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segunda-feira, 15 de maio de 2017

REPORTAGEM SOBRE DESING INTELIGENTE NA RECORD



Nota: a reportagem é instrutiva e muita útil. Mas a parte da ligação entre informações genéticas e o nome de Deus me pareceu um pouco forçada e mais dependente da numerologia hebraica do que da própria revelação bíblica. Quanto à declaração final do Dr. Eberling, vale lembrar que “especular sobre a revelação científica” é o que toda a ciência sempre fez, independente do viés filosófico ao qual se adere.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

DEPUTADO QUER ENSINO DO CRIACIONISMO NAS ESCOLAS



Projeto do deputado Artagão Júnior (PMDB) propõe que seja incluído no currículo da rede estadual de ensino “conteúdos sobre criacionismo”, a teoria religiosa que nega a evolução das espécies e defende que Deus criou os animais e plantas da forma como é descrito na Bíblia. A proposta estava na pauta de ontem da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Paraná. Mas a votação foi adiada porque os parlamentares aguardam um parecer da Secretaria Estadual de Educação sobre a proposta, que deve voltar à pauta da CCJ na terça-feira que vem.
Na defesa da proposta, o parlamentar afirma que os estudantes ficam confusos ao aprender na escola o evolucionismo (a teoria científica oficial) e na igreja o criacionismo. “Ensinar apenas o evolucionismo nas escolas é ir contra a liberdade de crença de nosso povo”, justifica Artagão no texto do projeto.

Laicidade

A proposta já havia sido apresentada pelo deputado em 2007, mas acabou arquivada. “Não estou impondo nada nem dizendo o que é certo ou errado. Mas é importante a discussão de um tema em que a grande maioria da população acredita”, afirma Artagão. Para ele, o projeto não fere a laicidade do Estado. Segundo o deputado, não há nada que garanta que a teoria da evolução realmente ocorreu (a ciência, porém, assegura que a teoria já foi corroborada). Por isso não haveria motivos para que o criacionismo não seja discutido pela comunidade escolar.
Outros deputados têm visão semelhante. “Desde que a escola inclua também visões não teístas, não vejo problema”, diz o deputado Péricles de Mello (PT), ex-presidente da Comissão de Educação da Assembleia. “Justamente pelo fato de o Estado ser laico, ele pode contribuir com o diálogo religioso.” Péricles, porém, é contra a obrigatoriedade do ensino religioso e defende que os temas escolhidos para discussão com os alunos sejam definidos por um conselho.

Papa


A Igreja Católica tem posição favorável ao ensino do evolucionismo. Em uma declaração no fim do mês passado, o Papa Francisco afirmou que a teoria da evolução está correta e não é incompatível com a crença religiosa. O papa disse o mesmo sobre a teoria do Big Bang da criação do universo.


Colaborou: Márcio Xavier
Fonte: Gazeta do Povo

terça-feira, 29 de abril de 2014

SOMOS TODOS MACACOS?


