segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O DEMÔNIO DA BATERIA



Uma das mais pertinazes e irritantes discussões sobre música sacra envolve o conjunto de instrumentos percussivos que chamamos de bateria. Será que bateria pode ser usada na música sacra? A renitente dúvida divide opiniões há décadas. Poucos se deram conta de que se trata de uma indagação inútil, por dois fatores principais: 

1.Não é um instrumento que determina se a música é sacra ou não: um instrumento não serve de nada, a não ser como meio de expressão. O que o indivíduo expressa como forma de arte é o que precisa ser avaliado. A bateria pode ser usada para louvar a Deus? Associada a outros instrumentos, a bateria pode ser usada como instrumento de louvor, quando utilizada de forma que não caracterize um ritmo ou gênero musical popular. O mesmo vale para, praticamente, todos os demais instrumentos. Infelizmente, tendemos facilmente a erguer a voz quando a percussão se destaca, aproximando-se do rock, mas poucos reclamam quando alguém toca um violão e dá a um hino a roupagem de bossa-nova. Tudo depende do coração do músico, que definirá que tipo de arranjo será executado. Pena que ainda existam pessoas que imaginem que o diabo inventou a bateria para desviar o povo remanescente do louvor celestial; ou que, a semelhança dos pregadores pentecostais, aleguem haver um espírito demoníaco na bateria, capaz de possuir a mente daqueles que ouçam seu som mefistotélico; 
2.O que se discute, em verdade, é a presença física da bateria: se a bateria pode fazer parte de nossas canções? Ora, sinto informar os desavisados, mas a bateria já é “de casa” há tempos. Você não vê, mas ela se apresenta na maioria dos play-backs, algumas vezes de forma apropriada, em outros casos, inadequadamente. Algumas equipes de louvor utilizam baterias eletrônicas ou sintetizadores, produzindo o mesmo tipo de som da bateria convencional. E a rejeição ao tipo de música produzida não é maior simplesmente pelo fato de que a bateria não se apresenta “pessoalmente” na igreja. Aliás, convenhamos: com emprego maciço dos supra-citados play-backs, nem instrumentos musicais ou instrumentistas podem ser encontrados, tal o efeito de acomodação que a música “pronta” vem causando. 
Portanto, ao invés de se discutir se a bateria é ou não lícita, gostaria que as discussões sobre música sacra subissem de tom (com perdão do trocadilho) e passassem a considerar tópicos como os seguintes: 
1.Como desenvolver abordagens para seleção de música cristã nas igrejas locais e instituições? Não basta que comissões da Associação Geral ou da Divisão Sul-Americana lancem diretrizes, se não existe empenho da parte de líderes locais de estudar o assunto em espírito de oração e promover seminários, treinamentos e reflexões. Os encontros nacionais de músicos que existem são poucos e, até onde sei, lidam pouco com a Filosofia denominacional, concentrando-se no desenvolvimento de habilidades e técnicas; 
2.É justo que nossas emissoras de comunicação apresentem algumas músicas sabidamente descomprometida com os ideais adventistas, apenas sob pretexto de evangelismo indireto? Como se sabe, o evangelismo indireto constitui uma forma de atrair a massa de evangélicos, veiculando músicas de cantores que, além de não pertencerem à denominação adventista, possuem um conceito musical bem diverso do nosso. Na prática, o evangelismo indireto vem produzindo muitos frutos: ele “evangeliza” os adventistas, influindo em seus gostos de forma, muitas vezes, determinante. Não à toa, alguns cantores de congregações locais levam para os cultos músicas de Luis de Carvalho, Diante do Trono, Aline Barros, Regis Danesse e por aí vai; 
3.Como incentivar e apoiar a formação musical dos jovens? Denominações pentecostais, como a Assembleia de Deus e a Congregação Cristã do Brasil, dão incentivo à formação de orquestras locais. Os adventistas ficaram dependentes do play-back que, se por um lado tem sua valia em termos de auxiliar igrejas sem estrutura musical a curto prazo, impede que haja um desenvolvimento dessas estruturas a médio e longo prazo. Boa parte dos músicos não possui nenhum tipo de formação, apenas cantando ou tocando intuitivamente, ou “de ouvido”, como se diz. Isso ajuda a entender porque alguns cantores emulam outros intérpretes, quer cristãos ou seculares, sem conseguir apresentar uma voz própria. Precisaríamos incentivar o estudo da música, criando conservatórios orientados pela nossa ideologia; 
4.O que fazer para desenvolver uma liturgia correta e relevante? Com a onda dos worships, muitos adventistas aprenderam a levantar as mãos, e se abraçarem enquanto louvam. Isso tem sido aclamado por muitos como uma evolução, pois estaríamos nos aproximando do verdadeiro espírito de adoração. Esses que me desculpem, mas se isso for realmente o correto, então temos de reconhecer: nós adventistas estamos atrasados em relação aos pentecostais, que já louvavam a Deus dessa forma muito antes de nós. Seríamos, nesse caso, a “cauda” e não a “cabeça”. Por favor, não me entenda mal: não sou contra a espontaneidade durante a adoração através da música. Mas se a música ou a equipe de louvor nos condiciona a levantar a mão, e a fazê-lo em um momento preciso, e não em qualquer outro instante, que é feito da espontaneidade tão alegada? Não precisamos ficar inamovíveis, ou seguir uma sequência na ordem do culto sob o argumento de que “sempre foi feito assim e devemos continuar assim”. Antes, a pergunta precisa ser: o que a Bíblia diz sobre o assunto? O que realmente agrada a Deus? Apenas a sinceridade? E se eu sinceramente quiser adotar o domingo como dia santificado, isso é válido? Então, qual deve ser o limite para minha liberdade cúltica? Essas e tantas outras questões precisam ser respondiadas com um claro “Assim diz o Senhor”. Muitos argumentam que o culto também precisa ser relevante às pessoas de determinada cultura, a fim de ter significado para elas. Eu pondero: se o culto segue as orientações bíblicas, Deus Se manifesta - quer algo mais relevante e necessário para o pecador do que a presença divina?


