domingo, 29 de março de 2015

REFLEXÃO SOBRE A VISITA DO PAPA FRANCISCO A UM CULTO PENTECOSTAL


Diversos veículos de comunicação noticiaram a visita do papa Francisco a uma igreja pentecostal na cidade de Caserna (ao norte de Nápoles), cujo pastor é Giovanni Traettino, amigo do pontífice. O número de fiéis presentes era de 350.
A visita foi histórica não somente por ser a primeira do tipo, mas também pelo pedido de desculpas: "Entre as pessoas que perseguiram os pentecostais também houve católicos: eu sou o pastor dos católicos e peço perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo diabo", afirmou o papa Francisco.
A intenção ecumênica do líder máximo da Igreja Católica ficou mais clara com a enfática declaração: "O Espírito Santo cria diversidade na Igreja. A diversidade é bela, mas o próprio Espírito Santo também cria unidade, para que a Igreja esteja unida na diversidade: para usar uma palavra bonita, uma diversidade reconciliadora".
Um detalhe nessa história precisa ser cuidadosamente pensado. A mídia em geral faz enorme confusão entre protestantes e pentecostais, tomando as duas coisas como sinônimos. Não são. A Reforma Protestante enfatizou um retorno à Bíblia, que se perdera na Tradição católica ou ficara obliterada pela interpretação alegórica. Pentecostais surgiram devido a agitação do evangelicalismo no século XIX, quando se buscava um novo tipo de experiência santificadora.
Católicos e protestantes já escreveram documentos conjuntos, fruto de diálogos entre seus teólogos. O protestantismo, em geral, está diluído, sem ter concluído seu projeto de avançar em uma compreensão bíblica (fruto em parte de nunca ter abandonado por completo as bases filosóficas herdadas do catolicismo, e também por influência do liberalismo teológico). Protestantes necessitam de autoridade para manter suas tradições. Em geral, o catolicismo supre essa necessidade. E necessita também de uma retomar sua experiência cristã (prejudicada pela sequidão espiritual gerada pelo liberalismo). Aí o processo de carismatização, de âmbito mundial. Logo, os protestantes acolhem a autoridade de Roma e a “energia” carismática dos pentecostais. Faltava que católicos e pentecostais, como grupos, se aproximassem.
Em realidade, a aproximação de católicos e pentecostais já ocorria há algumas décadas, mas se intensificava há alguns anos. Com a divulgação dos vídeos de falecido bispo anglicano Tony Palmer (assista aqui), tal aproximação se mostrou bastante adiantada.

O que se pode esperar? Ao contrário do que se pensava há décadas, o caminho para o ecumenismo não será o de uma completa adequação doutrinária, na qual católicos e evangélicos abraçarão as mesmas doutrinas; a união será em alguns pontos essenciais. Sobretudo, a fomentação de uma experiência mística e difusa, similar à religiosidade medieval, propiciará a união. Não podemos crer que os protestantes tradicionais – ou mesmo os adventistas – se encontrem totalmente prevenidos a tais tendências (veja artigo aqui e palestra aqui). Estejamos atento ao desenrolar dos acontecimentos, sempre estudando a Bíblia e o Espírito de profecia.

2 comentários:

João Batista Lopes Lops disse...

É realmente estamos bem proximo da vinda d Jesus. Já esta acontecendo à uniao d igrejas e em breve começara à perseguição aos q guardam os mandamentos d DEUS....

Hérick disse...

A cerca de 10 anos atrás confesso que não conseguia vislumbrar o cumprimento da profecia apocaliptica na qual a Igreja de Roma arregimentaria povos de toda a terra para lhe prestarem culto e subserviência. Não conseguia compreender como o catolicismo conseguiria convencer seus inimigos mortais (como o Islã, igreja anglicana, protestantes, judeus e até ateus) a se renderem e darem as mãos. Não visualizava qual argumento Roma utilizaria para fazer todos esses povos se esquecerem das atrocidades cometidas contra seus antepassados. No entanto, hoje consigo ver com clareza o que está acontecendo. Lideres protestantes e anglicanos pregando que tais denominações devem voltar ao seio católico, o Oriente Médio se tornando cada vez mais ocidentalizado (em grande parte devido à "primavera arabe") e abrindo lentamente suas portas à religião romana, judeus entrando em acordos comerciais com a Santa Sé. Hoje sim, a revelação divina faz todo o sentido para mim. Não gosto de ser alarmista/sensacionalista, mas sem dúvidas nós já estamos no "começo do fim".