quinta-feira, 5 de junho de 2008

DIA DOS NAMORADOS: ABUSE E USE


É rotineiro o apelo à sensualidade em comerciais (quer veinculados na telinha ou no meio impresso). Às vezes, a mensagem não é declarada, fica nas entrelinhas, provocando sutilmente o consumidor, atiçando sua malícia.

Um exemplo disto está na badalada campanha que a O2 (que tem o cineasta Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "Ensaio sobre a Cegueira" como sócio) produziu para a loja C&A: "Papai-mamãe não.

No Dia dos Namorados, surpreenda com C&A". A expressão "papai-mamãe" é uma alusão a uma posição sexual tradicional; a referência, portanto, seria em comemorar o dia dos namorados de forma inovadora, atípica (até no quesito sexual); a garantia para fazer a diferença estaria em presentear com artigos da loja. Curiosamente, esse apelo insinuado refere-se a namorados, o que inclui, solteiros (entendendo-se que há casais de namorados casados).

Incentivando a atividade sexual no período de namoro (que deveria ser época para que o casal se conhecesse emocionalmente, decidindo-se ou não por um eventual matrimônio), a campanha presta um deserviço para uma sociedade, onde o que é imoral continua crescendo em importância...

CONQUISTANDO O MUNDO: A RESPONSABILIDADE POR TRÁS DA MISSÃO


A negligência da posse

Há muito Deus ordenara ao seu povo para destruir os habitantes de Canaã, a fim de que não se influenciassem por sua idolatria (Dt 20:16-18); mesmo que o povo, a princípio sob a liderança de Moisés, não estivesse preparado para a guerra, Deus estaria com eles durante os confrontos; ele “treinaria” Seu povo através de confrontos com inimigos (Jz 1-4). Havia promessa da destruição dos enaquins (Dt 9: 20), [1] os povos gigantes, responsáveis pelo súbito desânimo dos dez espias (Dt 1:28) e que causavam receio aos contemporâneos de Josué, uma geração mais tarde (Js 17: 15-18); afinal, além de gigantes, possuíam carros de ferro.
Calebe, que junto com Josué conheceu a terra de Canaã, deu um exemplo de coragem ao resolver enfrentar os inimigos (Js 14:12, 15; 15:14; Jz 1:20) e, finalmente, a maior parte dos enaquins foram expulsos (Js 11:21 e 22; Jz 1:10), reedificando as cidades conquistadas (Js 20:7, 21:11). De fato, Deus cumprira Suas promessas (Js.21:45).
Entretanto, a conquista da terra não foi completa (Jz 1:27-36), o que ocorreu devido à desobediência do povo (Jz 2:2-5). Através de Josué, a nação de Israel fora advertida a não se misturar (por meio de casamentos) com seus vizinhos pagãos. Gradualmente, porém, esta “mistura” veio a acontecer: o povo de Deus passou a viver de acordo com os costumes que adquiriam no convívio com estes povos, correndo o risco de perder sua identidade profética em definitivo. A negligência da geração de Josué comprometeu as gerações seguintes.
Quando uma geração de cristãos não cumpre o desafio de prover alternativas sadias e viáveis para a filosofia secular dominante, prepara o caminho para a apostasia da próxima geração de cristãos (Jz 2:10 e 15). Nosso contexto pós-moderno é distinto daquele vivido por Israel após sua chegada na Terra Prometida. A nossa luta não é “contra a carne e o sangue” (Ef 6:12). Nós lutamos para levar “cativo todo pensamento à obediência a Cristo” (2 Co 10:5). Distinções à parte, não podemos negligenciar ou protelar o dever de tomar posse deste mundo, através do desenvolvimento consciente de uma visão geral acerca de todas as áreas do viver.

Uma pitada basta

Ao fazer a opção pela dieta vegetariana, tive de explorar a culinária, pois era impossível à minha mãe, uma funcionária pública, dispor de tempo para preparar dois tipos diferentes de refeição (somente eu me tornei vegetariano). Mas, pela inexperiência, custei a saber qual a quantidade exata de sal eu deveria usar: ou as pitadas eram generosas ao extremo, ou, simplesmente, eu me esquecia de usá-lo!
Para tornar gráfica a necessidade de exercermos influência positiva sobre o mundo, o Senhor Jesus empregou a imagem do sal (Mt 5:13). Ser sal ultrapassa o hábito de entregar folhetos ou dar estudos bíblicos. Precisamos apresentar uma cultura cristã madura, que se imponha diante da cultura secular. Tampouco seria correto batizar tendências mundanas: nossa abordagem pedagógica, administrativa, musical ou em qualquer outra área, deve se adequar à Revelação que Deus deixou: a Bíblia. Allan Bloom, num livro secular, chega à uma conclusão semelhante:

Para efeitos práticos, nos Estados Unidos, a Bíblia era a única cultura comum, a qual unia os simples e os requintados, os ricos e os pobres, os jovens e os velhos e – como verdadeiro modelo de uma visão de mundo, chave para o resto da arte do Ocidente, cujas maiores obras de uma forma ou de outra derivavam da Bíblia – contribuía para dar seriedade aos livros. Com seu desaparecimento gradativo, inevitável, a própria ideia de um livro tão completo, a possibilidade e necessidade de uma explicação do mundo estão igualmente desaparecendo. […] sem o livro a própria ideia da ordem do conjunto está perdida. [2]


A sociedade americana pode ter perdido seu foco, como se entende das afirmações de Bloom, mas com a igreja não pode acontecer isto: temos de alimentar a visão com estudo da Bíblia e aplicação de suas verdades de forma completa. Somente assim conquistaremos o mundo – Deus conta com nossa geração!

[1] A respeito da matança dos enaquins e demais cananeus, sob as ordens de Deus, de um ponto de vista moral, ver Douglas Reis, A destruição dos cananeus, disponível em .

