sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

EQUÍVOCOS SOBRE A SANTIFICAÇÃO



Alguns erros são persistentes quando o assunto é santificação. Talvez por conta disso, algumas pessoas tenham um conceito ruim do processo. Para evitar mal entendidos e, na esperança de promover a santificação, é necessário rever dois conceitos equivocados:
(1) A santificação não é salvação pelas obras: alguns entendem que, enquanto a justificação é a obra que Cristo realizou por mim na cruz, a santificação é minha parte no processo. Obviamente, todo o processo de salvação é feito com a colaboração humana. Dizer o contrário, seria estabelecer que Deus nos salva contra nossa vontade. Agora, a confusão surge na hora de se estabelecer o que compreende a colaboração humana. Se a salvação possui três tempos – passado (justificação), presente (santificação) e futuro (justificação) – precisamos verificar como o gênero humano interage em cada etapa.
Na justificação, a parte humana reside em (a) aceitar a obra do Espírito, que o convence do pecado (Jo 16:8), (b) o que conduz ao arrependimento (Rm 2:4; At 5:31; 2 Co 7:10; cf.: Mt 9:13; Mc 2:17; Lc 15:17; At 2:38) e consequente (c) recebimento de Jesus como Salvador (At 16:31, Rm 5:11; 10:9; cf.: Jo 4:42; At 5:31; 13:23; 1 Tm 4:10; 2 Tm 1:10; 1 Jo 4:14). Essas etapas e o que nelas está implícito constituem um passo de fé. A fé surge como consequência da atuação do Espírito, que desperta em nós confiança no testemunho dado pela Palavra de Deus (Ef 1:13; 6:17; cf.: para outras relações, ver Ag 2:5; At 10:44; 1 Co 12:8). A Palavra é o meio principal pelo qual o Espírito Se comunica conosco (2 Pe 1:20-21; cf.: Mr 12:24). Ao aceitar a Cristo, o fazemos com base no testemunho das Escrituras (1 Co 15:3; 1 Tm 3:15).
Na santificação, a parte humana reside (a) receber graça para uma vida vitoriosa (o batismo diário do Espírito Santo: Jo 1:33; Rm 1:4; 6:19, 22; 1 Co 6:11; 1 Pe 1:2), (b) atuar (pensar, agir, falar) como um agente espiritual, um súdito do Reino de Deus (Hb 12:14, (c) escolher estar instante a instante em comunhão com Deus (1 Co 1:9; e (d) reformar aspectos da vida de acordo com as diretrizes da Palavra (Ef 5:25-26; 1 Ts 4:3-4, 7). A santificação é um processo contínuo de viver pela fé sob a intercessão do Salvador vivo e atuante no santuário celestial.
Na glorificação, todo o preparo de uma vida será coroado pela recompensa de ver o Salvador vindo nas nuvens. Pode-se falar em recompensa, um termo bíblico (Sl 58:11; Pv 12:14; Mt 10:41-42; Lc 6:35; Jo 4:36; Cl 3:24; Hb 10:30, 35; 11:26; 2 Jo 8; Ap 22:12), o que não implica em méritos próprios, mas em abertura e correspondência – uma vida aberta à influência do Espírito (que Se comunica prioritariamente pelo cânon) e que correspondeu, ou seja, seguiu a direção do Espírito em exercício de fé.
Assim, a salvação como um todo (e a santificação em particular) acontece por meio da fé, com a participação ativa do ser humano, como aquele que recebe a graça e coopera pela fé (Hb 13:12). Jamais se pode conceber qualquer etapa do processo de salvação como dependente do esforço, dignidade ou boa vontade do ser humano. Apenas pelo poder divino em nós somos habilitados a corresponder à graça concedida, em atos de fé;
(2) santificação não resulta em impecabilidade na experiência atual: a luta contra o pecado certamente faz parte da salvação: Não podemos jamais nos conformar com qualquer prática ou pensamento pecaminoso, sem o risco de perder a salvação. Uma vida transformada por Cristo implica em transformação que habilite obediência (Rm 13:14) Entretanto, a natureza humana continuará sendo a mesma – pecaminosa.
Adão, ao pecar, foi afetado pelo pecado em todos os aspectos de Sua natureza. A queda trouxe efeitos físicos, mentais e espirituais. Jesus, ao vir ao mundo, embora não tivesse desejos pecaminosos ou mesmo inclinação para pecar (Hb 7:26; 9:14; 1 Pe 1:19), foi afetado física e mentalmente pelo pecado, tornando sua obediência mais difícil do que a de Adão (Fl 2:7-8). Ao contrário de Jesus, nós temos inclinações pecaminosas, que nos impedem de viver totalmente isentos do pecado (Rm 7:25) Afirmar a possibilidade de perfeição absoluta na atualidade é desconhecer os efeitos do pecado na humanidade e o próprio grau de degradação em que estamos. Por isso, a santificação exige uma constante tensão: viver contra o pecado, sabendo que a vitória absoluta será alcançada apenas na vinda de Cristo.
Assumir a impecabilidade pode trazer extrema frustração para a vida cristã, porque se estabelece um alvo intangível. Viver em santificação não significa a impossibilidade de recorrer a Cristo, como se a busca pelo perdão pertencesse exclusivamente à etapa anterior, à justificação. Quando alguém que já aceitou o perdão de Cristo na cruz (justificação) torna a pecar, não significa que voltou uma casa atrás do jogo; a santificação nos dá acesso ao perdão e à intercessão do Sumo Sacerdote Jesus (1 Jo 2:1; Hb 4:14-16). Somos renovados e restaurados, porque a santificação é uma caminhada pela fé, realizada por pecadores que estão se assemelhando a Cristo em caráter (2 Pe 3:18). O fim da jornada é a volta de Jesus e ali o povo de Deus já não será constituído por pecadores, mas por redimidos que venceram o pecado pelo sangue do Cordeiro (Ap 7:14; 14:1-4). Assim se pode dizer que a santificação resulta em impecabilidade na experiência futura (1 Pe 1:4-5; 1 Jo 3:1-2) – jamais na atual (1 Jo 1:8, 10).
Até lá, o que Deus requer de nós é maturidade (Gn 17:1; Dt 18:13; 2 Sm 22:26; Mt 5:48; 1 Co 1:8). Maturidade espiritual não difere muito do conceito geral de maturidade no que se refere aos requisitos básicos para a aquisição: tempo e experiência. Uma vida cristã madura é o alvo da santificação (Fl 3:12; Co 1:28; 2 Tm 3:17) e exige constante comunhão com Deus para ser atingida.
Compreender o que a santificação não é torna mais fácil evitar os preconceitos e temores relacionados a ela. Assim fica aberto também o caminho para entendê-la com maior clareza.