Em jogo recente de futebol acontecido no campeonato espanhol, um jogador brasileiro foi novamente vítima de preconceito. Entretanto, a reação do jogador Daniel Alves, lateral da seleção brasileira e do Barcelona, foi curiosa: quando um torcedor do Villareal, time anfitrião, lançou uma banana no campo, Daniel calmamente se abaixou e , apanhando a banana, comeu-a parcimoniosamente. O caso ganhou repercussão mundial.
Neymar, companheiro de equipe de Daniel, lançou uma campanha nas redes sociais: #somostodosmacacos, incentivando as pessoas a postarem fotos comendo bananas, manifestando assim sua indignação contra o racismo. Diversas personalidades aderiram e especialmente programas da rede Globo repercutiram a ideia, com apresentadores comendo e distribuindo bananas pela plateia.
Muitos elogiaram a atitude de Daniel Alves, apesar da ideia não ser tão inédita quanto possa parecer: antes dele, outro jogador do Barcelona, reagiu da mesma maneira, comendo as bananas lançadas em campo – isso aconteceu com o jogador camoronês Eto’o.
Até mesmo a presidenta Dilma Russef opinou sobre o episódio no microblog Twitter, lamentando o que aconteceu com o jogador brasileiro, conquanto elogiasse sua reação. A estadista ainda acrescentou, sobre a campanha do camisa 11 do Barcelona: “Neymar lançou a campanha ‘#somostodosmacacos’ para mostrar que temos todos a mesma origem e que nada nos difere, a não ser nossa tolerância com o outro.”
Contrário à afirmação da presidente do Brasil, ão creio que a campanha de Neymar tivesse a intenção de postular sobre a origem humana. Foi mais um ato de ironia e apoio a seu companheiro de equipe. Entretanto, na mente de muitos, a concepção evolucionista está enraizada – e de maneira até grosseira, uma vez que os evolucionistas advogam ancestralidade comum e não descendência do homem dos símios.
Enquanto para muitos a evolução soa como um fato inegável, temos de nos lembrar que foi o mesmo entendimento das origens que fomentou o racismo. A eugenia se apoiou justamente na ideia de que os mais evoluídos poderiam dominar e até mesmo exterminar os mais fracos. Na época de Darwin, os povos africanos e nativos australianos eram considerados pertencentes a raças inferiores, atraindo a atenção de estudiosos ávidos por entenderem melhor o mecanismo evolucionário. Não é difícil traçar o impacto e influência dessas ideias até o antissemitismo nazista…

A melhor forma de entender a origem comum e, consequentemente, o valor comum da raça humana, é à luz da criação. Um Agente Inteligente planejou uma raça que fosse à sua “imagem e semelhança” (Gn 1:27). Se “de um só ele [Deus] fez todos os povos para que habitassem a terra” (At 17:26), segue que todos têm idêntico valor ontológico. Exclui-se assim a alegada superioridade racial, sem dúvida, um mito que diminui a dignidade humana – assim como a própria teoria evolucionista…


sexta-feira, 28 de junho de 2013

III SIMPÓSIO UNIVERSITÁRIO NO IAP


Nos dias 9 e 10 de Agosto, o Instituto Adventista Paranaense realizará seu terceiro simpósio universitário. O tema escolhido nesse ano foi "Criacionismo no século XXI: perspectivas para uma práxis científica compatível com a cosmovisão bíblica". Alguns dos maiores estudiosos brasileiros ligados ao criacionismo estarão presentes.

Os interessados deverão se escrever por meio do site do IAP (clique aqui). As taxas informadas no site dizem respeito à inscrição. Para aqueles que quiserem saber maiores informações sobre hospedagem e refeições nos dias do simpósio, devem se informar ligando para (44) 3236-8000. Atenção: as vagas são limitadas! Aconselha-se que as inscrições sejam feitas com o máximo de antecedência.

A seguir, um vídeo com a chamada para o simpósio.

terça-feira, 17 de julho de 2012

EVOLUÇÃO: ÚTIL, SIM, VERDADEIRA, NÃO!


“Se todas as ideias são produtos da evolução, e, portanto, não são verdadeiras, mas apenas úteis para a sobrevivência, então a própria evolução não é verdadeira também – e por que o restante de nós deveria dar atenção a ela? [...] Pois se a evolução é verdadeira, então ela não é verdadeira, mas útil."
Nancy pearcey, "How Darwinism Dumbs us down: evolution and postmodernism", in William Dembinski, Evidence for God: 50 Arguments for Faith from the Bible, History, Philosophy, and Science (co-edited with Michael Licona). Grand Rapids, Mich.: Baker, 2010, p. 84

segunda-feira, 11 de junho de 2012

VITÓRIA CRIACIONISTA NA COREIA DO SUL


A revista Nature abordou recentemente a vitória do criacionismo na Coreia do Sul. O Ministério de Educação, Ciência e Tecnologia do país (METS na correspondente sigla em inglês) permitiu que muitas publicações didáticas excluíssem exemplos da evolução do cavalo ou mostrassem o Archaeopteryx como ancestral das aves, entre outras iniciativas. A resolução teria sido tomada sob a influência da Society for Textbook Revise ["Sociedade em prol da revisão dos livros didáticos", em tradução livre] (STR). Existiria uma ligação entre a STR e uma entidade criacionista no país.

