam contra tudo mais.

Passo a desenvolver melhor a ressalva apresentada: supondo que um conspirador apresente a teoria A, em geral, a validade de seus argumentos será proporcional ao clima de dúvida que lançará contra ideias e parâmetros bem aceitos. Ocorre, na maioria das empreitadas do gênero, que todo tipo de evidências casuais e pálidas são tecidas por duvidosa linha argumentativa, a qual se respalda na crítica pela crítica, na dúvida pela dúvida – como se apenas a não aceitação de uma determinada convenção já fosse algo inerentemente meritório!

Os conspiradores e seus pares evocam uma suposta coragem ao duvidar. Mas seria toda dúvida um ato inequívoco de coragem? Se meu prédio pegasse fogo, e eu saísse gritando pelos corredores, na tentativa de alertar meus vizinhos, imagine que um deles (digamos, o que mora no apartamento 105), me dissesse que duvida da realidade de um incêndio (ainda que a fumaça negra se avolumasse e o odor de fuligem se intensificasse) seria tal morador um homem corajoso? Em verdade, diríamos ser ele um louco, um acomodado ou um desatento, mas em nenhum destes adjetivos se vislumbraria algo semelhante à verdadeira coragem.

Mas a dúvida pode estar ligada a uma atitude efetivamente corajosa? É claro. Vamos inverter a situação do exemplo anterior. Imagine se o vizinho que ocupa o apartamento 105 saísse, desconfiado com a possibilidade de incêndio, e eu, por qualquer razão superficial (talvez, nesse caso, eu agisse de forma louca, acomodada e desatenta), lhe dissesse não haver nada, e mesmo assim, ele se insurgisse contra a minha opinião e averiguasse por si mesmo, confirmando a presença das chamas no prédio?

Ou ainda: se eu fosse o síndico, e quisesse manter as aparências, acobertando um incêndio (talvez julgando que os bombeiros estivessem a caminho e pudessem contornar o problema sem pânico), o morador do 105 não seria corajoso ao me enfrentar e divulgar uma informação vital aos demais condôminos?

Qual a diferença, então, nos exemplos mencionados? A dúvida válida acompanha uma certeza, a qual pode ser confrontada dentro da mesma lógica que o objeto do qual duvido. Infelizmente, a maioria dos conspiradores duvida de coisas, e se justificam apenas por duvidar, isentando-se de confrontar suas certezas e suas dúvidas dentro de um mesmo ambiente lógico.

Não creio que a dúvida per si tenha alguma serventia. Serve mais como estratégia de marketing (muitas vezes, pessoal) do que algo que se leve a sério. A dúvida constitui um benefício quando acompanhada de uma certeza, não quando se sustenta na capacidade imaginativa de um conspirador, que a põe na frente de outra dúvida, e de outra, e mais outra, como quem usa um cheque sem fundos para cobrir outro, e o faz indefinidamente. Afinal, uma vida calcada em dúvidas não me soa razoável. Disto, não tenho dúvidas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CONSOLO VINDO DO MAR



As mãos se mexem tão frágeis, tão pequenas
E o berço é sua pesquisa, seu brinquedo.
Ao requebrar-se nas rochas mais morenas,
O mar lhe imita o vagido fino,
Num bem entoado e firme hino
Tão belo como o seu, como o seu tão ledo.

Seus olhos tentam a tudo ver atentos
E concentrados se soltam em viagens.
Vaga o violento rugido destes ventos;
Vão inquietos, fazendo frente
Ao movimento da mente,
Da mente dele, perdida atrás de imagens.

Móbiles são curiosos, são mistérios;
Almejaria entender as suas rotas.
Nos faróis, raios, trovões já rugem sérios.
Resplendem móbiles sob a luz.
Um barco a sós se conduz
Por meio de ínvias estradas más e ignotas.

Resmunga agora e, inquieto, chora e vage,
Nas sombras frias da casa oculta aos olhos.
A chuva dança fremente sob a laje.
O marinheiro cansado ancora.
E crê que só o mar chora
Ao retirar da jangada os seus espólios.

Desesperada a criança então desfaz-se
No mais convulso e profuso choro triste.
Dos degraus feitos com pedras volve a face
O marinheiro que leva o fardo.
Ao longe avista o tom pardo
Da casa, esta o único gozo seu que existe.

Rubra a criança nervosa ainda grita,
Chacoalhando o bercinho seu de palha.
Ao vento ondeia somente a frágil fita
Que ao lar demarca. O homem abre a porta.
Entra. Ao entrar, à luz torta,
O odor do mar na cabana logo espalha.

Escuta então o bebê pedindo ajuda;
Corre e procura um luzeiro. Ao quarto vai.
Tem o pequeno ser quem assim lhe acuda.
Com canções vindas do mar, acalma
O filho posto na palma,
Que reconhece feliz o próprio pai.

PATTINSON: É ESTRANHO GOSTAREM DE VAMPIROS


"Descobri que existe uma subcultura de pessoas que gostam de qualquer livro ou filme sobre vampiros, independente de como eles sejam retratados. Eu acho isso estranho." Robert Pattinson, ator que interpreta o personagem Edward Cullen no filme Crepúsculo, em entrevista ao Daily Telegraph. fonte: Veja.com


Leia mais sobre a série Crepúsculo

APOSENTANDO OS MÍSSEIS


O cheiro de pólvora. O impacto dos estampidos. Cadáveres se avolumando, servindo de escudo para os soldados que rastejam. A morte a cada olhada. E a todo instante o pensamento que mobiliza: “Viverei para retornar ao lar?”

Guerras. Elas se confundem com a própria existência da maldade. “Houve guerra no céu”, afirma o Apocalipse (12:7). Desde então, a guerra não parou mais. Pedras e lanças. Arco e fecha. Tochas e fuzis. Canhões e mísseis. Obuses e abusos. Guerras na selva, na cidade, entre tribos e etnias, povoados e nações. Guerras pela independência e conquista. Pelo nacionalismo e contra ele. Guerras que mutilam, traumatizam e amedrontam. Sutis e violentas. Civis e militares. Todas as guerras estão hediondamente enraizadas no mesmo músculo da decisão: o coração humano.

