segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

BRITÂNICOS TOLERAM MENOS INFIDELIDADE CONJUGAL



Há alguns anos a psicóloga Susan Quiliam começou a atualizar “A Alegria do Sexo”, um guia do prazer seminal da década de 70. Ao falar com britânicos sobre sexo, ela verificou uma curiosa mistura de hedonismo e puritanismo. As pessoas aparentemente haviam se tornado mais abertas a experimentos em suas vidas sexuais. Mas suas atitudes em relação à infidelidade eram extraordinariamente pudicas.
Uma grande pesquisa publicada em 26 de novembro confirma o palpite dela. A Pesquisa Nacional de Atitudes Sexuais e Estilos de Vida (Natsal, na sigla em inglês) revela uma sociedade mais liberal e cada vez mais tolerante em relação à diversidade sexual. Um número cada vez maior de mulher teve algum tipo de experiência homossexual: 16% daqueles entre 16 e 44 anos, contra 10% em 2000.
Mas a permissividade não está em alta. Entre a primeira e a segunda Natsal, em 1990 e 2000, a proporção de homens entre 16 e 44 anos de idade que reprovavam o sexo casual aumentou de 20% para 27%. No relatório mais recente a proporção caiu novamente para 20%. E os britânicos repudiam cada vez mais os casos extraconjugais. Em 1990, 45% dos homens afirmaram que qualquer não exclusividade no casamento é errada. Agora 63% a condenam. As mulheres são ainda mais rígidas: a proporção que condena os casos aumentou de 53% para 70%.
A socióloga Catherine Hakim acha que a culpa pode caber em parte à crise financeira. Em tempos de dureza econômica as pessoas se apegam ao que quer que tenham, o que inclui parceiros, e as aventuras sexuais se tornam menos aceitáveis. Quilliam acrescenta que os jovens viram a destruição que a infidelidade criou entre seus pais e avós – as primeiras gerações realmente livres para experimentar com o sexo casual.



Apesar de a pesquisa indicar a rejeição ao sexo conjugal, a batalha contra a impureza – em todas as suas formas – ainda parece estar longe de ser ganha. E não será ganha pela sociedade como um todo, infelizmente. Cabe a cada um rejeitar tudo o que não se coadune com o plano de Deus, que consiste em sexo marital, monogâmico, heterossexual e feito em um ambiente de amor, respeito e valorização mútua. 

O APOCALIPSE QUE TODOS (ACHAM QUE) CONHECEM



Quando ouço as pessoas dizendo que a mensagem do Apocalipse é simples, sinto um misto de felicidade e preocupação. Claro que me alegra saber que mais gente estuda e entende as Escrituras, porque Deus nunca destinou o conhecimento delas para meia dúzia de acadêmicos. A preocupação decorre da pouco divulgada defasagem que temos quanto ao estudo do Apocalipse. Isso faz com que, em nível popular, tenhamos a impressão de tudo ser muito simples. Ledo engano!
Os principais materiais que temos em português sobre o estudo do Apocalipse são dois livros: Revelações do Apocalipse, de Roy A. Anderson e Uma nova era segunda as profecias do Apocalipse, cuja autoria pertence a C. Mervin Maxwell. Há méritos nos dois trabalhos. Entretanto, eles estão datados. O estudo do último livro da Bíblia avançou depois dessas publicações, que contam com mais de duas décadas.
Entretanto, sobre esses dois pilares são criados estudos bíblicos (como a conhecida série de Daniel Belvedere e outras que vieram em sua esteira), séries de conferências e programas de televisão. A massificação do conhecimento antigo e defasado passa a impressão de que tudo que poderíamos saber sobre o Apocalipse está à mão. E em muitas regiões do país, não faltam irmãos que repetem esse conhecimento com tanta segurança que são considerados profundos conhecedores do assunto.
O espírito de nossos pioneiros consistia em estudar a Bíblia com oração e buscar sua compreensão mais profunda. Eles não aprovariam uma igreja que estacionasse em sua pretensão de conhecer a verdade, mas que, de fato, não conhecesse toda a verdade. E como podemos saber que o estudo do apocalipse ainda é relevante? Simples: basta ver o número de livros que são publicados sobre o apocalipse por estudiosos adventistas em inglês (e outras línguas, como uma obra recente em alemão, do teólogo adventista Ekkehardt Mueller).
Em muitos dos livros mais recentes, embora o princípio historicista da igreja seja mantido, a interpretação de detalhes (como as sete trombetas, por exemplo) diverge do que sempre se ouviu (e ainda se ouve) dizer em nossos púlpitos. Sim, os estudos avançam, novas conclusões surgem e por aqui ninguém fica sabendo de nada. A impressão é que apenas no Brasil paramos no tempo…

