segunda-feira, 5 de julho de 2010

I BOWED ON MY KNEES: SÍMBOLO DO GAITHERISMO

Gary McSpadden, Bill Gaither, Larnelle Harris e Michael English, em capa de álbum de 1986.


Em um vídeo caseiro, disponível no Youtube, o Gaither Vocal Band (GVB) canta em um auditório minúsculo, formada por membros da terceira idade. Entre Mark Lowry e o impreessionante Terry Franklin, ele aparece com cabelos cumpridos e camiseta larga, com um Mickey na estampa. O visual largado não diminui a admiração dos presentes: quando ele começa a cantar I Bowed on my Knees, todos resolvem gritar, como se tivessem saudades de seus dias de teens. De fato, ali Michael English estava em plena forma. Apesar do aspecto de improviso, aquela foi sua melhor interpretação da música que esteve indelevelmente associada ao seu nome.

English entrou no grupo de Bill Gaither por acaso, quando o compositor cristão mais famoso do século XX procurava quem cantasse o baixo na harmonia. English entrou como lead, e na época não passava de um esquálido rapaz de bigodes, em nada sugerindo o ícone gospel que veio a ser na década seguinte. Nos anos 90, Michael English era o protótipo de galã evangélico, premiado por sua voz e aclamado pelos admiradores da country music. Sem dúvida, graças a ele e outros o GVB se consolidou e saiu do modelo tradicional de quartetos.

Os vocais cada vez mais apoteóticos e a primazia do solista ficaram como marca registrada do grupo, cada vez mais dependente de astros do que da harmonia vocal, relegada a trechos da música. O diferencial era o intérprete. Assim, mesmo quando English deixou Bill Gaither para seguir carreira solo, sempre se buscou grandes cantores que completassem o quadro. Enquanto o GVB obtinha notoriedade, English se afundava nas drogas. Ele deixara a Cristo por conta de um adultério escandoloso, que ocasionou em uma carreira secular desastrosa.

Hoje, de volta ao quarteto, Michael English continua cantando I Bowed on my Knees, com voz embargada e notas fora do acorde. Sua voz é uma paródia do que já foi. Mas emociona alguns dos fãs do quarteto, que admiram o personalismo do GVB. Bill hoje não faz mais shows em ambientes capengas para gente de cabeça branca: o velho bardo apresenta novas doses da mesma fórmula para públicos dispostos a se embriagar com o requinte de produções cada vez mais sofisticadas.

I Bowed on my Knees é, de certa forma, um símbolo da trajetória do próprio estilo Gaither de cantar: emoção em um country macio, vocais arrojados e uma letra tão genérica que pode agradar de metodistas a episcopais, de anglicanos a adventistas. English já a cantou das mais variadas formas: revezando os solos com o cantor secular Larry Gatlin, durante o primeiro dos Homecomings produzidos por Bill Gaither; English já fez uma versão pop da música, já a cantou com corais e até cometeu a insensatez de cantá-la junto com J.D. Summers e o Stamp quartet (!).

Assim como em I Bowed on my Knees, há certa persistência no repertório do quarteto por temas apocalípticos (vide These are they, Alpha and Omega, The King is coming, entre outras), algumas vezes remetendo à esperança (?) do arrebatamento secreto; nada tão declarado como em Are you read?, canção tipicamente dispensacionalista entoada pelo Gold City (em mais uma intrepretação excepcional do quase contralto Jay Parrack).

Quando analisamos a fórmula de Bill Gaither pela ótica de adventistas do sétimo dia, necessitamos ser cautelosos: há coisas valiosas produzidas por ele. Mas copiar seu modelo ipsis literis pode ser prejudicial, não apenas para a adoração adventista, que não se pretende personalista, no sentido de dar menos destaque ao indivíduo, e ressaltar o conjunto; também deve ser levada em conta que a escatologia distinta nos separa de outros cristãos. Assim, apenas traduzir suas letras pode conduzir a equívocos doutrinários.

É claro que, enquanto escrevo isso, Tim Davis, do Heritage Singers, pode estar se apresentando em algum lugar com a música I Bowed on my Knees

2 comentários:

Anônimo disse...

QUARTETO A7 ENSAIANDO ESTA MUSICA, QUASE PRONTA, HEHEHEHEHEHE.


FORTÍSSIMO ABRAÇO PASTOR DOUGLAS.

QUERIA VC AQUI SÁBADO AGORA DIA 10-07, PARA FAZER UM SERMONETE NO ANIVERSÁRIO DE 3 ANOS DO A7, MAS NÃO SEI SE ISSO SERIA POSSÍVEL.

9602-0504, SE PUDER ME LIGAR HJ AINDA, CASO VEJA O RECADO E PUDER ESTAR AQUI, SENÃO TENHO QUE CONTATAR OUTRO PASTOR, MAS VC ALÉM DE AMIGO, É O MEU FAVORITO (COM HUMILDADE), UM HOMEM MUITO SÁBIO E DE DEUS.
FORTE ABRAÇO

Thiago Guedes de Oliveira disse...

Apesar do Michael não ter mais a voz de antes, ainda o admiro.
E quanto ao Heritage...
Acho a versão deles melhor que a do GVB. Com Scott e Tim nos solos!!