A Nature ainda destacou que pesquisas mostram a antipatia da população com o evolucionismo. Não posso concordar que o termo "antipatia" seja adequado, porque pesquisas similares em outros países (como Brasil e Estados Unidos, esse último citado como exemplo pela própria reportagem) indicam que boa parte da população em outros países também não aderiu em sua maioria aos princípios darwinistas. Seja como for, 41% dos entrevistados da pesquisa sul-coreana acreditam que não hajam evidências científicas que respaldem o evolucionismo; 39% afirma que princípios evolucionstas contrariem suas crenças religiosas; por fim, 17% dizem não entender a teoria de Darwin.

Pelos dados, percebe-se que a maioria dos entrevistados não refuta o evolucionista necessariamente por serem ignorantes, mas por que, segundo opinaram, o conceito ainda careceria de boa sustentação. É bom destacarmos isso para que uma leitura tendenciosa não aponte (mais uma vez) que a maior adversária da evolução seja a ignorância. Não é o caso.

Aqui no Brasil a discussão ainda está lenta. Pessoalmente, acredito que estudantes seriam beneficiados pela exposição de argumentos dos dois lados. Ninguém ganha apenas silenciando o outro lado. O debate deve ser aberto para que a democracia prevaleça. Também defendo, ao contrário de alguns criacionistas, aos quais devo todo o meu respeito, que o lugar para se ensinar criacionismo seja nas aulas de ciência, não de ensino religioso. Afinal, quem deseja passar a ideia de que criacionismo é um pesamento religioso são os evolucionistas. Além disso, os profissionais da área de ensino religioso não estão, na maioria dos casos, habilitados a tratar de forma mais ampla da argumentação científica em prol do criacionismo. Sou favorável a uma abordagem multi-disciplinar do criacionismo - mas o carro-chefe deve ser a área de ciências, em suas múltiplas disciplinas (química, física, biologia).

Quando o assunto receber discussão ampla, não preconceituosa e se ouçam os dois lados o mais imparcialmente possível, avançaremos de forma inteligente, para benefício da sociedade. Infelizmente, mentes atrasadas soem em atacar apaixonadamente o criacionismo e rotulá-lo de forma pejorativa, o que em nada contribui para averiguação racional de seus espectros. Tomara que o exemplo da Coreia do Sul seja proveitoso em algum sentido.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CIÊNCIA E RELIGIÃO: COMO CONCILIÁ-LAS?



Alguém escreveu-me perguntando se o melhor caminho para conciliar ciência e religião não seria admitir que ambas pertencem a esferas diferentes. A religião se preocuparia em entender o mundo físico, observar e prever os fenômenos da natureza e extrair de seus estudos conhecimento útil para a humanidade. Em contrapartida, a religião seria algo de caráter pessoal, mais despretensioso, lidando com opiniões que, por estarem fora daquilo que é empírico, seriam difíceis de serem comprovadas ou contestadas; assim, cada um teria espaço para sua fé.
Respondendo à pergunta: pelo que percebo, o problema está nas definições. Nada errado quanto ao entendimento de ciência (naturalismo metodológico), a qual serve igualmente para evolucionistas ateus e teístas, partidários do criacionismo ou do DI. Apenas que a ciência como disciplina do conhecimento é limitada. Não se pode analisar se um soneto de Camões é mais belo do que um de Olavo Bilac pelo método científico. Também não podemos definir se o que Alexandre Nardoni fez foi monstruoso de forma empírica.
Outro problema: há uma falha conceitual na definição de religião, que está bem "pasteurizada". Pense em João 14:6, o texto que é usado por pregadores ávidos de confortar seus ouvintes. Note que, ao contrário disto, as palavras de Cristo são muito absolutas e instigadores: Ele se define como única Verdade.
Jesus até radicaliza ainda mais quando conclui: "ninguém vem ao Pai senão por mim". Não vejo aqui a espécie de tolerância pós-moderna que admite: "todas as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo Deus." Jesus não nos dá margem para isso. Sua afirmação simplesmente diz que apenas Ele leva a Deus. Não se oferece espaço para xintoístas, budistas, muçulmanos, espiritualistas, etc, como seguidores de caminhos alternativos.
Parece duro, não é? Mas o fato é que, temos apenas duas alternativas diante deste texto: aceitá-lo ou rejeitá-lo. Relativizá-lo é partir de uma interpretação ingenuamente reducionista. Esse é o meu ponto.
Portanto, quando se fala do embate entre criacionismo e evolucionismo, avaliações de ambos os sistemas são decorrentes de como você estabelece as regras do jogo. Para evolucionistas, somos animais, tão evoluídos quanto qualquer outro grande mamífero; para o teísmo, somos à imagem e semelhança de Deus. Qual destas noções é mais compatível com o todo da realidade? Isto requer um exame de todas as evidências. Descartar de antemão o criacionismo como anti-científico por ele não adotar o naturalismo filosófico é jogar sujo.
É como se eu quisesse avaliar o melhor esportista do ano tomando dois candidatos: o argentino Lionel Messi e o lutador de UFC Anderson Silva. Para definir o melhor, eu empregaria como critério o uso mais competente dos golpes de punho. Evidentemente, minha avaliação seria injusta, por privilegiar um tipo de esporte.
Por outro lado, isso equivale a dizer que é impossível avaliar o melhor esportista, apenas por estar diante de modalidades de esporte diferentes? Não. Eu apenas tenho que usar critérios abrangentes, como, por exemplo: qual esportista se destacou em sua modalidade? Qual deles conquistou mais medalhas? Qual chamou mais atenção para o esporte que pratica?
Semelhantemente, é possível aquilatar evolucionismo e criacionismo, usando critérios abrangentes, que consideram as diferenças conceituais dos dois modelos. Ao mesmo tempo, a “prova de teste” é coerência de cada um com o que o conhecimento humano limitado dispõe.