O livro de Daniel também se inicia num contexto bélico. Os hebreus são arrastados de suas habitações para a terra do invasor. Seu templo é dizimado, abrindo uma ferida que, por décadas, permaneceu aberta. Jovens cativos como Daniel tiveram que sobreviver. Muitos o fizeram à custa da própria fé. Daniel e seus companheiros sobreviveram pela fé.

Em algum momento do livro, as visões anunciam que as disputas entre reinos se seguiram até o fim da História. Daniel viveu o bastante para acompanhar parte do processo. Ele já era idoso quando Babilônia caiu sem muito esforço. A Medo-Pérsia superou o reino de Belsazar apenas pelo uso da estratégia (Dn 5).

O livro de Daniel avança. Somos, então, colocados diante de um cenário de guerra que envolve os últimos acontecimentos no planeta. Em Daniel 11, estamos diante de um texto que desafia intérpretes e levanta muitas possibilidades. A linguagem, ao contrário daquela usada em outras profecias, é bem literal (embora não seja explícita, sendo necessário recorrer constantemente à História para entender de que trata o profeta).

Diversos personagens históricos desfilam pelo texto, a começar por Alexandre, o Grande (“rei poderoso”, v. 3, 4); os demais generais (Ptolomeu, Seleuco, Cassandro e Lisímaco) que dividiram o império de Alexandre, após a morte do líder, constituem dinastias em constante disputa (o “rei do sul”, Ptolomeu, e o “rei do norte”, Seleuco, juntamente com seus descendentes, são mencionados em todo o capítulo).

Em meio a tantos conflitos, a Grécia cai, dando lugar a um novo poder, associado com a “violência” (v.14). Um “homem vil” aos poucos se imporia sobre os gregos. Temos nesse contexto a ascensão de Roma; primeiro se enfoca Roma pagã (v. 21-23). Em seguida, a atenção é voltada para Roma papal (v. 31-45), cuja ação contra o povo de Deus, o engano e exaltação própria recordam o que está no capítulo 7 de Daniel. Principalmente a idolatria medieval (v. 36-39) e a perseguição religiosa (v. 33, 35, 41) são destacadas. Assustador, não é?

Da perseguição na Idade Média a profecia se volta para o fim dos tempos, caracterizado como “um tempo de angústia, qual nunca houve” (Dn 12:1; cf. Mt 24:21). Mas, quando tudo indica que os fiéis estarão perdidos, surge Miguel (Jesus), aquele que foi chamado de “filho do homem” no capítulo 7 (v. 13). O Juízo está terminado e garantida a ressurreição daqueles que se mantiveram ao lado do Mestre (Dn 12:2).

No juízo concretizado no segundo advento, Deus deixará claro que faz diferença entre bons e maus – os justos brilharão, vivendo num mundo sem guerra (v. 3; ver também Ap 21:4). O livro de Daniel termina com uma nota tônica de esperança! Aqueles que, por séculos, lutaram pela justiça neste mundo, poderão voltar para seu lar eterno, junto de Deus e Seus anjos! Maravilhosa recompensa!

O Rei salvará Seu povo, durante aquela que será a última guerra. De que lado você estará? Você tem pensado nisso, ou a acomodação com valores não-cristãos faz com que você evite meditar no fim? Já é hora de empunhar as armas da Verdade e se dispor ao combate, como soldado habilitado. É hora de aguardar o livramento, enquanto o perigo ainda se desenha no horizonte. É tempo de amar, servir, doar-se e estar em comunhão. Miguel, o Príncipe Guerreiro, já desembainha Sua espada. Logo Ele estará aqui para socorrer Seus súditos perseguidos pelas trevas. Ele acabará com todas as guerras e fará do mundo o quintal de Seu palácio. Atreva-se a viver ousadamente para enfrentar o mal, em nome de Jesus. Continue leal – fiel num mundo em crise –, como viveu o próprio Daniel.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

QUE CIDADE MERECE ESTE CIDADÃO?

Sorocaba - O fundador da Igreja Renascer, apóstolo Estevam Hernandes Filho, que esteve preso nos Estados Unidos por conspiração e contrabando de dinheiro, foi agraciado com o título de Cidadão Sorocabano. A solenidade foi transferida da Câmara para a sede local da igreja, no centro da cidade. De acordo com sua assessoria, ele compareceria acompanhado da mulher, a bispa Sônia Hernandes, que também ficou detida nos Estados Unidos.

A concessão do título, aprovada pelos vereadores, causou polêmica. No Brasil, o líder da Renascer responde a inquéritos por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato. O líder do PT na Câmara, vereador Francisco França, tentou barrar a concessão. Em nota, ele afirmou que a honraria a uma pessoa envolvida em acusações graves denigre a imagem da cidade.

O autor da proposta, vereador Carlos Cezar da Silva (PSC) disse que a concessão do título foi aprovada em 2006, antes de se tornarem públicas as acusações contra o fundador da Renascer. Silva, que é pastor da Igreja Quadrangular, argumentou que a igreja dirigida por Hernandes Filho atua na cidade há mais de 20 anos e mantém a casa Lar Abrigo, que atende crianças desamparadas.

Sobre as acusações que pesam sobre o apóstolo, ele disse que não cabe aos vereadores fazer julgamento. "Quem julga é a justiça". Em janeiro de 2007, Estevam e sua mulher foram presos quando entravam nos Estados Unidos com US$ 56 mil. Eles haviam declarado não portarem mais que os US$ 10 mil fixados por lei, mas o dinheiro extra foi encontrado escondido dentro de uma bíblia. Condenados, eles cumpriram 140 dias de prisão em regime fechado, seguidos de cinco meses em prisão domiciliar.



