sábado, 25 de outubro de 2008

UNIVERSO DE VERSOS


Muito da Bíblia é de natureza poética. Embora a poesia oriental tenha suas peculiaridades, o fato de que as Escrituras contêm tanta matéria poética inspira há muito os poetas ocidentais cristãos. Pense em grandes nomes da Literatura, como Dante e Milton; sem a influência das histórias bíblicas, estes e outros autores não teriam uma fonte de inspiração para suas grandiosas produções.

Quando falamos do Adventismo, verificamos que também estes cristãos, ao longo de sua existência, vêm compondo versos em homenagem Àquele que inspirou a Bíblia, o mais poético de todos os livros. Alguns dos poetas adventistas são bem conhecidos, como o casal Waldvogel (Isolina e Luiz). Outros se consagraram em outras atividades (como o apologista e ex-redator chefe da CPB, Arnaldo B. Christianini) sendo que sua produção poética ficou restrita a um público seleto.

Aliás, mesmo os vates mais prolíficos se encontram relegados às bibliotecas ou ao arcevo de admiradores fiéis. Com o fito de preencher a necessidade de divulgar o que poetas denominacionais escreveram ao longo de mais século de Adventismo no Brasil, o Pr. Tercio Sarli organizou uma coletânea reproduzindo parte da obra de mais de cinqüenta poetas - de Carlos A. Trezza a Joubert Perez, passando pelos laureados Moysés Nigri, Edith Teixeira, Albertina Simões, e muitos outros. "Poetas Adventistas do Brasil", publicado pela Certeza Editorial (certezaeditorial@terra.com.br), promete resgatar a memória da poesia adventista, além de fomentar a prática da escrita em versos, despertando jovens talentos.

Tive a honra de contribuir para o livro com três sonetos, dos quais reproduzo um:

INESTINGUÍVEL MISTÉRIO

Quem seria capaz de explicar a razão
De Deus ter posto em risco os mundos não caídos
Quando deixou o Céu e à Própria condição,
Preferindo à canção de anjos nossos gemidos?

As marcas que Jesus exibe em cada mão,
De cravos em lugar de quem salvou sofridos,
Não doem como as marcas que em Seu coração
Existirão pela saudade dos perdidos.

Meu Salvador demonstra, ao optar por espinhos,
Riqueza que me faz questionar os valores
Sustentados por nossa escolha de caminhos:

Sendo que o orgulho ordena a todos que subamos,
Jesus desce e suporta agonias e dores,
Amando com amor tal que não lhe entendamos.

4 comentários:

Fabio disse...

Olá,belo soneto e ótima iniciativa. Eu como um poeta desconcertado e desconcertante, torno em palavras questões de existências, confusões, caos... será que seria aceito?hehe, acho difícil!

Um super abraço caro amigo poeta!

Raven disse...

Maravilhoso!
E, meu amigo, só Jesus mesmo para continuar nos amando apesar de tudo o que fazemos não só conosco como também com o mundo maravilhoso que o Pai tão gentilmente nos deu...

Anônimo disse...

(Quem seria capaz?)

Olá, recebi um email com a primeira trova desse soneto, e vim conferir. Gosto de sonetos, gosto muito, mas se falam DESSE Amor inexplicável, sublime, e o fazem com essa entrega, é sempre uma bênção ler. Parabéns, realmente muito bonito!:-) Abraços.
Célia de Lima

Dany* disse...

Parabéns Douglas!
Belo trabalho!
Dany*