A solução? Orar para que nossas editoras se animem a traduzir coisas novas. Para quem lê em inglês, procurar materiais e artigos disponíveis gratuitamente, escritos pelos mais lúcidos teólogos adventistas em atividade. E, acima de tudo, estudar o Apocalipse, em consonância com a base profética dos adventistas. Autores nacionais, como Vanderlei Dorneles, têm se desbravado a fazer isso. Que Deus levante outros como eles. Afinal, o Apocalipse não é a revelação de Jesus para Seu povo? Está mais do que na hora de estudarmos isso com mais seriedade.


domingo, 8 de dezembro de 2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A CIÊNCIA PODE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS?


Kaku em ação: ele pode provar mesmo que Deus existe?

Já duas pessoas diferentes me perguntaram sobre um artigo a respeito de Michio Kaku, físico que supostamente encontrou uma forma de provar a existência de Deus (leia mais aqui). Obviamente, minhas suspeitas recaíram sobre o título da matéria e seu tom simplista. Para uma opinião mais acurada, seria necessário o acesso à pesquisa original de Kaku.
Desse modo, minha opinião aqui não se refere tanto ao trabalho do físico, quanto a ideia segundo a qual Deus dependa de provas científicas que o legitimem. O que dizer? De antemão, é preciso reconhecer: não existe isso como prova definitiva da existência de Deus. A afirmação pode cair como um balde de água fria sobre aqueles que receberam com entusiasmo a notícia da pretensa prova científica definitiva para a existência divina. Porém, analisemos a questão com calma.
Primeiro, lembremos que a ciência não tem o poder de provar todas as coisas. A ciência não pode dizer que sou mais belo que o Tom Cruise (embora eu seja mesmo!), porque ela não existe para lidar com questões estéticas. A ciência também não pode determinar que os experimentos nazistas nos campos de concentração eram imorais, porque ela não lida com questões éticas.
A ciência têm seus limites, e sua maneira de trabalhar. Ela lida basicamente com fenômenos e eventos, não com entidades sobrenaturais ou acontecimentos passados (como se a terra foi criada ou evoluiu – a ciência não pode determinar isso).
Outra ponto: a ciência em si e por definição é neutra, mas não os cientistas que a empregam. Assim, não se pode dizer que a ciência afirma que Deus exista ou não – quem faz afirmação dessa categoria são os cientistas, influenciados por seus próprios pré-julgamentos.
Finalmente, embora haja bastante evidência racional para se crer em Deus, jamais haverá uma prova definitiva. Em última instância, trata-se de fazer duas opções: acreditar que Ele existe ou não, e ir ajustando essas escolhas pelas evidências que Deus nos dá sobre si mesmo. Por isso, os ateus e céticos são indesculpáveis quando descreem, porque embora todas as perguntas não sejam respondidas, há muito espaço, espaço suficiente, para aceitar racionalmente a crença em um Deus (Rm 1:18-20).