Enquanto muitas ações poderiam já se iniciar e muitas medidas positivas serem ao menos traçadas, exatamente agora, em algum lugar do país, dois ou mais irmãos estão trazendo à baila se a bateria... 

Leia também:

11 comentários:

Evandro Costa de Oliveira disse...

Olá Douglas,

O post começa dizendo:

"Uma das mais pertinazes e irritantes discussões sobre música sacra"

Bem, diria eu, que um dos problemas começa por aí, na "definição". Música sacra?

O que é música sacra?

Nós, adventistas, cristãos; de forma indevida usamos essa terminologia, para caracterizar nossa música como "santa", "separada para Deus". Porém, indevida numa conotação musical mesmo, especialmente, histórica.

Música Sacra, não quer dizer música antiga, nem uma que desaprova o uso de "certos instrumentos". Históricamente, a música sacra surgiu com a nação de Israel. Porém, como a "escrita musical" só foi surgir muitos séculos d.C. A única referência que se tem são de menções históricas delas, além da transmissão de geração que houve.

Paulo (o apostolo), introduziu músicas sacras (ditas, judaicas) na Grécia; que eram "orações cantadas". Na Grécia na qual a teoria e estudo sério da música estava ocorrendo, como o desenvolvimento das escalas cromáticas. E dessa herança musical judaica, quando os músicos da ICAR (financiados), surgiu a música sacra. (e diga-se de passagem, a Música em ambitos teóricos, tecnicos e até mesmo, cientifico).

Contudo, na Reforma Protestante, foi quando houve O PROBLEMA que se reflete hoje. Os protestanets de inicio não tinham grana para financiar músicos e bons compositores. De modo, que, os protestantes NÃO SEGUIU uma linhagem, e movimentos sacros (no ambito musical). Mas foi caracterizado por composições de simples canções e melodias, mais conhecidos por "hinos".