Finalizando, o cristianismo é um pacote fechado: não dá para aceitar alguns itens e renegociar outros. Do ponto de vista cristão, a conciliação entre fé e ciência é possível quando se entende ciência de uma perspectiva criacionista, que é compatível com a verdade bíblica e com os dados empíricos do mundo natural.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

RECADO PARA ADVENTISTAS EVOLUCIONISTAS




"Para alguém, especialmente os nossos jovens, lutando com esses assuntos, eu digo: continue buscando com um coração ardente e honesto. Conquanto que você se apegue à sua Bíblia (e aos livros e artigos de Ellen White) você não será enganado. Para aqueles entre nós que já estão decididos - desprezando a Bíblia e Ellen White - há uma diversidade de igrejas para vocês. A nossa não é uma delas. E para aqueles professores de nossas escolas que creem na evolução e recebem um cheque de pagamento da igreja Adventista do Sétimo dia, eu digo: se você honestamente rejeita a criação em seis dias literais em favor da macroevolução teísta, bem: agora torne sua honestidade em integridade e vá para algum lugar onde não tenha de disfarçar sua visão sob linguagem sinuosa." Clifford Goldstein, no site da Adventist Review


Colaborou: Vanessa Meira. Leia Também: Outras reflexões: adventistas liberais

sexta-feira, 9 de abril de 2010

GÊNESIS E DARWIN DISPUTAM PRÊMIO DE MELHOR HQ


O site HQ Maniacs divulgou uma lista com os indicados ao Eisner Awards 2010, que premia as melhores HQs. Na categoria de melhor adaptação, entre os indicados, aparecem Charles Darwin´s On the Origin of Species: A Graphic Adaptation, adaptado por Michael Keller e Nicolle Rager Fuller (Rodale) e Gênesis, de R. Crumb (Norton).

Esse último trabalho saiu no Brasil publicado pela editora Conrad. Pude conferi-lo no início do ano. Por mais que Crumb afirme fidelidade ao texto, à guisa de introdução ela fala dos erros intencionais dos tradutores, como se o fato dele ter retratado a história bíblica o promovesse à exegeta! Além do mais, o cartunista não se exime de criar cenas de alto teor erótico, dando a impressão de que os patriarcas eram nômades africanos, que viviam para o sexo e matança.

Sem dúvida, seja quem for o ganhador dessa disputa (no caso de uma das duas obras sagrar-se vitoriosa, sem levar em conta as demais concorrentes), a verdadeira vitória caberá ao espírito pós-moderno: afinal, ele se municia de bases evolucionistas (embora não endosse o Evolucionismo de forma acrítica) e reduz a Religião à Antropologia.


