segunda-feira, 1 de maio de 2017

JOSÉ E A TENTAÇÃO



José, vendido pelos irmãos, é adquirido por Potifar “oficial de Faraó e capitão da guarda” (Gn 39:1). Provavelmente, a intenção era que José desempenhasse funções domésticas. Apesar da condição cruel, por duas vezes é afirmado que o Senhor estava com José (Gn 39:2, 3). Como resultado, o jovem hebreu obteve a simpatia de Potifar (Gn 39:4), que reconheceu as habilidades do novo serviçal. Assim, José recebe a incumbência de administrar (Gn 39:4). Na sequência, outra característica de José é enfatizada: sua beleza física (Gn 39:6). Outros homens nas Escrituras são igualmente louvados por seus atributos estéticos, como Saul, Davi e Absalão. No relato sobre José, esse elemento serve para introduzir uma mudança de foco: é a beleza de José que desperta a atenção da esposa de Potifar. Como consequência, José foi tentado em pelo menos três diferentes formas.
Em primeiro lugar, José sofreu a tentação de forma direta e pontual. “‘Venha, deite-se comigo!’” (Gn 39:7), disse a mulher sem muita sutileza. A seguir, a situação passou a se repetir. O convite ousado agora ressoava pelo cotidiano (Gn 39:10). Por último, surgiu a tentação se apresentou de modo extraordinário:

Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encontrava. Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: "Vamos, deite-se comigo! " Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela. (Gn 39: 11-12).

A trama dos acontecimentos colocou José diante de um problema capaz de vencer a vontade dos mais extraordinários homens. Comumente, vemos políticos renunciando a cargos devido a escândalos extraconjugais. Recentemente, um ator famoso teve afastamento decretado por uma emissora de televisão após ser acusado de assédio. Jogadores de futebol são constantemente forçados a realizar exames de paternidade ou envoltos em divórcios milionários. A maioria dos homens enfrenta grandes dificuldades em lidar com tentações sexuais. Quando se examina a história de José, além dos tipos de tentação que ele sofreu, pode se verificar sua reação a elas, o que é extremamente útil para os cristãos da atualidade. Se José foi capaz de vencer a tentação mais apelativa e insistente, a vitória se acha à disposição para aqueles que seguirem seu exemplo.
Quando a tentação veio de modo direto e pontual, José respondeu afirmando audivelmente seus princípios:

Mas ele se recusou e lhe disse: "Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados. Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?" (Gn 39:8-9)

O texto apresenta que José era fiel em seu serviço porque ele sabia a quem prestava contas. Momentaneamente, ele servia a Potifar. Mas sua lealdade última era voltada a Deus, a quem era responsável por todo seu procedimento. Justamente o senso de estar na presença divina motivava José a um procedimento reto. A vida cotidiana, com suas demandas instantâneas veiculadas à conexão virtual, rouba o tempo para quase todo tipo de introspecção, reflexão e meditação na Palavra de Deus. A prática da oração, confiança no poder invisível, fica obliterada pelos atrativos exteriores. Entretanto, é o cultivo da presença do Senhor – pelo exercício diário da oração, do estudo fervoroso das Escrituras, pela decisão de permitir ao Espírito que influencie a mente a obedecer e prática consciente das verdades reveladas (pelo poder de Deus em sua vida) – que torna um cristão disposto a abdicar de prazeres para manter seus princípios.
Quando a tentação se tornou cotidiana, frequente, José estava preparado para enfrenta-la. Ele sabiamente evitava o objeto de sua tentação (Gn 39:10). Isso caracteriza a prudência que acompanha a quem teme a Deus. José não insistiu em seus argumentos e, se o tivesse feito, por certo teria tido pouco resultado. O tempo de argumentos já passara: era a hora de afugentamento.
Finalmente, José se viu em uma cilada: a tentação lhe sobreveio de modo extraordinário. Toda uma cena foi elaborada para que ele e sua senhora estivessem sós. Ninguém os veria. E, seguindo seu perfil, a esposa de Potifar tomou a iniciativa, agarrando seu manto (Gn 39:12). José certamente não poderia recorrer às estratégias já usadas: ele não poderia simplesmente evitar a mulher ou ignorar sua presença e provavelmente seria totalmente despido antes de terminar qualquer discurso! Mas o filho de Jacó tinha outro recurso: ele tomou a decisão radical de se afastar da tentação. Ele literalmente fugiu, deixando nas mãos de uma mulher furiosa o seu manto. Uma decisão corajosa, a qual lhe cobrou um alto preço.

3 comentários:

Tomé White disse...

Nós jovens, temos muito a aprender com José!Realmente, com o advento da tecnologia em grande massa,torna-se cada vez mias difícil e complicado nos mantermos firmes. Porém, todos que cultivarem uma comunhão com Deus, estarão sempre firmes e inabaláveis como José.

lucas oliveira disse...

quem elaborou todo aquele palco? foi a mulher de potifar somente? será que jose inadvertidamente nao cometeu um erro ao entrar naquele local sozinho, já que o texto biblico diz que ela o tentava diariamente?

douglas reis disse...

Lucas Oliveira,

obrigado pela sua interação.

Você levanta um questionamento interessante. Acredito que a situação foi totalmente armada pelo esposa de Potifar. Encontro as seguintes razões para pensar assim:

(1) Nada no texto sugere qualquer culpabilidade, explícita ou implícita da parte de José. Pensar o contrário levaria ao campo da especulação ou a duvidar da imparcialidade do texto;

(2) Ao mesmo tempo que as Escrituras afirmam que a esposa de Potifar tentava José constantemente, encontra-se a postura de José diante desses ataques diários: "Assim, embora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela." Gênesis 39:10

(3) Do ponto de vista da narrativa, não faria sentido apresentar José como adúltero ou conivente, quando se insiste tanto em dizer que o Senhor estava com ele (v. 2-3, 21, 23). Seria uma contradição total!

Por esses motivos, penso que o deixa não deixa dúvidas sobre a inocência de José e total responsabilidade de sua sedutora.

Deus o abençoe.