Se andam aceitando qualquer tipo de cidadão por aí, resta-nos lembrar de que, na cidade de Deus, apenas entrarão os que cumprirem os requisitos (Sl 15).

NÃO DEIXE SUA VIDA GIRAR EM TORNO DE UMA COISA SÓ


A vida é feita de muitas facetas diferentes: trabalho, família, amigos, escola, sonhos, relacionamento amoroso, esportes, saúde, beleza, artes, música, filhos...

É importante não se concentrar excessivamente em um só aspecto da vida, para que se possa ter prazer em outros, mesmo quando um lado não vai bem. A obsessão por alguma coisa nos torna incapazes de usufruir outras e nos faz perder muitas oportunidades de beleza e alegria.

Você investiria todo o seu dinheiro em ações de uma só companhia? É claro que não. Qualquer especialista que você consultasse lhe diria para diversificar seus investimentos. Porque, se aquela empresa falir, todas as suas economias irão junto.

O mesmo se aplica à vida: é importante diversificar as esperanças, os interesses, os gostos, os amigos.

A pessoa que se concentra num único objetivo perde todas as outras oportunidades de alegria e corre um risco enorme de se ver absolutamente arrasada e infeliz se não atingir aquela meta.

Há pessoas que se concentram somente no sucesso da carreira profissional e, quando ele demora a acontecer ou não vem como esperado, se frustram e se deprimem. Esquecem os bons momentos em família e entre amigos, e dos sucessos alcançados em outras áreas. É preciso reorganizar os valores.

Outros abandonam o relacionamento com a família e os amigos em prol do relacionamento amoroso. Se distanciam e vivem só para o novo amor, até que ele desaparece e a pessoa tem que reconstruir a vida novamente.

Há aqueles que se dedicam somente à família, ou somente aos amigos, e esquecem-se de buscar a excelência na carreira e na área intelectual e na saúde.

Construa suas esperanças em torno de várias coisas importantes para você, cultive muitos gostos e amigos: sua vida ficará mais rica e você se tornará uma pessoa menos vulnerável, mais interessante e feliz.

Rejane Godinho


Outra Leitura

terça-feira, 20 de outubro de 2009

VINDE A MIM, TODOS OS ANGLICANOS

Levada: porta-voz da acolhedora Sé de Roma

Não que a Igreja Anglicana fosse autenticamente protestante. Seus humores oscilaram entre um catolicismo estatal e uma fé reformada com maior moderação (Dawkins, anglicano na infância, disse que o Anglicanismo se trata de um Cristianismo mais civilizado). Mas agora é sério: com a decisão do Vaticano de aceitar em condições especiais anglicanos conversos, boa parte desses cristãos poderão se tornar católicos a partir de agora.

O site Zenit fez as honras,
divulgando as resoluções do papado. O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Joseph Levada, explicou que até mesmo padres anglicanos, que são casados, poderão mudar de denominação, permanecerem padres e manter o matrimônio. Tornar-se um católico parece boa pedida para a maioria dos membros da igreja fundada por Henrique VIII, levando em conta decepções recentes: com a aprovação do clérigo homossexual, muitos anglicanos abandonaram a denominação.

Trata-se de mais uma iniciativa do ecumenismo de Roma, que vem crescendo em número de ações efetivas e surpreendentes. No caso da nova empreitada, os ex-anglicanos poderão manter até resquícios de sua própria tradição. O que vale é que se ponham sob a tutela da acolhedora Sé. Quantos mais não aceitarão este convite no fim dos tempos?

Leia também:

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

BANQUETE DO REINO


A porta aberta desdobrava aos olhos temerosos uma sala empobrecida pela pouca luz Eles entraram Desconfiança era a palavra O fato era que Como animais surpreendidos por arapucas e depois soltos em viveiros Seus olhos lutavam para coibir o desconforto Mas em vão Havia um objeto que trazia particular incômodo Uma bacia Lá estava Velha Perdida na penumbra E Todavia Iluminada pelo senso de um dever inevitável Embora humilhante Razão de evasivas por parte do grupo mal-acomodado A quilométrica tensão afogava os homens Com sua sandálias secas Qual deles se arriscaria Todos pensavam na bacia enquanto se entreolhavam Na esperança de que alguém se dispusesse E Ao mesmo tempo Temendo interiormente uma convocação para o serviço O tempo estava acorrentado pela ansiedade de seus corações Por isso Andava mais devagar Para a surpresa de todos O mais digno dirige-Se da porta De onde os fitava em conflito Em direção à bacia Amarrando um pano surrado Conquanto limpo Na própria cintura Que contraste Aquele a quem chamavam justamente de Mestre assumia um papel serviçal Sentiam-se tolos Pensando ainda em manter-se no controle da situação Intencionavam secretamente Cada qual Oferecer-se-Lhe para tomar o lugar Assim impediriam a humilhação do Senhor Além de conquistarem Sua confiança Outra vez hesitaram Concluindo que Ele saberia ver a diferença entre a abnegação legítima e a impostura Lentamente Ele se reclinava Deitando na água fria os pés de Seus companheiros Seu coração se dilatava Pois a muito quis demonstrar-lhes um amor direto Um exemplo espontâneo da didática afetiva As mãos que serviam eram as asas para aqueles pés guerreiros E Sem dúvida Sepultavam delicadamente as deformidades do orgulho que cultivaram por política ao longo dos três anos O tempo outra vez se congelava E eles ouviam as arcadas de alguma música superior às cantilenas que os acompanhava nas sinagogas desde suas infâncias Surpreendidos Não Estavam tocados Isto sim Tocados pela singeleza de um gesto mais desprendido do que mães seriam capazes de fazer em nome de filhos muito queridos Senhor Não poderei permitir que chegues ao ponto de me lavares os pés Erguia-se a voz Assombrada pelo ato maior Mal compreendendo a vitalidade do ofício Tenho de faze-lo Irmão Para que tenhas participação íntima no meu ciclo de amigos E ninguém ousou outra tentativa de protesto Quase às lágrimas Doze homens foram dizimados Restanto de suas ambições a constatação de que eram falhos demais para estar à sombra da Pureza O silêncio ainda E já estavam à mesa reclinados solenemente Esquecendo-se tão rápido quanto a humanidade lhes concedia que se esquecessem da dávida Logo O pão partido O cálice abençoado Os símbolos desfilando séculos antes de serem pervertidos pela eucaristia Ou deformados por uma blasfêmia chamada transubstanciação O sacramento original O simbolismo simples do Corpo e do Sangue Apresentado aos homens que mais deveriam ser capazes de aquilatar a imensurabilidade do que era representado Deveriam ser capazes Apenas deveriam Afinal Falharam em compreender que a humildade precede a comunhão Não aceitaram que Para apreciar o serviço que Deus nos prestou temos de cultivar a disposição de servir A bacia continuou em seu canto Lá estava Velha Perdida na penumbra Essa apenas do cenáculo

