sábado, 24 de dezembro de 2016

sábado, 10 de dezembro de 2016

O EVANGELHO NA LÓGICA DO IMEDIATISMO CONTEMPORÂNEO


O tempo não era um problema para os hebreus. Embora o tempo fosse real, não havia a necessidade de controla-lo, por meio de segmentação coerciva. Ironicamente, nossa vida pautada por datas e horas rígidas estabeleceu o controle do tempo sobre nós e não o contrário. Simultaneamente, o tempo vai perdendo seu vínculo com a realidade, especialmente com a intrusão da virtualização trazida pela cibercultura. A conexão com a internet nos desloca para um não-lugar, sem referência de tempo. Só existe uma versão unidimensional do tempo – o agora.
Em um mundo instantâneo, como se vive a espiritualidade? Acostumados com a velocidade da dromocracia – o domínio de uma sociedade em constante movimento de aceleração –, as pessoas se tornam exigentes e impacientes. Ninguém quer esperar. As respostas precisam ser instantâneas, prontas. E decodificadas, porque a impaciência se estende aos domínios da concentração (ninguém quer pensar demais para resolver qualquer questão). Vivemos em um contexto em que tudo flui. A crença pessoal é moldada para atingir o mesmo nível de fluidez que permita às pessoas terem, paradoxalmente, algum vínculo com um ponto sólido.
O cristianismo fluido, líquido, maleável e moldável é a resposta que as pessoas esperam nesse momento. Por isso os movimentos carismático-pentecostais largam na frente quando se trata de falar a linguagem das pessoas hoje. Nessa cristianismo carismático-pentecostal, a conexão com Deus é direta. E empoderadora: a energia da divindade corre nas veias em um fluxo emocional inesgotável, atendendo os anseios do presente. Não há complicações cristãs clássicas, porque o mínimo de doutrina se destaca – dose suficiente para garantir o ponto sólido de apoio. A descomplicação e praticidade do discurso religioso garante sua atualidade. A experiência se reveste de notoriedade e fornece um vínculo com os anseios materiais; afinal, tudo o que reivindicar da parte de Deus, me será concedido (confissão positiva).
A expressão bíblica do cristianismo é mais lenta. Deus Se revela pela Palavra. Ela precisa ser estudada e decodificada, o que exige um compromisso com o Espírito Santo. Estudar as Escrituras não é um investimento que garanta resultados imediatos (embora os resultados sejam garantidamente superiores). Não existe um elo emocional evidente, uma espécie de energização via fluxo emocional. O estilo de vida se apresenta contracultural ao extremo no cristianismo bíblico, capaz de alterar hábitos de maneira incômoda, com provável prejuízo para as relações interpessoais. Obviamente, o cristianismo bíblico não satisfaz as expectativas do imediatismo do mundo líquido.
E esse é o ponto: o que fazer com o cristianismo bíblico? Sua proposta desafia homens e mulheres de todas as épocas a não se conformarem com a cultura, experiência, relacionamentos e até com as expressões derivativas do próprio cristianismo. Se Deus se auto-revelou, como a Bíblia afirma, não poderíamos esperar que Ele o fizesse de maneira satisfatória aos padrões humanos, ainda mais porque tais padrões são resultado da tendência adquirida ao egocentrismo. Essa tendência é o resultado direto do pecado e se interpõe contra a vontade divina. Para salvar o homem de si mesmo, Deus precisa contrariá-lo, esnobá-lo, humilha-lo e leva-lo ao reconhecimento de sua maior necessidade: a salvação. Às vezes, isso leva tempo, porque Deus não Se pauta pela lógica do imediatismo. Mas tempo não é problema para Deus.


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A DEGRADAÇÃO DO SENSO DA PRESENÇA DE DEUS


