quarta-feira, 29 de outubro de 2008

CIÊNCIA INACREDITÁVEL


Desde a década de cinqüenta, a neutralidade da Ciência passou a ser questionada. Afinal, se cada um de nós age em função de seus próprios pressupostos, porque excluir os cientistas desta realidade, assumindo que sua atividade profissional deveria ser desempenhada com total isenção de conceitos pré-estabelecidos?

Assim, encarar a Ciência como produção humana motivada por conceitos a priori colocou em xeque alguns dos postulados científicos sustentados há décadas. Se o método científico se baseia em experimentação capaz de sintetizar determinado fenômeno em equações matemáticas, dentro de uma terminologia apropriada, o que fazer com aqueles conceitos da Ciência que eram universalmente inquestionados, apesar de não se basearem em evidências inquestionáveis?

Começou a pairar sobre a Comunidade científica a mesma acusação que os próprios cientistas lançavam antes aos cristãos – a saber, de depender exclusivamente da fé para basear suas crenças. Até hoje renomados divulgadores científicos, como o biólogo brigão Richard Dawkins, acusam os religiosos de se iludirem com dogmas, ao invés de submeter suas crenças a algum tipo de investigação empírica. Cada vez mais, porém, os religiosos dão o troco, acusando os naturalistas de, a seu modo, sustentarem seus próprios dogmas, que exigem mais fé do que os fundamentos do Cristianismo.

Surpreendentemente, a revista Superinteressante traiu a causa do racionalismo secular, ao entregar o ouro em sua nova edição. Na matéria “Ciência, uma questão de fé”[1], a Super arranca aplausos dos apologistas cristãos, ao constatar a fé necessária para a construção do controverso “Grande Acelarador de hádons”(LHC), o xodó do mundo científico. A parafernália, montada entre a França e a Suiça, procura reproduzir o chamado “bóson de Higgs”, também conhecido como a “partícula de Deus”, que explicaria o nascimento do Universo. Entretanto, a matéria da Super assevera:

“[…] até agora o bóson só existe nas equações dos físicos. É apenas uma ferramenta matemática que ajuda a explicar o funcionamento do Universo. Como as contas dão certo quando colocam essa partícula no meio, a maior parte dos físicos imaginam que ela seja real mesmo, mas falta uma prova concreta.por enquanto, acredita quem quer.
“[…]por hora, é questão de fé mesmo””[2]

Em seguida, em um exercício de cosmologia, a matéria descreve o que parte dos pesquisadores acredita sobre as várias dimensões do Universo, oriundas das vibrações das “supercordas”, que funcionam num ritmo tão frenético que não poderia se limitar apenas às 3 dimensões conhecidas. Daí, haveriam, segundo alguns pesquisadores, “[…]interferências entre universos paralelos […] É a teoria dos muitos mundos” ou multiverso.[3] A coisa toda parece aquela antiga história em quadrinhos, “Crise nas Infinitas Terras”, da dupla Marv Wolfman e George Pérez, que lidava com os universos paralelos da editora DC comics (de Batman e Superman). Ou seja, multiverso está mais para ficção científica do que para Ciência.

Ao mesmo tempo em que expõe o frágil fundamento científico da própria Ciência, Super sustenta descaradamente o dogma do Big Bang sem abrir concessões. Segunda a matéria, toda a especulação científica deu lugar a “[…] teorias hoje provadas e comprovadas, como a do big-bang […]”[4]. Em se tratando da versão aceita pela maior parte do mundo científico, não haveria “espaço para fé”, porque já estaria certo (o artigo só não se dá ao trabalho de citar as razões para tanta certeza) de que o Universo “nasceu de um ponto há 13,7 milhões de anos e é isso aí. [isso aí o quê?] As provas [quais?] não deixam espaço para dúvida.”[5] Talvez por temer o “Santo Ofício” dos racionalistas dogmáticos, a revista teve de se apegar à confissão de fé baseada em um Big Bang, tão atestado quanto a existência da vila de Shreek!

E, incrível como pareça, o cristão, por acreditar em um livro que vem recebendo confirmação da Arqueologia e da História (na forma de profecias cumpridas e em cumprimento), livro que propõe ainda uma visão racional e equilibrada da realidade, ainda assim é tachado de utópico e idealista; enquanto isso, os racionalistas, com sua concepção mecanicista e incoerente da realidade, enquanto vêm seus argumentos despencando seqüencialmente, n um arrasador efeito dominó, estão se agarrando com unhas e dentes nas poucas bases que lhes restam, e querem criticar os cristãos por sua fé cega! Quem é mais cego, afinal?

Leia também:


[1] Salvador Nogueira e Alexandre Versignassi, “Ciências, uma questão de fé”, publicada na revista Superinteressante, edição 258, Novembro de 2008, seção “Essencial”. Daqui para frente referido como QF.
[2] QF, p. 31 e 32, ênfase suprida.
[3] QF, 32.
[4] QF, p. 31.
[5] Qf, p. 32, no quadro “A fé dos cientistas”.

13 comentários:

rosely disse...

olá, douglas!

fiquei sabendo pela minha irmã, a Marily, que existe um livro de poetas adventistas que foi publicado.. procurei mais sobre isso na internet mas não achei, a não ser no blog do Michelson.. vc saberia se existe a possibilidade de outros poetas mais novos participarem..? Existe um site de poesias na internet do qual eu faço parte cujo administrador é um amigo meu, o Ederson Peka.. ele também é adventista.. se houver essa possibilidade, entre em contato comigo. O site de poesias encontra-se em: http://www.sitedepoesias.com.br

douglas reis disse...

Rosely,

a postagem original se encontra em http://questaodeconfianca.blogspot.com/2008/10/universo-de-versos.html

O livro foi publicado pela certeza editorial e não sei se o Pr. Tércio Sarli, proprietário da editora e organizador do volume, tem planos para um novo livro.

Se você gosta de poemas e também escreve, d~e uma olhada no marcador "poemas", onde voc~e encontrará algumas composições minhas.

Elyson Scafati disse...

Oi Douglas


Esclarecendo sobre a reportagem da Super (para mim uma das piores revistas no que se refere à seara científica),ciência não é mera questão de fé cega em alguma coisa.

Se a coisa objeto de estudo for confirmada como existente, a teoria estaria em tese confirmada, do contrário estaria rechaçada.

Como o exemplo ora citado, o Acelerador de Hadrons está em busca do bóson de Higgs, uma vez que esta suposta partícula se verificou existente apenas no que se refere à física teórica.

Não é que ela "foi colocada nas equações" para dar certo. Isso é uma grande besteira.

Simplesmente ela aparece como existente nos cálculos, o que intrigou cientistas.

Assim, o fato desta "coisa" ter aparecido, enseja que busquemos por ela a fim de confirmar sua existência e, portanto, a veracidade objetiva do que está sendo calculado.

Uma partícula quando um átomo é desintegrado por colisão deixa apenas um rastro de sua existência, de acordo com a atração exercida pelo campo magnético existente nas paredes do acelerador, uma vez que força centrípeta e força magnética, grosso modo, se igualam (R = mv/Bq),

sendo:
R = raio;
m = massa da partícula
v = velocidade da partícula
B = campo magnético
q = carga da partícula

É claro que a coisa é bem mais complexa que isto, pois estamos a velocidade próximas a da luz e assim esta equação envolve fatores relativísticos e princípio da incerteza de Heisenberg da física quântica (espero não estar falando fisiquês em excesso).

Se eu apenas tenho fé em algo, não preciso provar que ela existe, simplesmente creio porque creio e pronto.

Imagine se o tal acelerador confirmar a existência do bóson de Higgs - ótimo a física teórica bate com a realidade.

E se não aparecer nem um traço desse bóson? Será que meu procedimento está bom, será que o acelerador de hadrons é o meio correto para corrermos atrás do bóson de Higgs ou teremos de desenvolver uma nova tecnologia?

O que não aparece, não posso simplesmente descartar a existência (a negativa de uma confirmação não implica que a coisa não exista).

Em termos de Física Quântica,, no que se refere a estudos do Universo, simplesmente estamos no campo da física teórica onde as coisas, conforme as equações (nada fáceis de serem entendidas), aparecem (warm holes, buracos brancos, multiversos, buracos negros - estes confirmados).

Em se tratando de teoria das cordas, cada partícula vibra de uma forma (energia vibrante)que a caracteriza. Estas partículas formam outras partículas e assim até os átomos.

Imagine:

um campo de futebol (átomo)

a bola ((núcleo)

bolinhas de gude dentro da bola (prótons e nêutrons )

meias cabeças de palitos de fósforo(elétrons)

grãos de areia fina dentro das bolinhas de gude (partículas subatômicas)

ranhuras nos grãos de areia vistas ao microscópio (super cordas)

As cordas se separam pelo menor comprimento do universo que é o comprimento de Planck (da ordem de 10^-35 m).

Nosso universo possui 11 dimensões conforme a teoria de Kaluza-Klein que é cheinha de cálculo de tensores o que permite a covariância entre fenômenos - um depende do outro.

Três dessas dimensões as vemos, uma (tempo) caminha em apenas um sentido (para nós exceto se estivermos em um warm hole) sem podermos ir para trás (apenas para frente, porém sem dar saltos) e as outras 7 se encontram no comprimento de Planck.

O espaço no universo não é algo contínuo, mas se constrói numa trama de "átomos" com comprimento de Planck, onde o efeito gravitacional e quântico aparecem com forças equivalentes.

4% é matéria normal, 27% é matéria escura (esqueleto onde a matéria se apóia) e 73% é energia escura (o que está expandindo o universo, porém sem expandir galáxias, planetas e sistemas).

Imagine uma sala com cadeiras; esta sala se expande para o infinito e assim as cadeiras ficam cada vez mais uma mais longe da outra. Isso é a expansão do universo.

Tudo o que eu disse não é fé. Simplesmente as equações (se não estiverem erradas) demonstram isso.