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

PAZ DE CRISTO X PAZ DO MUNDO


Você certamente já ouviu falar do Prêmio Nobel da Paz, certo? É um reconhecimento concedido a personalidades que contribuíram de maneira notória para uma maior ou melhor ação pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz. Este é, pelo menos, o conceito reforçado pelo idealizador do prêmio, curiosamente o inventor do dinamite, o sueco Alfred Nobel. Causou espanto para muitos observadores deste prêmio em todo o mundo a recente indicação do presidente norte-americano Barack Obama para receber a distinção.

É curioso mesmo, já que o prazo final para indicação do prêmio ocorreu em fevereiro, quando Obama estava há apenas 12 dias na presidência dos Estados Unidos da América. Além disso, só para efeitos de exemplo, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, que ficou notoriamente conhecido por se envolver em causas humanitárias e a favor dos direitos humanos durante todo seu mandato, só recebeu o Nobel da Paz quase 20 anos depois de estar à frente do poder.

Toda essa pressa, em relação à laureação do presidente Obama, pode nos fazer pensar que o conceito de paz, para os organismos mundiais, para os países ricos, para os grandes e influentes governos, talvez para as pessoas em geral, não seja exatamente o conceito bíblico. Mas o que é promover a paz para Deus? Que aspectos estão ligados a essa pequena palavra de apenas três letras?

Em primeiro lugar, a Bíblia esclarece que só há paz verdadeira, na vida do ser humano, se ele estiver ligado a Deus, ao Senhor. Em Salmos 4:8, é afirmado que “em paz me deitarei e dormirei, pois só tu, ó Senhor, me fazes habitar em segurança”. Neste verso, é possível entender que não há uma paz produzida individualmente através de ações políticas, quem sabe de ordem diplomática, mas a paz tem relação direta com a presença de Deus no cotidiano das pessoas, com essa aproximação entre o Criador e a criatura.

Dentro desta mesma linha de raciocínio, Jesus amplia a ideia e afirma que “deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou, como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. (João 14:27). A paz oferecida por Cristo às pessoas neste mundo, tanto enquanto aqui esteve presente, quanto agora quando intercede por nós (I Timóteo 2:5), é uma paz diferenciada. E Ele mesmo diz que é uma diferença referente ao que o mundo oferece. E aqui a expressão mundo se refere à opinião geral, ao consenso da maioria que nem sempre é o melhor. Ou seja, a paz do mundo não é a de Deus. Não são iguais em essência.

Mas Cristo foi mais além e disse, conforme João 16:33, que “disse-vos estas coisas para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo”. Novamente, a paz está intimamente ligada a Cristo, a Deus, e surge outro aspecto importante. A paz não é necessariamente a ausência de conflitos, de problemas, de dissabores, de guerras internas ou externas. É a capacidade de enfrentá-las, de mostrar ânimo mesmo frente a vicissitudes, a percalços e situações de crise. Obviamente quem dá o suporte nestes momentos é Deus a quem as pessoas se apegam e obtêm realmente paz.

Cada vez que vejo uma notícia sobre acordos de paz no Oriente Médio, em países envoltos em guerrilhas étnicas, decisões mundiais para combate ao terrorismo, enfim, toda a movimentação planetária em torno do assunto, não consigo enxergar soluções eficazes nisso. Afinal de contas, o planeta continua mais violento do que nunca, imoral, sem regras, sem limites, preocupado em ter e não em ser.

E, então, a paz de Deus figura como algo realmente inovador. Não é uma paz proclamada em reuniões a portas fechadas em algum escritório de um chefe de Estado engravatado. É uma paz disponível 24 horas por dia para quem desejar tê-la, viver com ela e transmiti-la aos que estão ao redor. Não é uma paz por atacado, em que subitamente nações inteiras passam a dar as mãos como se fossem antigos amigos somente porque um pedaço de papel assinala isso. É uma paz que cada pessoa pode sentir individualmente em sua experiência própria com Deus, ainda que sofra doenças, perseguições, injustiças, difamações. É a possibilidade real de agradecer ao Senhor por tudo apesar de tudo não ser exatamente como gostaríamos que fosse. Não é inexistência de guerras, mas é força para sobreviver às guerras.

O apóstolo Paulo resume esse aspecto, ao dizer que “e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus”. (Filipenses 4:7). A paz de Deus supera a compreensão humana. Produz mudanças, só que mudanças individuais, provavelmente não globais como alguns podem supor. Mas é muito mais eficaz. A paz que alguém sente proveniente de Deus é capaz de fazer a diferença total no seu ambiente de trabalho, na sua família, entre os amigos, entre as pessoas que a rodeiam. É uma multiplicação silenciosa, sem o alarde da pompa de uma entrega do prêmio Nobel, mas cujos efeitos são duradouros e sólidos. Essa paz não se resume a um prêmio dado por homens. É fruto de um prêmio maior que Deus espera dar aos que se mantêm fiéis a Ele durante a eternidade.
Felipe Lemos, jornalista, blogueiro e twitteiro.

leia também: Obama e o Nobel

OÙ UN COEUR FROIDE RECHERCHE POUVOIR


Um medo abala a espinha e abala o gesto,
Turvando o olhar, turvando a experiência
E a lividez arcana da indolência
Desanima a ambição de um ar modesto.