A missão que temos é transmitir a última mensagem de advertência. Trata-se de uma responsabilidade solene. Solenidade é um conceito que escapa à contemporaneidade. Sua gravidade é diluída nos filmes de Hollywood, quando nos momentos trágicos parece haver a necessidade de um contraponto cômico. Nem as músicas religiosas atuais conseguem mais representar a solenidade. Talvez, apenas atrás do conceito de reverência, solenidade seja um dos artigos mais raros no mercado atual. Ambos são raros pela mesma razão: a degradação do senso da presença de Deus.
Em um contexto tecnológico, tudo apela aos sentidos. Mas Deus permanece invisível. Os comunicadores instantâneos, ubíquos, fomentam a ilusão de estarmos presentes em diversos lugares e de igualmente termos os amigos próximos. E com tantos elementos atraindo a atenção, o Deus Altíssimo, presente no mundo material, é ignorado. Se a presença do Criador passa despercebida, que dizer da comunhão com Ele? Que dizer da forma de responder ao Seu chamado?
A ironia fatal de uma época em que a adoração ganha contornos de metalinguagem – com músicas de adoração que falam sobre adoração –, é que os cristãos, em geral, não entendem adoração como a resposta obediente ao que Deus fez por mim. Adoração não significa sucumbir a um êxtase emocional, na tentativa de reproduzir a presença de Deus de forma carismática, como se a música e a emoção fossem elementos catalizadores para fazer um download de Deus. Adoração compreende me relacionar com Deus, nos termos que Ele estabeleceu em Sua Palavra. Isso implica em rendição, gratidão, júbilo, disposição para servir e obedecer e tantas outras coisas.
O verdadeiro adorador obedece voluntariamente. Ele quer testemunhar, porque não pode conter o amor que brota nele em resposta ao amor que fluiu do coração de Deus. Com humildade e poder, alegria e tato, sabedoria e entusiasmo, ele prega. Com suas palavras, mas com cada gesto silencioso. Prega usando a Bíblia, mas por meio de sua coerente busca para se mostrar fiel. Não há aquele sentimento estreito de alguém mecanicamente condicionado a fazer algo segundo um programa. Existem muitos manuais, planos e estratégias. Recursos não faltam. Falta é amor, transformação, vidas impactadas pela comunhão. Falta o Espírito de Deus descendo sobre Seu povo a cada manhã.
Ser um adventista é abraçar a missão. Sem os modismos que invadem a literatura evangélica a cada época. Sem o proselitismo pelo proselitismo. Viver a missão, ser a missão, pregar com o fogo de quem ama o Salvador e ama aquelas pessoas que Ele ama. Uma imensa responsabilidade, maior do que qualquer ser humano poderia imaginar.
Uma responsabilidade solene para tempos solenes.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

BLACKMONTH - APROVEITE


Nota: terminada a promoção, voltamos ao preço normal do livro: R$ 27,60. Adquira pelo link:



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A OBRA DE OUTRO ESPÍRITO


“Nas igrejas que puder colocar sob seu poder sedutor, [Satanás] fará parecer que a bênção especial de Deus foi derramada; manifestar-se-á o que será considerado como grande interesse religioso. Multidões exultarão de que Deus esteja operando maravilhosamente por elas, quando a obra é de outro espírito. Sob o disfarce religioso, Satanás procurará estender sua influência sobre o mundo cristão.”


Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 20120, 464.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

GLORIFIQUE SEMPRE


Se eu escrevesse um diário, na folha correspondente ao dia de ontem eu jogaria um pote de nanquim. Já viveu um dia em que nada, absolutamente nada, desse certo? Assim o dia de ontem foi para mim.
Minha manhã? A mais estressante possível. Confusões. Confrontos. Nervos à flor da pele. Mal consegui almoçar, de tão tenso que me achava. Saí para fazer compras em Maringá, a cidade grande mais próxima de onde moro. Devido a mudanças no centro, foram removidas algumas vagas para estacionamento localizadas nos canteiros entre as pistas, forçando a estacionar longe das lojas. Na prática, isto significou andar bem mais!
Depois da peregrinação, precisei ir ao supermercado duas vezes. Na primeira, não consegui a lista de compras em meu e-mail e não havia nenhuma rede wi-fi disponível! Precisei ir até um shopping (outra caminhada) para acessar os itens a serem comprados. Quem disse que a tecnologia ajuda quando precisamos?
Ao voltar ao supermercado, já estava passando minha compra no caixa quando esbarrei em um vidro de leite de coco. Adivinhe se ele não caiu no chão e sujou minha calça? Junto ao balconista, havia uma zeladora que acabara de perguntar se precisava limpar algo ali perto. Assim que derrubei o vidro, o rapaz lhe respondeu: “Agora precisa!”.
Aquilo pareceu a prova final de que meu dia fora formidavelmente horrível. “Hoje é o dia em que nem deveria ter me levantado da cama”, disse para a zeladora, como tentando encontrar simpatia para meus infortúnios. Ela simplesmente retrucou em tom triunfante: “Todos os dias devemos nos levantar e glorificar a Deus!” Confesso que se ela tivesse pulado em mim e me acertado no peito com os dois pés não teria doído tanto! Deu até vontade de dizer: “Muito prazer, senhora, eu sou um pastor adventista.” Bem, foi melhor nem ter dito mesmo…
Quando voltei para o carro, eu comecei a pensar, enquanto acomodava as sacolas com as compras, nas coisas positivas que aconteceram ao longo do dia, negligenciadas em meio à maré de infortúnios. E havia muitas coisas boas, bênçãos do Pai celestial que não receberam minha devida gratidão; afinal, eu estava mais preocupado em chorar como uma criança mimada!
Somente quando nos esquecemos de quem é Deus e de Sua sagacidade para cuidar dos detalhes de nossa vida é que passamos a reclamar e ver tudo sob um espectro obscuro. Viver sem considerar a influência do Senhor em todos os aspectos da vida leva a um dramático descompromisso com Seus mandamentos. Afinal, por que obedecer a um Deus que nos abandonou? Tragicamente, se houve abandono, foi de nossa parte, não da do Senhor.