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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

MOTIVO PARA A FRAQUEZA DO CARÁTER CRISTÃO DE NOSSA ÉPOCA


Qual a relação da experiência da salvação com o ministério de Jesus? Por ministério de Jesus, compreende-se três fases básicas: (1) Seu ministério terrestre, que culmina em Sua morte e ressurreição; (2) Sua ascensão e ministério no Santuário celestial (que inclui a fase no lugar santíssimo, a partir de 1844); e (3) Seu glorioso retorno. Essas três fases ocorrem em três tempos distintos: (1) o ministério terrestre se deu no passado; (2) o ministério no santuário ainda ocorre, relacionando-se com o presente; (3) Seu retorno, a parte final de Seu papel como Salvador, se dará no futuro. Portanto, qual a relação da salvação com o ministério de Jesus, o qual ocorre em três tempos?
Responder essa pergunta requer um entendimento amplo da salvação. Se a salvação fosse um ato pontual, um evento histórico único, não teria correspondência com todo o plano da salvação. Se a salvação fosse relacionada ao passado, desconsiderando os demais tempos, se restringiria à justificação. Exatamente isso acontece com a teologia evangélica, desde os dias de Lutero. Ao restringir a salvação ao passado, ligando-a à cruz, ela se torna uma experiência história, um evento, não um processo contínuo que afete a vida do cristão na atualidade. A atualização da salvação é uma questão de memorialismo, que pode dar lugar a cerimônia que relembre o que Cristo fez, dando espaço à teologia sacramental. Por outra instância, se a salvação se referisse ao presente, ligada ao processo de juízo que Jesus realiza no Santuário celestial, poderia facilmente se desligar da cruz ou do retorno de Jesus, dando espaço para uma vida cristã focada em salvação pelas obras. Assim se ignoraria o ato de Deus em nos salvar. Finalmente, se a salvação se focasse apenas no futuro, no retorno de Jesus, desvinculada da cruz e do santuário, teríamos um cristianismo místico, sem maiores considerações em relação com a parte histórica e concreta do cristianismo; afinal, a escatologia só possui dimensão concreta enquanto escatologia iniciada, em associação com a história da salvação.
Para entender a relação da salvação com o ministério de Jesus, o qual ocorre em três tempos, é necessário compreender a salvação em três tempos.  A salvação não é um evento histórico único, mas um processo. A salvação é um processo composto por etapas que correspondem ao ministério de Jesus. A salvação pode ser dividida em três etapas: justificação, santificação e glorificação. Cada uma dessas etapas corresponde a um tempo: (1) a justificação é um evento passado – um dia se aceitou a Jesus como Salvador e se experimentou a salvação imediatamente; (2) a santificação é um evento presente – depois de se ter aceito a Jesus, se inicia a transformação operada pelo poder do Espírito, que nos conforma com as exigências da Palavra, nos tornando semelhantes a Jesus em caráter; (3) A glorificação é um evento futuro – uma vez que se aceita a Jesus e se passa toda uma vida para desenvolver um caráter semelhante ao dEle, finalmente se poderá vê-Lo voltando em glória, e se experimentará a transformação completa que livrará mente e corpo dos efeitos do pecado.
Sendo a salvação um processo, desenvolvido em três tempos, cada uma de suas etapas possui seu referencial na obra de Cristo: (1) a justificação, evento passado, se liga à cruz e ressurreição; (2) a santificação, evento presente, se liga à intercessão e juízo a partir do santuário; (3) a glorificação, evento futuro, se liga ao retorno glorioso de Jesus à Terra. De todos os momentos, o que mais nos interessa, para fins práticos, é a santificação, justamente por (a) se referir ao presente do cristão, ou seja, à sua experiência ordinária e cotidiana; (b) se referir ao presente de Cristo, ou seja, à etapa que presentemente Ele desenvolve em favor de Seu povo no santuário celestial. Assim, dentro da relação da salvação com a obra de Jesus, o ponto focal deve ser a relação da santificação com ministério de Jesus no santuário. A obra de Jesus no santuário é o elo que une Seu ministério terrestre com Seu ato final de Salvação, realizado em Seu retorno. A santificação é o elo que une a justificação passada com a glorificação futura. Quando se pensa em vida cristã, o mais natural seria pensar prioritariamente em termos de santificação e na dependência desse tipo de experiência com o ministério de Jesus no santuário. Infelizmente, ainda se pensa em vida cristã em termos de justificação, que, nos meios populares, praticamente resume o que significa ser um cristão (como determinado segmento evangélico norte-americano que se autodenomina “nascidos de novo”). Daí a fraqueza do caráter cristão de nossa época.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