Resta algo em mim e, dentro deste resto,
O choro fez singela resistência
A toda forma de conveniência;
E o fulgor da alegria é um fulgor lesto.

O único Benefício e paz sentida,
Em se tratando da época de pranto,
Minha alma encontra em um Salvador Santo.

Na Sua singeleza arde um encanto,
Porque a paz, uma vez que é recebida,
Em bênçãos se traduz por toda a vida.

A ETERNIDADE E NOSSA IDENTIDADE HUMANA

“A consciência da eternidade (deveríamos dizer a crença nela) pode mesmo ser considerada um dos traços mais definidores da humanidade.”

Zigmunt Bauman, Vidas desperdiçadas (Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor, 2004), p. 124-125.

PONTO PARA A CINEMATOGRAFIA EVANGÉLICA



Há algum tempo, bons filmes são produzidos pela Sherwood Pictures; a produtora evangélica lançou por aqui Desafiando Gigantes, A virada, À prova de fogo e O fazendeiro de Deus. Mas, para além dos (bons) feitos da produtora, outras estão despontando no mercado hollywoodiano.

Acabei de assistir o emocionante Ponto de decisão (Sony Pictures, 2009, com direção de Bill Duke). O longa conta a história de Dave Johnson (Morris Chestnut) e Clarice Clark (Taraji P. Henson), que lutam para manter seu casamento. Durante a cerimônia, o bispo lhes incitou a manter o cordão de três dobras - ou seja, a presença de Deus como um elo de ligação entre os cônjuges.

Para quem está acostumado aos filmes da Sherwood, roteirizados, dirigidos e encenados pelos irmãos Kendrick, sentirá a diferença de cara: Ponto de decisão enfatiza a religião, mas de forma mais discreta e retrata os relacionamentos humanos com mais nuanças em relação aos outros filmes cristãos (que apresentam, em geral, um final feliz globalizado).

Ao término, o expectador fica com a impressão de que, se a fé não cura todas as feridas, nos dá forças para tomar as decisões corretas (mediante algum sacrifício) e recomeçar. Boa pedida para assistir em família, principalmente para quem gostou de À prova de fogo (brinquei com minha esposa que esta é a versão black power daquele sucesso). Está recomedado!

A TOLERÂNCIA


Modernamente, se entende tolerância como aceitar qualquer posicionamento político, religioso ou moral como de igual valia. Isso não somente fere a lógica (que não pode admitir que duas argumentações opostas entre si sejam igualmente verdadeiras), como se revela nocivo. Dando mesmo peso a todas às posturas, qual a base para criticar o racismo, o preconceito, e as posturas dogmáticas, que se impõem sem permitir questionamento?

Por outro lado, há natural parcialidade na tolerância em sua versão pós-moderna. Pense neste exemplo: os homossexuais reivindicam seus direitos, enquanto acusam os que não concordam com eles de ferirem os direitos humanos. Um ponto de equilíbrio é não concordar com os princípios que firam referenciais éticos e a lógica, ainda que não se discrimine indivíduos. Isto é tolerância no sentido tradicional do termo. Afinal, ninguém tolera a tolerância relativista que assistimos tomar conta do Ocidente em nosso tempo.

A FERA ESTÁ SOLTA!


Um turista que visitava uma área da Grande Muralha da China perto da capital, Pequim, foi morto por um tigre siberiano quando buscava um atalho em um parque para animais.

O visitante, um chinês identificado pela imprensa local como Guo, e seus dois acompanhantes, decidiram poupar tempo descendo da muralha sem saber que a área onde haviam entrado era parte do cercado de um tigre no Badaling Wildlife World.

Um funcionário do parque, identificado como Wang, disse ao jornal China Daily que o animal avançou sobre Guo, derrubando-o, e agarrou sua garganta.

O turista morreu na hora.

Segundo Wang, um outro funcionário que viu o ataque entrou em seu jipe e avançou em direção ao tigre para afugentar o animal, enquanto os dois acompanhantes de Guo fugiam escalando uma cerca.

"Os homens ignoraram todas as placas de alerta e pularam para dentro da cerca de proteção", disse Wang, de acordo com o China Daily.

Os acompanhantes do turista morto disseram à polícia que viram placas em volta do cercado alertando para animais selvagens, mas não acreditaram na advertência porque não viram bicho nenhum, informou o jornal chinês Beijing Times.

A notícia acima, publicada no site da BBC Brasil [1], nos leva a fazer sérias considerações no campo espiritual. Da mesma forma que estes imprudentes [loucos, mesmo!!!] turistas chineses, muitas pessoas estão, hoje, brincando com o pecado – sem levar em conta os riscos sempre presentes de destruição da saúde, declínio moral e espiritual, destruição e, finalmente, morte eterna.


Vivo e ativo, mais do que nunca!

Ao descrever a rebelião no Céu, origem do pecado, que culminou com a expulsão de Satanás e seus cúmplices amotinados (Apocalipse 12:7-9), a Bíblia, ao mesmo tempo que emite uma nota de louvor e alegria pela vitória das hostes celestes, apresenta-nos uma mensagem de pesar e alerta: “[...] Por isso, festejai, ó céus, e vós, os que neles habitais. Ai da terra e do mar, pois o Diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Apocalipse 12:12).

Sim, a fera está solta! Sabendo que está com os dias contados (“... pouco tempo lhe resta...”), o inimigo das nossas almas está, mais do que nunca, trabalhando em tempo integral com vistas a causar a destruição final do maior número possível de pessoas.