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Mesmo quando tudo dá errado, é certo que ele está conosco

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

DO CONTO DE FADAS AO PESADELO


O sonho de sua infância não era ir à lua ou jogar no Real Madri. Nunca foi brilhante ou ambicioso. Apenas queria o mesmo que qualquer um, sem buscar destaque entre a multidão.
Subitamente, o caipira com mato no canto da boca recebia os aplausos de empresários. Da carroça para o interior de limusines e iates. Não ganhara em nenhuma loteria, nem sorteio da televisão. Sequer fora descoberto por uma agência de modelos (embora as mulheres sentissem o frissom que sua presença causava!). Mas sob seu cabelo desgrenhado e lavado com sabão pousou a coroa real. O menino brejeiro tornou-se o mandatário da nação, quem diria!
Naturalmente, ninguém se assustara mais do que ele próprio! Para quem jamais sonhara com coisas tão espetaculares, o sonho assumia uma forma assustadoramente maior – e real! Quando você ganha algo sem merecer, dado por quem o ama, chega a ser ofensivo mesmo o menor esboço de recusa. O mínimo a se fazer é aceitar, tentando corresponder ao presente.
O menino pobre se tornou rei, sem ter sangue azul ou ser diplomado em ciências políticas em Havard; ele não merecia aquilo, diriam os críticos com razão. Porém, ele poderia ter correspondido à escolha divina.
Poderia.
A tragédia maior das ascensões meteóricas é a dificuldade em lidar com o sucesso quando ele chega sem aviso ou antes do pretendido. E quando falamos em sucesso espiritual, ainda se corre o risco de apressar a derrocada, quando atribuímos as glórias a coisas como esforço, talento, habilidade e merecimento. Ao nivelar as bênção divinas com conquistas humanas, nos desabilitamos à posição em que Deus nos pôs.
Saul, o rei que chegou ao poder como um matuto, logo se sentiu à vontade no trono. Passou a tomar decisões sem se importar com conselhos de sacerdotes, profetas ou mesmo do próprio Deus. Governar se tornou algo que ele sentia depender de seu instituto nato de líder. E quando Deus o rejeitou, escolhendo um homem melhor para liderar Israel, o pior de Saul veio à tona: invejoso, rancoroso, capaz de armar ciladas e matar quem quer que ficasse entre ele e o seu reino. Você já viu essa história, certo?
O ciclo se repete, mesmo entre o povo escolhido por Deus. Afinal, é próprio do ser humano amar o poder e se apegar a ele com um carinho que brota do egoísmo enraizado em nosso coração. Se você duvida, basta assistir uma típica reunião eclesiástica. Desde a igreja local, até os níveis superiores de nossa organização, parece sempre haver indivíduos que amam mais o poder que sentem possuir do que o Deus que lhes oportunizou servir com seus dons a Sua causa.
É fácil nos esquecermos de onde Deus nos buscou e reconhecer que os dons vieram de Seu Espírito (1 Co 12:11). Em algum momento, passamos a ocupar o centro, empurrando aos poucos Deus para a preferia da vida cotidiana (deixe Ele continuar sendo o Senhor do sábado apenas). Tragicamente, enquanto disputamos o poder, Deus escolhe representantes humildes com os quais consiga Se comunicar sem barreiras. E a obra dEle será concluída por pessoas cujo nome continue desconhecido em todos os círculos do poder.
O problema não está na liderança em si, nem poderia estar, uma vez que Deus usou grandes líderes em momentos-chave da história, como Abraão, José, Moisés, Josué, Gideão, Sansão, Samuel, Daniel e Neemias, para citar alguns nomes. Liderança nunca foi sinônimo de desonestidade, corrupção ou opressão. Entretanto, o fato de alguém ser chamado para servir a Deus de modo especial demanda mais íntima comunhão com Ele e uma vida à altura do serviço. Somente líderes espirituais se acham prontos para servirem em assuntos espirituais. Se o talento, a habilidade de planejar, a coragem para executar e força de vontade não forem devidamente consagrados a Deus, a liderança se converterá em um jogo de poder com um verniz eclesiástico.