EIKE BATISTA, HOMEM DE FÉ



De acordo com a revista Veja, Luma de Oliveira declarou em seu instagram que seu ex-marido, o empresário Eike Batista, é um homem de fé. A frase aparece no contexto da prisão de Eike, em vista da acusação de ter pago o equivalente a R$ 52 milhões de propina ao ex-governador carioca Sérgio Cabral.Da mesma forma como outros réus da Operação Lava-Jato, a expectativa é de que Eike participe de deleção-premiada.
 O que destaco nessa história é que a frase “homem de fé” ou a atribuição de fé a alguém que passe por uma crise ou momento difícil, já se tornou lugar-comum. Na tragédia nacional envolvendo os jogadores da Associação Chapecoense de Futebol, espalhou-se nacionalmente a tag #ForçaChape. Fé e força são termos intercambiáveis, desejados a vítimas ou como manifestação de apoio. Força e fé aparecem como binômio para identificar resignação, resiliência, coragem e capacidade de enfrentar a prova.
Evidentemente, essa acepção de fé, embora encontre sua raiz no texto bíblico, não aparece diretamente vinculada à fé cristã, mesmo que se infira que a pessoa que dispões de fé na crise esteja manifestando sua confiança em Deus – o que, em geral, fica implícito. Entretanto, mesmo pessoas que não são conhecidas por efusivas manifestações de religiosidade, aparecem associadas à fé ao passar por privações. É igualmente comum que se diga: “nossas orações estão com”, em clara manifestação de apoio (como o fez Zidane, ex-jogador e técnico do Real Madrid em entrevista coletiva, logo após a tragédia com a chapecoense).
Essa linguagem religiosa com transfundo secular, dita em contextos de catástrofes ou tragédias, quer coletivas ou pessoais, denota um último recurso para se atingir a esperança quando se percebe sua necessidade, ainda que não se filie a esperança diretamente com a concepção bíblica. Aparece mais como uma substituição semântica, uma medida protocolar para transmitir desejos de melhoras, demonstrar apoio, simpatia ou solidariedade para com as vítimas.
Obviamente, a Bíblia ensina que devemos ter fé durante os períodos de aflição. A grande indagação, porém, é: que tipo de fé? Fé em quem? Em nós? Em dias melhores, na justiça, no futuro? Se a fé não estiver alicerçada devidamente em Deus (Hb 11:1, 6), não passará de um discurso vazio, uma palavra inócua. Ser um “homem de fé” ou “mulher de fé” implica em andar pela fé, ou seja, desenvolver um relacionamento com Deus, mediante a pessoa de Jesus Cristo, que resulte em vida de obediência aos mandamentos divinos, pelo poder do Espírito atuando na pessoa. Dessa fé todos precisamos, quer nos bons ou nos escuros momentos da vida.