Big bang não é dogma como é a ressurreição de Cristo, os super poderes de Krishna, as grandes verdades ditas por Buda ou mesmo as histórias de amor entre Ogum e Yansã.

Se algo demonstrar que essa teoria é falha, ela será abandonada até que surja uma substituta que se confirme em detrimento dela.

E se algo mostrar que tudo o que citei acima em termos religiosos é uma tolice? Será que essas histórias perderão o seu valor? Algum cristão deixara de sê-lo ou algum seguidor do candomblé abandonará sua crença nos orixás? É claro que não, pois estas são reais questões de fé. Não importa o que ocorra, elas se manterão firmes na crendice popular.

Como pode notar, é bem diferente do mundo científico.

Até o momento, o modelo do big bang se confirma como uma teoria que responde como surgiu o universo, seja pela radiação de fundo do Universo, seja pela física teórica e seja pela expansão do universo.

Se vc olha uma galáxia há 10 bilhões de anos luz daqui, vc tem um retrato do universo há 10 bilhões de anos, pois a luz que vemos foi feita a dez bilhões de anos. Claro que hoje esta galáxia é bem diferente do que estamos vendo (talvez nem exista mais). Assim se faz este estudo (é uma via indireta).

Quanto ao acelerador de hadrons, poderá ser uma via direta para entender o que ocorreu no momento do big bang ou mesmo antes dele, embora o suposto bóson de Higgs não será visto, mas poderá, se existir, deixar sua marca.

Voltando aos buracos brancos e warm holes, aqueles surgem nas equações como uma singularidade (ponto onde a gravidade tende ao infinito e as dimensões a zero ou ao comprimento de Planck - como os buracos negros) mas são uma fonte de matéria e não um sugador de matéria como o buraco negro.

Assim, o momento do início do universo pode ser entendido talvez como um buraco branco (conforme mostram as equações).

Mas hoje não se encontraram essas coisas, o que leva a crer (não por fé mas por matemática pesada, que faz a física quântica a qual é ferramenta para responder essas questões) que não mais existam e que foram peças chave nos primórdios do universo (big bang e universo inflacionário há 13,7 bilhões de anos).

Warm holes surgem como "portas" no espaço tempo, mas demonstram que se tentarmos cruzar seu horizonte de eventos ele se desintegra (talvez a natureza se defenda de eventuais paradoxos do tempo).

Não se sabe qual será o fim do universo. Pelo andar da coisa, tudo se degradará em energia térmica e a temperatura chegará ao zero absoluto dentro de trilhões de anos.

Pode ser que o fenômeno se reverta, pois de acordo com a teoria gravitacional do loop quântico, a estrutura gravitacional do espaço -tempo se altera conforme a densidade energética. Imagine uma esponja: ela absorve água; se saturada passa a repelir a água.

Assim funcionaria o universo por esta teoria, o que leva a uma oscilação que faria o universo colapsar novamente em um novo início, formando um espelho do universo anterior.

A matéria está toda no universo, pois além dele não há universo, espaço ou tempo. Somente se encontra degradada em sua forma mais baixa a energia térmica.

Agora testar isso tudo... é uma questão de poder haver tecnologia.

Infelizmente existe muita má informação circulando por ai, que levam a equívocos como o que o faz afirmar:

[Talvez por temer o “Santo Ofício” dos racionalistas dogmáticos, a revista teve de se apegar à confissão de fé baseada em um Big Bang, tão atestado quanto à existência da vila de Shreek!]

Convenhamos que, principalmente nos meios religiosos fundamentalistas, há pessoas cujo nível intelectual é baixíssimo, incapazes sequer de entender o que diz um texto, dirá um texto bíblico, repleto de metáforas e de difícil compreensão.

Querer que elas entendam física e biologia é demais. Vez ou outra, vejo uns malucos com bíblias gritando no meio da rua falando sobre teoria da evolução. Um dia perguntei a um o que ele havia estudado para discutir com tanta propriedade aquele tema. Ele me disse que tinha a sabedoria de Deus (pouco presunçoso se julgar detentor da sabedoria divina)...

Teorias não são invenções da cabeça das pessoas ou são mágicas tiradas da cartola porque são legais por explicar as coisas de modo racional sem a interferência das forças divinas, ou como muitos cristãos saem por ai pregando aos quatro ventos que "são para afastar o homem de Deus".

O trabalho é árduo e muitas vezes tem de esperar para podermos tirar conclusões.

Einstein teve de esperar por basicamente 80 anos para ver sua teoria confirmada em determinados pontos e afastada em outros. Assim, o que ele criou foi fé? É claro que não. Afirmar isso é uma tolice desmedida.

Obviamente que bíblia, mahabarata, vedas, evangelho de Buda, histórias de índios, africanos, esquimós, australianos, bárbaros europeus envolvem o mito com a realidade.

Quanto à arqueologia bíblica como a dos demais povos são reais, são fatos que estão ai , confirmados. Todavia, isso não implica que tudo o que está ali é real. A informação tem de ser filtrada.

Tomando o seu exemplo, New York existe, mas o Homem Aranha, o Duende Verde e o Dr. Octopus não. E todos eles estão ai nos gibis (escritos e até com figurinhas da cara deles).

Imagine se der um revertério no mundo e acabe a civilização atual.

Se dentro de uns mil anos alguém de uma civilização mais atrasada intelectualmente encontrar uma banca de jornal enterrada com essas historinhas. Vão dizer que havia super homens na nossa era e serão vistos como deuses e assim podem surgir mais e mais histórias e mesmo rituais para agradar tais deuses.

Assim pode nascer uma crença religiosa.

As atuais surgiram pela falta de compreensão humana em responder por que tudo é assim. Surgiram sacerdotes que faziam a ponte entre deuses e homens e assim obtiveram privilégios e pelo medo domaram e dominaram as populações.

O pecado do cristianismo e tentar tornar lógico o ilógico (a mera questão de fé). Essa necessidade não existe para quem tem meramente fé. Caso façamos isso, os saltos epistemológicos são imensos, o que deixa muitas falhas pelo caminho (vide as provas de Tomás e as de descartes no que se referem ao tema “Deus existe”).

O cristianismo, a fim de sustentar a literalidade bíblica, é reticente em entender, de forma clara os fundamentos das teorias que se posicionam, contrárias à Gênese. Esta não deve ser entendida em sua forma literal, mas como mera alegoria, desenvolvida numa época onde o conhecimento humano era parco para explicar, mesmo por que no deserto não chovia.

Desse modo, não há que se tratar ciências como questão de fé cega em uma coisa qualquer, pois essa “crença” não é cega. Ela precisa de evidências testáveis.

Como testar a ressurreição de Jesus?
R. cristã: há os relatos bíblicos.

Ora, também temos relatos, tratados e testemunhas oculares de ETs, chupa-cabras, vampiros, lobisomens, fantasmas, anjos, mulas sem cabeça, duendes, elfos, ogros, Yetis, pés grandes e mulher da neve...

Seriam eles reais ou meras questões de crenças locais?

douglas reis disse...

Elyson,

É com muito prazer que recebo sua participação neste blog.

Agradeço também sua opinião esclarecedora com respeito às teorias científicas.

Queo apenas ponderar algumas coisas com você. A crítica do artigo não se reporta à toda atividade científica, como você deve ter notado, mas a postulados que são tomados por verdades inquestionáveis, embora faltem evidências comprobatórias. Tal postura, por parte da comunidade científica vem sendo apontada como dogmática, já há muito tempo.

Com respeito ao Cristianismo, os cristãos não falam em dogma, porque o dogma pressupõe aceitação cega até da formulação do conceito (palavra por palavra). A Igreja católica, pelo que entendo, é a única instituição cristã dogmática, no sentido literal do termo.

Os demais cristãos assumem que a Bíblia traz conceitos que podem ser extendidos conforme a Revelação avance (revelação progressiva) ou a compreensão do preceito se aclare (Pedro compara a atividade profética com o raiar da alva, que vai clareando progressivamente.)

Com respeito ao testemunho ocular, há de se pesar a qualidade dos relatos: enquanto os evangelhos passam nos testes da História (usados para validar relatos e documentos antigos), o mesmo não se pode afirmar dos "testemunhos" sobre vampiros, por exemplo.

Outra coisa: enquanto os escritores da mitologia romana sabiam que escreviam sobre elementos figurados (seus deuses), os autores bíblicos criam ser verdade o que relatavam. A própria palavra verdade em hebraico (como você deve saber) também é sinônimo de realidade.

Elyson Scafati disse...

Douglas

Postulados somente são aceitos em matemática, pois sem eles, principalmente a geometria não se desenvolveria (ex. ponto, reta e plano).

Em física falamos de princípios, os quais observamos na natureza, sem contudo serem matematicamente demonstráveis.

Desconheço cientistas (desde que sejam sérios) que assumam postura dogmática em relação à seara científica ou a critiquem por ser dogmática.

Os temas acusados pelos movimentos criacionistas são a teoria da evolução, o big bang e a origem da vida, simplesmente pelo fato de que negam o mito da Gênese.

Nem é possível assumirmos a postura dogmática, pois a questão se abre a contestação e a novos experimentos que confirmem ou afastem o que é tratado nas teorias.

Quando cientistas apenas especulam, fala-se em hipóteses e estas não são teorias, uma vez que não possuem um corpo de estudos desenvolvidos. Jamais são consideradas como algo verdadeiro.

O cientista sai em busca da verdade mais próxima daquela denominada de verdade objetiva ( a que precisa ser confirmada).

Porém, algo é considerado como verdade objetiva até que não seja contrariado. Desse modo, sempre que tal verdade é confirmada, sua probabilidade de ser falsa diminui. Inversamente algo que não se confirma, tem sua probabilidade de ser verdadeiro diminuída.

Todavia tais probabilidades jamais serão nulas.