EMPRESA DE CAIXÕES LANÇA CALENDÁRIO SENSUAL



Calendários com fotos picantes de mulheres seminuas têm sido uma jogada de marketing de muitas empresas, inclusive uma empresa que fabrica caixões. Isso mesmo – um calendário com modelos posando sensualmente ao lado de caixões. Isso é o que podemos chamar de morrer na luxúria.
A ideia é da marca polonesa Lindner, que segundo informações do Daily Mail, é a maior fabricante de caixões do seu país, produzindo 11 mil peças por mês, número que pode vir da estratégia de marketing ousada. A empresa cria os calendários sensuais há cinco anos – em 2012, a Igreja Católica criticou a publicação afirmando que a morte deve ser respeitada e não associada com sexo, mas isso não impediu a tradição. “O meu filho teve a ideia de criar o calendário com as modelos para que tivéssemos algo que fosse tanto sério quanto bonito, e que representasse a beleza das mulheres polonesas”, disse Zbigniew Lindner, dono da firma.
[…]
 “Investimos muito em nossos caixões, e eles são vistos por alguns momentos durante o velório. Um caixão não é um objeto sagrado, é um produto – um móvel, a última cama em que você vai dormir”, finaliza o proprietário da empresa.
[…]

Sabonetes, xampus, roupas e agora… caixões! É longa a lista de produtos cujos comerciais apelam à nudez para se promoverem. Infelizmente, a sociedade hiper-estimulada aceita consumir essas imagens sem se questionar. Um absurdo que alguns ainda vejam um toque de humor respeitável ou uma justificativa estética para essas iniciativas. Polônia, quem diria? A futilidade está mesmo em toda parte! 


NÃO AMEIS O MUNDO

ONDE ESTARIA O PORCO?



Sobre qual leito o dorso repousara?
Qual outra roupa o corpo me cobrira?
Treva do olho escapara ao arder qual pira
– Cada qual fora como as demais clara!

Fosse a sorte qualquer, em meio à vara,
A chafurdar fornido o afã me vira.
De que vale o som, posta em lodo a lira?
Se hoje o amanhã compõe quando me encara,

E a mente goza de altas regalias,
Não alego talentos reunir
Que pelo uso alargassem os meus dias.

Houve algo – houve Alguém. Penso e sinto um misto
De euforia e paz. Visto haver porvir,
Jamais teria o que hoje eu tenho em Cristo.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MUDANÇA COMPLETA



Ninguém pode estar verdadeiramente unido a Cristo, praticar Suas lições, submeter-se a Seu jugo de restrição, sem compreender aquilo que jamais pode expressar em palavras. Vêm-lhe pensamentos novos e ricos. O intelecto recebe luz, a vontade determinação, a consciência recebe sensibilidade e a imaginação pureza. O coração torna-se mais terno, mais espirituais os pensamentos, o serviço mais semelhante ao de Cristo. Vê-se na vida o que palavra alguma pode expressar: veracidade, fidelidade, dedicação amorável do coração, da mente e do espírito, e força para o trabalho do Mestre.
Ellen G. White, Conselho sobre educação, p. 216-217.