Hinos em si, não é música sacra. (musicalmente falando). Além de não ter seguido a única base que se tinha (oriunda da música judaica).

No modernismo os hinos (e não musicas sacras), mais estabelecidos na Inglaterra e EUA; produziram outros estilos em decorrência da influência do modernismo. Ai tem o Jazz, o Blues, o Rock, o Country e por ai vai.

De outro modo, mesmo na linhagem de música sacra. No modernismo, houve uma brutal redução de continuação de tal trabalho e composição. Mas ainda há, pouco, mas há.

Bem, então, de certo modo, se falando da música da IASD; não tem que se falar nada de música sacra. Pois a sua música veio dos "hinos"; num contexto, que o próprio desenvolveu as outras segmentações. De modo, que falar que a musica da IASD é "sacra" é incorreto. Apenas dizem isso para fins, do que eu chamo de "consolo teológico". E como a "base" musical que se tem são os hinos, há aqueles (muitos) que são contras o uso de músicas nas formas dos estilos musicais filhos dos próprios hinos (rock, pop, jazz, blues, country...).

E é aí que entra a questão da bateria. O problema não é a bateria. O problema é que ela é usada nos moldes e estilos musicais dessas "filhas" (o que muitos consideram inaceitáveis... já há outros aceitam quando num estilo a nivel blues, jazz ou contru... mas não rock).

Por fim, de modo algum se trata de uma questão de "musica sacra". Mas sim de hinos e suas filhas. E ai reside a bagunça.

Bem, apenas como detalhe, tambem digo que nem todo hino é apenas hino. Há alguns poucos (no nosso hinário, por exemplo), no qual os compositores se inspiraram ou plagiaram músicas sacras já compostas (apesar, de apenas terem preservado a melodia marcante e reduzida).

Há também, alguns atuais compositores protestantes que tentam sacralizar alguns hinos, no estilo, forma e textura. Entre eles, destaco o Mormon Tabernacle Choir.

Juliana disse...

Olá irmão Douglas Reis,

Graça e paz,

Gostei muito do seu artigo, bem equilibrado o mesmo.

Porém apenas algo me deixou em discordância na tentativa que o irmão fez em comparar a busca pela santificação do domingo com a expressão bíblica do levantar as mãos.

O irmão escreveu:

"E se eu sinceramente quiser adotar o domingo como dia santificado"

Seria impossível. Temos 8 referências sobre o primeiro dia da semana no novo testamento e nenhuma da sustentação plausível ao descanço dominical.

Quanto ao "levantar as mãos" temos vários textos sobre o mesmo.(Sal. 63:3-4, Sal:134, Sal. 141:2, Sal.143:6...)



Evidente que nenhum dos textos são mandamentos para a adoração coletiva, mas não deixa de ser incentivo a mesma...deixando a cargo de cada adorarador fazê-lo ou não. Isso também se aplica a expressão "ajoelhar". Ninguém é obrigado fazê-lo ou crêr que tal expressão significa recebimento de mais poder divino de quem ora em pé.

Levantar as mãos pode ser novo p/ a maioria adventista brasileira, mas não na maioria das comunidades adventistas afro. A anos essa expressão é usada nos cultos de negros adventistas nos EUA, África, Caribe e outros. Nessas comunidades é comum muitos levantarem as mãos respondendo com amém, aleluia, até mesmo quando o pregador diz algo forte sobre Deus, Jesus, promessas bíblicas. Confesso que o fervor participativo desses crentes no sermão contagia a gente.

Porém...

Compreendo que o novo sempre criou receio entre os adventistas. Tiago White teve problemas em colocar um órgão num templo adventista, ouve receio com piano, violão, quartetos...


H. M. S. Richards disse que teve que discutir com os irmãos todos os dias, pois o rádio na década de 1930 era novidade, considerado muito radical, "um desperdiço do dinheiro do Senhor."