Satanás está vivo e ativo no planeta Terra, como diz o título de um antigo livro de Hal Lindsey. Ele está por trás de todas as violências, ataques de ladrões e saqueadores e mortes em festas e grandes ajuntamentos de pessoas (Jó 1:13-15); está por trás dos tsunamis, das erupções vulcânicas e outras destruições causadas pela Natureza em seu descontrole (Jó 1:16), como, também, está por trás das guerras (Jó 1:17) e dos furacões, vendavais, enchentes e tornados (Jó 1:18-19) que têm causado tanto pânico, mortes e destruição.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CURIOSIDADES SOBRE A GUARDA DO SÁBADO APÓS O PERÍODO APOSTÓLICO

Calvino: para ele, o sábado era um descanso espiritual

Correntemente, muitos cristãos protestantes e evangélicos são da opinião de que o sábado foi superado no período neo-testamentário. Os adventistas do sétimo dia recorrem a textos bíblicos para mostrar que (A) Jesus não veio abolir a lei moral (Mt. 5:17-19; 19:16-19; 24:20), (B) os apóstolos mantiveram a observância aos mandamentos (Rm. 3:31; 7:7,12, 14; Tg. 1:25; 2:10-12) e (C) o sábado continuou como marco da verdadeira adoração, tanto de uma perspectiva histórica da comunidade do I século (Lc. 23:53-56; At. 13:14, 42, 44; 16:13; 17:2; 18:4,11), quanto de uma perspectiva escatológica (Ap. 1:10; 14:7 – cf.: Ex. 20:11; Is. 66:23). Ainda assim, alguns indagam: o que aconteceu com o sábado nos séculos subsequentes à era dos primeiros cristãos? Teria esta verdade ficado escondida até o surgimento da Igreja Adventista?

Devido à limitação de espaço, este artigo apresentará brevemente uma retrospectiva sobre a preservação do sábado até a época da Reforma. Para isso, retomaremos alguns dos dados coligidos por J.N.Andrews em seu trabalho clássico sobre o assunto, History of Sabbath and First Day of Week[1], originalmente publicado em 1873. Para tornar o trabalho mais compreensível, nos valeremos da seguinte abordagem: (I) O sábado nos escritos dos chamados pais da igreja; (II) O sábado durante a Idade Média; (III) Por último, focalizaremos posição dos reformadores sobre o quarto mandamento.

(I) O sábado nos escritos dos pais da igreja

Os líderes cristãos que vieram após o período apostólico são chamados pais da igreja. Eles deixaram diversos escritos, e, embora nenhum deles seja aceito como inspirado, são úteis, pois servem de registro do pensamento teológico de cada período, bem como das circunstâncias pelas quais passou a igreja ao longo dos séculos.

Mesmo nesta fase, foram muitas as controvérsias envolvendo o quarto mandamento. Em 135 d.C., o imperador Adriano legislou contra os judeus, proibindo suas práticas religiosas (o que incluía o sábado). Isso motivou alguns pais da igreja a escreverem apologias contra os judeus e a reconsiderarem o entendimento sobre o sábado.[2]

Ironicamente, muitos destes líderes cristãos defendiam com zelo os dez mandamentos. Irineu, por exemplo, argumentava que “no princípio, de fato, advertiu-os [aos judeus] por meio de preceitos naturais, os quais desde o princípio haviam sido postos em prática, isto é, por meio do decálogo (o qual, se alguém deixar de observar, não terá salvação) que então nada mais exigiria deles.”[3] Novacio, considerado pai dos puritanos, escrevendo em cerca de 250 a.C., fala do dez mandamentos como sendo dados para que Israel retornasse às virtudes, as quais os pais da nação receberam de Deus.[4]

Já na epístola de Barnabé, parece se fazer uma avaliação dúbia do sábado: por um lado, o autor afirma corretamente que o sábado vem desde a criação[5]; em contraparte, ele rejeita a guarda do quarto mandamento.[6]

Tudo indica que a oposição ao judaísmo norteou a perspectiva pela qual os cristãos da era pós-apostólica encaravam o sábado. Assim, lentamente se introduziu a guarda do domingo (de origem pagã), até que esse dia substituísse o sábado bíblico. Entretanto, por muitos séculos, o quarto mandamento continuou a ser observado.[7]

(II) O sábado durante a Idade Média

Uma vez estabelecida a guarda do domingo, a justificativa dada pelos teólogos medievais foi no sentido de separar aspectos morais (o princípio de reservar um dia em sete) dos aspectos cerimoniais (o sétimo dia em si); assim, a Igreja Católica mantinha os aspectos morais, mas os transferia para o primeiro dia da semana. Atribui-se a Tomás de Aquino tal argumento.[8]

Entre as igrejas sob a autoridade de Roma, o sábado foi completamente suprimido. Contudo, cristãos não-católicos preservavam o sábado em Roma e na Inglaterra (cujo norte sofreu a influência dos cristãos Culdee, que eram sabatistas). [9] Os próprios Valdenses também eram descritos por seus opositores como Sabbati, Sabbatati, ou Insabbatati, devido ao seu respeito pelo quarto mandamento.[10] Sabe-se também que o sábado constituiu-se uma das razões para o cisma que separou até bem pouco tempo a Igreja Católica Romana dos cristãos ortodoxos (em 1054).[11]

(III) A posição dos reformadores sobre o quarto mandamento

Embora a Reforma significasse um retorno à Bíblia como regra de fé, nem todos os erros do Catolicismo foram abandonados prontamente pelos reformadores. Para Lutero, Cristo nos libertou do sábado, considerado por ele uma ordenança do Velho Testamento.[12] Lutero também viu frustrados os esforços de seus melhores teólogos, que não puderam convencer Oswald Glait e Andreas Fischer a deixar de guardar o sábado (em 1527).[13]

Quanto a Jean Calvino, ele aceitou uma compreensão espiritualizada do sábado, em que o aspecto do repouso em Cristo substitui a obrigação de guardar o sábado semanal.[14] Todavia, o reformador de Genebra não aceitava a ideia de que Jesus ou Seus apóstolos haviam mudado a observância do sábado.[15]

Conclusão

Da mesma forma como sempre houve guardadores do sábado, verifica-se a existência paralela de oposição a este dia. E embora nos primeiros séculos do Cristianismo tenha se desenvolvida uma tradição em favor da observância gradual do domingo, tal prática não acha nenhum fundamento na Palavra de Deus. O exemplo daqueles que se sacrificaram pela Verdade deve nos motivar hoje para continuarmos vivendo em obediência a Deus (Ap. 14:12).