Deus chama a todos para usarem seus dons a fim de semear o evangelho, apressando o regresso de Jesus. Na luta com o orgulho e atitudes carnais, podemos aprender com o exemplo de Saul, o primeiro rei de Israel. Esse livro foi escrito especialmente para a atual geração de adventistas, que muitas vezes é tentada a desanimar em face de tantos conflitos que existem em suas igrejas locais ou tenta achar um caminho para renovar a fé adventista. Lembre-se de que Deus conduz essa igreja. E, se seguirmos os métodos dEle, buscando reavivamento e reforma pessoais, veremos uma melhora nos relacionamentos entre cristãos, além de um caminho que permita viver o evangelho em sua plenitude, incluindo o uso de nossos dons para cumprir a missão.

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Contra a acomodação
Jesus, o Servo Salvador
O coração do discipulado
Vizinhos do campo missionário

domingo, 9 de outubro de 2016

RESTAURADO



Rompe-se a paz do lar: o homem sem roupas no Éden
Sente a rispidez do ar, que lhe raspa as entranhas.
Rapidamente, os dois olhos de Eva lhe pedem
Para repor a paz nestas horas estranhas.

Tudo quanto se fora, ao fim nos será dado
– O Éden há de voltar! Gramas grassando agora
Mais verde vão por todo o jardim restaurado,
Onde a beleza cobre cada grão que aflora.

Perante o esplendor vivo em cada planta e ser,
Há outra luz que flui do trono altaneiro:
Ali, mesmo anjos, com estatura e poder,
Dão glória, glória, glória ao Senhor e ao Cordeiro.

E a glória de Deus é doar-Se à criatura,
Com materno olhar, um olhar que, ao amar, reluz;
Para espanto do cosmo, o amor em forma pura
Demonstrou seu extremo ao assumir a cruz.

Por isso, os vinte e quatro anciãos dão louvor:
Tudo novo se fez! Adeus à nódoa rubra.
Em estatura e graça, homens crescem no amor
E veem no mundo mais para que se descubra.

Enfim, a paz! Enfim, a perene certeza
Da harmonia entre Deus e o homem. Enfim, a vida
Como se planejou em seu princípio. À mesa,
Deus Se assenta ao redor da família reunida.


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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A IMAGEM NA MÍDIA ADVENTISTA