Hoje é um grande instrumento no alcançe de almas. Se Hichards pudesse ver seu sonho realizado.

O adventismo sempre esteve em mudanças metodológicas p/ alcançar esse mundo perdido em trevas.

No tocante a adoração e culto, gosto do que escreveu EGW aos pastores:

Há demasiada formalidade em nossos cultos. O Senhor quer que Seus pastores, que Lhe pregam a palavra, sejam possuídos da energia de Seu Santo Espírito; e o povo que ouve não ficará sentado em sonolenta indiferença, ou olhando vagamente de um lado para outro, sem corresponder ao que é dito.( Testemunhos Seletos Vol.2 pag 111)

Deve haver igrejas bem despertas, ativas, para animar e suster os pastores, e para ajudá-los na obra de salvar. Onde a igreja anda na luz, haverá sempre satisfeita e sincera correspondência e palavras de alegre louvor. (Testemunhos Seletos Vol. 2 pag 111 ou 112)


Um abraço!

Juliana Martins.

armaduraadventista disse...

Meus irmãos, aprecio a forma com que muitos - e cada vez mais - tem abordado as questões de música na nossa igreja. Demonstra que, ao contrário do que muitos pensam, estão tratando o assunto de forma séria. No entanto ainda busco resposta para algumas questões, tais quais:
-Se não existe distinção entre gêneros profanos e sacros, seria viável um culto regado a funk, samba, heavy-metal, drum'n bass, por exemplo? Seria aceitável ao SENHOR?
-Essa visão que não distingue gêneros na adoração foi desenvolvida pelo estudo ou herdada de outras denominações?
- Na hipótese da aceitação indiscriminada de todos os gêneros musicais, quais princípios nos protegeriam do insano, profano e irreverente? Ao que me soa, nossos princípios, como estabelecidos, por exemplo, no último voto de música da CG são subjetivos e dúbios, abrindo espaço para muitos excessos...
-Como explicar a recente aceitação de todos os estilos, diante de quadros como o advento de comportamentos claramente pentecostalizados na IASD, tais como o levantar as mãos, os altos améns, o emocionalismo e etc...?

Deus vos abençoe...

Evandro Costa de Oliveira disse...

"Bach produziu música sacra e era luterano. Utilizamos música sacra como música religiosa, quer protestante, quer católica, que se paute por uma orientação diferenciada da música meramente popular."

Os "grandes compositores" do Renascimento em diante, foram, alguns, muito particulares. Os Luteros pouco financiaram ele; mesmo o Lutero (fundador) sendo um compositor que se baseava na música sacra, em sua educação musical católica. Além disso, Bach, Handel, Beethoven, entre muitos outros... de certo modo, não precisavam do 'dinheiro' da igreja. O sucesso musical de suas obras já os sustentava. Handel, por exemplo, passou a fazer parte da corte até.

E qual é a ligação disso com o que eu disse? EU não disse que musica sacra é exclusiva da ICAR.

Diferenciação de música popular não define musica sacra. Tal tem estruta, tem filosofia, tem moldes, tem texturas, cores... que em si, lhe fazem ser sacra. E não porque "não é popular". Aliás, o que é música popular?

Dizer que "usamos" música sacra. COmo eu disse, é apenas um falacia de conforto teológico. Pois musicalmente falando, a obra classica está quase que totalmente abandonada pela iasd.

Bem, não quero dar aula de musicologia. O que disse foi claro; a nivel.

Evandro Costa de Oliveira disse...

Aliás, a música sacra surgiu antes da sacra. E nisso já se definia e sabia que era sacra. Não precisou existir a popular para poder se definir a "separada".

douglas reis disse...

Evandro,

você pode ter dispensado dar aulas de musicologia, mas eu me vejo obrigado a lhe dar aulas sobre o Espírito de Profecia. Você parece veincular música sacra com a música religiosa clássica, produzida durante tal período. Mas Ellen White usa a expressão de forma mais abrangente e menos rigorosa (e quando empregamos o termo, seguimos a linha dela).