Já, o que temos relacionado a "verdades" religiosas ou ideológicas é subjetivo. Variam conforme a cultura de cada povo.

Todos os livros considerados evangelhos, sem exceção, sejam eles oriundos do judaísmo, ou de outras culturas e crenças passam no teste histórico, como também as histórias antigas.

Mas todos mesclam mito com realidade. (ex. Maomé e Gabriel no recite, recite, recite). Maomé existiu, mas daí até o anjo Gabriel mandar ele recitar.... há uma longa teia de mito envolvida a fim de santificar o dito cujo como profeta.

Se gregos e romanos escreviam sobre elementos figurados, não fazia sentido criarem templos ou prestarem culto a tais figuras, no mesmo molde que os hebreus faziam (ritualística).

O mesmo vale para todo o panteão egípcio e ameríndio.

Até onde podemos dizer qual é o verdadeiro culto?

A palavra verdade em hebraico (emunah) significa a verdade revelada, por meio da revelação divina.

Mas até onde isso pode ser encarado como uma verdade objetiva ou mera falta de compreensão dos fatos da natureza?

Profecias, os maias, indianos, budistas e Nostradamus também as fizeram e, ao que parece muitas já se cumpriram e também há uma delas que converge com as profecias hebraicas (que já perambulavam pela antiguidade mesopotâmica) parecem bater para daqui uns 12 anos (o alinhamento do sistema solar com o centro da galáxia).

É claro que povos antigos tinham muito receio da influência dos astros na vida do ser humano e muito das suas observações foram traduzidas como profecias.

Até o nascimento de Jesus como o de Buda foram previstos em eventos astronômicos, a época denominados de astrológicos.

De fato, retrocedendo no tempo, os respectivos fenômenos ocorreram.

Mas será que foram previstos ou foi mera coincidência e assim a previsão foi criada de modo casarem ambos os fatos?

A cidade de varginha existe e o tal do ET?

Vlad Tepes existiu, era mau e a Valáquia ainda existe; mas será que foi amaldiçoado a beber sangue e detestava alho?

O rei Salomão e suas minas existiram, mas será que Deus dava uma força para ele na hora da batalha contra os temíveis filisteus?

Jesus de fato existiu, como toda a trama em que fora envolvido; mas será que realmente tinha todos os atributos que dizem que possuía?

Krishna (cuja história na infância se parece com a de Jesus) e sua cidade existiram, mas será que suas proezas contra demônios são realmente reais?

Mesmo hoje, por falta de compreensão das pessoas, mitos são criados e podem dar margem a crenças religiosas (ex. santa da Janela).

Assim, assim, minha opinião e de que temos de filtrar as informações, separando o mito da realidade.

Quanto ao dogmatismo cristão a que me refiro, é aquele que parte de fundamentalistas como negar tudo o que se posiciona contra suas crenças.

Muitos vêem a bíblia como um compêndio científico, o que é errado.

Tal postura é a que critico, pois informa mal, causa problemas seriíssimos em compreender o que é científico, o que é real e o que é mito.

Um exemplo claro disso é o criacionismo e sua nova roupagem o DI. Se estabelecermos que há um criador (ponto incontestável = dogma), quem é ele?

Resposta dos patrocinadores (cristãos fundamentalistas): é Deus. Em resumo, isso culminará em toda uma análise teológica de por que tudo é assim, sendo os culpados Adão e Eva, cujo mentor foi o Diabo para que pecassem tendo como o grande salvador Jesus.

Sem a Gênese, a redenção esperada por cristãos, judeus e islâmicos não faz sentido, daí o ferrenho combate principalmente a TE, pois esta afasta toda a trama criada na Gênese.

Ou seja, o pecado original não existe. A natureza é uma luta constante pela adaptação dos mais aptos.

E, se o pecado não existe para que esperar por redenção? Logo, para que ser cristão, judeu ou islâmico?

Olha só: três impérios caindo e muita grana deixando de entrar (templos e sacerdotes não vivem sem dinheiro).

Felipe Veiga "Dent VII" disse...

Super Interessante não é bem uma revista científica, ela somente informa, não realmente prega a ciência.

douglas reis disse...

Elyson, a própria mídia secular considera Richard Dawkins como dogmático (leia, para ter um exemplo, o comentário de José Maria e Silva sobre "Deus: um delírio", nota 4 do texto sobre Evolucionismo e teismo bíblico, disponível em http://questaodeconfianca.blogspot.com/2008/08/evolucionismo-e-tesmo-bblico-vises.html)

E o que dizer da expulsão de Michael Reiss da Royal Society, uma arbritariedade colocando em xeque o livre pensamento defendido pela proposta científica?

O que precisa ficar claro sobre a Revelação bíblica é que ela não se pretende exaustiva , mas suficiente para prover uma base para se compreender o mundo (Dt 29:29). Isto não exclui a necessidade do homem desenvolver pesquisas, exercer a ciência ou desempenhar qualquer outra atividade. A visão cristã não é limitadora, mas incentiva o homem a progredir em sua interação com o mundo natural.

Nancy Pearcey argumenta sobre isto (seguindo Schaeffer): enquanto o hinduísmo considera sagrada a natureza, não tolerando sua exploração (o que per si não criaria as condições para o surgimento da atividade científica), o Cristianismo advoga que somos mordomos (administradores) do mundo e que podemos conhecê-lo (Francis Bacon, pai do Empirismo, chegou a essas conclusões, partindo de um ponto de vista cristão).

Ciência e a visão cristã não são coisas incompatíveis.


Ciomrespeito à verdade religiosa: A palavra hebraica a que me referia era 'emeth (que pode ser entendido como assegurado, confiável, seguro, verdadeiro, tanto num contexto judicial como num sentido didático, instrutivo). No grego Koiné do NT é usado o termo Aletheia, com sentido bem próximo. Ou seja: a Bíblia se pretende verdade factual, não uma ficção religiosa.

Quanto ao mundo grego que me referi anteriormente, a maior parte da população era, sim supersticiosa, mas os autores teatrais e escritores (entre eles, os filósofos) usavam a figura dos deuses apenas d forma representativa. Josh McDowel em seu "Ele andou entre nós" prova isto pela linguagem como os gregos cultos recontavam a história de seus deuses.

No demais, a literatura bíblica vincula os eventos a lugares reais, apelando aos leitores para confirirem os acontecimentos (os apóstolos usam desta abordagem exaustivamente); apenas quem não tem nada a esconder e está bem certificado da realidade do que propõe, sugeriria algo semelhante.

Elyson Scafati disse...

Realmente Dawkins chega a pegar pesado mesmo. Mas pega pesado contra fundamentalismos religiosos como aquele que prega o criacionismo como forma alternativa às lacunas deixadas pela ciência, onde geralmente surge o "deus das lacunas".

Quanto à posição de que atos morais ganham respaldo com a idéia de que Deus os ditou e do contrário se esvairiam, discordo.

Creio que muitas pessoas já têm discernimento o suficiente para viver em sociedade e entender que existem regras para que esta convivência se dê de um modo saudável.

No mais, respeitarmos as regras ditadas por um deus, qualquer que seja ele, nos faz segui-las não por entendimento, mas por temor.

Regras divinas surgiram com as civilizações antigas de modo à realeza e sacerdotes manterem-se no poder.

As regras dos homens também se baseiam no temor (se eu mato vou para a cadeia ou se aplica a pena de morte para mim) exatamente como as supostas regras divinas.

A perspectiva bíblica, por meio da ação do sobrenatural não se opõe apenas à teoria da evolução, mas a toda forma de se fazer ciência.

A ciência deve se construir sobre bases racionais, sem apelar a entes sobrenaturais para explicar a natureza.Estes entes passam a encerrar a questão em si mesma.

Chega-se a um beco sem saída, onde a natureza e as ações do tal ser divino se fecha a qualquer questionamento (o dogma).

Este é o ponto onde a união crença religiosa e ciência perde o sentido. A discussão passaria a ser religiosa, sendo que cada religião tentaria estabelecer seus preceitos como verdade, afastando por completo a discussão cientifica.

A discussão científica não objetiva o proselitismo religioso, mas a compreensão da natureza.

Assim, visão religiosa não se trata de alternativa ao que a ciência apresenta ou às lacunas por ela deixadas.

As duas formas de ver o mundo são completamente distintas, seja na forma de abordar a temática (busca pela causa e compreensão do fato como na forma filosófica que se encerra na questão.

A ciência encerra infinitos questionamentos – o zetético; religião se encerra na finitude dos questionamentos – dogma.

Ex. posso infinitamente levantar questões sobre os bósons de Higgs e a origem do Universo (inclusive posso testá-las por via direta ou indireta).

Todavia, não posso levantar questões infinitas sobre a natureza de Panku porque "ele simplesmente é", assim como qualquer outro ser divino, bem como existe uma impossibilidade de se testar os humores de Panku a fim de prever um comportamento natural a respeito de suas ações na natureza.

Quanto à natureza, ela não está nem ai para nossas regras morais, religiosas ou jurídicas. Ela possui suas próprias regras.

Quando um leão mata um filhote de gnu, aos nossos olhos parece moralmente ilícito, mas é a lei da sobrevivência. A morte deste filhote significa a vida para outros filhotes, além de ter demonstrado que este bebê foi reprovado no teste da vida.

Aqueles que viverem certamente serão mais ágeis e fortes o que demandará melhor adaptação dos leões se quiserem sobreviver.

Não é nenhum deus atuando sobre nada; é a própria natureza se construindo enquanto nosso mundo tiver condições para abrigar a vida.

Realmente compactuo com a visão de Dawkins sobre a responsabilidade de nossa vida. Nós a fazemos e nós decidimos nosso destino. Nada cai do céu. Tudo demanda esforço.

Não vejo qualquer fervor comparável ao de religiosos nas afirmativas de Dawkins. Simplesmente ele expõe seu ponto de vista como qualquer outro sujeito o faria.