sábado, 28 de janeiro de 2017

O ITINERÁRIO FLUIDO DOS CONTEXTOS


Eu estava conversando com uma amiga que é orientadora educacional. Discorríamos acerca da dificuldade dos adolescentes de entender contextos mais amplos, que não se refiram à cultura pop. “Antes, você dizia algo e as pessoas assimilavam a mensagem. Agora, você ainda precisa explicar o contexto para se fazer entender”, ponderei. “Pior: o contexto muda a cada momento”, ela arrematou.
De fato, a fluidez das mudanças em um mundo líquido remete a uma versão exacerbada da conclusão camoniana “Que não se muda já como soía.” A chave de ouro do soneto está em explicar que, além da mutabilidade das coisas, temos a idiossincrática mudança da própria mudança. O conceito pode genuinamente ser aplicado ao ethos contemporâneo sem que se lhe faça violência hermenêutica.  
A previsibilidade era uma marca do mundo primitivo. Profissão e casamento eram escolhas comunitárias, que, apesar de não desprezar completamente a escolha pessoal (como gostamos de representar caricaturalmente), ao menos lhe davam uma direção. Mesmo o narcisismo moderno acontecia em um mundo que ambicionava a previsibilidade, com o domínio técnico da ciência, a decodificação das regras morais pelos filósofos e o desenvolvimento de mão de obra especificada (e consequente certificação para exercer uma provisão por toda a vida).
Com o desmantelamento dos referenciais providos pelas meta-narrativas, a pós-modernidade feriu mortalmente a previsibilidade. A cibercultura promove integração e avanços tecnológicos, com seus efeitos quase imediatos em uma aldeia global. Já não há aprendizado que dure por toda a vida, porque novas competências surgem em velocidade arrebatadora. Qual a profissão do futuro? Provavelmente ser capaz de dar prognósticos sobre o futuro, já que não há consenso entre analistas sobre os potenciais e riscos em nosso admirável mundo novo.
A mídia brinca com a falta de contextos, reproduzindo as grandes obras ficcionais por meio de remakes ou pastiches mal-disfarçados. E isso atinge em cheio às pessoas que sofrem de síndrome de nostalgia aguda. Já não há grandes filmes, romances e músicas. Tudo já foi assistido, lido e ouvido. Assim, só nos resta recriá-los, recicla-los, quase à exaustão. Trata-se de uma tentativa desesperada de digerir algo sólido em uma cultura sem muita inspiração ou capacidade de comunicar mensagens relevantes. Em um contexto líquido, a diluição é uma alternativa para assimilar o que é realmente sólido.
E o que dizer de relacionamentos, experiências significativas, instituições sociais e da experiência religiosa, igualmente diluídas, re-significadas e, portanto, insuficientes? O resultado da perda de referenciais implica na perda daquilo que nos torna humanos: a relação com absolutos (Deus, a moralidade, etc). Se o contexto flui, o próprio homem se encontra em risco de extinção, sofrendo a diluição crônica de seus ideais, trabalho, patrimônio cultural, relacionamentos, enfim, a diluição de si próprio.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A VERDADE NO MUNDO QUE A REJEITA