A mídia é construída e sustentada pelo poder da imagem. O que celebridades midiáticas vestem ou costumam dizer se torna icônico. O icônico é o novo clássico: digno de ser imitado, mimetizado. O termo clássico significava, originalmente, aquilo que é próprio para ser estudado em classe. Necessita ser reproduzido, porque está baseado em convenções (especialmente literárias e relacionadas às artes plásticas). As convenções estabelecem o lugar-comum, ou seja, o modelo para cada nova produção artística. A boa arte se faz dentro dessas convenções. A qualidade não tem que ver com absoluta originalidade, mas em respeitar com louvor o lugar-comum e fazê-lo com elegância.
No século XX, a arte moderna se ergueu contra as convenções, recuperando o ímpeto romântico (libertário em sua essência) e extravasando-o: havia, então, um anarquismo quase infantil, mas politizado e autoconsciente. Ironicamente, a mídia popular de massa (surgida ainda no período moderno) impõe o novo clássico: o icônico, a convenção da imagem. Você sabe que um herói entra em cena no filme pelos cortes, ângulos, fumaça, trilha sonora, postura corporal e tipo de roupa. Há uma maneira de filmar e apresentar a imagem do herói (tão estabelecida que já virou alvo de pastiche). Quando se quer que uma banda faça sucesso, o produtor se preocupa não apenas com a qualidade do material sonoro, mas com a capa do CD, o site oficial do grupo, as roupas que usarão e os programas de televisão nos quais estarão.
A imagem impõe uma nova racionalidade. O conteúdo está vinculado à aparência, responsável por fomentar o interesse sobre o produto. Ninguém é bem-sucedido se não usar certa marca de roupa. Ninguém é legal se não ouvir determinada música. Ninguém faz sucesso se não possui milhões de seguidores. Não à toa, as redes sociais que mais crescem (Instagram e Snapchat) não se baseiam em texto ou informação, mas no poder da imagem, do registro, explorado ad nauseaum. O sucesso inconteste dos youtubers não me deixa mentir.
Nesse contexto, a mídia adventista se forma. Primeiro, em uma tentativa embrionária, com a Chapel Records, dos anos de 1950 a 1970. Basicamente, a empreitada nasceu para ser uma gravadora que reunia os grandes músicos adventistas (King’s Heralds, Faith for Today Quartet, Del Delker, Ray Turner, King’s men, Brad Bradley e, posteriormente, Heritage Singers). Outras inciativas ganharam formas nas décadas seguintes, em diversos países do mundo, especialmente os programas radiofônicos e televisivos (precedidos pelo Voice of Prophecy e Faith for Today nos EUA). Isso até a consolidação do Hope Channel e seus similares (Nuevo Tiempo e Novo Tempo, para citar os exemplos presentes em nossa geografia) e da rede particular 3ABN.
Os adventistas jamais sonharam em gerenciar um império das telecomunicações. Suas iniciativas no campo da mídia em massa são para serem encaradas da mesma forma que seus investimentos em editoras, agências sociais, redes educacional e hospitalar e indústria alimentícia: são suportes missionários. Devem existir como parte de um projeto de influência, em prol da mensagem de advertência que deve ser dada (Ap 14:6-12). O perigo surge apenas quando uma instituição perde seu foco e se torna um fim em si mesma.
Há o risco da mídia adventista se tornar um gueto autorreferente. Usar linguagem que apenas os entendidos assimilem. Seria tremendo desperdício e despropósito. O outro extremo seria desenvolver uma mídia com mensagens genéricas, mal disfarçando o tom ecumênico e com exacerbada ênfase na imagem, copiando os modelos seculares, uma mídia icônica (no sentido negativo). Os efeitos de ambos os extremos seriam danosos, algo como irrelevância ou entretenimento, o discurso religioso sectário ou o tom de religiosidade secularizada e carismática (no sentido religioso, pentecostalizada). O risco permanece e não podemos dizer que se tenha chegado a um ou outro polo. Porém, todo cuidado é pouco. Resta nos lembrar que, no mundo da imagem, nossa salvaguarda é a Palavra (Mt 4:4)!

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

A MISÉRIA DESTE MUNDO


Nosso mundo é um vasto hospital [em inglês, lazar house, ou seja, um leprosário], ou seja, um cenário de miséria em que não ousamos permitir mesmo que os nossos pensamentos se demorem. Compreendêssemos nós o que ele é na realidade, e o peso que sobre nós sentiríamos seria terribilíssimo. No entanto, Deus o sente todo. A fim de destruir o pecado e seus resultados, Ele deu Seu mui dileto Filho, e pôs ao nosso alcance, mediante a cooperação com Ele, levar esta cena de miséria a termo. “Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.” Mateus 24:14. 

Ellen G. White, Educação, 263.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

TODOS TEMOS UM PAI


Todos temos um pai – um modelo gerador de perspectivas. Se nosso pai, nosso referencial, aquilo que origina nosso filtro para interpretar a realidade, não for Deus, certamente teremos alguém ocupando a lacuna. Mais do que uma denúncia da hipocrisia dos judeus, João 8:38 ensina que há a presença do conflito cósmico por trás daquilo que usamos para determinar o que é a verdade. Nossos pressupostos não se limitam a tentativas humanas, mas possuem a influência do mundo espiritual. Isso implica que o resultado final, aquilo que escolhemos ser e a forma como atuamos no mundo, nos identifica com Deus ou com o diabo (Jo 8:41-42).