[1] J.N. Andrews, History of Sabbath and First Day of Week, disponível em http://www.sabbathtruth.com/history/History_of_the_Sabbath.pdf . Doravante, HS.
[2] Samuele Bacchiocchi, Sob fogo cruzado, Ministério, Março/Abril de 1999, p. 21. Nas referências posteriores, o material será mencionado como SFC.
[3]Irineu, Contra as Heresias, livro IV, capítulo XV, seção 1, conforme citado em HS, p. 174.
[4] (Novatios on the Jewish Meats, capítulo 3, citado em idem, p. 175).
[5] Epístola de Barnabé, capítulo xv, citado em idem, p. 176.
[6] SFC, p. 21.
[7] Para uma consulta sobre a opinião de diversas autoridades que confirmam isso, ver Carlyle B. Haynes, Do sábado para o domingo (Tatuí, SP:Casa publicadora Brasileira, 2004), 2 ª reimpressão da 10 ª edição, pp. 37-42, SS.
[8] SFC, p. 22
[9] HS, p. 229-230. O movimento Culdee surgiu quando alguns clérigos e monges passaram a advogavar uma reforma espiritual e ascética, em face da mundanidade nos círculos cristãos, o que influenciou a igreja Irlandesa até o séc. XI. Ver Henry Loyn, Dicionário da Idade Média, disponível em http://www.scribd.com/doc/6943689/Dicionario-Da-Idade-Media , p. 481.
[10] HS, p. 234.
[11] C. Mervyn Maxwell, Uma nova era segundo as profecias de Daniel (Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2006), 3ª reimpressão da 2 ª ed., p. 140.
[12] SFC, p. 22.
[13] C. Mervyn Maxwell, opus citado, p. 141-142.
[14] SFC, p. 23.
[15] HS, p. 252.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

COMPENSA ACEITAR ESTE PRESENTE


A pouca luz se esquivava de mim durante a viagem de ônibus. Ainda assim, eu lutava para seguir com a leitura do ano bíblico. Confesso que, na ocasião, o ministério me parecia uma ocupação ingrata. Frustrado daquele jeito, como realizaria a visita que marcara para aquela noite?

Foi justamente em meio ao desânimo quando o Senhor falou comigo, pelos seguintes versos: “‘Mas somente você e seus filhos poderão servir como sacerdotes em tudo o que se refere ao altar e ao que se encontra além do véu. Dou a vocês o sacerdócio como um presente. […] Você não terá herança na terra deles, nem terá porção entre eles; eu sou a sua porção e a sua herança entre os israelitas.’” (Nm. 18:7, 20, NVI).

Fantástico! Pude relembrar que o sacerdócio é um presente, e Deus é a maior recompensa para os pastores. Confessei perante Deus a minha falha em julgar o ministério um fardo, e não ver o que ele realmente é – um alto privilégio. Você já se viu tentado a avaliar seu ministério da perspectiva de resultados tangíveis? O que é ter um pastorado de sucesso? Acredito que manter-se incondicionavelmente fiel ao chamado é a única segurança de cumprir os propósitos divinos.

Por que manter a fidelidade ao chamado? Apenas com essa atitude um pastor irá salvaguardar-se dos dissabores; suas considerações sobre as dificuldades serão realistas, ainda que imiscuídas em esperança: “Alguns estão sempre a ver antecipadamente o mal, ou a aumentar as dificuldades que realmente existem, de modo que seus olhos ficam cegos às muitas bênçãos que lhes reclamam gratidão.” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 293). Nunca se esqueça: nenhuma dificuldade trazida pelo ministério é maior do que as bênçãos com as quais o Senhor nos presenteia através dele.

Mas continua tentador abrir mão da convocação feita pelo Mestre! Enfrentamos oposições, críticas e suspeitas, por parte de uma geração que vê com desconfiança toda liderança religiosa instituída. Afinal, a resistência à Verdade faz com que alguns não hesitem em “prevaricar, e mesmo fazer circular as mais evidentes falsidades a fim de destruir a influência e obstruir o caminho daqueles que Deus enviou com uma mensagem de advertência ao mundo. […]” (Ellen G. White, Vida de Paulo, p. 60). Tais obstáculos, muitas vezes, encobrem a visão do que se oferece ao fiel pastor.

Entretanto, os revezes não impedirão o triunfo final da Verdade. Participamos desta vitória, quando encaramos seriamente o chamado. Longe de ser um “presente de grego”, o ministério é uma dádiva, porque resulta em salvação, para nós e para outros!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

OBAMA E O NOBEL

Barack Obama: qual será o legado de seu governo?

A dança na rua, os fogos-de-artifício e o clima de euforia: assim começou a Era Obama, saudada pelos quatro lados do globo como uma vitória da Democracia. Quem poderia imaginar que um homem negro, de origem humilde e descendência muçulmana assumiria a presidência dos Estados Unidos após o fatídico 11 de Setembro? Em contrapartida, analistas tinham dúvidas quanto a capacidade de o jovem estadista conseguir realizar as promessas de campanha. We can, dizia o slogan da campanha de Barack Obama; mas, questionavam muitos, realmente does he can?

A despeito de problemas iniciais com a nomeação de sua equipe, e das recentes críticas à sua reforma do sistema de saúde, Obama tem provado não ser um meteoro; ele está mais para uma estrela sólida, vinda para deixar sua marca. Como prova disso, temos a divulgação feita hoje de que o presidente americano foi laureado com o Nobel da Paz.