Em João 8:31-47, Jesus enfrentou resistência de um grupo que, embora o texto parecesse sugerir a princípio tratar-se de pessoas dispostas a seguirem o discipulado, prontamente rejeitou Sua mensagem. Na sociedade contemporânea, a pós-modernidade representa um desafio à pretensão do cristianismo de ser portador de uma mensagem verdadeira – a única mensagem verdadeira. Embora o zeitgeist pós-moderno suscite inúmeras questões que não podem ser adequadamente tratadas aqui, essa seção considera como a passagem se relaciona a 2 facetas da pós-modernidade: (1) o entendimento perspectivista da epistemologia pós-moderna; (2) a proposta pós-fundacionalista.
O dicionário Oxford elegeu como palavra do ano de 2016 o termo post-truth (KEYES, 2004), que ganhou relevância na polarização entre os partidos republicano e democrata, durante as eleições presidenciais norte-americanas (“Word of the Year 2016 is...”, 2016). O próprio dicionário define post-truth como “relativo a ou denotando circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal” (STEVENSON, 2010). Assim, a verdade se torna um construto social, uma questão de perspectiva. O perspectivismo admite que não existe um entendimento único e imparcial da verdade.
Tal conceito ultrapassa os limites da política, abarcando cultura, religião, sociedade ou qualquer área da vida. Copan (2009, p. 11–12) cita uma pesquisa do instituto Barna Group realizada em 2002, segundo a qual 83% dos adolescentes americanos dizem que a moral depende das circunstâncias e 75% dos adultos (18 a 35 anos de idade) abraçam o relativismo moral. O relativismo pode ser definido como a doutrina “que considera todo conhecimento relativo como dependente de fatores contextuais, e que varia de acordo com as circunstâncias, sendo impossível estabelecer-se um conhecimento absoluto e uma certeza definitiva.” (ABBAGNANO, 2012, p. 994–995) O ethos pós-moderno admite uma hermenêutica peculiar, a qual parte do princípio de que toda compreensão vem de pré-compreensão e pré-julgamentos que são insuperáveis (ANZENBACHER, 2009, p. 187).
Entretanto, embora essa perspectiva seja correntemente aceita, ela destoa da mensagem que encontramos nos evangelhos. Especialmente no evangelho de João, a verdade é apresentada como acessível ao ser humano. Se existe recusa à verdade, isso se deve antes a uma questão de escolha individual do que à qualquer incapacidade humana inerente de atingir a Verdade (ENGEL; RORTY, 2008, p. 43).
Obviamente, a Bíblia não ensina que somos capazes de assimilar toda a verdade exaustivamente. O conhecimento que encontramos na revelação divina, por mais que seja verdadeiro e infalível em tudo que apresenta, não constitui a verdade em sua totalidade, no sentido de não tratar de todas as coisas que se pode conhecer (afinal, esse jamais constituiu o propósito divino). A verdade bíblica é consubstancial, ou seja, suficiente para nós conhecermos a Deus (Jo 1:18; 14:6; Hb 1:1-2), sabermos de Sua existência e atuação, reconhecermos a autenticidade do testemunho bíblico (Rm 1:19; 8:16) e crer que os ensinos ali contidos são verdadeiros em todos os aspectos (Jo 20:30-31), sendo pertinentes à experiência cristã, marcada por uma perspectiva transformada e fruto de uma cosmovisão completa e fundamentada nas promessas de Deus.
Dessa forma, a certeza presente de conhecer a verdade divina, ainda que limitados pelas debilidades humanas, não esgota a possibilidade de prosseguir em conhecimento (Os 6:3), uma vez que, nesse lado da eternidade, sempre seguiremos aprendendo; não obstante, dentro da esperança cristã, chegará o momento no qual conhecermos toda a verdade – mas isso se realizará somente quando tudo voltar a ser perfeito (1 Co 13:9-10, 12).  Existe uma verdade absoluta? Sim. Podemos conhecê-la em todos os aspectos? Não, por sermos falhos em nosso conhecimento. Embora o conhecimento humano não seja absoluto, no sentido de ser onisciente, é possível o conhecimento substancial, suficiente, não exaustivo e salvífico da Verdade revelada por Deus (Dt 29:29). E isso mediante a revelação feita por Deus, principalmente por meio de Jesus, a própria Verdade (Jo 14:6; Jo 17:3, 17).
Quanto ao pós-fundacionalismo, trata-se de uma postura filosófica surgida em reação às críticas pós-modernas, as quais desabilitaram o fundacionalismo. No fundacionalismo se acredita na existência de fundamentos fortes para nossos sistemas de crença; tal premissa é veemente negada pela posição anti-fundacionalista (ou pós-fundacionalista), que “destaca a crucial importância epistêmica da comunidade, argumentando que cada comunidade e contexto possui sua própria racionalidade e que cada uma e todas as atividades sociais podem, de fato, funcionar como um caso de teste para a racionalidade humana.” (HUYSSTEEN, 1997, p. 3) Para Jones (2011, p. 30), “uma estrutura pós-fundacionalista preserva a habilidade de julgar entre as muitas racionalidades que nos confrontam em um contexto pós-moderno, pela recusa de abandonar os vários elementos dos quais os seres humanos se utilizam quando fazem decisões entre paradigmas de entendimento concorrentes.” Para Grenz e Franke (2001, p. 15), “teologia é formulada no contexto da comunidade de fé e busca descrever a natureza da fé, o Deus a quem a fé é dirigida, e as implicações do envolvimento da fé cristã com um contexto histórico-cultural específico, no qual ela vive”; portanto, a comunidade da fé é vista pelo autor como motivo integrador da teologia (GRENZ, 2000, p. 132), o local apropriado para a reflexão teológica (GRENZ, 2006, p. 209).
Contudo, segundo Jesus não é a comunidade da fé quem articula e atribui caráter de verdade ao evangelho, numa escolha fideística. A Verdade origina a comunidade, jamais o contrário. É a Palavra que faz alguém se tornar um discípulo (Jo 8:31), não os discípulos que tornam a Palavra uma verdade meramente comunitária. Durante a última oração registrada antes de Sua crucifixão, Jesus menciona a relação entre Verdade e comunidade, quando diz: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17:14-17). Na ocasião, Jesus também indicou a trajetória para se lograr a unidade (Jo 17:11):  sermos santificados na Verdade (v.19), o que fará o mundo crer que Deus nos enviou (v.21). Desse modo, uma teologia a partir do texto não cairá na tentação de contemporizar, mesmo que com o nobre objetivo de se tornar relevante para os não-cristãos, uma vez que, ao abrir mão da crença na Verdade para ser relevante a fará perder qualquer relevância. Apenas unidos na Verdade conseguiremos impactar o mundo.