domingo, 1 de dezembro de 2013

A PRAGA CHAMADA RECALQUE



Os antropólogos são culpados por disseminarem a ideia segundo a qual qualquer produção artística pose ser chamada de cultura, independente de possuir ou não qualidades. O relativismo chegou à estética. Logo, entre Mozart e Valesca Popozuda não há diferença (!), porque tudo seria música. Cézanne e Hubert Duprat se equivalem, porque ambos são artistas plásticos. Essa confusão terrível danificou a apreciação da verdadeira arte, além de depravar noções estéticas que são reflexo da beleza que há no mundo criado belo por Deus.
Essa introdução sobre a arte nos é útil para falar da cultura pop, que pretende produzir cultura de forma legítima, apesar da baixa qualidade estética. O que facilita o processo é que, atualmente, tudo se reduz a gosto, como se a opção de cada um fosse a legitimação necessária para qualquer expressão artística.
Quando alguém diz que “axé é para quem gosta” ou defende o sertanejo universitário (que deve ter muitas DPs, porque nunca se forma!) com base no próprio gosto, está-se deixando de lado o fundamento de toda verdadeira arte: transmitir beleza, transbordar sentimentos de enlevo e estarrecimento, intencionalidade, transmitir uma mensagem grande e apresentar domínio de recursos artísticos peculiares.
É mais fácil definir a arte ruim (até pela abundância de exemplos, de Bieber a Percy Jackson), mas se torna inescapável reconhecer uma grande obra quando se está diante dela.
Mas como discutir qualidade artística, se os defensores da cultura popular costumam blindar seus artistas de críticas, defendendo-os com unhas e 140 caracteres? Por exemplo, quem falar sobre um artista medíocre, prepare-se para ser alvo de uma enxurrada de comentários: Xuxa e Ratinho que o digam!
A palavra da vez é recalque. Dado que o ídolo é absoluto, quem o crítica só pode mesmo estar motivado por inveja – o tal do recalque. E todos são recalcados: jornalistas, críticos literários, aqueles que comentam o desempenho de atletas, etc. Não há como tentar ser objetivo sem cair na acusação: “recalcado”! Assim, mata-se a possibilidade de diálogo e se sustenta a idolatria que fecha as portas a todo senso crítico.
E, para aqueles leitores que, a despeito de alguma cultura e formação acadêmica, dispuserem de tempo livre, eu os convidaria a analisar um fórum da internet: sobre qualquer assunto, deixo a seu critério. Perceba que, basicamente, haverão dois tipos de comentários:  favoráveis ou contrários. Isso, sem meios-tons, ou avaliações equilibradas. Além disso, não ocorrem discussões, apenas opiniões surdas em um diálogo em que as ideias ficam de fora. O emburrecimento parece ter alcançado sua disseminação mais bem sucedida nos fóruns. Sem ponderações ou articulações, somente torvelinhos de comentários dispersos.
Se o povo desenvolvesse lucidez e espírito analítico, veríamos menos gente gritando “recalque” e defendendo o direito de ouvir funk e mais preocupada com o rico patrimônio cultural (bons músicos, escritores, artistas plásticos) do Brasil. Sonho em ver uma hastag na qual se discuta algo memorável e não o disparate comum, ao estilo de #anitanossoorgulho. 


DEUS ENTENDE, MAS...



Balaão, o vidente de aluguel, acabou constrangido devido às advertências do Anjo (Nm 22). Por mais que o seu coração desejasse as recompensas oferecidas pelo rei Balaque, sabia que a desobediência seria fatal. Ainda assim, tentou convencer Deus a amaldiçoar o Seu povo. “Balaão disse a Balaque: ‘Construa para mim aqui sete altares e prepare-me sete novilhos e sete carneiros’”. (Nm 23:1).
Repare na quantidade de animais – para que tantos? Balaão achava que o número impressionaria a Deus. Na mentalidade pagã, a quantia, não a qualidade, aplacava os deuses. Contudo, nenhum sacrifício, por mais volumoso que tenha sido, jamais substitui a obediência exigida pelo verdadeiro Senhor.1
Inspirado nessas palavras penetrantes foi composto o hino Obedecer é melhor (Hinário Adventista, no 525), cuja primeira estrofe e refrão dizem solenemente: 
Obedecer é melhor do que sacrificar;
Melhor é sempre atender a Deus e alei guardar. 
A Deus com fé, nossa alma volvamos,
À sua lei, obedeçamos,
Pois obeceder é melhor do que sacrificar,
Melhor é sempre atender a Deus e a lei guardar. 
Nada compensa o dever não cumprido. Fuja da tentação de barganhar com Deus. Somos experts em imaginar que somos exceções às regras de vida que Deus revelou. Queremos adotar a música que Deus reprova para tentar atrair pessoas a Ele. Ficamos indignados quando o pregador insiste em vincular estilo de vida cristã à questão de vestuário. E quando o assunto é reforma de saúde, é provável que demos boas risadas dos conselhos alimentares em um movimentado rodízio de pizza!
Certa vez, casualmente encontrei um homem que havia frequentado a igreja no ônibus em que estava. Conversamos de passagem e ele relatou que, devido às pressões do empregador, aceitara trabalhar nas horas sabáticas. “Deus entende…”, foi seu frustrado desabafo.