Caso estejam seus pontos de vista certos ou errados não se trata de uma discussão científica, mas filosófica.

Mas tenho de afirmar que no que se refere a tratar da matéria biologia evolutiva desmestificando as bobagens que circulam por ai, considero Dawkins o melhor. Seu conhecimento é grande e ele consegue atingir o universo do leigo.

Quanto a Reiss, sua proposta realmente foi algo descabido, sem qualquer nexo no que se refere a contribuir com a seara científica.

Lugar de pregação religiosa não é na academia, mas nos templos de cada uma das crenças que existem por este mundo a fora.

Propor ensino de criacionismo (claro que seria nos moldes cristãos) nas escolas é no mínimo descabido, uma vez que tal postura fere os direitos fundamentais daqueles que seguem outras crenças que não as do tronco judaico-cristão-islâmico.

Resta a pergunta: que tipo de criacionismo deve ser ensinado nas escolas?

Cada crença tem a sua forma de explicar como o mundo foi "criado". Todas se baseiam em explicações metafísicas calcadas em um ou mais deuses (veja o que diz o Xintoísmo) ou em espíritos, gênios, etc.

A argumentação de Reiss a fim de sustentar sua idéia é fraca uma vez que apenas se volta à sua crença (o Anglicanismo) sem considerar outras existentes no Reino Unido.

O naturalismo filosófico é a maneira com que a questão científica deve ser abordada, pois do contrário chegamos a pontos estanques, onde deveremos fazer alusão a deuses, gênios, espíritos, entre outros seres míticos.

Isto faz com que a questão científica retorne à metafísica e volte a se tornar discussão e pregação religiosa.

A ciência não tem como objetivo correr atrás de qual seria o verdadeiro ser divino,se ele (s) exise(m) ou não, nem de tão pouco fazer proselitismo religioso. Para o cientista isso não significa nada.

Somente a questão se torna inadmissível quando a religião tenta invadir um terreno ao qual não lhe pertence, com o objetivo de querer ditar como devem ser feitas as pesquisas o que pode e o que não pode ser dito de modo a sustentar suas crendices e seus dogmas como verdades acima de qualquer contestação.

Até o momento, nenhum cientista saiu por ai querendo ditar como devem ser realizados os sermões na igreja católica, ou os cultos na igreja adventista e a quem os espíritas devem direcionar suas preces. Simplesmente porque tais questões não são objetos da seara científica.

A compreensão do mundo no que se refere á bases bíblicas ou a bases de qualquer outra crença é aproveitar o que há de bom a fim de podermos conviver com os outros, mas não de dar uma compreensão alternativa no que se refere a fatos observados na natureza.


A natureza é sagrada sim seja para cristãos, hindus ou qualquer outra crença (até dentre os índios vemos isso). Essa sacralização da natureza mesmo se dá para cientistas, pois ela deve ser explorada com consciência.

Os hindus faziam isso, afinal se não explorassem a natureza não teriam se constituído numa civilização avançada de há alguns séculos.

Não é a ciência que é incompatível a visão cristã, uma vez que aquela pouco se importa com esta.

Todavia, movimentos fundamentalistas cristãos se opõem ferozmente á idéia de que a base de sua doutrina (criação conforme Gênesis) é apenas uma metáfora e que não se coaduna em nada com o que tem sido descoberto pela ciência.

Esta oposição é no mínimo tola, sendo oriunda de falta de compreensão tanto religiosa, como científica, vindo a criar a incompatibilidade do cristianismo com a ciênca.

Alethea é a verdade objetiva, o que é buscado em ciências, como o emet também o é.

Mas em hebraico emet é equivocadamente usado quando se faz alusão à religiosidade ou à lei (uma vez que se aceita a revelação como uma verdade objetiva). Todavia, para esta questão deve-se usar o emunah (o que é revelado).

O que é visto como uma revelação tem de ser visto com reservas, pois o que é considerado uma revelação para um não será para o outro (subjetividade).

Por exemplo, vc como um cristão como encararia as verdades reveladas por Buda? Ou as verdades reveladas pelo profeta Maomé?

Superstições, as vemos em todos os povos (veja o caso da santa da janela, feitiços, amuletos, rituais, entre outras peripécias).

Jamais contestaria a verdade fática seja da bíblia quanto a de outros livros considerados sagrados ou mesmo histórias de povos antigos, quanto a pessoas e lugares.

Mas quanto a determinados acontecimentos, fica difícil de engolir (ex. a passagem do mundo dos vivos para o dos mortos no Livro dos Mortos do Egito, Buda ter andado logo após seu nascimento, o imperador Amarelo ter durado algumas centenas de anos, Moisés ter falado com Deus no Sinai, Jesus ter ressuscitado, Gabriel ter ordenado a Maomé que recitasse ou Moroni ter aparecido para John Smith). Aqui entraríamos no mundo da superstição.

É sempre bom discutir com pessoas como vc Douglas. Sua compreensão da religião cristã é legal e vc não é mente fechada.

Gostaria de perguntar para vc a respeito do ensino criacionista nas escolas:

Qual a proposta que vc sugere de modo a não ferir direitos fundamentais, bem como não dar margem ao proselitismo religioso?

Afinal temos uma gama gigantesca de cultos religiosos no Brasil e acredito que cristãos de verdade sejam poucos, embora muitos se declarem como tal.

O que se inseriria num programa de ensino criacionista?

douglas reis disse...

Amigo Elyson,

A fim de tornar nosso diálogo o mais produtivo, vou tentar colocar algumas considerações de forma ordenada, a fim de responder satisfatoriamente o que você pontuou:

1)O Fundamentalismo parte de uma postura de defender os valores tradicionais cristãos, frente ao avanço da teologia racionalista (na distante década de 20 do séc. XX). O que a mídia chama de fundamentalismo é vago, incluindo desde os radicais islâmicos aos políticos cristãos como Pat Roberson. A luta de Dawkins não é contra os exageros da religião - é contra a própria religião, como ele faz questão de frisar em "Deus um delírio".

2)A moralidade sem as bases cristãs se torna difusa. No período em que vivemos, chamado já há algumas décadas de pós-modernidade, a moral se relativizou. Causas como a do direito à vida se tornou mera questão pessoal. Steve Pinker, psicólogo cognitivo darwinista, afirma que em nosso cérebro existem módulos, que evoluíram porque a evolução provou que eram úteis para a nossa sobrevivência. Você percebe que a base para que as pessoas escolham livremente cai por terra quando passamos a acreditar que nossa vontade é mero reflexo de nossos "genes egoístas"?

3)A noção etnocentrista de que a religião é uma legitimação da classe dominante é diferente da visão do líder servo encontrada desde o AT (veja o conselho dado a Jeroboão em II Cr. 10:7, por exemplo). Alé disso, a tribo de Levi sabidamente não recebia herança entre as demais. Em épocas de apostasia nacional, os levitas viviam praticamente na penúria, porque, como sacerdotes estavam ligados ao humilde serviço sagrado. O próprio Jesus ensinou um alto padrão de liderança-servil (ver Jo. 13).

4)Se a crença cristã no sobrenatural fosse empecílio ao avanço da Ciência, como explicar o interesse de Sir Isaac Newton e Francis Bacon, cristãos, pela Física? Aliás, o que seria da História da Ciência sem eles e tantos outros cristãos?

5) Lembre-se de que a virada no pensamento científico seguiu uma virada da Filosofia. David Hume antecipou a Evolução - Darwin somente aplicou a filosofia daquele na área das ciências naturais. É isto o que quero dizer com pressuposto - a maneira de enxergar o mundo influi na maneira de fazer ciência (como em qualquer outra área do fazer humano), de forma que ninguém é neutro!

6)Conforme já frisei antes, dogma é algo restrito à Igreja Católica (no snetido estrito da palavra), enquanto os evangélicos crêem em doutrinas; como não sou católico, suas ponderações sobre dogmas não são pertinentes a mim!

7)A própria visão da natureza como possuindo "suas próprias regras" parte da visão mecanicista e materialista; Sabidamente, Dawkins afirmou que Darwin deu conforto intelectual ao ateu, porque sustentou o materialismo que já era um pressuposto da Filosofia cada vez mais a parte da religião naqueles idos tempos.

8)Dawkins é vencido por Dawkins. Uma hora ele diz que somos máquinas programadas e não podemos fugir ao instinto de preservação; em outro momento ele afirma que temos de nos libertar da tutela da religião e traçar nosso próprio destino. Você consegue perceber a contradição?

9)Quanto a escrita de Dawkins, tenho de tirar o chapéu, ela é modelar. Pelo que já li dele, posso concordar que ele é mestre em persuasão - embora um estudo cuidadoso revele os fios soltos.

10)Meu caro, já comentei algo sobre ensino religioso nas escolas, mas sobre criacionismo (no contexto de escolas confessionais), posso dizer que a rede em que trabalho procura transmitir a versão evolucionista, mas ensina o aluno a criticá-la saudavelmente, introduzindo os conceitos do criacionismo como alternativa; obviamente, a escolha sobre qual dos modelos se deve seguir acaba se dando em nível pessoal; leciono para muitos alunos que são evolucionistas de carteirinha e nem por isso deixamos de ter bom relacionamento.

Bom amigo, espero ter sido claro no escrevi.

Saiba que é um prazer poder atendê-lo, embora o tempo milite contra mim.

Você é sempre bem-vindo para comentar.

Elyson Scafati disse...

Oi Douglas o tempo também urge contra mim, mas nas horas vagas gosto de debater.

Vejamos sobre os pontos que coloca em seu último comentário (irei apenas numerar os pontos):

1- O fundamentalismo possui varias facetas. A que me refiro é ao fundamentalismo religioso que se apega à literalidade e infalibilidade de textos bíblicos sem considerar o que os estudos modernos trazem, o que poderia enfraquecer suas crenças erigidas como verdades.