Bibliografia

Abbagnano, Nicola. Dicionário de Filosofia. Edição: 6a. WMF Martins Fontes, 2012.
Anzenbacher, Arno. Introdução À Filosofia Ocidental. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
Copan, Paul. True for You, But Not for Me: Overcoming Objections to Christian Faith. Revised ed. edition. Minneapolis, Minn: Bethany House Publishers, 2009.
Engel, Pascal, and Richard Rorty. Para que serve a Verdade? Unesp, 2008.
Grenz, Stanley J. “Articulating the Christian Belief-Mosaic: Theological Method after the Demisse of Foundationalism.” In Evangelical Future: A Conversation on Theological Method, 107–136. Grand Rapids, MI; Leiceister, UK; Vancouver, CA: Baker Books; InterVarsity Press; Regent College Publishing, 2000.
———. Renewing the Center: Evangelical Theology in a Post-Theological Era. 2nd ed. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2006.
Huyssteen, J. Wentzel. Essays in Postfoudationalist Theology. Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing, 1997.
Keyes, Ralph. The Post-Truth Era: Dishonesty and Deception in Contemporary Life. 1st edition. New York: St. Martin’s Press, 2004.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

ITINERÁRIO DOS JUSTOS



O homem honesto, distante dos pais e longe do país, se aparta dos deuses falsos
  E até no palácio, cercado por luxo acima do comum, mantém o caráter reto.
    Deus segue com ele – não foge de seu propósito de servir, ainda que os céus se abalem.
  Assim, terá honras e os reis lhe farão sentar-se e governar, ao ver nele um homem justo;
Assim, exilado, por sonhos verá as coisas que virão, e o Deus Vivo mais dará.


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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EVANGELISMO REAL NO MUNDO VIRTUAL