[2] Allan Bloom, O declínio da cultura ocidental (São Paulo, SP: Ed. Best Seller [Ed. Nova Cultural], 1989, 4ª), 72-73.


terça-feira, 3 de junho de 2008

FÉ MESMO NOS MOMENTOS DIFÍCEIS



Acréscimo

Recorro ao alto dos Céus, a Quem me fez,
Com o hálito de Seus lábios sem dolo,
Para estar quieto em face do consolo,
Com suficiente fé, plena honradez.

Setas de dor me acintam vez pós vez,
E pedras pendem dentro do miolo;
Quero crer sempre, mas me sinto tolo
Se a inédita dor vem nítida à tez.

Interdita o temor que me acalora
Para eu dar graças pelo que me trazes:
Das entranhas tiro o óleo que unja as frases,

E então, sustido após todas as fases,
Tocado por Teu zelo, naquela hora
Te adorarei mais que hoje a alma Te adora!


Leia no contexto original

segunda-feira, 2 de junho de 2008

SER ÚTIL X EXERCER DOMÍNIO - parte 1


Depois de assistir a tantos escândalos, casos de corrupção, CPIs e mais CPIs, promessas eleitorais mentirosas, e de ver medidas contrárias aos interesses da população receber aprovação de parlamentares e do Governo, é natural que a maioria da população brasileira sinta desânimo ao pensar na política. Popularmente, os políticos são indistintamente vistos como ladrões por natureza. Sobre um político que atuou em São Paulo seus fiéis eleitores repetiam com orgulho o absurdo bordão: “ele rouba, mas faz!”

Infelizmente, esta revolta acaba favorecendo os interesses de políticos desonestos, porque constrói o sentimento que lhes permite agir impunemente: a alienação.

No caso dos cristãos, interessar-se pela política de forma ativa é quase encarado como um pecado. O indivíduo que se candidata é encarado pela igreja com desconfiança. Em contrapartida, algumas denominações promovem abertamente seus candidatos, dando-lhe apoio público irrestrito, inclusive com o uso eleitoreiro do púlpito, coagindo os membros a votarem no candidato do pastor. O resumo dessa tendência pode ser visto em um outro bordão curioso: “irmão que é irmão vota em irmão”.

Obviamente, ninguém deveria votar em um candidato apenas pela confessionalidade religiosa; mas, justamente, a falta de critérios empurra evangélicos, em geral, e adventistas, em particular, a certas “sinucas”: como resultado, são eleitos políticos que jamais seriam capazes de representar condignamente suas denominações ou, atrevo-me a dizer, os próprios ideais cristãos!

Em São Luis (Ma) havia um cidadão cuja freqüência à igreja ocorria de quatro em quatro anos, coincidindo com o período em que lançava sua candidatura, para a qual pedia o apoio da membresia adventista local. Em Guarulhos, surgiram, em épocas passadas, diversos candidatos: alguns que estavam voltando para igreja (obra do Espírito Santo?), outros que, desempregados, tentavam a vida pública, entre alguns, que, naturalmente, pareciam sérios, qualificados e sinceros.

Um episódio deste período foi interessante: eu terminara de pregar em determinada igreja. Haviam me informado, antes que começasse o sermão, sobre a presença de um candidato evangélico (de outra denominação); seguindo a praxe, sequer fiz menção ao distinto cavalheiro, uma vez que não se tratava de nenhuma personalidade pública (que ocupasse algum cargo eletivo ou que já o tivesse feito) e muito menos para indicar, pela mera menção, qualquer favoritismo àquela pessoa (que, de fato, era uma desconhecida para mim).

Bem nesta hora, transcorrido o culto, eu estava saindo pelos corredores para cumprimentar os presentes à saída, quando o referido candidato resolveu sair junto comigo, tendo o displante de por suas mãos sobre o meu ombro, no melho estilo “papagaio de pirata”. Não tive dúvidas: apertei o passo e “despistei-o”.

É possível encarar a política sem tabus? Ser cristão é viver de forma “apolítica”, desinteressada pela direção que as decisões políticas do país são tomadas? Ou podemos participar da esfera pública? Em caso de resposta positiva, como fazer isso – através de manifestos em favor de nossos princípios ou estando “dentro”, participando da militância política e dos bastidores das decisões que envolvem nosso município, estado e até país?

Esse é um assunto extenso e seria impossível tratar dele de forma completa nestas poucas páginas. Mas, de forma breve, quero analisar um trecho das Escrituras que fornecem princípios que apontam para como devemos encarar nossa vocação profissional (e, por intermédio dela, atuar efetivamente na Sociedade) e que tipo de considerações são necessárias antes da escolha ou endosso a alguém para um cargo eletivo.

SER ÚTIL X EXERCER DOMÍNIO - parte 2


Acompanhe comigo as palavras inspiradas:

“quando Jotão soube disso, subiu ao topo do monte Gerizim e gritou para eles: ‘Ouçam-me, cidadãos de Siquém, para que Deus os ouça ." Juízes 9:7 NVI.

Já analisamos como Abimeleque conspirou contra seus setenta irmãos; mancomunado com os habitantes de Siquém, ele assassinou quase todos eles e tornou-se uma espécie de rei local. Quase todos, porque Jotão sobreviveu.

Como forma de protesto, o filho remanescente de Gideão subiu ao monte Gerizim, sobre o qual repreendeu os criminosos utilizando uma parábola. O local era situado em algum ponto do “monte de 869 metros acima do nível do mar, ao sul do vale de Siquém, defronte de Ebal”; Gerizim era o monte das bênçãos e maldições (Dt 11:29; 27:12; Js 8:33)”[1], proferidas a aproximadamente um século e meio antes.[2] No Monte Gerizim se encontra uma “plataforma rochosa triangular”, de onde a voz de uma pessoa pode ecoar até o monte fronteiriço, o Ebal, por cima do vale em que se localiza a cidade de Siquém.[3] Jotão estava próximo o suficiente para ser ouvido e distante o bastante para ficar seguro.

“Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: ‘Seja o nosso rei!’ A oliveira, porém respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?’Então as árvores disseram à figueira: ‘Venha ser o nosso rei!’ A figueira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores? Depois as árvores disseram à videira: ‘Venha ser o nosso rei!’ A videira respondeu: ‘Deveria e renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?’” Juízes 9:8-13.