Leia também: Deus não está escrito nos gibis

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

DARWINISMO E UMA NOVA SEXUALIDADE



“O livro On the Origin of Species By Means of Natural Selection [Sobre a origem das espécies por meio da seleção Natural] de Charles Darwin (1859) disputou com a explicação do Gênesis a respeito da criação, mas ele não aplicou especificamente a evolução aos humanos. Seu próximo livro The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex [A origem do homem, e Seleção em relação ao sexo], de 1871, o fez. Esse trabalho não apenas incorporou os humanos na saga evolucionária; ele também promoveu conceitos radicais sobre a origem e significado de gêneros diferentes através da teoria de seleção sexual. Darwin sustentou que a seleção sexual explica o desenvolvimento de características sexuais secundárias, a divergência de raças, e a origem da heterossexualidade e monogamia. Ele também reivindicou que essa era no mínimo tão importante no mecanismo evolutivo quanto a seleção natural. The Descent of Man provocou muita discussão e estimulou vários americanos a reconsiderar suas ideias previamente concebidas sobre gênero e sexo”.

Kimberly Ann Hamlin, Beyond Adam’s Rib: How Darwinian Evolutionary Theory Redefined Gender and Influenced American Feminist Thought, 1870-1920, dissertação para cumprimento parcial para o título de doutorado em Filosofia, The University of Texas at Austin, Agosto de 2007, p. 3. Disponível aqui em pdf.

domingo, 4 de outubro de 2009

DETERMINISMO GENÉTICO E CAPITALISMO

Gregory Clark: saída pela tangente

A tese é polêmica: Gregory Clark, professor da Universidade da Califórnia, advoga que o sucesso econômico das nações depende de herança genética de grupos e indivívuos. Entrevistado pela revista Veja [1], Clark não teve pudor de admitir que a "convivência com um sistema de mercado por um longo período moldou a cultura e a genética dos indivíduos." Quando confrontado com a consequência de que suas ideias favoreceria o racismo, o professor universitário saiu pela tangente: "Outros pesquisadores vão ter de pensar nas implicações sociais [um tanto óbvias que dispensam estudos mais complexos!] das minhas conclusões." Clark ainda acrescentou que o "fato de uma pessoa pertencer a um grupo populacional que fracassou não significa que ela vai pelo mesmo caminho"[2], num tipo de escapada que o pensador cristão Francis Schaeffer definiu em seus escritos como "salto" (fuga das implicações lógicas de sua filosofia, o que é próprio do pós-modernismo).

Há anos, pensadores influenciados pelo evolucionismo advogam teses deterministas. Desde os genes egoístas de Dawkins (no famosos livro de 1977), aos mais recentes estudos neurológicos, a tendência é enfraquecer o poder da vontade humana, em detrimento das "leis da natureza", as quais se responsabilizariam pelo nosso comportamento e decisões. Partindo de uma perspectiva naturalista, o homem fica reduzido, perdendo a sua humanidade, acabando por se ver na condição de máquina. Não é preciso lembrar-se de que conceitos como o da eugenia surgiram desta mesma base. Simultaneamente, não custa lembrar mais uma vez que, se todo o comportamento é resultado de um determinismo biológico, por que punir coisas como estupro, assassinato, agressão e adultério? Ninguém que as cometesse seria responsável - a Genética paga a conta!

[1] Diogo Schelp, Um gene capitalista? Veja, edição 2133, ano 42, n° 40, 7 de Outubro de 2009, pp. 94-97.
[2] Schelp, idem, pp. 94-95.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O EVOLUCIONISMO DE CADA MARCELO