A antítese real/virtual, embora frequente, ainda é mal compreendida. Para Pierre Lévy, não haveria propriamente uma antítese; virtual é a potência, ou seja, a possibilidade, a antecipação daquilo que é real. A virtualidade não seria uma realidade alternativa, mas uma camada, uma nova dimensão da própria realidade. Essa “camada extra” está presente na vida de milhões de pessoas. Isso faz com que se pense na questão do testemunho no mundo virtual, o que abriria o potencial para uma evangelização mais eficiente. Porém, nada é tão simples.
Em primeiro lugar, a dimensão virtual da realidade possui sua própria racionalidade, mais aberta, intuitiva e experimental do que a “realidade tradicional”, dominada por convenções sociais e instituições marcadas pelo signo do Iluminismo.
Outro fator: o lugar da autoridade tradicional fica um tanto deslocado na dimensão virtual, porque novas autoridades são investidas e a tolerância pós-moderna (assim como a intolerância das redes sociais) não reconhece alguém por seu título ou conhecimento. As pessoas são reconhecidas pela sua empatia, capacidade de atrair seguidores e uso apropriado da iconografia de cada nicho. A estrutura eclesiástica não faz sentido na rede (para bem e para mal).
A mensagem cristã é sólida e (para o paladar da mídia iconográfica) bastante indigesta. Em um mundo que prega a liberdade total de escolha em questões como estilo de música, de vestimenta e de sexualidade, o cristianismo bíblico soa como um intruso (diríamos ser um intruso promissor, mas, ainda assim, um intruso). Não à toa a mensagem cristã atrai haters como a luz seduz moscas. O que sobrevive é o cristianismo inofensivo que passeia pelo Facebook no domingo pela manhã (com conceitos que lembrariam um Zen-Budismo light, no limite entre a filosofia da Nova Era e um Kardecismo mais brando).
É possível evangelizar intencionalmente no Web 2.0?
Sim, mas essa não é a ferramenta mais importante. Antes do que fazer, o cristianismo nos faz ver quem devemos ser. Todo o sucesso da religião de Cristo está em uma vida transformada pelo poder da Verdade (Jo 8:32). E isso nos leva a não nos limitar a um uso evangelístico da internet e ao reconhecimento de suas possibilidades, como a uma crítica consciente dessa nova dimensão da realidade. Simplesmente aceitar que relacionamentos se desmanchem por causa do phubbing (quando alguém pretere o parceiro pelo celular) ou ver adolescentes e jovens adultos que nem nos sábados conseguem sair do WhatsApp é indevido. O cristianismo precisa dar as boas novas para um mundo que não conseguem mais desconectar ou desacelerar.
Da perspectiva espiritual do Grande Conflito, se o tempo é curto, Satanás faz de tudo para anular seus efeitos. Se todo shopping center é arquitetado para anular a sensação de passagem das horas, as redes sociais existem para proporcionar o mesmo efeito, sem a necessidade de uma ambientação externa, real, apenas instilando a permanência em um ambiente virtual. Por isso, o apóstolo Paulo nos aconselha a não andar descuidados, mas a examinar nossa conduta e remir (recuperar) o tempo, porque temos, de fato, pouco tempo (Ef 5:15-16)! Ser tragado pelas redes sociais e suas consequências nocivas, ainda que por pretexto de pregar o evangelho, é desperdiçar o escasso dom do tempo.
Nossa mensagem tem muito a dizer para os filhos órfãos de pais presos aos seus celulares. Nossa experiência em uma comunidade real, vibrante e que experimenta a presença do Cristo vivo, atuante desde o santuário celestial, precisa ser compartilhada com aqueles que só conhecem os modelos de comunidades virtuais. Se a dimensão virtual sufoca outras aspirações, a mensagem de temperança revela de que necessitamos para uma vida equilibrada. A despeito dos excessos, a dimensão virtual tem sua relevância e precisamos compartilhar o evangelho com outros por meio desse canal. Mas isso só fará sentido quando o evangelho for o centro de nossa própria realidade, o leitmotiv de nossa vida.



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sábado, 24 de dezembro de 2016

sábado, 10 de dezembro de 2016

O EVANGELHO NA LÓGICA DO IMEDIATISMO CONTEMPORÂNEO


O tempo não era um problema para os hebreus. Embora o tempo fosse real, não havia a necessidade de controla-lo, por meio de segmentação coerciva. Ironicamente, nossa vida pautada por datas e horas rígidas estabeleceu o controle do tempo sobre nós e não o contrário. Simultaneamente, o tempo vai perdendo seu vínculo com a realidade, especialmente com a intrusão da virtualização trazida pela cibercultura. A conexão com a internet nos desloca para um não-lugar, sem referência de tempo. Só existe uma versão unidimensional do tempo – o agora.
Em um mundo instantâneo, como se vive a espiritualidade? Acostumados com a velocidade da dromocracia – o domínio de uma sociedade em constante movimento de aceleração –, as pessoas se tornam exigentes e impacientes. Ninguém quer esperar. As respostas precisam ser instantâneas, prontas. E decodificadas, porque a impaciência se estende aos domínios da concentração (ninguém quer pensar demais para resolver qualquer questão). Vivemos em um contexto em que tudo flui. A crença pessoal é moldada para atingir o mesmo nível de fluidez que permita às pessoas terem, paradoxalmente, algum vínculo com um ponto sólido.
O cristianismo fluido, líquido, maleável e moldável é a resposta que as pessoas esperam nesse momento. Por isso os movimentos carismático-pentecostais largam na frente quando se trata de falar a linguagem das pessoas hoje. Nessa cristianismo carismático-pentecostal, a conexão com Deus é direta. E empoderadora: a energia da divindade corre nas veias em um fluxo emocional inesgotável, atendendo os anseios do presente. Não há complicações cristãs clássicas, porque o mínimo de doutrina se destaca – dose suficiente para garantir o ponto sólido de apoio. A descomplicação e praticidade do discurso religioso garante sua atualidade. A experiência se reveste de notoriedade e fornece um vínculo com os anseios materiais; afinal, tudo o que reivindicar da parte de Deus, me será concedido (confissão positiva).
A expressão bíblica do cristianismo é mais lenta. Deus Se revela pela Palavra. Ela precisa ser estudada e decodificada, o que exige um compromisso com o Espírito Santo. Estudar as Escrituras não é um investimento que garanta resultados imediatos (embora os resultados sejam garantidamente superiores). Não existe um elo emocional evidente, uma espécie de energização via fluxo emocional. O estilo de vida se apresenta contracultural ao extremo no cristianismo bíblico, capaz de alterar hábitos de maneira incômoda, com provável prejuízo para as relações interpessoais. Obviamente, o cristianismo bíblico não satisfaz as expectativas do imediatismo do mundo líquido.
E esse é o ponto: o que fazer com o cristianismo bíblico? Sua proposta desafia homens e mulheres de todas as épocas a não se conformarem com a cultura, experiência, relacionamentos e até com as expressões derivativas do próprio cristianismo. Se Deus se auto-revelou, como a Bíblia afirma, não poderíamos esperar que Ele o fizesse de maneira satisfatória aos padrões humanos, ainda mais porque tais padrões são resultado da tendência adquirida ao egocentrismo. Essa tendência é o resultado direto do pecado e se interpõe contra a vontade divina. Para salvar o homem de si mesmo, Deus precisa contrariá-lo, esnobá-lo, humilha-lo e leva-lo ao reconhecimento de sua maior necessidade: a salvação. Às vezes, isso leva tempo, porque Deus não Se pauta pela lógica do imediatismo. Mas tempo não é problema para Deus.