Veja como música sacra se refere, no seguinte pensamento, à música religiosa dos hebreus:

"[...]Os principais assuntos nos estudos destas escolas [dos profetas] eram a lei de Deus, com as instruções dadas a Moisés, história sagrada, música sacra e poesia." Ed, p. 47.

E, da mesma forma, música sacra se refere à música religiosa correta, como se pode interpretar da citação abaixo:

"[...]Jovens reúnem-se para cantar e, se bem que cristãos professos, desonram freqüentemente a Deus e sua fé por frívolas conversas e a escolha que fazem da música. A música sacra não está em harmonia com seus gostos. Minha atenção foi dirigida aos positivos ensinos da Palavra de Deus, que haviam sido passados por alto. No juízo todas essas palavras da Inspiração hão de condenar os que lhes não deram ouvidos." MJ, 295-6.

Quando trato da diferenciação entre música sacra e não-religiosa, não estabeleço necessariamente uma cronologia, embora aconteça em muitos casos de algumas culturas produzirem primeiro música que chamaríamos de secular e, depois, a sacra. O caráter de ambas é, de fato, diferente.

Evandro Costa de Oliveira disse...

Me desculpem, cometi várias gafes, meus dedos trairam meus pensamentos no teclado e só agora fui ver; algumas palavras que não tem nada a ver entraram no lugar que não deviam.

...

Não discordo do Espirito de Profecia. E já li muito a respeito disso. Não estou negando que música sacra é inseparavelmente ligada a religião (na verdadeira concepção desta, e não a "instituicionalização").

Na própria história da música, vemos que aqueles compositores que "tentaram" compor musica sacra apenas por dinheiro; suas obras são marginalizadas. Diferentes daqueles que faziam por fé realmente.

O que quero dizer é que música sacra não é aquilo que é 'patenteada', 'intitulada' por uma religião, instituição, ou pastor. Isso não faz de uma música, sacra. Porém muito se têm feito nesse sentido, apenas, para o 'pastor', 'pessoa' ou 'religião' tenha um "consolo/conforto teológico" de que aquilo é "sacro". Assim como o Papa absolvia ou condenava.

Música sacra de verdade não precisa de aval da religião, pastor etc. Mas o mais critico ateu reconhece que de fato aquilo é uma obra sacra.


Para ter uma idéia melhor disso, talvez esse texto a respeito de Bach ajude: http://musicakako.blogspot.com/2010/01/o-quinto-evangelista-bach.html

Assim como não estou dizendo que música sacra está presa a um movimento, nivel tecnico, moldes como o do classico de Beethoven. E que apenas um bom compositor, uma boa orquestra, um excelente coral, pode executá-la. (não me interpretem mal)

Mas é objetivo. Se hoje ouvissemos as canções sacras de Davi (pois de certo, muitas não eram), não duvidariamos que eram sacras, mas logo as identificariamos como tal; e não porque lemos na Bíblia. Pois, de certo modo, a música é uma revelação maior do que a Bíblia, porém, como Beethoven disse, "muitos apreciam a música, mas poucos tem sua revelação."

(Não estou dizendo que a música está acima da Biblia.)

Gilberto Theiss disse...

Olá querido irmão Douglas Reis...

Apreciei seu artigo e seus comentários. O ponderamento em todas as questões serão sempre bem vindos. Mas de qualquer forma, preferi abandonar por completo as discussões a esse respeito devido a improdutividade do assunto. Toda a problemática referente a música serve para nos distrair do mais importante objetivo de Deus para Sua igreja, além de dificultar a mais visível distinção entre santo e profano. Um passo em falso nesta distinção nos levará a outros passos em falso. Não é atoa que Ellen White nos advertira de que nos tempos finais a distinção de santo e profano seria cada vez mais difícil de ser diferenciada. Vemos isso nitidamente nas questões de louvor e adoração e muitas outras questões pertinentes a nosso estilo de vida.