Muitos fundamentalistas vêem as teorias contrárias ao Gênesis como uma ameaça, daí o emprego de esforços para rechaçá-las, tanto dos meios acadêmicos, quanto fora dele.

Qualquer crença ideológica ou religiosa precisa ter suas verdades postuladas. Na ideologia temos a alienação e na religião os “mistérios da fé” que não deixam de ser uma forma de alienação.

Isso vale para qualquer doutrina, seja ideológica, seja religiosa.

Ex. por que o comunismo é o melhor regime para o mundo? Por que o papa é infalível? Por que a doutrina budista é uma verdade? Por que o PSDB é o melhor partido? Por que o neoliberalismo tem de ser adotado pelo mundo globalizado? Por que devo entrar para a Igreja do trance Divino?

Assim, a religião é uma espécie do gênero ideologia, como o é o posicionamento em favor de uma facção política ou adoção de modelo econômico como ideal.


2- Com a devida vênia permita-me discordar, Douglas, uma vez que outras crenças religiosas também fundamentam a sua moral respectiva.

Por exemplo, o budismo possui moral rígida e nada tem a ver com o cristianismo, nem tão pouco com qualquer forma de revelação divina, mas apenas se pauta em ensinamentos revelados por Buda, que era um homem como qualquer outro.

Mesmo povos com crenças locais possuem seu senso de moral e este é semelhante ao redor do mundo (proíbem-se furtos, roubos, estupros, adultérios, mentiras, egoísmos, exploração, assassinatos, falta de respeito para com jovens e idosos, entre outros – desde que dentro da respectiva comunidade).

Podemos sim escolher livremente o que quisermos, mas será que isso é conveniente para nós, conforme os sistemas em que vivemos?

Conforme nossa ação seremos reprimidos. Podemos sentir desejo por algo e tomá-lo do outro, ou violentar uma mulher que aos nossos olhos seja atraente, porém seremos reprimidos moral e/ou legalmente.

Na natureza tais repressões não existem. Vale a lei do mais forte, do mais esperto, do mais agressivo. Aqui residem nossos genes egoístas. Eles visam nosso bem estar a fim de que possam ser passados adiante e, portanto preservados aos descendentes.


3- Á época do templo, isso mudou drasticamente. Parece que o serviço sagrado, em sua maioria, se acostumou às mordomias e esqueceu-se da humildade.

Tal postura se seguiu com a igreja católica.

AQinda hoje, a mídia de vez em quando retrata tais façanhas dentre certos neopentecostais.

4- Os Antigos cientistas viveram em uma época em que o mundo estava se desvencilhando das amarras da igreja católica. Era natural que ainda pensassem em padrões metafísicos.

Certamente se vivessem hoje poderiam ser religiosos, mas seus dois mundos possuiriam um divisor de águas.

5- A sacada de Darwin foi brilhante. Podemos chamá-la de um misto de pensamento filosófico e científico para a época em que desenvolveu sua teoria. Porém, ela era insuficiente para responder muita coisa.

Com o advento da Genética, do DNA, da descoberta de novos registros fósseis e métodos de datação, a coisa mudou muito. A filosofia ficou de lado e a biologia passou a ter como seu esteio a Teoria Evolutiva, a qual passou a se assentar em bases especificamente científicas.

Quando lidamos com ciências humanas, dentre elas a filosofia, podemos ser parciais (estamos no mundo de veritas - a verdade pela argumentação). Mas ao lidarmos com o mundo científico temos de ser o máximo possível imparciais (o mundo da alethea ou da verdade objetiva), sob o risco de incidirmos na pseudociência. Ambos diferem da revelação (emunah), a qual não se contesta, simplesmente se aceita ou não se aceita.

6- Dogmas católicos são aqueles que se referem à pessoa de Jesus de Maria e do Papa, bem como da igreja, se não me engano.

Porém, doutrinas incontestáveis se classificam como dogmáticas.

Não é o que ocorre no mundo científico e nas discussões filosóficas. Mas é o que se passa quando a discussão é religiosa, pois parte-se de um pressuposto de que a origem de tudo é um deus e sobre essa premissa se edificam seus raciocínios.

Por exemplo, no direito, ao discutirmos as raízes filosóficas da coisa podemos fazer questionamentos infinitos.

Ao discutirmos as raízes filosóficas da coisa, podemos fazer questionamentos infinitos.

Mas, ao aplicarmos os códigos, estamos presos a eles, tanto que na maioria dos julgados que extrapola estas regras, suas decisões são reformadas, tomando por base a lei.

Somente quando esta não existe ou quando traz dúvidas devido a embasamentos por meio de princípios vigentes é que se faz toda uma discussão jusfilosófica a fim de se traçar um norte para a decisão.

Seria em mesmo sentido possível a discussão filosófica das doutrinas bíblicas levando-as a possíveis questionamentos sobre sua essência de verdade como doutrina a ser seguida e pregada a todos?

Sinceramente, não vejo possibilidades sob esta perspectiva.

7- Se ateus sentem conforto na TE, não implica que esta foi criada para dar conforto a ateus. Há uma grande diferença entre o que a teoria da evolução explica e como as pessoas se valeram dela ou como a interpretam.

Filosoficamente, ela sustentou o materialismo, uma vez que afastou explicações metafísicas a respeito de como as espécies teriam surgido e a respeito de que não temos nada de especial frente às outras espécies, pois somos feitos da mesma matéria que elas e possuímos um mesmo ancestral comum.

Mas não é o intuito de teorias científicas apoiar esta ou aquela ideologia, como, por exemplo, o darwinismo social, que justificou a má distribuição de renda quando da revolução industrial ou a inferioridade de determinados grupos étnicos.

Filosoficamente, o cristianismo e o seu tronco originário sofreram um forte golpe por meio desta teoria.

Não somos a imagem e semelhança de deus algum; somos meros habitantes deste planeta que nascem, crescem, se reproduzem e morrem, com o diferencial de que sabemos que iremos morrer, pois temos consciência.

Aliás, é uma boa questão se Deus não tem forma, como podemos ser a sua imagem e semelhança?

Caso consideremos nossa capacidade de discernir entre o bem e o mal podemos assumir essa imagem e semelhança. Mas jamais devemos considerar em termos físicos.

8- Não há contradição neste pensamento, uma vez que a tutela religiosa coloca nosso destino na mão de seres míticos ou dos astros.

Há muita gente que não dá um passo sem ler o horóscopo do jornal, ou ler um búzio ou mesmo rezar ou orar antes de sair de casa.

Dawkins deixa a mensagem de que nós somos nossos responsáveis e que nada além de nós zela por nós.

Se ele está certo ou errado, a discussão é filosófico-teológica e não filosófico-científica.

9- Ele até pode deixar fios soltos quando discute filosofia, mas em biologia não há fios soltos (A Escalada do Monte Improvável). Principalmente quando refuta o criacionismo e o DI em O Relojoeiro Cego.

10- Pois é Douglas, a coisa enrosca quando começam a se considerar os níveis pessoais de cada indivíduo.

Imagine você se a resposta alternativa para os métodos estatísticos de previsão fossem o tarô a quiromancia, o baralho, os búzios, o I-ching, a borra de café, a consulta ao horóscopo chinês ou babilônico ou a leitura de vísceras... Qual estaria certo?

É exatamente isso que se dá com os diversos modelos de criacionismo. Daí eles não serem alternativa para nada. Exceto para discussão religiosa entre cada uma das crenças.

Ciências não são uma plataforma para o livre pensamento, mas para a livre pesquisa, que consiste em responder de acordo como que a natureza diz o quê é e não o quê queríamos que fosse.

É esse o ponto onde criacionistas e adeptos do DI pecam: a subjetividade e não a busca da objetividade.

A criação pelo Pophol Vuh ou pela bíblia são exatamente a mesma coisa em termos filosófico-teológicos (partem da premissa que existem deuses) e científicos (nada as respalda de forma concreta).

Daí, se construídas com roupagem científica, passam a ser consideradas pseudociências.

No mundo científico não adianta dizer:

"Não tenho evidências, mas do fundo do meu coração sei que é isso e vc também sabe, porque é um sinal dos deuses."

Temos de encontrar evidências e fazer longos estudos até que os resultados convirjam para uma resposta e assim possamos elaborar uma teoria.

douglas reis disse...

Elyson,

Imaginei que suas atividades lhe tivessem impossibilitado de continuar temporariamente a conversa. Ainda assim, obrigado pela atenção e retorno. Como sempre, este blog está aberto a suas opiniões e questionamentos, e espero que nosso diálogo conserve o mesmo tom respeitoso de sempre. Afinal, como dois cavalheiros dotados pelo bom Deus de razão, podemos inquirir sobre idéias e falar abertamente de nossos pressupostos. Sendo assim.....


1 - Creio que você, neste caso, esteja se referindo a extremismo, não a Fudamentalismo. Toda sociedade conserva valores tradicionais e não vejo porque os cristãos não poderiam conservar os seus, principalmente porque eles provém uma base real para se "operar" num mundo real, preenchendo a vida com um senso de sentido e propósito, mais lógicos do que o que propõe qualquer outro sistema (uma vez que a concepção de Deus é diferente).

2 - Concordo com você que cada crença possui um carga moral correspondente. Mas aí se vê a beleza da moral cristã: gregos e romanos são admirados por sua filosofia, artes cênicas e poesia. Mas olhe para essas sociedades no aspecto familiar: os acasamentos eram arranjados, a pederastia entre aluno e mestre era algo aceito e comum! Os crimes sexuais mais abominados hoje eram praticados livremente. O que mudou a estrutura social, dando valor à família e criando condições para que houvesse a existência do amor romântico, e a escolha livre para escolher com quem se casar? O Cristianismo! Obviamente, dei um exemplo, mas em muitas outras áreas o Cristianismo contribuiu para a formação da moralidade ocidental, valorizada, em grande parte, até pelos secularistas.