As três árvores citadas – oliveira, figueira e videira – eram comuns na região, conhecidas por seus produtos: a oliveira era usada em libações, para unção (quer em cerimônias religiosas, quer em civis) ou como produto alimentício; a figueira, era mais usada no consumo alimentício; finalmente, empregava-se a videira como parte de rituais pagãos (no caso dos vizinhos de Israel) e como alimento. Todas, portanto, possuindo uma utilidade.

Justamente em decorrência de sua utilidade, as três árvores se recusam a abandonar suas funções, em troca de um posto de governo. Podemos aprender, do lado positivo da recusa das árvores, o reconhecimento de suas próprias habilidades, bem como das implicações sociais que certamente possuíam.

Quando pensamos em dons, visualizamos capacidades espirituais concedidas sobrenaturalmente e com jurisdição eclesiástica. Contudo, Deus não restringiu os dons com os quais nos dotou a uma aplicação restrita – para serem usados apenas na igreja. “Os dons e as virtudes cristãos têm implicações sociais”[4], e, o trabalho, inclusive o secular, tem de ser encarado como uma vocação divina.[5] Por outro lado, no caso da história de Jotão, é fácil entendermos que

“[…] as pessoas de dignidade e influência, dentro da comunidade, não estavam ansiosas para abandonar suas esferas de trabalho construtivo, trocando-o pela honraria dúbia de uma monarquia”[6]

Isso é mais verdade em uma época em que não havia reis em Israel (Jz 18:1; 21:25). É claro que o apego ao dever, mesmo ao mais simples, como algo digno, possuindo valor, não exclui a verdade de que mesmo uma liderança social, de caráter político, também seja algo digno.

“Governar exige de um homem muito esforço e cuidado, os favoritos da confiança e do poder público devem renunciar a todos os seus interesses e vantagens particulares pelo bem dos demais, os que têm ocupado cargos de honra e dignidade correm o risco de perder sua capacidade de dar fruto. Esta é a razão pela qual os que desejam fazer o bem temem ser demasiadamente grandes.”[7]

Embora possua desafios, seguir a carreira política é compatível com a vida cristã, como qualquer outra vocação digna. Quando cristãos utilizam suas vocações dentro de uma perspectiva espiritual, que parte do reconhecimento de que Deus lhes concedeu dons com o potencial de modificar, mediante o uso adequado destes dons, a sociedade na qual estão inseridos, o propósito social para a nossa existência se torna uma realidade. O próprio Reino de Deus, entendido como “uma esfera, um comprometimento, uma atitude e um modo de vida e pensar que permeia toda a existência”, torna-se uma realidade prática, vivenciada por nós e visualidade a partir do exercício de nossa cidadania nacional por nossos concidadãos não-crentes.[8]



[1] A. R. Buckland, “Dicionário Bíblico Universal” (São Paulo, SP: Editora Vida, 1998), 13ª reimpressão, p. 175, verbete “Gerizim”.
[2] Artur E. Cundal e Leon Morris, opus citado , p. 124.
[3] Comentário Bíblico Moody, contido no CD-Room “Biblioteca Teológica vol. 3”.
[4] Bert B. Beach, “O cristão e a política: um parecer para o envolvimento judicioso em questões sociopolíticas sem compromoter as prioridades cristãs” (Diálogo Universitário, ano 9, volume 1) p. 5.
[5] Para uma breve consideração sobre como esta noção protestante se desenvolve e quais algumas de suas implicações, ver Douglas Reis, “O pastor como alguém que desperta vocações: o exemplo de Lutero”, disponível em http://questaodeconfianca.blogspot.com/2008/05/o-pastor-como-algum-que-desperta-vocaes.html.
[6] Artur E. Cundal e Leon Morris, idem , p. 125.
[7] Comentário Bíblico Matheus Henry, contido no CD-Room “Biblioteca Teológica vol. 3”.
[8] Bert B. Beach, opus citado, p. 6.

SER ÚTIL X EXERCER DOMÍNIO - parte 3


Perceba que a parábola de Jotão prossegue:

“Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Venha ser nosso rei!’ O espinheiro disse às árvores: ‘Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá até os cedros do Líbano!’ Juízes 9:14 e 15, NVI.

Ao contrário das árvores que anteriormente foram convidadas a reinar, apenas o espinheiro não era capaz de produzir fruto algum, além de não fornecer sombra (daí a ironia do convite “venham abrigar-se à minha sombra”, Jz 9:15); o espinheiro também facilmente provocava incêndios – suas pontas secas podiam queimar no verão e as chamas se espalharem com o vento, ameaçando árvores altaneiras, como o próprio cedro do Líbano (v.15).[1]

A pouca reflexão na escolha de governantes e a completa abstinência de participação no processo democrático, são responsáveis pela perpetuação de maus governos. A neutralidade não é benéfica, uma vez que “nada fazer é uma receita certa para o pecado ficar senhor da situação”. Temos de atuar, exercendo influência junto às autoridades constituídas, a fim de preservar nossa liberdade para pregar o evangelho, buscando parcerias a fim de continuar desempenhando junto aos órgãos públicos nossa responsabilidade de assistência social e promovendo leis e medidas que se coadunem aos princípios da Palavra inspirada. “Ignorância política não aumenta a felicidade espiritual.”[2]

Ao escolher apoiar Abimeleque, a população de Siquém (ou ao menos parte dela), apoiava um governante injusto, enquanto desprezava, simultaneamente, a contribuição prestada pela liderança militar de Gideão. Ellen White afirma:

““Quando os homens rejeitam o temor de Deus, não demora afastarem-se da honra e integridade. Uma apreciação da misericórdia do Senhor determinará a apreciação daqueles que, como Gideão, foram usados como instrumento para abençoar Seu povo. A conduta cruel por parte de Israel para com a casa de Gideão, foi o que se poderia esperar de um povo que manifestava tamanha ingratidão para com Deus.”[3]

