domingo, 26 de abril de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
sexta-feira, 3 de abril de 2015
ADVENTISTA E A SECULARIZAÇÃO DOS EVANGELIZADOS
Acompanhei,
sem me manifestar, a conversa informal de alguns amigos. Tudo começou quando
alguém fez menção a uma banda de rock, a qual trazia referência em suas letras
a conceitos cristãos, inclusive parafraseando versos bíblicos. Vale frisar: não
era uma banda cristã. Diante do sucesso dos músicos, meus amigos teceram
conjecturas diversas, sobre como as pessoas secularizadas anseiam e apreciam a religião.
Um deles até observou que a apreciação vinda do público apenas revelava que os
secularizados ouvem a mensagem cristã quando vem na embalagem certa, isto é, o
gênero musical que conhecem e apreciam.
É
de se indagar se outras explicações possíveis não dariam conta de entender o
fenômeno: e se as pessoas gostassem tanto do som da banda a ponto de a receptividade
ser a mesma, independente de citarem versos bíblicos ou suras do Alcorão? Ou
se as pessoas simplesmente se sentissem atraídas por um modelo de
espiritualidade sem vínculo com instituições religiosas, o que as faria abertas
a ouvir de uma banda de rock o que não se disporiam a ouvir de um pregador
cristão, representante de uma igreja X, com suas regras abjetas aos olhos de
pessoas sem compromisso religioso?
Para
além de fazer notável que um fenômeno social nem sempre tem sua resolução no
leito de Procusto das análises que ora são feitas, chamo a atenção para a
conclusão de que as duas alternativas que propus são igualmente falhas. Não digo
que não fossem possíveis, mas lhes falta ir ao cerne da questão: afinal, quem
são as pessoas secularizadas e por que não as conseguimos alcançar com a nossa
mensagem?
A
secularização é um fenômeno que começou com o advento da modernidade e, por
mais que muito se falou sobre isso, os estudiosos não chegaram a um consenso
sobre suas características. Basicamente, dado o desenvolvimento de uma
sociedade, surgem alternativas a mitologias religiosas, de maneira que ocorre o
“desencanto da religião”. O mundo deixa de ser aquele lugar mágico, onde os deuses
habitam e operam. Há lapsos conceituais nessa perspectiva, no que se refere à religião
bíblica, que nunca deixou de reconhecer a existências de fenômenos físicos,
conquanto admitisse que Deus os ordenou. Todavia, não vamos entrar nos méritos.
Resta dizer que a teoria da secularização sofreu algumas mudanças porque, ao
contrário do que previam os sociólogos, a religião não deixou de ser paradigma
influente na sociedade. O aumento de oferta e procura por crenças, tanto as
tradicionais quanto as alternativas, foi chamado ironicamente de “a revanche do
sagrado”.
A
religião não sumiu; então, os defensores da secularização se equivocaram? Em
parte, sim. Mas acertaram no que diz respeito aos efeitos da secularização, no
aspecto de que a religião perde seu domínio diante da noção (pós-)moderna de
privatização. A fé se tornou parte da vida, uma esfera, confinada a algumas atividades
e a determinados sentimentos. Fé não é mais a perspectiva geradora, a força motriz das decisões, a visão do todo – e mesmo para
pessoas religiosas.
A
mudança do pensamento global, que desembocou na pós-modernidade, veio depois.
Assim, equivaler pessoas secularizadas a pessoas pós-modernas é confuso,
incorreto e problemático. Outro equívoco frequente: referir-se às pessoas mais
jovens como pós-modernas. Aliás, se entendermos que as premissas pós-modernas
já se achavam bem disseminadas na cultura dos anos 1960, teríamos de admitir
que ao menos três gerações poderiam ser consideradas pós-modernas – Boomers (1940-1960);
Geração X (1960-1980) e Millenials ou
Geração Y (1980-2000). Todas essas gerações, descontando fatores geográficos,
sociais e culturais, grosso modo
possuem uma perspectiva secularizada, sem, com isso, dizer que sejam gerações
de ateus empedernidos!
Assim,
precisamos desfazer alguns conceitos bem populares e, contudo, infundados: (1)
pessoas secularizadas não são contra a religião ou declaradamente anticristãs!
Elas não suportam hipocrisia atribuída aos religiosos, reclamam de intolerância
(ou do que julgam que isso significa) e preferem espiritualidade à religião (eu
posso ser espiritual sem frequentar uma igreja, mantendo hábitos que eu
entenda saudáveis para minha conexão com o que quer que eu considere
transcendente); (2) pessoas secularizadas existem mesmo dentro das igrejas
cristãs – esse negócio de “secularizados são os outros” (parafraseando Sartre)
nos impede de ver que, quando muitos de nós agimos no dia a dia sem refletir
nossa fé professada, estamos indicando que o vírus do secularismo já nos
atingiu faz tempo; (3) pessoas secularizadas não podem ser atraídas por uma
nova liturgia ou uso de músico pop para
a fé cristã, porque seria o mesmo que curar um alcoólatra lhe dando bebida com
baixo teor alcoólico! Usando métodos assim, não conseguiremos evangelizar os
secularizados, mas secularizar os evangelizados!
A
forma de evangelizar pessoas secularizadas é mais simples: siga os métodos de
Cristo. Ele Se misturou por entre as pessoas e Se mostrou sensível às
necessidades que possuíam. Compartilhou amor e as verdades divinas com compaixão
e exemplo. Ele inspirava as pessoas com Sua retidão e palavras poderosas. Se fizermos
o que Ele fez, vivermos como Ele viveu, abalaremos o mundo. Afinal, o Império
Romano, altamente secularizado, não foi transformado porque os cristãos
tentaram adaptar sua mensagem aos tempos; eles evangelizaram o império vivendo
intencionalmente sua mensagem.
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