3 - Neste caso, a corrupção não era advinda do sistema, mas sua causa era a natureza humana. O sistema em si era adequado em sua representação da divindade e sua ação salvadora; a irresponsabilidade e corrupção de uma geração de sdacerdotes não desqualifica o que Desu proveu.


4 - Este é um conceito muito difundido, mas incorreto. Muitos já viviam sobre a influência da ética protestante, com sua noção de "beruf", estudada por Weber, a qual incutia as pessoas de um senso de vocação, responsável pela expansão das mais diversas áreas do conhecimento humana - de artes plásticas às ciências naturais. Há estudos históricos desta mudança gerada pelo Cristianismo no século XXVII (principalmente); note que tais cientistas foram importantes não a despeito de serem cristãos, mas justamente por viverem a influência da beruf luterana.


5 - Caro amigo, Deus jamais pediu aceitação irracional. O apelo divino é "vinde e arrazoemos" (cf.: Isaías 1) e Paulo diz ser agradável a Deus o "culto Racional" (Rm 12:2). A razão não é excluida pela Revelação, mas santificada e útil. Não é demonstração de generosidade que um Deus infinitamente maior do que nós permita que usemos a razão ao refletir sobre sua revelação e interagir com ela?

6- Lembre de que as doutrinas são uma forma de sistematizar a instrução bíblica. Enquanto a filosofia permite discussão e embates infinitos, pelo fato de nenhum conhecimento humano conduzir per si a uma verdade absoluta, a instrução bíblica é absoluta no sentido de que parte de um Deus Perfeito. isto é coerente, afinal, se DEus é quem afirma ser, sua revelação tem que ser segura. Isto não quer dizer que esteja excluída a necessidade de se pensar nas formas de se aplicar corretamente aquilo que as Escrituras afirmam. Neste sentido, pode haver debate, crescimento na compreensão e nova sistematização, que atenda melhor à nova compreensão da Bíblia ou que proponha formas mais adequadas de aplicá-la em um mundo em constantes mudanças. Sendo assim, o Cristianismo não exige uma sociedade fechada, como o Islamismo, por exemplo. Nisto se percebe a necessidade do uso da razão, sobre o qual já nos referimos.

7- Não tenho tanta certeza de que Darwin, oriundo de uma família profundamente religioa e frustrado com a religião (por causa da crescente secularização promovida pelo espírito do Iluminismo) não tenha sido influenciada por pressupostos materialista.

A imagem de Deus pode sim incluir a forma física, entendendo-se que Deus não seria exatamente igual a nós, mas teria um corpo. Mas concordo com você que a imagem de Deus também tem a ver com caráter. Há várias alusões antropomórficas a Deus nas Escrituras, algumas das quais dificilmente seriam claramente compreendidas se fossem apenas alegorias (em outros casos, a alegorização pode ser também admitida).

8- mas a própria noção de liberdade individual não está segura dentro da visão de um universo mecânico do qual o homem faz parte, sendo apenas mais uma máquina.

9- Até onde sei, Dawkins não refutou nada. Seus argumentos já foram refutados por outros autores (e ainda vem sendo). Por outro lado, Behe comemorou os mais de 9 anos do lançamentop de seu livro sem uma refutação a idéia central do DI.

10- Os "níveis individuais" são formadas por consistentes visões de mundo. A ciência racionalista provê uma visão de mundo, uma meta-narrativa, que desde a década de 50 vem sendo criticada, uma vêz que áreas como a Física e a Bioquímica tem encontrado "furos " na teoria central. Ninguém é neutro. Dizer que o universo funciona sem a intervenção divina é uma arrojada afirmação de caráter filosófico, porque não se pode prová-la! O que há de se fazer é julgar uma visão de mundo pela sua aplicabilidade. Nisto, sobressai a vantagem do Cristianismo. Os seus pressuposto podem ser concilidados com os dados encontrados no mundo físico (Newton não veria problema em concordar com esta afirmação) e, de quebra, o sistema provê base moral e senso de propósito. Nada mal! O que a ciência provê? Que tipo de moral ela propicia?

Você vai argumentar que a intenção da Ciência não é lidar com a moral, mas idéias têm consequências e os psicólogos evolutivos estão aí para provar isto! A verdade é que a disseminação de uma visão secular e materialista é o objetivo da atual campanha contra a religião, empreendida pelos chamados "brights". Para eles, não basta que o cristianismo fique fora de cena - ele tem que ser dissipado. Não vejo muita objetividade científica neste tipo de atuitude, mas o empreendimento de uma cosmovisão lutando violentamente contra a outra.

Nádia Panaino disse...

Oi, Douglas,

Fico feliz em ver o encadeamento deste debate, e é uma pena que não tenho muito tempo para acompanhá-lo mais de perto! (60 horas de trabalho semanais, e mais casa e marido consomem todo o meu tempo....) Mas o que me chamou a atenção foi o respeito mútuo ao tratar a questão. Normalmente esse tipo de debate vem recheado de agressões mútuas, o que não é nem um pouco saudável. Entendo perfeitamente a posição do Elyson; muitos cristãos não dão bom testemunho e demonstram muito pouco conhecimento e grande presunção. Isso acaba por pesar negativamente no prato criacionista. Mas isso não significa que devemos abortar esses conceitos, mas buscar compreendê-los cada vez mais. Sua argumentação foi muito clara e profunda; demonstra conhecimento, estudo, e principalmente humildade; te admiro cada vez mais!

Realmente este é um campo controvertido, e que precisa ter um olhar bastante amplo. Deve-se deixar julgamentos pessoais de fora, o que é praticamente impossível quando se trata do gênero humano. E os cientistas não são diferentes dos demais: tb estão sujeitos à erros, visões e cosmovisões particulares e tendenciosas. É utopia achar que os cientistas estão livres disso, e que a ciência é imparcial. Haja visto os interesses financeiros e até mesmo políticos! Fui aluna de um professor de Física na universidade há mais de 20 anos, e que no final dos anos 80 denunciou o corpo editorial de um grande revista científica americana por rejeitar a publicação de um artigo dele, produto do seu doutoramento, cujo motivo foi inconsistência de dados, e por conta disso, o pedido de revisão dos mesmos. Ao cumprir a exigência em tempo recorde, viu seu trabalho publicado por um americano na mesma edição da revista. Portanto, falta de ética e parcialidade existem em qualquer profissão, e os cientistas não estão imunes a isso. Não estou dizendo que é o correto, mas que acontece. Quantos artigos foram descartados, enquanto pesquisadora, porque se via claramente o interesse financeiro suportando a pesquisa. Quanta coisa presenciei, que demonstrava claramente a ciência à serviço do poder dominante. Nem posso falar muita coisa, ou posso correr riscos... Por conta disso, e de outras coisas mais, fica muito difícil acreditar muma pretensa imparcialidade da mesma.

Até porque, o que ou quem é a ciência? É acaso uma instituição livre de qualquer suspeita, acima do bem e do mal, cujo parecer é absoluto e inquestionável? Tem sempre razão? Congrega a conclusão final sobre qualquer assunto (dentro do seu campo, é claro!)?

Tenho muita clareza de que a Bíblia não é um livro científico. E ela nem se propõe a isso. Tb tenho claro que a ciência não tenta resolver qustões metafísicas; até porque não teria estrutura para tal. Mas que ambas se complementam, disso não tenho dúvidas. E a falecida dra. Mirtha reconhece isso, quando relaciona as regras de saúde contidas no Levíticos com as descobertas da área da Microbiologia, ratificadas pelo dr. Maulori.

Claro está que muita coisa mudou, tanto na ciência, quanto na religião desde o fim da Idade média. Mas isso não significa que cientistas criacionistas existissem apenas nessa transição. Eles continuam existindo, trabalhando para a ciência e encontrando evidências para o relato bíblico, principalmente do Gênesis. Desde Pasteur, qua lançou as bases para a Microbiologia enquanto tentava (e conseguia, claro!) derrubar a teoria da geração espontânea. Temos hoje o dr. Gentry com suas pesquisas do radiohalos, dr. walter brown, que defende a teoria das hidroplacas, dr. Naor, dra. Márcia, dr. Urias, dr. Eberlin e tantos outros criacionistas à serviço da ciência.

Por falar nesse último, que tem uma reação química com seu nome (Reação de Eberlin) gostaria de lembrar a forma preconceituosa com que foi tratado num congresso, ao ter sua palestra concelada (e olha que ele tinha sido convidado a falar!) porque iria mencionar resultados de suas pesquisas no que tange à evidências criacionistas, pelo simples fato de que a coordenação do congresso não tinha interesse em tais assuntos. Penso que a falta de argumentação aliada ao constrangimento era o real motivo para tal atitude.

A minha conclusão é a seguinte: apesar da Bíblia não ser um livro científico, ela diz que muitas coisas estariam encobertas e outras não. Trabalhamos dentro daquilo que as circunstâncias permitem. Existem evidências e lacunas de ambos os lados. Isso é derivado do fato de Deus respeitar nosso livre-arbítrio. O que seria das pessoas que não aceitam ou não querem aceitar a possibilidade de um Deus Criador, se isso pudesse ser definitivamente comprovado? O mais importante é o respeito. Tenho visto ataques furiosos seguidos de posições preconceituosas, principalmente vindos do lado evolucionista, que só revelam falta de argumentação. Os criacionistas não têm respostas para tudo, assim como os evolucionistas. Mas a ciência é feita disso: a busca pela verdade.

Desculpe-me se não fui clara, ou se fui muito vaga; não tenho o dom da escrita. Além do mais, não estou em casa, e não tenho minhas fontes de cabeça. De qualquer forma, mesmo em casa isso seria difícil, uma vez que 90% dos meus alfarrábios estão encaixotados para a mudança! Como não queria deixar passar mais tempo, resolvi comentar logo, antes que o assunto fique esquecido.

Abraços, boa semana, e parabéns pelo blog!