O cientista Marcelo Gleiser: esse aí não joga no time de Dawkins

Duas colunas publicadas na edição da Folha de São Paulo, neste último domingo, chamaram a atenção: "O criacionismo de Marina", de Marcelo Leite, e "A primeira causa", de Marcelo Gleiser. [1] Quero ponderar o que cada autor separadamente defende, ressaltando suas perspectivas peculiares, e isso a despeito de os dois combaterem (declarada ou implicitamente) o mesmo "adversário": o Criacionismo.
Marcelo Leite foca seus questionamentos no envolvimento dúbio da ex-ministra Marina Silva, pré-candidata à presidência, com o ensino do Criacionismo nas escolas. Cita dois fatos que demonstram ambiguidade da parte de Marina: uma entrevista ao site Éoqhá [2] e outra ao programa Roda Viva. Na primeira, ela apoiara timidamente o Criacionismo; na segunda, Marina nega que o tenha feito.
Leite então analisa alguns trechos da entrevista ao Éoqhá e dá seu veredito: "Não é uma resposta aceitável, vinda de ministra de um Estado Laico. Devemos fazer distinção, fundamental, entre ensino de ciências e ensino de religião." A problemática do parágrafo nos leva a considerar dois pontos: o entendimento de Estado Laico e a natureza do Criacionismo.
O que é um Estado Laico? Certamente a expressão "laico" não adquire o sentido de "irreligioso" ou "ateu". Em um Estado Laico não se pode beneficiar uma religião em detrimento de outras, o que caracterizaria favoritismo. Todos têm o direito de crer no que quiserem, isso é fato. Agora, cabe refletirmos: ensinar, ou mesmo cogitar a possibilidade alternativa de se ensinar o Criacionismo (como proposta científica) iria prejudicar a democracia em quê? Desde que alunos tenham a possibilidade de avaliar modelos de origens ou visões distintas da ciência, a democracia estaria salvaguarda - muito mais do que ao se beneficiar um modelo em detrimento de outros.
Um exemplo pode ser útil. Imagine que uma corrente de pensamento, a qual defendesse a infidelidade de Capitu (do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis), se impusesse nos livros didáticos de Literatura. Entretanto, após a aceitação generalizada dessa corrente, surgisse uma outra, advogando justamente o oposto – a inocência de Capitu. Até aí, seria uma disputa justa entre formas opostas de pensamento. Mas, e se os professores que advogassem a primeira corrente conseguissem apoio e, através da sanção de uma lei, impedissem o ensino do pensamento diferente? Seria isso democrático? Favoreceria os educandos confiná-los ao acesso a uma forma de ver as coisas?
Quanto ao segundo ponto, o que dizer de uma suposta "distinção fundamental" entre ciência e religião? Trata-se de uma típica falácia Argumentum ad Nauseam (na qual algo que é repetido à exaustão adquire foros de verdade). Criacionismo não é religião. Claramente, o Criacionismo tem pressupostos calcados no Teísmo bíblico (e isso no Ocidente; os muçulmanos também advogam um outro tipo de Criacionismo, o que não interessa aos propósitos dessa discussão). Se pensarmos no Evolucionismo, poderemos notar que sua matriz filosófica também norteia uma determinada praxis. Ambos os modelos trabalham com inferências, levantamento de dados, avaliação, hipóteses, construções de teorias, etc. As descobertas que fazem agregam conhecimento, mas não mudam a orientação filosófica dos modelos. Nesse aspecto, Criacionismo e Evolucionismo são similares. A prova é que os primeiros a empregarem o método científico eram... criacionistas!
O segundo Marcelo se preocupa com uma questão antiga: o argumento da primeira causa, o qual remonta aos filósofos gregos e a Agostinho. Tudo tem uma causa, o que pressupõe uma sucessão de causas concomitantes e sucessivas, desencadeadas por uma causa primeira, ela própria incausada. Tal argumentação lógica tem servido como inferência da ação criadora de Deus, encarado como a primeira causa.
Marcelo Gleiser trabalha no sentido de negar a necessidade de uma causa tal. "[...] Esse é um debate ferrenho que, infelizmente, entrava o progresso cultural." Deveríamos perguntar a Gleiser como ele justificaria essa afirmação, se hoje é sabido que tais questionamentos, de natureza teológica e filosófica, acabaram criando o pano de fundo para o desenvolvimento da ciência, ainda durante a Idade Média e, mais tarde, para a revolução ocorrida a partir do século XVII. Uma vez que Geisler fez a afirmação, que ele se encarregue do ônus da prova.
À frente, ele continua: "[...] A ciência não se propõe a responder a todas as perguntas. E por um motivo simples: nós nem sabemos que perguntas são essas. Dado que jamais teremos um conhecimento completo da realidade, jamais poderemos construir uma narrativa científica completa."
Oposto ao triunfalismo disfarçado de Marcelo Leite, que desqualifica o Criacionismo, vociferando que só o Evolucionismo é ciência, o seu homônimo expõe a debilidade da ciência, afirmando coisas que fariam Dawkins corar - de raiva! Em seu livro, O Capelão do Diabo, Richard Dawkins escreve um capítulo contra o relativismo na ciência, reivindicando a condiçãoda ciência como detentora do verdadeiro conhecimento. [3] Contudo, Gleiser prefere a essa certeza máxima a "simplicidade do não-saber". Curiosamente, os darwinistas acusam cristãos de fomentar a ignorância e de crerem no que não podem explicar!
A declaração final de Gleiser é tentadora, no sentido de favorecer uma leitura que a ampliasse, tornando-a um severo juízo sobre a própria cosmovisão evolucionista (embora, muito provavelmente, o autor não quisesse dar a entender isso): "[...] prefiro continuar tentando [ao invés de admitir Deus como causa primeira] e aceitar que, por ser humano, minha visão de mundo tem limites."
Nas duas colunas analisadas, percebe-se que velhos preconceitos impedem os autores de encarar pressupostos com base religiosa apenas pela própria base religiosa. Este tipo de falácia genética, infelizmente, tem marcado a nossa época, impedindo uma averiguação racional de pressupostos cristãos. Esperemos que mais consideração sobre causas e efeitos favoreçam o debate, substituindo o preconceito, promotor de um não-debate, o qual a ninguém favorece.