Para o comitê que definiu o ganhador do Nobel, Barack Obama se notabilizou pelos esforços em prol do desarmamento nuclear e por iniciativas em prol da paz no Oriente Médio. Levou-se em conta que abandonou-se a maioria das medidas anti-terrorismo, criadas no governo Bush - embora o Iraque ainda aguarde pela desocupação das tropas americanas de seu território. Os Estados Unidos voltaram a ter esperança em um futuro melhor, e, em consequência, voltaram a ser um referencial positivo para o restante da comunidade internacional.

Será que os nove meses de governo mereceram o Nobel? Foi justa a premiação de Obama? Talvez prematura, mas não de todo injustificada. Por seu carisma, gestão empreendedora e habilidade em negociação, o mundo vê o presidente norteamericano como a perfeita união da retórica empolgante com eficiência. Por tais características, ele já é um dos mais influentes líderes desta geração.

Tomando uma macrovisão bíblico-profética como ponto de partida, pergunto-me sobre qual será, a longo prazo, o legado do governo de Barack Obama, em um mundo onde tanto se fala de conciliação e ações conjuntas em nível global. Vale refletirmos no verso bíblico: "pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão." (1 Ts. 5:3).

O DEUS QUE ME AMA



Pudesse eu te abraçar, ó meu Jesus, pudesse
As lágrimas tornar em pérolas imensas,
Não pagaria com nada as belas sentenças
Que confortaram minha alma na hora da prece.

Se entre os caninos do pecado a fé decresce,
Basta solicitar para que a fera venças,
Dilatando-lhe a boca enquanto fujo à expensas
De Tua diligência, alheio a todo estresse;

E do pântano ao lar, um salto pela graça!
Povoa o tilintar das taças o caminho,
Junto às flautas da orquestra e à seda que se esvoaça.

Fizeste a festa em minha homenagem! Tu, que és
O mais digno, o mais puro e santo, alças o vinho,
Saldando a quem regressa com lama nos pés.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

TUDO PARA CRISTO


“Cristo diz: ‘Quero tudo o que é seu. Não quero uma parte de seu tempo uma parte do seu dinheiro e uma parte do seu trabalho: quero você. Não vim para atormentar o seu ser natural, vim para matá-lo. As meias medidas não me bastam. Não quero cortar um ramo aqui e outro ali; quero abater a árvore inteira. Não quero raspar, revestir ou obturar o dente; quero arrancá-lo. Entregue-me todo o ser natural, não só os desejos que lhe parecem maus, mas também os que se afiguram inocentes – o aparato inteiro. Em lugar dele, dar-lhe-ei um ser novo. Na verdade, dar-lhe-ei a mim mesmo: o que é meu se tornará seu.”[1]

[1] C.S.Lewis, Cristianismo puro e simples (São Paulo, SP: Martins Fontes, 2008), 2 ed., p. 259.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O CASAMENTO

Dedicado à Noribel Reis, minha esposa

O que pode ter de mais simples do que um altar, dois noivos e a bênção? Quem precisa de flashs, recepções, dia da noiva, contratos com floriculturas e decoradores? Nós complicamos as coisas, ao tentar fazê-las especiais; amar já é especial. E esse verbo doce não se conjulga em um dia, mas se declina competentemente em um tipo de dedicação que abraça a vida em sua expressão mais completa. Duas pessoas, que se reservam, se ouvem, se satisfazem, passeiam, pensam juntas e se surpreendem - isso é amor. E ele existe, apesar de desencontro e desentendimentos, a despeito de choros e mancadas. O amor é poderoso quando as pessoas se comprometem a elevá-lo. Mais ainda: a bênção divina sustenta a união e revigora o amor. Até que a morte separe os noivos, sem privá-los das lembranças de uma vida conjunta, em família, em comunhão.

Colaboração: Mariele Arend (fotógrafa criativa).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ESPIRITISMO + SENSUALIDADE + VIOLÊNCIA = HQs de Todd McFarlane

McFarlane: o de sempre, na mesma quantidade
Conheci o trabalho do artista canadense Todd McFarlane quando eu ainda era um garoto apaixonado por HQs. Na época, fez-se muita propaganda de seu trabalho com o Homem Aranha, a ser lançado no país. Quando saíram as primeiras edições, o formato não contribuiu para uma apreciação justa do trabalho do desenhista. Posteriormente, títulos como Homem-Aranha Anual 1, a minissérie Tormento, entre outros, dentre os quais alguns saíram em formato americano, mostraram o rebuscamento de McFarlane.

Tanto ele quanto o sul-coreano Jim Lee (famoso por desenhar X-men) possuem uma peculiaridade: "carregam" as cenas quantos aos detalhes, o que mormente chega a ofuscar o próprio desenho. Não raro, as expressões faciais se mostram envelhecidas no trabalho desses dois grandes artistas da década de 90.

Juntamente com outros desenhistas de comics (sobretudo, oriundos da Marvel), McFarlane e Lee fundaram a Image Comics, que, na prática, funcionava como uma clonagem em massa de heróis clássicos (como Hulk, X-men, Wolverine, Motoqueiro Fantasma, etc). Não apenas a aparência, mas até enredos eram emulados de outros quadrinhos descaradamente. Nesta fase, dono de seu próprio nariz, Todd McFarlane resolveu criar sua própria personagem: Spawn, a cria do inferno, perseguido pela "anja" sensual Ângela.

Depois de algum tempo usufruindo dos lucros de suas criações, agora McFarlane volta à ativa: o site HQ Maniacs informou que, em parceria com o escritor Robert Kirkman e o desenhista Greg Capullo (que o substituiu na arte de Spawn), Todd McFarlane lançará Haunt. Um preview divulgado pela Image mostra que a velha fórmula "Espiritismo, sensualidade e violência" será seguido religiosamente: Haunt, atormentado pela alma de seu irmão, procura desvendar sua morte e, de quebra, se vingar! Bem original, não?

NOVO TEXTO NO OI



O Observatório da Imprensa republicou o texto O Evolucionismo de cada Marcelo, sob o título: O evolucionismo de cada redator. Clique aqui e leia o texto, bem como as reações a ele.