De qualquer forma, eu mesmo tenho aprendido que o diálogo sempre será a melhor maneira de conseguirmos nos entender e chegar a um equilibrio ou um acordo, desde que este equilibrio e acordo não fira valores e princípios bíblicos. A cultura deve ser sempre levada em consideração mas jamais deve ela estar acima dos princípios bíblicos como a tradição católica é acima da Bíblia.

No mais, o risco existente é maior nos que defendem a neutralidade moral na música do que os que defendem um distanciamento dos estilos musicais do mundo como rock, jazz, blues, rap, samba, pop, etc.

Encerro meu comentário com um texto bíblico muito pertinente num período de secularização e aproximação do mundo.

Jeremias 6:16

"Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele".

Os valores são repassados e ensinados no sim, no não ou até mesmo no que fora apresentado sem nenhuma justificação...

Deus os abençoe.

Cristo está voltando disse...

Flavio diz:.....
Meu irmão não sou tão eloquente como as pessoas que lhe enviaram seus comentários, mas, se você leu o livro "O Cristâo e a Música Rock" de Samuele Bacchiocchi, veria claramente que em nenhum caso se poderia tocar instrumentos de percursão como "acompanhamento" em Seus Louvores. Melhor que eu lhe explicar sobre música, é lhe recomendar que leia o livro com a orientação do Espírito Santo, e também aconselho a todos os meus queridos e amados irmãos, e também o Espírito de Profecia. Que Deus lhe abençoe.

douglas reis disse...

Flávio,

em nenhum lugar E.G.W. proíbe esse ou aquele instrumento. Bacchocchi analisa a questão de uma perspectiva unilateral, preocupado apenas com o rock, sendo que há uma gama de outros aspectos (e gêneros musicais inapropriados!) quase nunca discutidos quando se fala de música sacra.

Leia meu texto maior sobre o assunto, A música sacra na cosmovisão adventista, neste blog, e você verá que a bateria é apenas a ponta do iceberg!

Beatriz M A Carvalho disse...

O que faz cada pessoa ter a santificação pessoal apurada, aprimorada, renovada?

Que estilo musical eleva cada pessoa para mais perto de Deus?

Qual é a verdadeira fonte de sabedoria eterna à disposição da humanidade? Quem é o dono da verdade? O que é a verdade?

Muito se pode perguntar e responder diante de tantos assuntos relacionados à música e santificação. Muitos acreditam ter as respostas prontas segundo as próprias concepções.

Contudo, dentre as poucas certezas que tenho, uma delas, é que Jesus está voltando. As profecias mostram que o fim está próximo. Estamos diante do cumprimento profético de apocalipse 14: 6-12. Quando a marca da besta for decretada mundialmente, o mundo inteiro terá plena certeza de que só existem dois caminhos. E, por mais que se discuta sobre música, só haverá dois grupos de pessoas: salvos e perdidos. É a procura pelo estilo musical que irá nos salvar? É o instrumento "A" ou "B" que determina nossa salvação?

Busquemos, pois, a santificação pessoal. Façamos, cada um, o que nos compete na pregação e proclamação das três mensagens angélicas. Quando o espírito santo de Deus habitar no coração dia após dia, deixamos o eu, as vaidades, os desejos, gostos pessoais e interesses terrenos morrerem. Só o que nos importará será pregação da mensagem de Deus com nossos lábios, nossa vida e nosso testemunho para que Cristo volte logo. Porque o Espírito Santo nos guiará na verdade.

Os que se santificam não sentem prazer no mundo e nem nas coisas e estilos que nele existem. Sentem prazer no ouvir e estudar a palavra de Deus contando os segundos para a volta de Cristo.

Que possamos nos alimentar dos frutos do espírito de gálatas 5: 22 e 23.

"Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;" Colossenses 3:2

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. Filipenses 4:8

Deus seja louvado!