Temos que aprender do protesto de Jotão, que em sua moderação, usou de civilidade para colocar os fatos diante do povo: com rigor profético, ele mostrou aos homens de Siquém o resultado da escolha deles – eles e o próprio Abimeleque iriam se auto-destruir (Jz 9:20). Como Jotão, nenhum cristão precisa curvar-se à injustiça e corrupção. Somos chamados para representar um Deus que, em Sua essência, é uma perfeita harmonia entre misericórdia e justiça (Sl 85:10). Além de protestar de forma ordeira e condizente com o caráter cristãos, devemos participar efetivamente da eleição de nossos governantes, apoiando “a pessoa mais idônea para o posto”. De fato, “o exercício da cidadania é parte da vida de todo cristão responsável”.[4]

Ellen White, a voz profética entre os adventistas, aconselhou a membresia que lhe contemporânea a tomar partido de causas que envolviam assuntos como temperança, por exemplo.[5] O cristão não pode deixar de participar na vida pública – se ele não o fizer, entregará uma importante esfera social ao controle de pessoas com princípios, mormente, contrários aos da Revelação.
[1] Artur E. Cundal e Leon Morris, idem.
[2] Bert B. Beach, opus citado, idem.
[3] Ellen G. White, “Patriarcas e Profetas” (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008), p. 557.
[4] Revista Adventista, Setembro de 2000, seção “Consultoria Doutrinária”, p. 11.
[5] Ver Ellen White, “Temperança” (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005), 3ª ed., pp. 253 a 256. Consegui esta referência através de um material impresso, extraído de alguma publicação antiga: Arthur White, “Adventistas do sétimo dia e votação”, Associação Geral da IASD, Washington 12, D.C., 14 de Agosto de 1952.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

MISTICISMO PARA CRIANÇAS




"Magia, força, fogo. Desafie seus amigos com os poderes dos cards Dracomania". Essa é a nova "febre" entre crianças e pré-adolescentes. As figuras que aparecem nos salgadinhos da Elma Chips (Cheetos, Fandangos, Baconzitos, Cebolitos, e produtos similares) possuem forte inspiração mística. Os cards fazem parte de um jogo envolvendo disputa de poder.

Impressionante como práticas antigas, condenadas na Bíblia (Deuteronômio 18:10) voltam através da cultura popular: desenhos animados, cards, jogos, games, etc... Embora a aparente inocência, já podemos ver a atuação de um poder que quer ocupar a mente de jovens e crianças com mensagens opostas às que Deus nos deixou.

Colaboração: Maíra e Lorrany

quarta-feira, 28 de maio de 2008

AINDA LIDERANDO O RANKING DOS BEST SELLERS


[...] A pesquisa "Retratos da Leitura do Brasil", que estudou o comportamento, gosto e preferência dos leitores, aponta ainda que enquanto 90% dos adultos leitores com mais de 40 anos de idade preferem ler em locais silenciosos, muitos jovens com idade entre 14 e 17 anos dizem que gostam de ler ouvindo música. Já 14% das crianças com menos de 10 anos curtem os livros ao mesmo tempo em que assistem à TV.

[...]

A "Bíblia" é vitoriosa em todos os rankings de leitura. Ela é a obra mais lida pelos leitores entrevistados (45%), seguida dos livros didáticos (34%), que são obrigatórios na idade escolar. Ela também aparece no topo dos livros mais lidos tanto por homens quanto por mulheres. Se levarmos em consideração a escolaridade do entrevistado, ela é a obra mais lida para os que cursaram até a 4ª série e é o gênero mais lido entre os leitores com mais de 50 anos.

Quando questionados sobre o último livro que o leitor leu ou está lendo, a "Bíblia" também aparece em primeiro lugar no ranking, seguida do livro "Código da Vinci". Mais de mil títulos foram citados pelos entrevistados, sendo que o número de citações da bíblia foi 18 vezes maior que a do "Código da Vinci".

A "Bíblia" também está no topo dos livros mais importantes na vida dos leitores. A obra foi citada dez vezes mais que "O sítio do pica-pau amarelo", numa referência às obras de Monteiro Lobato, segundo colocado na lista.


Consagrada como campeã em vendas, a Bíblia, infelizmente, ainda não é campeã em muitos corações, que, embora calejados por conhecer sua letra, fracassam por desconhecer seu espírito.

TER DOIS OLHOS EM TERRA DE CEGO




Mais de quinze mil páginas e cinquenta anos de preparo.
O Oxford English dictionary corresponde a aproximadamente (em número de páginas) cinco dicionários Houaiss, o mais completo em Língua Portuguesa. A Macmillan company escolheu para editor do projeto o Dr. James Murray, presidente da Sociedade de Filologia da Inglaterra. Apesar de suas habilitações, logo Murray deu-se conta de estar diante de um desafio sobre-humano. Seria necessário um assistente!
Como num passe de mágica, surge Dr. W. C. Minors: este misterioso acadêmico, sabendo do projeto, remeteu uma carta ao Dr. Murray – estava disposto a colaborar. Um acadêmico que caiu do céu? O Dr. Murray, entre confuso sobre o desconhecido e com medo de transparecer sua desconfiança, respondeu ao Dr. Minors, simulando aceitar a ajuda. Talvez, pensava, Minors até nem estivesse mais interessado…
A segunda carta de Minors convenceu Murray que seu colega desconhecido era um gênio. Não demorou muito e ambos passaram a colaborar através de correspondências. As sugestões e contribuições do Dr. Minors eram cada vez mais valiosas. Apesar disto…
Sequer um encontro houvera entre os eruditos até então! Do Dr. Minors apenas se sabia o endereço: Crowthorne, Inglaterra. Decidido a conhecer seu colaborador mais próximo, o Dr. Murray convidou-o a ir para Oxford através de uma carta. A missiva que se seguiu contava da impossibilidade do Dr. Minors, por razões físicas, de visitar o colega. Porém, o Dr. Murray seria bem-vindo em sua residência.
Em alguns dias, o Dr. Murray viajou até a Wellington College Station; lá, um cavalheiro uniformizado o escoltou até a residência de seu genial correspondente. Para o choque de Murray, ele não encontrou um campus universitário ou a residência de um acadêmico excêntrico – pior: o Dr. Minors era interno no Broadmoore Asylum, que tratava de criminosos insanos! O maior colaborador do Oxford English dictionary não passava de um lunático perigoso!
Sobre o Dr. Minors, “é suficiente dizer que temos aqui um homem cujo conhecimento excedeu sua vida… cuja deslumbrante demonstração de discursos foi somente ultrapassada por seu confuso espetáculo de corrupção.” [1] Conhecimento, por si só, não possui o poder de transformar a conduta de vida. Mesmo que estejamos tratando de conhecimento da Bíblia.
Por vezes me surpreendo com o quanto as pessoas conhecem sobre a Bíblia ou a respeito de doutrinas, o que é, sem dúvida, algo positivo. Porém, se em sua experiência você tem decorado versículos bíblicos, e, ainda assim, fracassando espiritualmente nos mesmos pontos, já passa da hora de conseguir algo além de uma boa memória. Permita-me ilustrar:

A parábola do livre-docente

Então, o livre-docente dirá também aos que estiverem à sua esquerda: apartai-vos de mim, malditos, para a reclusão, junto aos tolos e ignorantes.
Porque vocês tinham a Bíblia, mas não examinaram todos os manuscritos disponíveis em Grego e Hebraico;
Porque vocês pregavam, mas não utilizavam meticulosamente comentários, concordâncias e Atlas bíblicos;
Porque vocês davam estudos bíblicos, mas deixaram de se preparar cursando o seminário teológico e fazendo uma especialização em Arqueologia bíblica em Jerusalém;
Porque vocês testemunharam, mas foram incapazes de preparar uma dissertação breve, com quatrocentas páginas de texto (fora a bibliografia) a respeito da história de sua denominação religiosa;
Toda vez que deixaste de estudar, deixaste de crer!

Por favor, não quero minimizar a importância do estudo. Nossa cultura brasileira já é bem-sucedida em fazê-lo. Ocorre que, de fato, é uma ilusão medir o cristianismo pelo que você conhece; cristianismo se mede pelo Deus que nós conhecemos através de uma convivência poderosa o suficiente para moldar nossa visão sobre quem somos, sobre a vida, sobre os valores e sobre nosso propósito em estar neste mundo. Conhecimento sem mudança é intelectualismo vazio, incapaz de impactar tanto a nós mesmos como os que nos cercam.
Mas, a exemplo do Dr. Minors, um grande número de cristãos tem seu discurso contrariado pela prática. Vera Paiva, professora da USP, e coordenadora de estudos sobre a sexualidade, especialmente entre jovens pertencentes a grupos religiosos, explicando o aumento da iniciação sexual antes dos dezenove anos de idade, afirma:

Quero chamar a atenção para o seguinte: mesmo diante dos dogmas, as pessoas conseguem ser sujeitas de sua própria sexualidade. Veja que esse estudo envolveu jovens que são líderes religiosos na sua comunidade. Eles participam, são ativos, militam. Os evangélicos afirmam que sexo fora ou antes do casamento é pecado e permitem ou mesmo recomendam contraceptivos, mas dentro do matrimônio. Quando você vai ver, uma proporção imensa deles transou antes do casamento - e sem preservativo. Então dizem uma coisa e fazem outra. [2]

Isso não acontece, evidentemente, apenas no aspecto da sexualidade, mas envolve diversas facetas da experiência. Ocorre que nossa época vê com desconfiança tudo quanto se relacione com regras. Há alguns anos, alguém detectou esse sentimento e traduziu na seguinte declaração:
“‘hoje em dia, um número crescente de pessoas sente cada vez menos restrições ou inibições interiores contra a desobediência de qualquer lei ou código moral que interfira em seus desejos ou impulsos particulares. Enquanto os estigmas sociais que eram atribuídos à quebra da lei e desvio da moral tradicional se enfraquecem, a distinção entre liberdade e libertinagem torna-se cada vez mais obscurecida no espírito do indivíduo. ‘A lei é vista como um inimigo a ser destruído ou passado para trás’. No final das contas, o único ‘pecado’ é ser ‘apanhado’.’” [3]
Aliás, não é à toa que um dos Best-sellers de espionagem tenha o curioso título: “O décimo primeiro mandamento: não te deixarás apanhar”! [4] Muitos cristãos parecem guardar apenas este mandamento…
A religião já não significa o mesmo para nossa geração em relação o que até então significara; testemunhamos um espírito religioso que se desenvolve “longe do controle e tutela institucionais”, que se multiplica em “formas originais de crença”. Tais crenças estão baseadas na “manifestação do divino”, não como produto de fé na Bíblia, mas, sim, devido à influência de um misticismo crescente. [5]
Essa nova religiosidade não busca a “verdade absoluta”, porque vê o “mundo espiritual” como algo que “não tem fronteiras”; agora o que importa são as “preferências” e “escolhas” do indivíduo – “Eu vou acreditar naquilo de que gosto e que me faz bem agora. Vou crer no que eu quiser neste momento.”
Mas as escolhas do indivíduo estão diretamente relacionadas com as da tribo, ou seja, de outros indivíduos, que partilham do mesmo gosto, opinião e afinidades. As tribos são, portanto, “grupos de interesses homogêneos.” [6] Por causa do novo fenômeno religioso moderno, as crenças se diluem e se misturam (chamamos a isso de sincretismo religioso).
Não é a primeira vez na história do povo de Deus que a fé verdadeira fica ameaçada por uma salada de crenças; sempre, em períodos como o que vivemos, Deus atua no sentido de levantar pessoas para viverem corajosamente os princípios revelados. Pessoas que possuam a visão correta de Deus, de si mesmas e de sua missão. Pessoas que saibam no que creem e porque devem crer de uma determinada forma. Mais ainda: Deus levanta o tipo de gente que pratique com coerência aquilo que é a verdade instruída por Ele. Em seu discurso de posse do primeiro mandato, em 1º de Janeiro de 2003, o presidente Lula declarou a respeito da reforma agrária: “As terras produtivas justificam-se por si mesmas.” Um princípio similar se revela na vida espiritual: os frutos que você produz revelam quem você é. Há um caminho para isso:

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2, NVI.