[1] Ambos se encontram em Folha de São Paulo, ano 89, nº 29.397, 27 de Setembro de 2009, 3.
[2] Matheus Siqueira, Entrevista com a Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, disponível no Éoqhá.

[3] Richard Dawkins, O capelão do Diabo (São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2005), 36.



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

COSMOGONIA E FAMÍLIA


No princípio, criou Deus os céus, e a terra... e a família! Estamos falando da origem de todas as coisas. Cosmogonia é a ciência que procura encontrar explicações para a origem do Universo. E você pode estar se perguntando o que a origem do Universo tem a ver com a família? Muito! Aquilo que você acredita ter acontecido quanto à origem de todas as coisas vai acabar influenciando muito mesmo sua vida familiar.

Existem hoje duas correntes principais que procuram explicar a origem do Universo e da vida. Uma delas é o Evolucionismo, que procura fazer com que o acaso e o tempo se tornem "deuses" tão milagrosos quanto o Deus dos cristãos. Os evolucionistas acreditam que aquilo que não pode ser confirmado hoje, isto é, o surgimento da vida a partir do nada, tenha acontecido um dia, no passado, pela ação do tempo e do acaso.

A outra corrente que procura explicar o surgimento da vida e do Universo é o Criacionismo. Os criacionistas aceitam a Bíblia como sendo a Revelação de um Deus eterno e onipotente, que afirma ter criado os céus e a terra em sete dias literais, e que no fim da Criação realizou sua obra-prima: o homem e a mulher. De acordo com a Bíblia, é dessa época, isto é, de antes da entrada do pecado no mundo, que nos sobram hoje duas instituições: (1) o ciclo semanal de sete dias, terminando com o sábado, que é um dia separado por Deus na Criação para a comunhão com Ele, e (2) o casamento, que é um selo de compromisso entre um homem e uma mulher, que vão se tornar "uma só carne".

Bem, e o que isso tem a ver com a família? Se você acredita que Deus é mesmo Criador, então a natureza e a humanidade teriam sido feitos de propósito e com propósito. Viver fora desse propósito seria disfuncional, e traria prejuízo ao sistema, gerando perdas ou dor. Por essa corrente, quanto mais perto do modelo original, da Criação, sua família viver, mais chances terá de ser feliz! Deus, o Criador, nesse caso, é aquele que diz também como devemos viver dentro dessa relação para que desfrutemos de todos os benefícios planejados por Ele para o casal.

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