Seja qual for a sua dificuldade para ser fiel ao Senhor, lembre-se sempre: o Senhor sempre nos entende; entretanto, nada pode substituir a obediência. Deus conhece as motivações interiores e nem mesmo a alma mais sincera se acha escusada ao se desviar do dever. 

sábado, 30 de novembro de 2013

ENCONTRO HISTÓRICO DOS DOIS MAIORES QUARTETOS ADVENTISTAS

CULTIVE TODAS AS FACULDADES



“Deseja que cresçamos constantemente em santidade, felicidade e utilidade. Todos possuem aptidões que devem ser ensinados a considerar sagrados dons, a apreciar como dotes do Senhor, e empregar devidamente. Ele deseja que os jovens cultivem todas as faculdades de seu ser, exercitando ativamente cada uma delas. Deseja que desfrutem tudo que é útil e precioso nesta vida, que sejam bons e façam o bem, depositando um tesouro celeste para a vida futura.”

Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 398.


O PORQUÊ DE SER DIFERENTE

Cabelos vermelhos, desfiados, cortados no estilo moicano. Tatuagens verde-musgo correndo pelos braços, furiosas. Roupas sujas, esfarrapadas. O homem encosta o cavanhaque espesso no microfone e brada para a sua igreja, como se estivesse em um show de rock: “Feliz sábado! Sou o Pr. Pedro e assumirei este distrito a partir de hoje…”
Agora, outra cena: o tribunal reunido. Réu preocupado, juiz impaciente, promotor triunfante. Falta o advogado. Eis que, num rompante, chega o defensor. Ele traja uma calça colante azul, uma camisa rosa e sapatos esverdeados. Boquiabertos, os presentes veem quando a estranha figura abre a pasta e se posta, esperando o início da sessão.
Agora, o último exemplo: todos estão em frente a um rio, diante do espetáculo. Ele não é um saltimbanco, mas consegue atrair boa parte da população. Não com truques de mágica ou números de malabarismo. Ali está um homem diferente: barbas longas e roupas de peles de animal, capazes de fazer os ativistas da organização PETA1 ranger os dentes de raiva! Além do visual impressivo, o cidadão tem voz altissonante e mensagem provocativa.
Por gentileza, pense por um instante nos três casos acima. Neles, há indivíduos exóticos, pelo menos à primeira vista. Porém, para além das semelhanças, pode-se notar que nos dois primeiros casos há uma clara inadequação entre a função e a imagem: ninguém se sentiria à vontade tendo um pastor grunge ou diante de um advogado que seguisse a moda “colorido”2. Mas o que dizer do terceiro caso?
Quando leio as páginas do Novo Testamento, lá está esse terceiro homem. Seu nome? João.
Naquele tempo, João Batista apareceu e começou a proclamar no deserto da Judéia, dizendo:
– Arrependam-se, pois o reino do céu está próximo. […]
João usava roupas feitas de pêlo de camelo e um cinto de couro amarrado na cintura e se alimentava com gafanhotos e mel silvestre. (Mt 3:1-2, 4,Versão Fácil de ler).
João Batista é, sem dúvida, uma figura vistosa. Não é o tipo de sujeito que você esperaria ver na fila de Banco ou saindo de um restaurante. Qualquer estilista diria que seu figurino é démodé. Nenhuma nutricionista aprovaria sua dieta baseada em gafanhotos e mel. Ele tem olhar penetrante e voz potente. É infatigável e corajoso em suas denúncias. Arauto incansável, mestre persistente. Vejo-o percorrer distâncias arenosas, fustigado pelo calor palestino, adornado por expressões de curiosos e sinceros.
Sem dúvida, João não era seguidor de uma tendência da moda ou fazia parte de uma tribo urbana (dessas que os pais torcem para os filhos adolescentes não aderirem!). Por vezes, ele nos lembra os tipos messiânicos dos quais a História testemunha. A despeito das semelhanças entre o Batista e Antônio Conselheiro ou Inri Cristo3, há diferenças abissais!
Por mais que João se pareça com um revolucionário popular ou um religioso charlatão, trajando peles de animais, a barba a roçar o peito, ele é mais do que aparenta para nós. Examine o aspecto que o torna inconfundível: a mensagem de João era legítima, ao contrário da de Conselheiro e Inri. Todo o mais não era questão de excentricidade; tratava-se de adequação às circunstâncias. Vestir-se daquela forma fazia sentido em sua época. Se você fosse um judeu do primeiro século e se deparasse com João, às margens do Jordão, não teria dúvidas: aquele era um profeta, o porta-voz de Deus!
Analise mais a fundo, por exemplo, João Batista, que mostrava quem era por sua roupa e hábitos. O que o motivava? Certamente, sua motivação seguia para além de ter “um nome a zelar”. João possuía identidade estritamente relacionada com a urgente missão que Deus lhe dera. Tudo nele contribuía para atingir seu alvo de vida. Ele não buscava fama ou aprovação social. Não imitava nenhum astro recém-surgido dos reality-shows. João era autêntico e autenticamente identificado com o que Deus queria dele. “Por sua vida abstinente e simplicidade de vestuário, devia [João Batista] constituir uma repreensão para sua época”4, escreveu Ellen G. White. Neste aspecto, será que estamos à altura de seu ideal de vida?

