quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

TRAUMA DE AÇAÍ



Era domingo e voltávamos de uma programação do mutirão de Natal. Minha esposa me convenceu a ir a uma lanchonete, na frente do condomínio vizinho ao nosso. “Praia do açaí”, um nome arrepiande! Por quê? Passo a contar meu trauma do açaí.
Morei quatro meses em São Luís, MA. Além de ser terra de grandes poetas (Gonçalves Dias, Souzândrade, Nauro Machado…), é o paraíso das frutas. Conheci cupuaçu na lanchonete do irmão Ariel, um amigo da igreja central. Visitando algumas senhoras, experimentei açaí na tigela com uma farinha graúda de mandioca, típica da região. Virei fã de açaí, de carteirinha (mas não da farinha…)!
Provei açaí em outros lugares do Brasil: em Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul e até em Santa Catarina. Sempre a mesma decepção. O açaí que preparavam era um suco marrom, misturado com guaraná, catuaba, amendoim e sabe-se lá quantas outras coisas. Tinha gosto de xarope. Nada sequer próximo à iguaria que eu provei no nordeste brasileiro.
Assim, desisti do açaí. Toda vez que o encontrava em algum menu, perguntava ressabiado sobre a sua cor. Depois de um tempo, nem mais perguntei. Ficava na saudade, imaginado quando voltaria para São Luís para provar do verdadeiro açaí.
Sentado na mesa da lanchonete com a minha esposa, resolvi me atrever a indagar sobre o açaí que serviam, sem muitas esperanças. O rapaz que me atendeu informou como era o produto. Decidi: arriscaria. Logo veio a tigela. Para minha surpresa, tinha mesmo a cor do açaí. Mas faltava o principal, o gosto. Dei a primeira colherada e…
Naquele momento, aconteceu um transporte. Acionei um gatilho que me levou, inevitavelmente, a muitas milhas de casa. Senti-me de volta no Maranhão, entre os amigos, andando pelas ruas estreitas da capital, entre a população de baixa estatura. Quase vi os peixes sobre lonas nas calçadas e a frota de carros novos circulando por São Luís. Lembre-me de Edgardo, Baima, o irmão Jesus (que sempre reconheceu minha voz pelo telefone), Ricardo e Rafael (do pequeno grupo), Jó, Atencio, e tantos outros, que enumerar nomes tornaria o texto imensurável. Algumas colheradas me devolveram o gosto de um momento especial que vivi. Era o sabor do Maranhão que um paulista sentia em plena Santa Catarina e ao lado de uma gaúcha!
Mas ainda quero tomar o açaí em São Luís. Com minha esposa e entre amigos.

5 comentários:

Anônimo disse...

Aí amigo,

Passa o endereço dessa lanchonete porque fiquei com vontade de esperimentar, he,he,he!

Marco Aurélio.

Anônimo disse...

Fala amigão,

Quando quiser vir em São Luis as portas estão abertas, é só avisar.


Rafael (o mesmo que vc citou no texto) rsrsrrs

Anônimo disse...

Eita rapaz, também sinto saudades de quando vc ia me "pertubar" (rsrsr)para usar o computador para escrever suas poesisa...
Abraços...
Espero vc e sua esposa aqui.

Hosana (esposa do Ricardo q citastes no texto)

joêzer disse...

mr. douglas,
conheço esse povo todo que vc mencionou. o jó e o irmão ariel foram depois para a igreja do colégio adventista (o casl), onde eu era regente e pianista.

Michelson disse...

Então somos dois. Sou "viciado" no açaí do Norte, que experimentei em Belém. Nunca mais provei um igual...