Em tempo: por favor, não confundam criacionismo com DI; estes últimos ficam deveras aborrecidos com isso!

Elyson Scafati disse...

Oi Douglas

Realmente minhas atividades têm me tomado tempo, mas sempre há uma brecha para um bom diálogo. Vamos no mesmo esquema:

1- 1 - Creio que você, neste caso, esteja se referindo a extremismo, não a Fudamentalismo. Toda sociedade conserva valores tradicionais e não vejo porque os cristãos não poderiam conservar os seus, principalmente porque eles provém uma base real para se "operar" num mundo real, preenchendo a vida com um senso de sentido e propósito, mais lógicos do que o que propõe qualquer outro sistema (uma vez que a concepção de Deus é diferente).


[Pode ser considerado como extremismo que é uma espécie do gênero fundamentalismo, o qual abarca o literalismo de textos sagrados, fechamento de uma comunidade em si mesma, adoção de causas que fogem ao escopo da evolução da sociedade, excesso de tradicionalismos dentre outros elementos. Sustentar valores é uma coisa, mas querer impô-los é outra. Vejo os valores cristãos tão bons e tão ruins quanto os de outras crenças, bem como a lógica do cristianismo tão ilógica quanto as de outras crenças.
Aliás, como volto a frisar, o pecado do cristianismo é a sua tentativa de racionalização a fim de se justificar como a verdade para os antigos gregos. Os saltos epistemológicos são imensos e largam enormes falhas pelo caminho (veja as provas de Deus de Tomás e as de Descartes). Há diversas proposições e todas têm como causa Deus, sem que ao menos se faca uma evidência objetiva deste ser. Isso não é análise lógica; é raciocínio falacioso.
Todas as crenças têm sua concepção de deus ou deuses, mas estas concepções são subjetivas, uma vez que, toda a mítica envolvida nas crenças de nosso mundo, convergem apenas em determinados pontos: naqueles necessários a uma vida em sociedade. Era de se esperar, pois uma sociedade que cada um quer levar a sua vantagem entra no caos e termina e seus membros passam a viver isolados ou morrem.
Mesmo animais sociais fazem isso há hierarquia social baseada na força, solidariedade entre membros da comunidade, regras a serem respeitadas e divisão de trabalho que podem ser considerados como arremedos de valores.]


2 - Concordo com você que cada crença possui um carga moral correspondente. Mas aí se vê a beleza da moral cristã: gregos e romanos são admirados por sua filosofia, artes cênicas e poesia. Mas olhe para essas sociedades no aspecto familiar: os acasamentos eram arranjados, a pederastia entre aluno e mestre era algo aceito e comum! Os crimes sexuais mais abominados hoje eram praticados livremente. O que mudou a estrutura social, dando valor à família e criando condições para que houvesse a existência do amor romântico, e a escolha livre para escolher com quem se casar? O Cristianismo! Obviamente, dei um exemplo, mas em muitas outras áreas o Cristianismo contribuiu para a formação da moralidade ocidental, valorizada, em grande parte, até pelos secularistas.

[Discordo Douglas. A instituição casamento era exercitada entre gregos, romanos e bárbaros (olhando apenas a Europa e Ásia Menor). A família romana era uma instituição seriamente considerada e se a mulher não quisesse casar não casaria (Gilisen - História do Direito). Gregos exerciam o homossexualismo (diferente de homossexualidade a qual segundo estudos possui raízes orgânicas e não comportamentais).
Em Roma, o estupro era punido com a morte do agressor.

O cristianismo infiltrou a visão judaica (cuja moral e a crença religiosa eram extremamente rígidas) no modo de vida grego (de onde extraiu a lógica) e romano de onde extraiu a praticidade do direito e criou-se o direito canônico, o qual regeu a Europa em conjunto com o direito romano e bárbaro até mais ou menos o advento da Revolução Francesa. ]

3 - Neste caso, a corrupção não era advinda do sistema, mas sua causa era a natureza humana. O sistema em si era adequado em sua representação da divindade e sua ação salvadora; a irresponsabilidade e corrupção de uma geração de sdacerdotes não desqualifica o que Desu proveu.

[Sim, isso demonstra que a religião e as igrejas são criações humanas e que nós determinamos o que os deuses pensam, são ou querem.]



4 - Este é um conceito muito difundido, mas incorreto. Muitos já viviam sobre a influência da ética protestante, com sua noção de "beruf", estudada por Weber, a qual incutia as pessoas de um senso de vocação, responsável pela expansão das mais diversas áreas do conhecimento humana - de artes plásticas às ciências naturais. Há estudos históricos desta mudança gerada pelo Cristianismo no século XXVII (principalmente); note que tais cientistas foram importantes não a despeito de serem cristãos, mas justamente por viverem a influência da beruf luterana.

[Mas muitos ainda estavam presos à metafísica a qual fazia parte dos estudos “científicos”. Os protestantes eram às vezes tão ou mais duros que os católicos:

-Calvinistas atearam fogo ao anatomista Servet que por dissecar corpos fora acusado de bruxaria.

-Em Salém pessoas morreram pelas mão de puritanos acusadas de bruxaria quando na verdade era contaminação por ergotamina (fungo do centeio) e indução á fantasia por parte dos interrogadores.

O conhecimento teve um grande avanço a esta época, mas ainda as ciências, bem como as artes se impregnavam de religiosidade. ]


5 - Caro amigo, Deus jamais pediu aceitação irracional. O apelo divino é "vinde e arrazoemos" (cf.: Isaías 1) e Paulo diz ser agradável a Deus o "culto Racional" (Rm 12:2). A razão não é excluida pela Revelação, mas santificada e útil. Não é demonstração de generosidade que um Deus infinitamente maior do que nós permita que usemos a razão ao refletir sobre sua revelação e interagir com ela?

[Não é o que certos cristãos parecem fazer ou ter em mente ao tentarem tornar a bíblia um compendio científico acima de qualquer coisa.
Nesse ponto, realmente não há razão, mas meramente fé.
Podemos refletir muito sobre revelações dentro de qualquer crença religiosa, mas elas são subjetivas. O que é uma revelação para um é uma piada para outro.]

6- Lembre de que as doutrinas são uma forma de sistematizar a instrução bíblica. Enquanto a filosofia permite discussão e embates infinitos, pelo fato de nenhum conhecimento humano conduzir per si a uma verdade absoluta, a instrução bíblica é absoluta no sentido de que parte de um Deus Perfeito. isto é coerente, afinal, se DEus é quem afirma ser, sua revelação tem que ser segura. Isto não quer dizer que esteja excluída a necessidade de se pensar nas formas de se aplicar corretamente aquilo que as Escrituras afirmam. Neste sentido, pode haver debate, crescimento na compreensão e nova sistematização, que atenda melhor à nova compreensão da Bíblia ou que proponha formas mais adequadas de aplicá-la em um mundo em constantes mudanças. Sendo assim, o Cristianismo não exige uma sociedade fechada, como o Islamismo, por exemplo. Nisto se percebe a necessidade do uso da razão, sobre o qual já nos referimos.

[Neste ponto a carga de subjetividade é grande. A bíblia pode ser absoluta aos seus seguidores, mas não para os 2/3 restantes do mundo. Deuses perfeitos existem em todas as crenças e YHWH não foge a esta regra. Outras crenças também têm seus deuses revelados.
O cristianismo pode seguir o seus sistema e adaptá-lo aos seus fiéis conforme à evolução da sociedade; não vejo restrições contra isso.

Somente faço restrições à medida que o cristianismo passa a se julgar a única verdade acima de tudo. Não vejo isso como uma virtude desta crença, mas como uma falha muito grande, embora hoje os cristãos, em parte, tenham aprendido usar a razão e entender o que é tolerância.]


7- Não tenho tanta certeza de que Darwin, oriundo de uma família profundamente religioa e frustrado com a religião (por causa da crescente secularização promovida pelo espírito do Iluminismo) não tenha sido influenciada por pressupostos materialista.

A imagem de Deus pode sim incluir a forma física, entendendo-se que Deus não seria exatamente igual a nós, mas teria um corpo. Mas concordo com você que a imagem de Deus também tem a ver com caráter. Há várias alusões antropomórficas a Deus nas Escrituras, algumas das quais dificilmente seriam claramente compreendidas se fossem apenas alegorias (em outros casos, a alegorização pode ser também admitida).

[Prefiro ficar com a imagem de caráter dos deuses (uns bons outro pérfidos, o que reflete em muito a psique humana e o seu dual bom/mau), mesmo porque atropomorfismos existem mesmo nas crenças atuais e tentamos muitas vezes fazer deuses à semelhança de humanos. É claro que em muitas religiões eles assumem formas de outras coisas como plantas, animais ou figuras que mais se parecem a pessoas defeituosas.

Essas alegorias e alegorizações estão presentes, por exemplo, nas crenças judaico-cristã-islâmicas e no induísmo onde os deuses se revelam seja no caráter seja fisicamente.]

8- mas a própria noção de liberdade individual não está segura dentro da visão de um universo mecânico do qual o homem faz parte, sendo apenas mais uma máquina.

[Sei que a existência sem deuses ou crenças religiosas causa desconforto na maioria das pessoas. Afinal somos humanos e sabemos que vamos morrer e não gostamos dessa idéia de fim.
A religião é um conforto para nossa existência, pois acreditamos que após a morte reencarnaremos, dormiremos até um juízo divino, viraremos uma estrela, retornaremos como um espírito da natureza, iremos descansar para sempre no mundo dos mortos, etc.
Em suma é duro admitir que depois de uma vida teremos um fim. É justamente isso que a religião conforta esse duro fim de uma existência que não deve se resumir em passar seus genes para seus descendentes.
Essa é a forma com que Dawkins vê como a natureza funciona e, infelizmente, de fato é assim que ela trabalha, pois até então não há evidências objetivas de que exista um “além” além daqui. ]

9- Até onde sei, Dawkins não refutou nada. Seus argumentos já foram refutados por outros autores (e ainda vem sendo). Por outro lado, Behe comemorou os mais de 9 anos do lançamentop de seu livro sem uma refutação a idéia central do DI.