João Batista era do tipo que preferia reconhecer a necessidade de um guia no longo deserto da vida. Já foi dito que a mensagem de João, a qual era “proveniente de Deus [,] não veio das sinagogas ou das escolas do templo, mas de um homem cuja escolaridade estava em sua caminhada com Deus.”5 Nas palavras de Ellen White, ele contemplou “o Rei em Sua beleza, e o próprio eu foi esquecido. Vira a majestade da santidade, e sentiu-se ineficiente e indigno. Estava disposto a ir como mensageiro do Céu; não atemorizado pelo humano, pois contemplara o Divino. Podia pregar ereto e destemido em presença de monarcas, porque se prostrara diante do Rei dos reis.”6
Será que os crentes que vivem às vésperas do advento de Jesus estão compenetrados como João em sua missão de preparar o caminho para o Rei? Será que suas músicas gritam que eles não pertencem ao mundo que os cerca? Será que suas roupas testemunham que esperam pelo Rei? Será que seus hábitos contam que eles são hoje “a voz que clama no deserto”?
Sente você que a “bendita esperança”, que movia João Batista, comove sua alma e a faz vibrar? Sinto que enquanto a esperança do retorno do Senhor não nos motivar a falar a outros sobre o Salvador prestes a vir, permaneceremos por tempo indefinido neste mundo! Está em nossas mãos apressar o regresso de Cristo.


Referências
1. A organização PETA (sigla de People for the Ethical Treatment of Animals ou “pessoas pelo tratamento ético aos animais”) milita contra os maus tratos prolongados sofridos pelos animais nas indústrias farmacêuticas, têxtil, entretenimento, entre outras. A PETA é bem conhecida por campanhas agressivas, nas quais recorre frequentemente à nudez. Mais informação se acha disponibilizada no site da ong: http://www.peta.org/
2. A moda coloridos chegou ao Brasil especialmente pela banda de Rock Restart. Basicamente, essa tendência explorava cores vibrantes, chegando até mesmo ao fosforescente.
3. Antônio Conselheiro foi um célebre líder carismático que liderou a Guerra dos Canudos, no fim do século 19. Ele se tornou célebre pelo relato de Euclides da cunha, Guerra dos Canudos, clássico da Literatura Brasileira. Inri Christo é um autoproclamado messias brasileiro, que possui pequeno número de seguidores e que ganhou fama por aparições bizarras em programas televisivos (sobretudo, os humorísticos).
4. Ellen G. White, O Desejado de todas as nações, p. 69.
5. Myron S. Augsburger; Lloyd J. Ogilvie, The Preacher's Commentary Series Matthew (Nashville, Tennessee: Thomas Nelson Inc, 1982), v. 24, p. 18.
6. Ellen G. White, idem, p. 71-72.