De forma similar, o apóstolo Paulo afirma que o “deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Co 4:4). Segundo o texto, descrer é o resultado da cegueira provocada pelo diabo. A declaração é complementada com a ideia de que Deus “mesmo brilhou em nossos corações, para a iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.” (v.6). Assim, da mesma forma como no texto de João, crer ou descrer não depende simplesmente de argumentação lógica ou exposição da verdade de modo proposicional (ainda que Paulo aluda à “clara exposição do evangelho”, v. 2); para além dos elementos cognitivos e racionais há o poder de pressuposições, influenciadas pela atuação de poderes espirituais. Cremos mediante nossa escolha espiritual em nos “filiar” a um lado do embate cósmico. Depois disso, criamos uma rede de ideias pré-concebidas contra ou a favor da verdade. Por essa razão, Jesus sabia da inutilidade em realizar sinais diante de uma geração incrédula (Mt 12:29; 16:4). E novamente Paulo postula que as coisas espirituais se entendem de modo espiritual, ou seja, por pessoas relacionadas com elementos espirituais (1 Co 2:13-14), sem excluir a atuação do Espírito do processo de decodificar a mensagem divina aos homens (a Verdade, na linguagem joanina).

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

DO EXISTENCIALISMO PRIMITIVO AO PRINCÍPIO POPEYANO


Do existencialismo primitivo ao princípio popeyano: considerações pseudo-acadêmicas




A genética do existencialismo parece não constar nas discussões filosóficas hodiernas, razão pela qual retomo aqui alguns conceitos que me parecem fundamentais para uma compreensão mais bem acurada da fundação do pensamento contemporâneo. Em um famoso discurso de matizes existencialistas, proferido em Bredock, ainda em 1960, destaco a frase-conceito “yabba dabba doo” (Flintstone, 1960). De etimologia incerta, o termo deveria ser submetido não à arqueologia do saber, mas ao método arqueológico que admite “Algumas vezes, buscar por tesouros perdidos não é arqueologia. É corrida contra o mal.” (JONES, 1986).
Não é de todo inverossímil pensar nas elucubrações a respeito do “yabba dabba doo”, grito de alforria contra uma sociedade conservadora. Aliás, aliada a essa expressão, nos deparamos com outra de teor igualmente libertário, que remonta a um período posterior: “Capitão Caveeerna” (CAVERNA, 1977). Em ambas se depreende uma ontologia da rusticidade, e é forçoso evocar a noção do ser em estado bruto, ou cheio de astúcia, para empregar um termo caro a Chapolin (1970).
Todavia, o “elo”, no dizer de Cebolinha, seria confinar tais libelos à sua própria época, esquecendo-se de que “yabba dabba doo” carrega uma compreensão hermenêutica poderosa – e “com grandes poderes, vem grande responsabilidade” (PARKER, 1962). Aqui me refiro à vitalidade do ethos primitivo como incentivo libertário, fator primordial para se reaver a vitalidade em tempos nos quais sói constatar, no dizer de Hard, “oh vida, oh azar” (1962). É preciso também constatar, parafraseando o último Yoda, que de mais ânimo precisamos nós para uma consciência nova ter. Talvez seja uma outra maneira para a experiência de ativar o sétimo sentido (SEYA, 1986).
Somente a legitimação da consciência histórica evitará auto repressões frequentes (MENUDO, 1984). Não posso olvidar nesse ponto o tema do ciúme como forma repressiva (ULTRAJE A RIGOR, 1985). Mensurar o preço da repressão é medida sinus qua non para um apelo à experiência yabbadabbaduística. Aliás, outro cuidado que é mister é mensurar a síndrome do “trauma de Marta” (BATMAN, 2016).

Resta um alento para a condição de insuficiência instigada pelas demandas dessa selva de Pedras (TITÃS, 1989): a busca por um elixir potencializador. Isso já é adotado por algumas culturas, como o exemplo de comidas exóticas (NATIONAL KID, 1960). E não se pode escapar do exemplo clássico legado pela ideologia popeyana – o famigerado espinafre (POPEYE, 1929). Creio que esses artifícios darão suporte a uma existência municiada de “ousadia e alegria” (NEYMAR, 2010). Enquanto isso, o ser-aí fica por aí mesmo…

quinta-feira, 18 de agosto de 2016