[Quanto ao livro de Behe, há muitas impropriedades em seu raciocínio, além de ausência de pesquisa de modo a desvendar o que ele denomina complexidade irredutível. Muitas estruturas bioquímicas que existem hoje não surgiram do dia para a noite como é a mensagem que ele deixa.

Tais estruturas passaram por bilhões de anos de adaptação ao meio. Certamente se valeram de estruturas que hoje estão ou não mais estão presentes, pois podem, por mutações, terem sido eliminadas ou geradas.

Uma das piores coisas que Behe coloca em seu livro é o argumento da ratoeira que é uma “roupinha nova” para o argumento do relógio de Paley, o qual nem merece comentários, por se tratar de uma falácia.

Outro ponto é a evolução do olho (essa já passou dos limites). Basta acompanharmos os seres que temos hoje é veremos como os sistemas sensoriais se desenvolveram. É pena que perdemos a fauna edicarana e cambriana que nos poderia dar um melhor panorama a respeito do desenvolvimento de órgãos. Mas, tanto a fisiologia animal, como a vegetal, nos trazem parte do caminho trilhado pelas espécies.

Evoluir não significa trilhar uma linha sem volta como muitos pensam. Evoluir é adaptar-se ao meio. Grosso modo, se um peixe ganhou pulmões e saiu da água para conquistar as terras, não significa que seus sucessores não possam fazer o caminho inverso, como fizeram os ancestrais das baleias.

Se der um passeio pelo talk origins ou consultar a internet verá quanta coisa existe refutando Behe. Seu livro apenas é tido como referencia para criacionistas e adeptos do DI. Para quem é da área de ciências, este livro não possui valor científico, uma vez que se constrói apenas por argumentos e não por pesquisas que mereçam crédito.
A idéia central do DI é um projetista inteligente. A idéia do criacionismo é Deus, ou seja, apenas houve uma troca de nomes do “criador” para não dar na cara e poder assim dar margem que a religião cristã entre sorrateiramente nas escolas e crie mais confusão do que elucidação às matérias de biologia.

Até mesmo desconsidero a questão filosófica do DI e fico com a questão teológica, pois a discussão certamente descambará para a temática cristã do pecado e da salvação, assunto este que não é objeto de biologia.

Nadia permita-me discordar de você, mas DI é criacionismo travestido de ciências. A idéia do DI não possui bases científicas. Pauta-se apenas por argumentação de cunho filosófico e teológico e de observações limitadas, que escolhem a dedo determinadas estruturas, apontam falhas nas teorias hoje existentes e concluem que a idéia do DI está correta.

Esta hipótese (sequer considero DI uma teoria) não constrói qualquer teoria, pois não se ergue por si mesma. Não estuda nem pesquisa nada. Simplesmente aponta as falhas teóricas sem construir bases teóricas que a expliquem e assim propicie uma nova teoria que rechace ou repare a teoria apontada. Simplesmente conclui que tal coisa jamais poderia ter se desenvolvido na natureza e que, portanto, somente um projetista inteligente poderia fazê-la.

Aliás, somente um ser complexo poderia criar uma coisa complexa e o tal ser deveria, em tese ser mais complexo que a coisa criada. Assim, quem teria criado o tal ser complexo? Certamente deveria ser algo mais complexo ainda.

Não há evidências objetivas de seres divinos ou superinteligentes, o que torna a hipótese de existirem remota e, portanto, não devem ser considerados como variáveis para a construção de teorias que pretendam elucidar nosso mundo. Aqui o DI se esfacela, não possui evidências objetivas de sua hipótese central.

Nosso projetista inteligente possui sim uma identidade; e esta se denomina evolução das espécies, não se tratando de qualquer ser personificado ou divindade criadora (aliás existem muitas por ai).

Quanto a Dawkins, quando traz a temática biologia, se pauta em pesquisas realizadas, não em retórica vazia como os artigos da SCB e de adversários como a galera dos pseudocientistas do criacionismo.

Sobre “Deus um Delírio”, é a opinião pessoal de Dawkins sobre a temática religião. Mc Grath tentou refutar suas (aliás, foi o pior livro que já li na minha vida – O Delírio de Dawkins), porém, na minha opinião sem sucesso, pois a argumentação é tendenciosa, o livro é repleto de impropriedades filosóficas, e científicas, além de se valer excessivamente de falácias contra a pessoa de Dawkins, o que é extremamente deselegante e desagradável.

Como já disse, no mundo científico não adianta eu meramente acreditar, tenho de confirmar para poder ter uma teoria revestida de caráter científico. ]


10- Os "níveis individuais" são formadas por consistentes visões de mundo. A ciência racionalista provê uma visão de mundo, uma meta-narrativa, que desde a década de 50 vem sendo criticada, uma vêz que áreas como a Física e a Bioquímica tem encontrado "furos " na teoria central. Ninguém é neutro. Dizer que o universo funciona sem a intervenção divina é uma arrojada afirmação de caráter filosófico, porque não se pode prová-la! O que há de se fazer é julgar uma visão de mundo pela sua aplicabilidade. Nisto, sobressai a vantagem do Cristianismo. Os seus pressuposto podem ser concilidados com os dados encontrados no mundo físico (Newton não veria problema em concordar com esta afirmação) e, de quebra, o sistema provê base moral e senso de propósito. Nada mal! O que a ciência provê? Que tipo de moral ela propicia?

Você vai argumentar que a intenção da Ciência não é lidar com a moral, mas idéias têm consequências e os psicólogos evolutivos estão aí para provar isto! A verdade é que a disseminação de uma visão secular e materialista é o objetivo da atual campanha contra a religião, empreendida pelos chamados "brights". Para eles, não basta que o cristianismo fique fora de cena - ele tem que ser dissipado. Não vejo muita objetividade científica neste tipo de atuitude, mas o empreendimento de uma cosmovisão lutando violentamente contra a outra.pode ser considerado como extremismo.

[“Furos” em teorias existirão sempre, pois não há teorias perfeitas. Mas usar esses furos a fim de dizer que eles sustentam uma teoria alternativa (prática de criacionistas e adeptos do DI) sem qualquer embasamento científico é uma má fé tremenda, que simplesmente deixa os cientistas sérios muito aborrecidos.

Podemos conciliar o que quisermos, com o que bem entendermos. Mas, caso nessa conciliação haja elementos de ordem pessoal (crenças ideológicas, religiosas, valores) tal conciliação deverá permanecer apenas no nível pessoal.
Aliás, em minha forma de ver, o budismo representa o papel que cita de modo bem mais arrojado e “lógico” que o cristianismo.

Realmente, a ciência natural não se trata do estudo da ética de da moral. Não é seu objeto. Isso é uma questão filosófico-sociológica.

Idéias equivocadas, quando plantadas na cabeça das pessoas, geralmente, trazem conseqüências nefastas. Com o próprio cristianismo, isso já aconteceu e ainda acontece quando esta forma de pensamento é deturpada.

Quanto aos brights é a forma deles verem a questão religiosa. Isso não é ciência, mas questão meramentede cunho pessoal deles.

Até certo ponto entendo a posição deles. Você há de convir comigo que hoje há uma cruzada anti-cientifica que parte exclusivamente de cristãos, que a todo custo querem impor o ensino do criacionismo nas escolas a fim de combater teorias que tiraram Deus de cena.

Daí, até mesmo inventarem marolas metafísicas como o DI e forjarem maluquices como os radiohalos de polônio, o declínio do campo magnético terrestre, o pó da Lua, o encolhimento do Sol, o grand canyon como uma prova do dilúvio, acúmulos de resíduos nos mares, teoria das hidroplacas, modelos ante-diluvianos que explicam o gigantismo de animais pré históricos, etc.. É aqui que não só os brights, mas a comunidade científica séria se pega com a religião.

Isso tudo soa ridículo, pois os articuladores dessas marolas foram desmascarados e quem saiu perdendo com isso foi a imagem do cristianismo.

Se os divulgadores do criacionismo (em sua maioria, cristãos protestantes de diversas marcas) se pautam pela mentira de modo a convencer as pessoas da veracidade da bíblia, não há porque se dar crédito a esta crença. Ela é uma mentira.

Não há cosmovisão religiosa a fim de se entender como o mundo funciona em sua acepção científica. O mundo é natural e como tal deve ser explicado por causas naturais, não por deuses, espíritos ou forças do além.

A cosmovisão religiosa deve se restringir a elocubrar sobre o que há e como é o “além” e o que fazer para se chegar lá e não a um suposto inferno. Para tal, resta o debate entre as diversas religiões que existem por ai.

Se o sobrenatural age no natural, ele passa a ser natural e assim passível de estudo pelo modelo científico.

Na verdade, a forma da religião se harmonizar á ciência é não se meter nela, não tentar provar nada a fim de atestar suas escrituras ou lendas passadas entre as gerações, uma vez que isso apenas levará a religião ao descrédito.

Quanto aos interesses financeiros, Nadia, é claro que eles existem e são eles que dão as cartas. Nenhuma empresa financia o que não trará retorno.
Quanto à imparcialidade e sacanagens, é como o Douglas afirmou em seu post acerca da corrupção; infelizmente ela existe e corrompe as pessoas.

Sobre o pessoal que citou Nádia, respeito o trabalho deles quando se trata de trabalho científico de fato. Mas discordo plenamente deles quando envolvem crenças pessoais em seus trabalhos de modo a sustentarem suas crenças religiosas.

Já tive oportunidade de ler e quando discorrem sobre matérias que envolvem “provas” sobre o criacionismo, desculpe, mas a coisa toma tom de programa humorístico ou de Igreja às 2 da manhã na TV. Realmente eles perdem o bom senso.]