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A DEGRADAÇÃO DO SENSO DA PRESENÇA DE DEUS


A missão que temos é transmitir a última mensagem de advertência. Trata-se de uma responsabilidade solene. Solenidade é um conceito que escapa à contemporaneidade. Sua gravidade é diluída nos filmes de Hollywood, quando nos momentos trágicos parece haver a necessidade de um contraponto cômico. Nem as músicas religiosas atuais conseguem mais representar a solenidade. Talvez, apenas atrás do conceito de reverência, solenidade seja um dos artigos mais raros no mercado atual. Ambos são raros pela mesma razão: a degradação do senso da presença de Deus.
Em um contexto tecnológico, tudo apela aos sentidos. Mas Deus permanece invisível. Os comunicadores instantâneos, ubíquos, fomentam a ilusão de estarmos presentes em diversos lugares e de igualmente termos os amigos próximos. E com tantos elementos atraindo a atenção, o Deus Altíssimo, presente no mundo material, é ignorado. Se a presença do Criador passa despercebida, que dizer da comunhão com Ele? Que dizer da forma de responder ao Seu chamado?
A ironia fatal de uma época em que a adoração ganha contornos de metalinguagem – com músicas de adoração que falam sobre adoração –, é que os cristãos, em geral, não entendem adoração como a resposta obediente ao que Deus fez por mim. Adoração não significa sucumbir a um êxtase emocional, na tentativa de reproduzir a presença de Deus de forma carismática, como se a música e a emoção fossem elementos catalizadores para fazer um download de Deus. Adoração compreende me relacionar com Deus, nos termos que Ele estabeleceu em Sua Palavra. Isso implica em rendição, gratidão, júbilo, disposição para servir e obedecer e tantas outras coisas.
O verdadeiro adorador obedece voluntariamente. Ele quer testemunhar, porque não pode conter o amor que brota nele em resposta ao amor que fluiu do coração de Deus. Com humildade e poder, alegria e tato, sabedoria e entusiasmo, ele prega. Com suas palavras, mas com cada gesto silencioso. Prega usando a Bíblia, mas por meio de sua coerente busca para se mostrar fiel. Não há aquele sentimento estreito de alguém mecanicamente condicionado a fazer algo segundo um programa. Existem muitos manuais, planos e estratégias. Recursos não faltam. Falta é amor, transformação, vidas impactadas pela comunhão. Falta o Espírito de Deus descendo sobre Seu povo a cada manhã.
Ser um adventista é abraçar a missão. Sem os modismos que invadem a literatura evangélica a cada época. Sem o proselitismo pelo proselitismo. Viver a missão, ser a missão, pregar com o fogo de quem ama o Salvador e ama aquelas pessoas que Ele ama. Uma imensa responsabilidade, maior do que qualquer ser humano poderia imaginar.
Uma responsabilidade solene para tempos solenes.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

BLACKMONTH - APROVEITE


Nota: terminada a promoção, voltamos ao preço normal do livro: R$ 27,60. Adquira pelo link:



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A OBRA DE OUTRO ESPÍRITO


“Nas igrejas que puder colocar sob seu poder sedutor, [Satanás] fará parecer que a bênção especial de Deus foi derramada; manifestar-se-á o que será considerado como grande interesse religioso. Multidões exultarão de que Deus esteja operando maravilhosamente por elas, quando a obra é de outro espírito. Sob o disfarce religioso, Satanás procurará estender sua influência sobre o mundo cristão.”


Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 20120, 464.

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