Devemos rejeitar as visões distorcidas deste mundo, suas falsas filosofias e correntes de pensamento contrárias à verdade bíblica; em seguida, devemos fazer diariamente um up-date, uma renovação, que começa na mente, apropriando-nos da Revelação divina (lendo a Bíblia, estudando, buscando compreendê-la); finalmente, estas ações concretas nos levarão à prática – experimentar e comprovar a vontade celeste em nossa própria vida cotidiana, em todos os seus aspectos. Num mundo cego espiritualmente, é preciso ter dois olhos, e bem abertos, para enxergar corretamente a realidade.

[1] Recontei o episódio a partir de Greg Herrick, The Life of the Mind, disponível em . Herrick, por sua vez, cita como fonte da história Paul Harvey, Jr. Paul Harvey's The Rest of the Story (New York: Bantam, 1997).
[2] Mônica Manir, Com fervor e autonomia, disponível em .
[3] Clare Boothe Luce, If Precente Social Trends Continue, Democracy ‘Is Bound to Collapse”, U.S. News and World Report, 5 de Julho de 1976, p. 65 e 66, conforme citado em Jerry White, Honestidade, moralidade e consciência (Rio de Janeiro, RJ: JUERP, 1990), 3ª ed.
[4] Jeffrey Archer , O décimo primeiro Mandamento: não te deixarás apanhar, in Seleções de Livros, Lieratura Estrangeira (Rio de Janeiro, RJ: Editora Reader's Digest do Brasil Ltda, 2001).
[5] Neste ponto, vale nos lembrarmos de que a própria mística (termo equivalente para misticismo) é definida como “uma experiência subjetiva e pessoal cujo centro é a ideia de união com Deus ou com o princípio fundamental de toda a realidade.” Carlos Eduardo Sell e Franz Josef Brüseke, Mística e Sociedade (Itajaí, SC: Universidade do Vale do Itajaí; São Paulo, SP: Paulinas, 2006), 18. Se a mística é subjetiva e pessoal, não é de se estranhar que a nova religiosidade, moldada por ela, apresente-se com estas duas características.

[6] Robson Ramos, Evangelização no mercado pós-moderno (Viçosa, MG: Editora Ultimato Ltda, 2003), 16, 86, 91-92. Para uma análise do influxo da religiosidade moderna na liturgia e músicas cristãs, ver Douglas Reis, A música sacra na cosmovisão adventista: analizando e interpretando conceitos de Ellen White, parte 2, disponível em e Douglas Reis, A canção e a vida, disponível em .


terça-feira, 27 de maio de 2008

“O PASTOR COMO ALGUÉM QUE DESPERTA VOCAÇÕES: O EXEMPLO DE LUTERO”



A maioria dos autores reconhece a Reforma Protestante como um movimento primeiramente religioso. Quando Martinho Lutero, que lecionava em Witemberg, afixou 95 tese contra as indulgências papais, em 31 de Outubro de 1517, iniciou-se um despertamento bíblico, ao mesmo tempo que uma controvérsia entre a posição tradicional mantida pelo Catolicismo e o que aquele monge alemão ensinava. “Basicamente […] até os adversários romanos e alemães cultos de Lutero poderiam ter visto onde ele estava certo, se não tivessem colocado os interesses do papa acima da compreensão das escrituras.” [1] Apesar de essencialmente religiosa, a mensagem de Lutero ocasionou uma nova forma de se entender o plano geral de Deus para o homem nesta vida.
Basta nos lembrarmos de que a sociedade medieval, a partir de sua estrutura eclesiástica, separa o clero dos leigos, discriminando os últimos, como se fossem “cristãos de segunda classe.” Lutero se levantou contra essa distorção:

[…] todos os cristãos são verdadeiramente de estado ‘clerical’, isto é, espiritual, e não há qualquer diferença entre eles, a não ser, exclusivamente, por força do seu ofício, conforme Paulo diz em 1 Coríntios 12.12ss: todos somos um corpo, mas cada membro tem sua própria função, com a qual serve ao outro: tudo isso faz com que tenhamos um batismo, um evangelho, uma fé e sejamos cristãos iguais, porque batismo, evangelho e fé é que exclusivamente tornam as pessoas espirituais e cristãs. [2]

Max Weber, em seu trabalho clássico sobre a relação entre a mentalidade protestante e o surgimento do capitalismo, apresenta algumas das consequências das declarações feitas pela pena de Lutero. Para Weber, a Reforma tinha como resultado uma “regulamentação levada a sério” no que diz respeito à “conduta de vida como um todo, que penetrava todas as esferas da vida doméstica e pública até os limites do concebível.” Essa nova visão afetou, inclusive, a maneira de enxergar o trabalho: surgiu a ideia de trabalho no sentido de “missão”, “vocação profissional”, “desígnio divino” [3] Tal visão, baseada em uma compreensão bíblica do mundo, conferiu dignidade à toda profissão. Como diz Schaeffer: “A vocação de um comerciante ou de uma dona de casa honesta passava [a partir da Reforma] a ser vista como tão digna quanto a do rei.” [4]
No campo cultural, a Bíblia tornou-se “o principal sustentáculo da cultura popular”, passando a influenciar a “forma de pensar do povo, inclusive das pessoas não religiosas.” [5] Assim é justo que Schaeffer faça distinção entre autores cristãos em dois sentidos: (1) o convencional (ou seja, aquele que aceitou a Cristo e suas doutrinas) e (2) quem “vive dentro dos limites do consenso gerado pelo Cristianismo. [6] Em várias áreas do conhecimento, sentiu-se o influxo da Reforma: nas Ciências, Artes Plásticas, Música, Política, Literatura, etc.
O pensamento protestante é herdeiro da tendência luterana de considerar o trabalho não meramente como um “meio de vida”, porém tido por digno aos olhos de Deus. “Nos capítulos iniciais de Gênesis, aprendemos que os seres humanos foram criados à imagem de Deus, para refletir o seu caráter, portanto, somos convocados para refletir a sua atividade criativa através da nossa própria criatividade – cultivando o mundo, extraindo o seu potencial e dando-lhe forma. Todo trabalho tem dignidade, como uma expressão da imagem divina.”
[7] Ellen White pinta, com cores vivas, a importância do trabalho:

[...] todo serviço que fazemos e que é necessário ser feito, seja lavar a louça, pôr a mesa, cuidar de um doente, cozinhar ou lavar, é de importância moral [...] As humildes tarefas que estão diante de nós, devem ser executadas por alguém; e os que as fazem devem sentir estarem realizando uma obra necessária e honrosa, e que em sua missão, por humilde que seja, estão fazendo uma obra de Deus, tão certo como o estava Gabriel, quando enviado aos profetas. Todos, em suas respectivas esferas, estão trabalhando por sua ordem. As mulheres em seu lar, cumprindo os simples deveres da vida que precisam ser atendidos, podem e devem manifestar fidelidade, obediência e amor tão sinceros como os anjos em sua esfera. A conformidade com a vontade de Deus torna qualquer obra que precise ser feita uma tarefa honrosa. [8]

Cada pastor precisa fornecer aos membros de sua igreja de que o trabalho (mesmo no que se refere ao trabalho secular) é sagrado e deve ser executado dentro de uma perspectiva cristã, contribuindo para representar a criatividade com a qual Deus nos dotou e redundar na glória do Senhor. Em tudo quanto fizermos através de nossas mãos, devemos representar Aquele que nos criou, redimiu e em breve virá nos resgatar, influenciando à Sociedade ao redor – eis uma forma de atuar como “sal da terra” (Mateus 5:13).

[1] Hans Küng. A igreja católica. Rio de Janeiro, Objetiva: 2002, 166.
[2] Martinho Lutero. “À nobreza cristã de nação alemã, acerca do melhoramento do estado cristão”, in Pelo Evangelho de Cristo.  Porto Alegre, Concórdia editora Ltda; São Leopoldo: Editora Sinodal, 1984, 80.
[3] Max Weber. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo, Companhia das Letras: 2005, 30, 72,73, 77. Edição de Antônio Flávio Pierucci, 3ª reimpressão.
[4] Francis Schaeffer. Como viveremos? São Paulo, Editora Cultura Cristã: 2003, 52-53.
[5] Felipe Fernández-Arnesto, Derek Wilson. Reforma: o Cristianismo e o mundo 1500-2000. Rio de Janeiro; São Paulo, Editora Record: 1997, 66.
[7] Charles Colson, Nancy Pearcey. O cristão na cultura de hoje: desenvolvendo uma visão de mundo autenticamente cristã. Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembleias de Deus: 2006, 174-175. Vale notarmos que a autora Nancy Pearcey é luterana.

[8] Ellen White. Testemunhos Seletos, vol. 1. Tatuí: 2006, 297-298.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

PRESERVANDO O INTERIOR


A brasa contra o bloco, o aríete na aljadra,
E as lançam, destros, contemplados por partículas
De luz recente, em seguida indo à outra quadra
Além da alçada do halo. À sombra das edículas,

Ouvem os chifres e distendem o arco. Ladra
O exterior. Vêem as mulheres, as vinícolas
Nas mãos do enxame vindo através de uma esquadra.
Erguem-se ocultos. Suas flechas são ridículas.

Outra vez deixam sua sombra em busca de alvos
Que a elevação do posto os faz ver. Outra vez
Liteiras levam corpos para espaços calvos.

Ainda com baixas, nada há que a ira lhes aplaque.
Anjos conscientes, o outro grupo expreme a tez,
Mantendo o interior incólume ao ataque.

E SÓ DÁ ELE


Depois de eleito o melhor jogador pela FIFA, no ano passado e de ser considerado uma das cem personalidades mais influentes, o que mais poderia se esperar do futebolista Kaká, jogador do Milan ? Agora Kaká, que é evangélico, está sendo o destaque de uma exposição na Áustria, que trata da relação entre futebol e religião.Na camiseta do atleta, a frase "I belong to Jesus" (eu pertenço a Jesus).[1] Kaká há pouco tempo atraiu a ironia de alguns setores da imprensa por suas declarações sobre ter casado virgem.

“Não foi fácil chegar ao casamento sem ter estado com uma mulher. Com Caroline, nos beijávamos e havia desejo, mas sempre seguramos a barra. A Bíblia diz que o amor verdadeiro se encontra na noite de núpcias.”, revelou o jogador.[2] Em uma época de modelos falhos, é importante que surjam pessoas de princípios em todas as áreas. E estes sempre terão destaque, porque Deus mesmo prometeu: "Aqueles que me honram, honrarei", ISamuel 2:30.

[1] “Kaká dá brilho à exposição na Áustria: brasileiro aparece em 'display' com a famosa camisa em que exalta Jesus”, publicado em http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL488919-9842,00-KAKA+DA+BRILHO+A+EXPOSICAO+NA+AUSTRIA.html.
[2] Kaká, craque do Milan, em entrevista a uma rádio espanhola. Reproduzido em revista Veja, edição 2054, ano 41, nº 13, 2 de Abril de 2008, seção “Veja essa”, p. 48.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

CAMPEÃO DO RACISMO


No último dia 14 de Maio, a copa da UEFA teve um improvável campeão: o time russo Zenit. A equipe de São Peterburgo bateu por 2 a 0 o escocês Glasgow Rangers no estádio City of Manchester (Inglaterra). Isto por si seria uma notícia sem maiores atrativos, se um fato curioso não fosse levado ao conhecimento geral: o racismo da maioria de seus torcedores do Zenit, e, a julgar pelas declarações de seu técnico, o holandês Dick Advocaat, da própria diretoria do clube. Não à toa, o Zenit quase foi banido da copa: sua torcida insultava jogadores rivais por serem negros. Aliás, o elenco da equipe russa não conta com jogadores negros.

Há anos a Europa luta para banir o racismo dos gramados. Alguns atletas, como o camaronês Etôo, já foram vitimas de insultos devido à cor de suas peles. Mas com a ascenção do Zenit o racismo marca outro gol contra e fere as iniciativas de conscientização pelo respeito inter-racial.

Para os cristãos, não deve haver tolerância a qualquer prática discriminatória. Um dos primeiros países a ser alcançado pelo Evangelho do pós-Pentescoste foi a Etiópia (Atos 8:26-40). E, em seguida, o Espírito Santo fez questão de frisar a Pedro (e aos demais membros do corpo de crentes) que a nenhum homem deveriam considerar “impuro ou imundo” (cf.: Atos 10:9-16 e 10:28); o preconceito contra não-judeus estava tão enraizado na igreja que a ação missionária de Pedro não deixou de ter uma repercussão polêmica (Atos 11:1-18; considere a ênfase incrédula da conclusão dos líderes eclesiásticos no último versículo: “Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até para os gentios!” ênfase suprida).

Imagino o que Deus ainda esteja fazendo a fim de nos despertar para a aceitação irrestrita do outro, anulando nossos preconceitos, com o objetivo de que sejamos melhores comunicadores de Seu Evangelho. Em um mundo em que os diversos preconceitos avançam por campos diferentes (até pelos campos de futebol), a mensagem de um Deus que aceita a todos precisa ser vista no povo que Ele escolheu para acolher os homens em Seu nome.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A ESPERANÇA


No fundo, todos acordaremos de um sonho cinza para sentir um hálito sadio invadir o nosso próprio e refrescar a garganta seca. Olharemos para os lados e nada parecerá pálido. As flores ofuscarão todos os olhares. Nossa alegria nos comoverá mostrando em que tornou-se o maior sonho: ele é agora concreto, enquanto a antiga realidade será menos do que um sonho de mau-gosto.

Correr, pensar, compor, viajar, conversar, aprender, nadar, construir – qualquer destas atividades e mesmo o acúmulo delas não diminuirão um átimo do vigor em nossos músculos restaurados. Seremos jovens, jovens saudáveis! Doenças serão parte das histórias que os avós contarão para meninos incrédulos… e sorriremos, porque o Rei teremos por vizinho e Seu colo estará disponível por uma conta de anos sem fim!

A esperança é pousar em Seus olhos os nossos e entender que acabou, porque Ele quis que acabasse, e que jamais estaremos novamente longe de Seu comprovado amor. Nada aqui pode ser mais animador que a esperança de estar naquele momento vivendo, vivendo num sentido que aqui soa inverossímil admitir.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

COLHA O DIA



Depois de viver obcecada pelo futuro, Jenifer descobriu o prazer das pequenas coisas – passear na praia, telefonar para os amigos, sufocar antigos rancores, comer bolinhos de chuva, levantar-se depois das dez – enfim, ela entendeu que a vida é feita de pequenos momentos que devem ser vividos ao máximo e no presente. Este relato poderia servir de desfecho para qualquer comédia romântica. Mensagens assim aparecem também em músicas, livros e até em discursos religiosos.

Aliás, este tema acompanha a Literatura ocidental desde os gregos. Os melhores líricos cultivaram o gênero que recebeu o nome de carpe diem (“colha o dia”, expressão de Horácio, poeta latino que inovou o gênero). “[…]O sentido é, pois, apanhar o tempo correto, destacando-o do abstrato tempo da vida.” (Francisco Achbar, “Lírica e Lugar-comum – alguns temas de Horácio e sua presença em Português, p. 94). Na prática, o carpe diem é um convite para se aproveitar o dia de hoje, já que não se tem certeza do amanhã, que merece ser ignorado, porque talvez jamais chegue a existir. Não existe, dentro desta visão, limites para se promover o prazer ao máximo (essa busca pelo prazer como um objetivo é chamada de hedonismo). Isto soa familiar?

Mesmo se para alguns o nome “Horácio” não signifique nada além de um dinossauro verde das história em quadrinhos, a influência grega ficou. Milhares “colhem o dia” junto com as conseqüências de um estilo de vida egoísta e irresponsável. Abortos. Embriaguês. Doenças venéreas. Culpa. Depressão. Há saída?

Claro que a Bíblia também trata da brevidade da vida. Salomão nos aconselha a aproveitar nossa curta existência; escrevendo o Eclesiastes, no qual o sábio insiste mais no assunto, ele fala diretamente aos jovens através de um poema (Ec. 11:9-12:8). Este texto se constitui no auge do livro de Eclesiastes e não seria exagero colocá-lo entre os melhores poemas da Literatura Mundial (Horácio teria inveja!).

Na passagem, Salomão nos apresenta a juventude como época de aproveitar a vida – “satisfazer o coração”, “agradar os olhos”, “afastar o desgosto” e “mover a dor da carne”. Ao mesmo tempo, ele nos lembra que a juventude não é eterna, mas será sucedida pelos “maus dias”, forma não muito simpática de se referir à velhice. De forma majestosa, o poeta bíblico usa metáforas para descrever os efeitos do tempo sobre o corpo, em termos que lembram uma tempestade sobre as cidades do oriente médio.

Certo. Mas o que Salomão tem em mente quando se refere a aproveitar a vida? Acontece que a maneira de se aproveitar a vida não está focada no prazer imediato – mas tendo em vista o compromisso de obediência a Deus (Eclesiastes 11:9, 12:1; também na conclusão, 12:13).

Podemos olhar para a vida não como pedaços de momentos, mas como um todo – mais ou menos como uma blusa de lã, onde cada “carreira” contribui para formar a peça completa. Do contrário, querendo “curtir o momento”, cedo ou tarde, faremos algo de que nos arrependeremos (Ec.12:1).